{"id":173470,"date":"2022-06-25T09:44:34","date_gmt":"2022-06-25T12:44:34","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/baladeiro-de-vilas-do-atlantico-larga-tudo-para-viver-em-terras-indigenas\/"},"modified":"2022-06-25T09:44:34","modified_gmt":"2022-06-25T12:44:34","slug":"baladeiro-de-vilas-do-atlantico-larga-tudo-para-viver-em-terras-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/25\/baladeiro-de-vilas-do-atlantico-larga-tudo-para-viver-em-terras-indigenas\/","title":{"rendered":"Baladeiro de Vilas do Atl\u00e2ntico larga tudo para viver em terras ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Morador de Vilas do Atl\u00e2ntico, t\u00edpico putanheiro ou baladeiro, tanto faz. Qualquer alcunha se encaixava perfeitamente no modus operandi de Breno Rocha. Sa\u00eda de casa no tradicional ???sext\u00f4??? e s\u00f3 retornava perto da hora de trabalhar, na segunda-feira, quase que religiosamente e sem destino. Sexo, drogas e rock n??? roll. ???Era uma luta ter not\u00edcia dele nos finais de semana. N\u00e3o atendia telefone, nunca sabia onde estava???, lembra Dona Zez\u00e9, m\u00e3e de Breno. Ela continua sem conseguir falar direito com o filho, mas desta vez por uma causa mais nobre (e longe tamb\u00e9m): Breno largou tudo para viver com os povos ind\u00edgenas Huni K?i, em Feij\u00f3, no Acre. No lugar da vida loka, ele ajuda a aldeia M?? Nia Ibu Isaka a preservar sua ancestralidade, al\u00e9m de defender a m\u00e3e de todos os povos nativos: a natureza.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Saudade daqui, al\u00e9m de sua m\u00e3e Zez\u00e9 e irm\u00e3 Olga, apenas uma. ???Sinto falta de acaraj\u00e9. Muita falta de acaraj\u00e9???, diz Breno, nos raros momentos que conseguimos falar com ele. ???Estamos tentando abrir um po\u00e7o artesiano aqui e teremos uma cerim\u00f4nia importante para a aldeia. Estou ajudando nos preparativos, carregando as coisas???, conta, enquanto acha um raro lugar com sinal de internet. No momento em que a luta pela preserva\u00e7\u00e3o dos povos nativos ganha conota\u00e7\u00e3o mundial, principalmente com as mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, a hist\u00f3ria de Breno se torna um exemplo de como \u00e9 importante valorizar os primeiros habitantes do pa\u00eds. Contudo, at\u00e9 chegar na transforma\u00e7\u00e3o social, Breno n\u00e3o era um jovem f\u00e1cil.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???N\u00e3o era mesmo. A cultura de Salvador \u00e9 fazer da vida um carnaval e eu fiz isso. Desde muito cedo me viciei com a noite. Com 12 anos j\u00e1 estava em balada, bebendo, enfim. Minha m\u00e3e n\u00e3o me dava dinheiro para festa, ent\u00e3o at\u00e9 lol\u00f3 eu vendi para sustentar meu v\u00edcio, j\u00e1 tive at\u00e9 arma apontada na minha cara. Fiz trambique na empresa em que trabalhei, olhe??? Sempre fui rueiro. Muito sexo, sempre estava em brega, drogas, tudo???, disse Breno, que completa 32 anos no dia 23 julho. Ele tamb\u00e9m se envolveu com dois acidentes de carro, mas sobreviveu. ???Teve um que resolvi colocar o cinto no caminho. No ???clique??? do cinto o acidente aconteceu. Sempre estive no fio da navalha???, lembra.