{"id":169649,"date":"2022-06-18T23:12:35","date_gmt":"2022-06-19T02:12:35","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/macron-apela-ao-discurso-do-caos-em-busca-da-maioria-absoluta-no-legislativo-frances\/"},"modified":"2022-06-18T23:12:35","modified_gmt":"2022-06-19T02:12:35","slug":"macron-apela-ao-discurso-do-caos-em-busca-da-maioria-absoluta-no-legislativo-frances","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/18\/macron-apela-ao-discurso-do-caos-em-busca-da-maioria-absoluta-no-legislativo-frances\/","title":{"rendered":"Macron apela ao discurso do caos em busca da maioria absoluta no Legislativo franc\u00eas"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div>\n<p><span>M<\/span>ICHELE OLIVEIRA<br \/>MIL??O, IT\u00c1LIA (FOLHAPRESS) &#8211; Uma campanha que come\u00e7ou morna e termina sob tens\u00e3o. Ao menos para o presidente da Fran\u00e7a, Emmanuel Macron, assim pode ser descrita a din\u00e2mica da disputa, nas \u00faltimas semanas, pelo Legislativo.<\/p>\n<p>O resultado do segundo turno da elei\u00e7\u00e3o que definir\u00e1 a composi\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional, neste domingo (19), vai determinar o andamento dos cinco anos de seu novo mandato. E uma possibilidade real \u00e9 que o rec\u00e9m-reeleito fracasse em obter a maioria absoluta, algo que tem sido praxe desde 2002.<\/p>\n<p>No primeiro turno, a Juntos, coliga\u00e7\u00e3o de centro-direita em torno de Macron, ficou praticamente empatada com a alian\u00e7a de partidos de esquerda, a Nova Uni\u00e3o Popular Ecol\u00f3gica e Social (Nupes). Cada grupo obteve cerca de 5,8 milh\u00f5es de votos, com uma vantagem de apenas 21.285 para o bloco do presidente.<\/p>\n<p>Os macronistas, por\u00e9m, ficam \u00e0 frente na proje\u00e7\u00e3o de deputados para a Assembleia, composta por 577 cadeiras. O sistema n\u00e3o \u00e9 proporcional, e a vota\u00e7\u00e3o em dois turnos tende a favorecer grandes coliga\u00e7\u00f5es ao centro do espectro pol\u00edtico. Segundo pesquisa Ipsos divulgada nesta sexta (17), o grupo do presidente pode obter entre 265 e 305 assentos, seguido do bloco de esquerda, que ficaria com 140 a 180 lugares.<\/p>\n<p>?? a incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho dessa diferen\u00e7a que esquentou a campanha, j\u00e1 que dela dependem os rumos do segundo mandato de Macron e de seus planos de reformas, como a da previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Dois s\u00e3o os cen\u00e1rios prov\u00e1veis -uma maioria do bloco de esquerda \u00e9 vista como improv\u00e1vel. Se conquistar ao menos 289 cadeiras, o presidente ter\u00e1 maioria absoluta e poder\u00e1 aprovar seus projetos sem precisar negociar com as demais for\u00e7as pol\u00edticas. Se n\u00e3o alcan\u00e7ar esse n\u00famero, a maioria relativa o levar\u00e1 a buscar composi\u00e7\u00f5es com deputados de outros partidos, for\u00e7ando a necessidade de acordos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser reeleito no fim de abril ao derrotar Marine Le Pen, da ultradireita, Macron adiou seu envolvimento na campanha legislativa, em uma estrat\u00e9gia que acabou por deixar a Nupes, liderada pelo ultrasquerdista Jean-Luc M\u00e9lenchon, falando quase sozinha, e, como consequ\u00eancia, esvaziou o debate de propostas.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio seguiu assim at\u00e9 as v\u00e9speras do primeiro turno, quando Macron passou a atacar M\u00e9lenchon, ciente dos riscos de n\u00e3o repetir o resultado de 2017, quando sua coliga\u00e7\u00e3o elegeu 350 deputados.<\/p>\n<p>O presidente ent\u00e3o engatou um discurso alarmista, segundo o qual sem uma maioria s\u00f3lida de sua coliga\u00e7\u00e3o a Fran\u00e7a poderia mergulhar num per\u00edodo de turbul\u00eancia. &#8220;Nesses tempos problem\u00e1ticos, a escolha de voc\u00eas \u00e9 mais crucial do que nunca. Nada seria pior do que acrescentar o caos na Fran\u00e7a ao caos mundial&#8221;, afirmou na ter\u00e7a (14), convocando os eleitores \u00e0s urnas, para tentar reverter a absten\u00e7\u00e3o recorde do primeiro turno, em 52,5%. A resposta de M\u00e9lenchon veio no mesmo dia e na mesma moeda. &#8220;O caos \u00e9 ele, que n\u00e3o sabe mais o que fazer diante da crise global que avan\u00e7a&#8221;, disse ao jornal Le Parisien.<\/p>\n<p>Segundo a professora de direito constitucional Marie-Anne Cohendet, da Universidade Paris I Panth\u00e9on-Sorbonne, \u00e9 exagero falar em caos. Nas duas vezes em que um presidente ficou com a maioria relativa, entre 1958-1962 e 1988-1993, &#8220;n\u00e3o foi o fim do mundo&#8221;. &#8220;Claro que o presidente prefere ter uma maioria forte. Mas ele n\u00e3o deveria conduzir o Parlamento, o Parlamento \u00e9 que deveria conduzir o governo.&#8221;<\/p>\n<p>Diante de uma poss\u00edvel maioria relativa, Macron pode procurar refor\u00e7o, para vencer as vota\u00e7\u00f5es parlamentares, na bancada dos republicanos, de centro-direita, que pode obter entre 60 e 80 cadeiras.<br \/>&#8220;Mas tanto pelas fortes divis\u00f5es internas quanto pelo papel decisivo em que se encontrariam, eles apresentariam, em troca de apoio, pedidos de cargos e de influ\u00eancia no governo que poderiam ser vistos como excessivos&#8221;, diz Marco Tarchi, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade de Floren\u00e7a.<\/p>\n<p>Seja a maioria absoluta ou relativa, \u00e9 certo que uma grande novidade ser\u00e1 o bloco de esquerda como a maior for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o, passando das 73 cadeiras obtidas h\u00e1 cinco anos para algo entre 140-180.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a da coliga\u00e7\u00e3o pelo partido de M\u00e9lenchon, o Fran\u00e7a Insubmissa, com m\u00e9todos considerados estridentes, deve intensificar o uso da Assembleia como caixa de resson\u00e2ncia, para, segundo Etienne Ollion, professor de sociologia da Escola Polit\u00e9cnica, em Paris, &#8220;criar esc\u00e2ndalos e politizar cada assunto&#8221;.<\/p>\n<p>Se a maioria relativa \u00e9 indesejada pela coliga\u00e7\u00e3o do l\u00edder franc\u00eas, por outro lado ela poderia reacender o embate entre esquerda e direita no pa\u00eds, apagado pelo centrismo do in\u00edcio de mandato de Macron, e levar o Legislativo a ocupar um lugar mais relevante na pol\u00edtica, for\u00e7ando Macron a negociar mais. &#8220;Isso seria bom para a democracia, com mais debates e menos autoridade do presidente&#8221;, afirma Cohendet.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MICHELE OLIVEIRAMIL??O, IT\u00c1LIA (FOLHAPRESS) &#8211; Uma campanha que come\u00e7ou morna e termina sob tens\u00e3o. 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