{"id":168846,"date":"2022-06-17T13:49:55","date_gmt":"2022-06-17T16:49:55","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/caso-dom-phillips-e-bruno-pereira-investigacao-aponta-que-nao-houve-mandante-diz-pf\/"},"modified":"2022-06-17T13:49:55","modified_gmt":"2022-06-17T16:49:55","slug":"caso-dom-phillips-e-bruno-pereira-investigacao-aponta-que-nao-houve-mandante-diz-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/17\/caso-dom-phillips-e-bruno-pereira-investigacao-aponta-que-nao-houve-mandante-diz-pf\/","title":{"rendered":"Caso Dom Phillips e Bruno Pereira: investiga\u00e7\u00e3o aponta que n\u00e3o houve mandante, diz PF"},"content":{"rendered":"<p>A Pol\u00edcia Federal disse nesta sexta-feira (17\/06), por meio de nota, que as investiga\u00e7\u00f5es sobre o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips apontam que seus supostos assassinos teriam agido sozinho e que o crime n\u00e3o teria sido ordenado por um mandante ou estaria ligado a uma fac\u00e7\u00e3o criminosa. <\/p>\n<p>Bruno e Dom desapareceram no dia 5 de junho enquanto viajavam pelo Vale do Javari, no Oeste do Amazonas. <\/p>\n<p>&#8220;As investiga\u00e7\u00f5es prosseguem e h\u00e1 indicativos da participa\u00e7\u00e3o de mais pessoas na pr\u00e1tica criminosa. As investiga\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m apontam que os executores agiram sozinhos, n\u00e3o havendo mandante nem organiza\u00e7\u00e3o criminosa por tr\u00e1s do delito. Por fim, esclarece que, com o avan\u00e7o das dilig\u00eancias, novas pris\u00f5es poder\u00e3o ocorrer&#8221;, diz um trecho da nota enviada pela Pol\u00edcia Federal. <\/p>\n<p>Na quarta-feira (15\/06), o superintendente da Pol\u00edcia Federal, Alexandre Eduardo Fontes, disse que um dos dois homens presos durante as investiga\u00e7\u00f5es, Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como &#8220;Pelado&#8221;, teria confessado que enterrou os corpos de Bruno e Dom em uma \u00e1rea de mata de dif\u00edcil acesso. <\/p>\n<p>Ainda segundo Fontes, &#8220;Pelado&#8221; guiou os investigadores at\u00e9 o local onde os corpos teriam sido enterrados. L\u00e1, as equipes de busca encontraram remanescentes humanos que foram enviados a Bras\u00edlia para serem periciados. Segundo o delegado, h\u00e1 &#8220;grandes chances&#8221; de o material ser de Bruno e Dom. <\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de que as investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o teriam apontando que o crime teve mandante foi rebatida pela Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Vale do Javari (Univaja). <\/p>\n<p>Em nota divulgada nesta sexta-feira, a entidade diz que enviou informa\u00e7\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), Pol\u00edcia Federal e Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) apontando que os suspeitos presos faziam parte de um grupo criminoso respons\u00e1vel pelas invas\u00f5es \u00e0 Terra Ind\u00edgena Vale do Javari. A entidade cobrou a continuidade das investiga\u00e7\u00f5es. Bruno era servidor licenciado da Funai e atuava como consultor da Univaja<\/p>\n<p>&#8220;A nota \u00e0 imprensa, emitida pela PF hoje, corrobora com aquilo que j\u00e1 destacamos: as autoridades competentes, respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o territorial e de nossas vidas, t\u00eam ignorado nossas den\u00fancias, minimizando os danos, mesmo ap\u00f3s os assassinatos de nossos parceiros, Pereira e Phillips&#8221;, disse um trecho da nota da Univaja. <\/p>\n<p>&#8220;O requinte de crueldade utilizado na pr\u00e1tica do crime evidencia que Pereira e Phillips estavam no caminho de uma poderosa organiza\u00e7\u00e3o criminosa que tentou \u00e0 todo custo ocultar seus rastros durante a investiga\u00e7\u00e3o. Esse contexto evidencia que n\u00e3o se trata apenas de dois executores, mas sim de um grupo organizado que planejou minimamente os detalhes desse crime&#8221;, diz outro trecho da nota. <\/p>\n<p>Os remanescentes humanos localizados pela Pol\u00edcia Federal e apontados inicialmente como sendo do indigenista Bruno Pereira e do jornalista brit\u00e2nico Dom Phillips chegaram a Bras\u00edlia no in\u00edcio da noite de quinta-feira (16\/06). <\/p>\n<p>Os remanescentes foram transportados em caix\u00f5es de madeira em um avi\u00e3o da PF. O material foi encaminhado ao Instituto Nacional de Criminal\u00edstica, onde os peritos v\u00e3o indicar se ele pertence, de fato, \u00e0 dupla.