{"id":170728,"date":"2022-06-21T09:55:02","date_gmt":"2022-06-21T12:55:02","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/como-a-revlon-foi-de-icone-dos-cosmeticos-a-beira-da-falencia\/"},"modified":"2022-06-21T09:55:02","modified_gmt":"2022-06-21T12:55:02","slug":"como-a-revlon-foi-de-icone-dos-cosmeticos-a-beira-da-falencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/21\/como-a-revlon-foi-de-icone-dos-cosmeticos-a-beira-da-falencia\/","title":{"rendered":"Como a Revlon foi de \u00edcone dos cosm\u00e9ticos \u00e0 beira da fal\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>No dia 16 de junho, depois de d\u00e9cadas como uma das empresas de cosm\u00e9ticos mais importantes do mundo, a americana Revlon pediu prote\u00e7\u00e3o contra a fal\u00eancia &#8211; processo que, no Brasil, \u00e9 conhecido como recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Seus executivos garantiram que o processo de reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida permitir\u00e1 que a empresa continue a atender o mercado, sem interromper suas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A declara\u00e7\u00e3o de hoje permitir\u00e1 \u00e0 Revlon oferecer aos seus clientes os produtos ic\u00f4nicos fornecidos h\u00e1 d\u00e9cadas e, ao mesmo tempo, viabilizar\u00e1 um caminho mais claro para o nosso crescimento futuro&#8221;, afirmou a CEO (diretora-executiva) da empresa, Debra Perelman.<\/p>\n<p>A Revlon anunciou que, assim que receber a aprova\u00e7\u00e3o judicial, receber\u00e1 US$ 575 milh\u00f5es (R$ 3 bilh\u00f5es) dos seus financiadores para dar continuidade \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano, a Revlon havia advertido que enfrentava &#8220;falta de liquidez, provocada pelos cont\u00ednuos desafios globais, incluindo a interrup\u00e7\u00e3o da cadeia de fornecimento e o aumento da infla\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>No final de mar\u00e7o, sua d\u00edvida de longo prazo era de US$ 3,3 bilh\u00f5es (R$ 17 bilh\u00f5es). As not\u00edcias sobre sua fal\u00eancia iminente provocaram queda no pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es da empresa poucos dias antes do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A Revlon vende seus produtos atualmente em mais de 150 pa\u00edses, mas sua posi\u00e7\u00e3o de mercado sofreu um claro retrocesso. A empresa era uma das maiores marcas de cosm\u00e9ticos no mundo, mas hoje ocupa apenas o 22\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Mas o que levou a Revlon a esta situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<h3>Surgimento de novos concorrentes<\/h3>\n<p>O retrocesso da Revlon come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1990, quando a empresa n\u00e3o conseguiu adaptar-se \u00e0s mudan\u00e7as das prefer\u00eancias dos consumidores. Naquela \u00e9poca, come\u00e7ou a aumentar a prefer\u00eancia por batons de tons mais opacos, no lugar do vermelho brilhante.<\/p>\n<p>Esse desencontro abriu oportunidades que os concorrentes souberam aproveitar. A Revlon foi perdendo participa\u00e7\u00e3o de mercado para rivais tradicionais, sem contar o surgimento de novas marcas, impulsionadas por personalidades famosas &#8211; como Fenty Beauty, da cantora Rihanna, e Kylie Cosmetics, de Kylie Jenner.<\/p>\n<p><\/p>\n<h3>Problemas na cadeia de fornecimento<\/h3>\n<p>A Revlon tamb\u00e9m afirmou que interrup\u00e7\u00f5es na cadeia de fornecimento provocaram intensa concorr\u00eancia pelos ingredientes utilizados nos cosm\u00e9ticos, o que fez com que os fornecedores passassem a pedir pagamento antecipado pelos insumos.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o causou &#8220;escassez dos ingredientes necess\u00e1rios para a carteira da companhia&#8221;, segundo afirmou o diretor de reestrutura\u00e7\u00e3o da Revlon, Robert Caruso, no pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial apresentado aos tribunais norte-americanos. &#8220;Um tubo de l\u00e1pis labial Revlon, por exemplo, consome 35 a 40 mat\u00e9rias-primas e componentes e cada um deles \u00e9 fundamental para levar o produto ao mercado.&#8221;<\/p>\n<p>A Revlon tamb\u00e9m foi prejudicada pela falta de funcion\u00e1rios, como ocorreu em outras empresas de todo o mundo.<\/p>\n<p>E suas vendas ca\u00edram 21% em 2020. Mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o de 9,2% verificada no ano passado, sua receita ainda est\u00e1 US$ 2,4 bilh\u00f5es (R$ 12,36 bilh\u00f5es) abaixo do registrado antes da pandemia de covid-19.<\/p>\n<h3>Uma marca internacional <\/h3>\n<p>A Revlon foi fundada em 1932 por Charles Lachman e pelos irm\u00e3os Charles e Joseph Revson. Ela come\u00e7ou a vender esmaltes de unhas pouco tempo depois e, em meados da d\u00e9cada de 1950, j\u00e1 havia se tornado uma marca internacional.<\/p>\n<p>Em 1970, a Revlon rompeu as barreiras raciais, tornando-se a primeira empresa de beleza do mundo a contratar uma modelo negra &#8211; Saomi Sans.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada seguinte, a Revlon movimentou o mercado de beleza, contratando tanto modelos reconhecidas como estrelas em ascens\u00e3o para suas campanhas publicit\u00e1rias. Suas modelos inclu\u00edram Iman, Cindy Crawford e Claudia Schiffer. Em 1985, a empresa foi comprada pela MacAndrews &#038; Forbes, do empres\u00e1rio multimilion\u00e1rio Ronald Perelman.<\/p>\n<p><i>&#8211; Este texto foi publicado originalmente em <\/i>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-61870946<i> <\/i><\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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