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/Trivela.jpg\" width=\"612\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">Farra, sexo, drogas e Trivela: Antes do autoconhecimento, Breno Rocha era um errante das noites e do sext\u00f4<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">A virada de chave aconteceu em 2019, justamente ap\u00f3s um fim de semana intenso. ???Sexo, bebida e drogas, como de praxe. Sa\u00ed na sexta e voltei na segunda, lembro que perdi at\u00e9 o trabalho no dia. Estava com uma estranha ressaca moral muito grande naquela manh\u00e3. N\u00e3o tinha ningu\u00e9m em casa, sentei no sof\u00e1, senti um toque no ombro e dei um grito, me arrepiei todo???, conta. Ele acreditava ser o seu pai, que morreu quando Breno ainda tinha cinco anos. Desde ent\u00e3o, a m\u00e3e criou sozinha os dois filhos, num condom\u00ednio em Vilas do Atl\u00e2ntico. Breno tamb\u00e9m estava mais emotivo, pois tinha perdido um amigo recentemente. ???Ele saiu para comprar mais cerveja, bateu o carro e morreu???. Mais dois gatilhos tamb\u00e9m o fizeram repensar o que estava fazendo da vida: a covid-19 e descobrir que seu bisav\u00f4 era indigena da tribo Fulni-\u00f4, de Pernambuco.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No in\u00edcio da covid-19, Breno trabalhava num hospital particular de Salvador, fazendo manuten\u00e7\u00e3o de equipamentos hospitalares. Formado em engenharia de produ\u00e7\u00e3o, tinha um bom emprego, mas diminuiu suas sa\u00eddas. J\u00e1 estava lendo filosofia, livros sobre espiritismo (queria saber quem mexeu no ombro dele), at\u00e9 que, em plena pandemia, decidiu pedir demiss\u00e3o e fazer viagens no estilo mochil\u00e3o, buscando o autoconhecimento. Nunca mais voltou.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Foi um choque para mim. Quem imaginaria que uma pessoa como Breno iria fazer esta mudan\u00e7a t\u00e3o radical? Criei sozinha os dois filhos, \u00e9ramos muito unidos, sua partida mexeu muito. N\u00e3o entendi no in\u00edcio este desprendimento t\u00e3o radical de meu filho. Mas eles crescem e evoluem, n\u00e9? Foi muita dor, ainda choro escondida de saudade, mas o maior sentimento \u00e9 o de orgulho. Ele seguiu o caminho dele com muita coragem e um desejo forte de ajudar o pr\u00f3ximo. Um caminho de ajudar o meio-ambiente, de proteger os guardi\u00f5es da nossa floresta???, diz a m\u00e3e Zez\u00e9, de 64 anos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">At\u00e9 chegar no Acre, Breno, que j\u00e1 havia abdicado do estilo vida loka, abra\u00e7ava o minimalismo e fez trabalhos volunt\u00e1rios na Chapada Diamantina, entre outros lugares, como em Alto Para\u00edso, Goi\u00e1s. Buscava em centros de umbanda, espiritismo e rituais ind\u00edgenas sua ancestralidade vinda do bisav\u00f4. Em terras goianas, recebeu o convite de ir para Rio Branco, no Acre, onde passou um tempo como volunt\u00e1rio, at\u00e9 visitar a aldeia M?? Nia Ibu Isaka, sua atual morada. Ele acredita que seu antepassado indigena o puxou at\u00e9 l\u00e1. \u00a0???Tenho sangue indigena, isso tamb\u00e9m mexeu demais na minha busca, caminho e chegada at\u00e9 Feij\u00f3. L\u00e1, num ritual, ele finalmente falou comigo???, garante.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Breno est\u00e1 l\u00e1 h\u00e1 oito meses na aldeia, ap\u00f3s convite do paj\u00e9. Suas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o variadas. Como fala ingl\u00eas, Breno virou int\u00e9rprete quando pesquisadores e visitantes estrangeiros chegam no local, mais frequentes que os visitantes brasileiros, o que incomoda o baiano. \u00a0Atualmente, \u00a0ajuda um estrangeiro da Let\u00f4nia, que tamb\u00e9m resolveu morar no lugar. Para ele, pessoas de fora parecem se preocupar mais que os pr\u00f3prios brasileiros sobre as causas ind\u00edgenas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"525\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/a\/2\/csm_fumo_11904ad6f8.jpg\" width=\"700\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os afazeres di\u00e1rios est\u00e3o inclu\u00eddos na rotina de Breno, como