<\/p>\n<p>Na quinta-feira, a PF deu mais detalhes sobre os primeiros exames feitos em amostras de sangue encontradas em uma canoa atribu\u00edda a um dos suspeitos. As amostras foram comparadas com material gen\u00e9tico de refer\u00eancia de Bruno e Dom. Em rela\u00e7\u00e3o ao jornalista brit\u00e2nico, a PF disse que o exame excluiu a possibilidade de que o sangue encontrado fosse dele. Em rela\u00e7\u00e3o a Bruno Pereira, a PF disse que os resultados foram inconclusivos, o que demandaria exames complementares. <\/p>\n<p>A nota disse ainda que os exames n\u00e3o identificaram DNA humano nas v\u00edsceras encontradas em um rio da regi\u00e3o onde ocorreu o desaparecimento. Ainda de acordo com a pol\u00edcia, isso pode ter ocorrido porque o material estava muito degradado ou porque n\u00e3o pertencia, de fato, a um ser humano. <\/p>\n<h3>A investiga\u00e7\u00e3o <\/h3>\n<p>O outro suspeito preso at\u00e9 o momento, Oseney da Costa de Oliveira, que seria irm\u00e3o de Amarildo, negou participa\u00e7\u00e3o no crime.<\/p>\n<p>Segundo a PF, &#8220;Pelado&#8221; levou integrantes das equipes de busca ao local, que fica a 3,1 km da margem do rio, em local de dif\u00edcil acesso.<\/p>\n<p>&#8220;No final da noite (ter\u00e7a-feira), [Amarildo] resolveu confessar a pr\u00e1tica criminosa. Durante a confiss\u00e3o da pr\u00e1tica criminosa, perante delegados da PF, da Pol\u00edcia Civil, da for\u00e7a-tarefa, que estamos realizando, ele narra com detalhes o crime realizado e aponta o local onde havia enterrado os corpos&#8221;, disse Fontes.    <\/p>\n<p>Alexandre Fontes disse que as investiga\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o em curso e que novas pris\u00f5es relacionadas ao crime devem acontecer &#8220;a qualquer momento&#8221;. H\u00e1 ind\u00edcios, segundo ele, da participa\u00e7\u00e3o de pelo menos mais uma pessoa no crime.<\/p>\n<p>A PF n\u00e3o quis divulgar \u00e0 imprensa quais s\u00e3o as principais hip\u00f3teses para os motivos por tr\u00e1s dos assassinatos. Mas informa\u00e7\u00f5es vazadas a ve\u00edculos de imprensa brasileiros, de forma an\u00f4nima e atribu\u00edda \u00e0 PF, t\u00eam apontado para liga\u00e7\u00f5es com den\u00fancias de atividades ilegais na regi\u00e3o. <\/p>\n<p>Na noite de quarta-feira, depois do an\u00fancio de novas informa\u00e7\u00f5es pela PF, a esposa de Dom Phillips, Alessandra Sampaio, divulgou para a imprensa um comunicado afirmando: &#8220;Embora ainda estejamos aguardando as confirma\u00e7\u00f5es definitivas, este desfecho tr\u00e1gico p\u00f5e um fim \u00e0 ang\u00fastia de n\u00e3o saber o paradeiro de Dom e Bruno. Agora podemos lev\u00e1-los para casa e nos despedir com amor.&#8221;  &#8220;Hoje, se inicia tamb\u00e9m nossa jornada em busca por justi\u00e7a. Espero que as investiga\u00e7\u00f5es esgotem todas as possibilidades e tragam respostas definitivas, com todos os desdobramentos pertinentes, o mais rapidamente poss\u00edvel&#8221;, continua o comunicado assinado por Sampaio. <\/p>\n<p>Pouco antes da entrevista coletiva da PF, o ministro da Justi\u00e7a, Anderson Torres, disse em uma postagem no Twitter ter sido informado pela Pol\u00edcia Federal que &#8220;remanescentes humanos&#8221; foram encontrados no local onde se concentravam as buscas.  <\/p>\n<p>Confira abaixo o que se sabe sobre o caso do desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips.<\/p>\n<h3>Quem s\u00e3o Bruno Pereira e Dom Phillips e o que eles estavam fazendo na Amaz\u00f4nia?