pesca, comida, cuidar das crian\u00e7as, entre outras tarefas cotidianas do lugar. A aldeia \u00e9 simples, mas, segundo o pr\u00f3prio Breno, m\u00e1gico. Com o dinheiro que sobrou das viagens, Breno comprou porcos e galinhas para a aldeia. Ele tamb\u00e9m promoveu uma vaquinha coletiva na internet para captar R$ 60 mil. O intuito \u00e9 comprar mais um barco de emerg\u00eancia, \u00a0furar po\u00e7os artesianos, construir reservat\u00f3rios para capta\u00e7\u00e3o da chuva, instala\u00e7\u00f5es de placas solares, entre outras demandas. Afinal, defender a natureza n\u00e3o significa ficar longe das tecnologias ben\u00e9ficas para um desenvolvimento sustent\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Desde que senti o chamado da floresta, percebi que n\u00e3o precisamos viver com muito para sermos felizes. Somos escravos do dinheiro, dependendo dele para tudo que a natureza j\u00e1 fornece. Nossas necessidades b\u00e1sicas s\u00e3o poucas: uma \u00e1gua boa, um ar puro, alimento, um teto pro sereno, um agasalho e um lugar para fazer fogo e ficar com quem a gente gosta???, conta. ???Esta \u00e9 a felicidade. Eu n\u00e3o sei que ponto da minha vida foi o gatilho da mudan\u00e7a, talvez aquele toque no ombro, as mortes que vi na covid, meus ancestrais ind\u00edgenas. Mas sei onde estou e minha miss\u00e3o. \u00a0Quero viver conforme o que a natureza d\u00e1, ajudando a grande m\u00e3e e nossos guardi\u00f5es da natureza. Temos, talvez, a \u00faltima grande floresta. E est\u00e3o acabando com ela???, avisa Breno.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Breno disse que a aldeia recebeu com grande tristeza as mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips. Para o baiano, os ind\u00edgenas precisam de mais pessoas \u00a0ao lado deles e os assassinatos s\u00f3 provam o quanto os povos nativos e a natureza correm perigo. ???Aqui esta problem\u00e1tica com garimpeiros \u00e9 menor e mais silenciosa. Ainda n\u00e3o soube sobre casos graves assim e a aldeia consegue ter uma relativa paz. O que combatemos aqui \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o dos costumes ancestrais e os ensinamentos que a natureza d\u00e1. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que nada disso morra com as igrejas evang\u00e9licas, bares e outras coisas do g\u00eanero que est\u00e3o crescendo por aqui. Como todos podem ajudar? As pessoas devem parar de idolatrar o que o mercado vende e passar a idolatrar o que a m\u00e3e natureza d\u00e1???, disse.\u00a0<\/p>\n<p class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"700\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/4\/1\/csm_barco_c1fb669be6.jpg\" width=\"700\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Breno tamb\u00e9m tenta encorajar quem deseja mudar sua vida pelo bem comum, mas n\u00e3o tem coragem. Ele quer que sua vida e a experi\u00eancia com a natureza sejam motivos para que mais pessoas larguem a vida imposta pela sociedade das grandes cidades. \u00a0???A liberdade \u00e9 um risco, mas a seguran\u00e7a \u00e9 uma pris\u00e3o. Ainda bem que tive a coragem de mudar e conhecer coisas que muita gente nunca conhecer\u00e1. Vamos descer do salto, ter coragem e vim para a base da pir\u00e2mide. Chega de ser explorado por quem t\u00e1 no topo. Veja tudo que a m\u00e3e natureza d\u00e1. As pessoas podem plantar, gerar abund\u00e2ncia, se unir, construir comunidades alternativas, apoiar os quilombos e as comunidades ind\u00edgenas. ?? poss\u00edvel???, disse.