<\/h3>\n<p>Bruno da Cunha de Ara\u00fajo Pereira \u00e9 indigenista e servidor da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio). Ele estava licenciado do cargo e trabalhando em um projeto das ONGs WWF-Brasil e Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Parque do Javari (Univaja) para ensinar ind\u00edgenas a monitorar suas terras com o uso de tecnologias como drones. A terra demarcada no Vale do Javari \u00e9 constantemente invadida por criminosos.<\/p>\n<p>Bruno \u00e9 tido como um dos maiores especialistas sobre a regi\u00e3o e um dos principais indigenistas do pa\u00eds. Em 2019, ele foi exonerado de um cargo de chefia na Funai, mas seguiu como servidor licenciado.<\/p>\n<p>Dom Phillips \u00e9 jornalista e colaborador de diversos jornais no exterior, entre eles o brit\u00e2nico The Guardian. Phillips mora no Brasil h\u00e1 15 anos e \u00e9 casado com uma brasileira. Ele realizou diversas viagens para a Amaz\u00f4nia, onde fez reportagens sobre desmatamento e crimes.<\/p>\n<ul>\n<li>&#8216;Amaz\u00f4nia, sua linda&#8217;: Dom Phillips escrevia livro sobre como salvar floresta<\/li>\n<li>&#8216;Dom entendia complexidade da Amaz\u00f4nia e n\u00e3o via garimpeiros simplesmente como vil\u00f5es&#8217;, relata esposa de jornalista desaparecido<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ele viajou para o extremo oeste da Amaz\u00f4nia acompanhado de Bruno para coletar dados para um livro que estava escrevendo sobre como salvar a floresta. Os dois eram amigos e j\u00e1 haviam viajado juntos \u00e0 Amaz\u00f4nia em outras ocasi\u00f5es profissionais.<\/p>\n<p>Dias antes de se encontrar com Dom Phillips fora do Vale do Javari, Bruno manteve reuni\u00f5es com l\u00edderes ind\u00edgenas dentro da reserva ind\u00edgena.<\/p>\n<h3>O que aconteceu?<\/h3>\n<p>No domingo, dia 5 de junho, Bruno e Dom desapareceram a poucos quil\u00f4metros do Vale do Javari, que \u00e9 a segunda maior reserva ind\u00edgena do Brasil. Eles viajavam de barco pelos mais de 70 km que ligam o lago do<br \/>\nJaburu ao munic\u00edpio de Atalaia do Norte. Na \u00faltima vez que foram vistos, eles pararam na comunidade de S\u00e3o Rafael, \u00e0s 6h, onde tinham uma reuni\u00e3o marcada com o l\u00edder pescador Manoel Vitor Sabino da Costa, conhecido como Churrasco.<\/p>\n<p>Dali, eles seguiram seu caminho pelo rio. A dupla deveria ter chegado a Atalaia do Norte duas horas depois, mas desapareceu. Quem soou o alerta foram os ind\u00edgenas da Univaja. Segundo a associa\u00e7\u00e3o, Bruno e Dom viajavam em uma lancha em bom estado e com combust\u00edvel suficiente para a viagem.<\/p>\n<p>A Univaja disse que \u00e0s 14h enviou uma equipe &#8220;formada por ind\u00edgenas extremamente conhecedores da regi\u00e3o&#8221;. A equipe teria percorrido inclusive os &#8220;furos&#8221; do rio Itaqua\u00ed, mas nenhum vest\u00edgio foi encontrado. <\/p>\n<p>H\u00e1 relatos de que Bruno Pereira era alvo constante de amea\u00e7as feitas por pescadores ilegais, garimpeiros e madeireiros. Al\u00e9m disso, a Univaja tamb\u00e9m relatou amea\u00e7as a seus integrantes ??? tendo registrado boletim de ocorr\u00eancia na pol\u00edcia poucas semanas antes do desaparecimento de Bruno.<\/p>\n<h3>O que se descobriu at\u00e9 agora?<\/h3>\n<p>Buscas foram feitas pelas pol\u00edcias Federal, Militar e Civil, al\u00e9m da For\u00e7a Nacional, Ex\u00e9rcito, Marinha e grupos de ind\u00edgenas. Duas aeronaves, tr\u00eas drones, 16 embarca\u00e7\u00f5es e 20 viaturas foram usados nas buscas. <\/p>\n<p>Dois dias depois do desaparecimento, em 7 de junho, a pol\u00edcia prendeu o pescador Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como &#8220;Pelado&#8221;, e o nomeou como suspeito no caso ??? mas n\u00e3o forneceu detalhes sobre qualquer rela\u00e7\u00e3o entre ele e os desaparecidos. &#8220;Pelado&#8221; foi preso com drogas e muni\u00e7\u00f5es de uso restrito de autoridades. H\u00e1 relatos de que ele estaria amea\u00e7ando ind\u00edgenas que trabalham nas buscas.<\/p>\n<p>A sua lancha tinha rastros de sangue. Segundo a PF, os exames deram indicam que o sangue n\u00e3o pertenceria a Dom Phillips e foram inconclusivos em rela\u00e7\u00e3o a Bruno Pereira.  Em uma audi\u00eancia de cust\u00f3dia, Amarildo acusou policiais de espanc\u00e1-lo.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias de Bruno e Dom cederam material gen\u00e9tico dos dois para ajudar na per\u00edcia.<\/p>\n<p>Ind\u00edgenas tamb\u00e9m alertaram para um local no curso do rio onde h\u00e1 sinais de que um barco do tamanho da lancha usada por Bruno e Dom poderia ter parado ??? com um buraco formado na mata. O local est\u00e1 sendo periciado pela pol\u00edcia, que busca qualquer vest\u00edgio de que a embarca\u00e7\u00e3o tenha passado por ali.<\/p>\n<p>No domingo (12\/6), foram encontrados objetos pessoais de Bruno e Dom em um trecho do rio.<\/p>\n<h3>O que se sabe sobre a regi\u00e3o do Vale do Javari?<\/h3>\n<p>Bruno Pereira e Dom Phillips estavam perto da reserva ind\u00edgena do Vale do Javari ??? mas fora dela ??? quando desapareceram.<\/p>\n<p>Com \u00e1rea equivalente \u00e0 de Portugal, o territ\u00f3rio abriga uma floresta bem preservada. Nele vivem cerca de 6 mil integrantes de sete etnias, al\u00e9m de membros de v\u00e1rios grupos em isolamento volunt\u00e1rio.<\/p>\n<ul>\n<li>Regi\u00e3o onde rep\u00f3rter e servidor desapareceram sofre viol\u00eancia crescente e foi abandonada pelo governo, diz ex-chefe da Funai  <\/li>\n<li>La\u00e7os entre traficantes, ca\u00e7adores e pescadores acirram viol\u00eancia onde dupla desapareceu na Amaz\u00f4nia<\/li>\n<\/ul>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 conhecida por intensos conflitos entre diversos grupos criminosos (como quadrilhas de madeireiros e pescadores ilegais) contra ind\u00edgenas. Alguns estudos sugerem que existe liga\u00e7\u00e3o entre essas atividades e o narcotr\u00e1fico, que est\u00e1 presente na regi\u00e3o desde os anos 1970.<\/p>\n<p>Pesquisadores tamb\u00e9m apontam para o enfraquecimento da Funai nos \u00faltimos anos ??? o que aumentou ainda mais a atividade criminosa no Vale do Javari. Nos \u00faltimos anos, houve v\u00e1rios ataques na regi\u00e3o atribu\u00eddos a pescadores e ca\u00e7adores ilegais.<\/p>\n<p>Os atos foram interpretados como repres\u00e1lias a tentativas de reprimir a a\u00e7\u00e3o dos grupos na terra ind\u00edgena. Entre 2018 e 2019, uma base da Funai que controla o acesso \u00e0 Terra Ind\u00edgena Vale do Javari foi alvejada em oito ocasi\u00f5es distintas.<\/p>\n<p>Em 2019, o colaborador da Funai Maxciel Pereira dos Santos foi morto a tiros em Tabatinga, a maior cidade da regi\u00e3o. Meses antes, ele havia participado de uma opera\u00e7\u00e3o que apreendeu grande quantidade de pesca e ca\u00e7a ilegal. N\u00e3o houve pris\u00f5es nem condena\u00e7\u00f5es pelo crime.<\/p>\n<h3>Qual foi a resposta das autoridades brasileiras?<\/h3>\n<p>Dois dias depois do desaparecimento, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro disse que a viagem de Bruno e Dom era uma &#8220;aventura n\u00e3o-recomend\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Realmente, duas pessoas apenas em um barco, em uma regi\u00e3o daquela, completamente selvagem, \u00e9 uma aventura que n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel que se fa\u00e7a. Tudo pode acontecer. Pode ser um acidente, pode ser que tenham sido executados. Tudo pode acontecer. A gente espera e pede a Deus que sejam encontrados brevemente&#8221;, disse o presidente.<\/p>\n<ul>\n<li>Governo Bolsonaro diz nos EUA que &#8216;trabalha pesado&#8217; em buscas por desaparecidos na Amaz\u00f4nia<\/li>\n<\/ul>\n<p>A fala foi criticada pelos familiares de Bruno e Dom, que acusaram o Estado brasileiro de fracassar na seguran\u00e7a da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo brasileiro tamb\u00e9m foi criticado por n\u00e3o agir rapidamente nas buscas. No dia seguinte ao desaparecimento, o Comando Militar da Amaz\u00f4nia, do Ex\u00e9rcito brasileiro, emitiu nota afirmando que estava &#8220;em condi\u00e7\u00f5es de cumprir miss\u00e3o humanit\u00e1ria de busca&#8221;, mas que a a\u00e7\u00e3o s\u00f3 seria tomada &#8220;mediante acionamento por parte do Escal\u00e3o Superior&#8221;.<\/p>\n<p>Em discurso na C\u00fapula das Am\u00e9ricas, nos EUA, Bolsonaro disse que &#8220;desde o primeiro dia, quando foi dado o sinal de alerta, a Marinha entrou em campo, e no dia seguinte as For\u00e7as Armadas e a Pol\u00edcia Federal&#8221;. Bolsonaro afirmou que o Estado brasileiro j\u00e1 gastou mais de meio milh\u00e3o de reais nas buscas.<\/p>\n<p>Familiares tamb\u00e9m criticaram a falta de suporte da Funai e declara\u00e7\u00f5es feitas pelo seu presidente, Marcelo Xavier. O presidente da Funai disse que Bruno Pereira e Dom Phillips precisavam ter pedido autoriza\u00e7\u00e3o para viajar para a reserva ind\u00edgena na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;A Funai, de forma nenhuma, emitiu nenhum tipo de autoriza\u00e7\u00e3o para ingresso nessa \u00e1rea ind\u00edgena&#8221;, disse Xavier \u00e0 Voz do Brasil.<\/p>\n<p>No entanto, Bruno e Dom n\u00e3o estavam na \u00e1rea ind\u00edgena quando sumiram. Documentos revelados pela TV Globo mostram que semanas antes de desaparecer, Bruno solicitou autoriza\u00e7\u00e3o da Funai para ingressar na reserva do Vale do Javari, e teve seu pedido aceito ??? o que contradiz as declara\u00e7\u00f5es do presidente da Funai.<\/p>\n<p>Bruno ingressou na \u00e1rea, onde se reuniu com ind\u00edgenas, e posteriormente encontrou Dom Phillips fora da reserva. Dom n\u00e3o esteve na reserva e o desaparecimento de ambos ocorreu fora da \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Qual foi a repercuss\u00e3o internacional do caso?<\/h3>\n<p>A repercuss\u00e3o do caso \u00e9 global, tendo sido noticiada nos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do mundo. Ao longo da \u00faltima semana, atos no Brasil e no mundo cobraram uma resolu\u00e7\u00e3o do caso. Parentes e ativistas se reuniram em frente \u00e0 embaixada brasileira em Londres. Tamb\u00e9m houve atos em cidades como Rio de Janeiro e Salvador.<\/p>\n<p>Na C\u00fapula das Am\u00e9ricas, evento do qual Bolsonaro participou em Los Angeles na semana passada, circulou um ve\u00edculo com um cartaz que perguntava &#8220;Onde est\u00e3o Dom e Bruno?&#8221;<\/p>\n<p>A ONG Human Rights Watch pediu maior empenho do governo brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;Dom Phillips e Bruno Pereira desapareceram em 5 de junho. Jair Bolsonaro disse que eles estavam em &#8216;uma aventura que n\u00e3o \u00e9 recomendada&#8217;. A aventura deles foi cuidar dos ind\u00edgenas e da Amaz\u00f4nia durante um governo que n\u00e3o se preocupou com nada disso&#8221;, disse a entidade no Twitter.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional tamb\u00e9m pediu empenho das autoridades brasileiras, al\u00e9m de apoio internacional do Peru e da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>&#8220;A coopera\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 mais vital do que nunca em situa\u00e7\u00f5es de crise como esta&#8221;, disse a Anistia, em nota.<\/p>\n<p>O Escrit\u00f3rio de Direitos Humanos da ONU expressou &#8220;preocupa\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o mais ampla dos constantes ataques e ass\u00e9dios contra ativistas, ambientalistas e jornalistas no Brasil, enfatizando que as autoridades s\u00e3o respons\u00e1veis por proteg\u00ea-las e garantir que possam exer<br \/>\ncer seus direitos&#8221;.<\/p>\n<p>Alguns parentes dos desaparecidos disseram que t\u00eam poucas esperan\u00e7as de encontrar os dois com vida.<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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