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Breno parece que est\u00e1 inspirando mais gente, pelo menos na sua fam\u00edlia. ???No in\u00edcio, a fam\u00edlia ficou incr\u00e9dula, os amigos espantados, foi bem dif\u00edcil aceitar. H\u00e1 pouco tempo um tio de Breno chegou para mim e disse: ???sempre tive vontade de fazer o que Breno fez, mas nunca tive coragem???. Minha filha mais nova, de 26 anos, est\u00e1 fazendo engenharia ambiental. J\u00e1 sabe, n\u00e9? Daqui a pouco vai querer se picar como o irm\u00e3o. A\u00ed vou junto. Hoje tenho a consci\u00eancia de que precisamos mudar n\u00e3o apenas n\u00f3s, mas o mundo. Isso o Breno me deu. Nossa floresta est\u00e1 acabando e precisamos acordar. Est\u00e3o matando nossos guardi\u00f5es da floresta e quem os protege. Vamos ficar parados???? disse Zez\u00e9, que alega n\u00e3o temer pela seguran\u00e7a do filho.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Eu ficava preocupada quando Breno sa\u00eda aqui \u00e0 noite para as festas. Ele est\u00e1 num lugar mais seguro que eu. N\u00f3s que estamos numa selva perigosa, ele que vive feliz. L\u00e1 vejo meu filho aprendendo com nossos ancestrais, com muitas descobertas, sob o cuidado de pessoas que conhecem a floresta, ensina, d\u00e1 consci\u00eancia para ele. N\u00f3s que estamos em perigo com tanta viol\u00eancia e inseguran\u00e7a. Morro de saudade, \u00e9 uma dor forte, mas, como disse, o orgulho do que ele escolheu fala mais alto???, completa.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Breno n\u00e3o tem mais motivos para retornar \u00e0 Vilas do Atl\u00e2ntico, tampouco da vida de festas e baladas. Agora, coisas vazias para ele. Na aldeia, ele vive com simplicidade, mas de forma intensa. Quem quiser acompanhar sua rotina, basta acessar seu perfil no Instagram (@breno.yube). Sempre que acha sinal ele posta alguma coisa legal. L\u00e1 tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel acessar a vaquinha virtual. ???Aqui eles valorizam muito a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Os pais acompanham todo o desenvolvimento e ensinam os poderes da natureza. Aqui ainda se cura entrando no mato e trazendo folhas. As mulheres cantam, a energia \u00e9 \u00fanica. Todos est\u00e3o empenhados em manter a tradi\u00e7\u00e3o e est\u00e3o conseguindo. Quanto a mim, estou resgatando meu sangue indigena, n\u00e9? Quem quiser, pode vir! Podem falar comigo???.<\/p>\n<p class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"700\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/7\/7\/csm_dormida_58e0217989.jpg\" width=\"700\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Breno n\u00e3o fala em futuro. Para ele, o presente \u00e9 o que importa. Mas o passado dele, isso ele n\u00e3o nega e diz fazer parte de sua hist\u00f3ria e aprendizagem, mas prefere deixar l\u00e1 no passado mesmo. Para quem ainda duvida de sua mudan\u00e7a radical, Breno fez at\u00e9 uma poesia: ???Queriam me ver de terno e engravatado. Queriam me ver numa carruagem e num pal\u00e1cio. Queriam me ver disputando e competindo no mercado. Mas disse ???n\u00e3o??? e escutei minha intui\u00e7\u00e3o. Agora estou aqui, andando pelado e cagando no mato???. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Povo Huni K?i<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a Federa\u00e7\u00e3o do Povo Huni Ku??? do estado do Acre (FEPHAC), existem hoje cerca de 14 mil ind\u00edgenas da etnia Huni K?i no Brasil, a maioria no Acre. Muitas vezes conhecidos como Kaxinaw\u00e1s, tamb\u00e9m povoam \u00a0a floresta tropical no leste do Peru. A tribo sofreu interfer\u00eancias na \u00e9poca de ouro das seringas, com constantes conflitos com seringueiros. A aldeia onde Breno Rocha mora \u00e9 a M?? Nia Ibu Isaka, em Feij\u00f3, no Acre. O local tamb\u00e9m adotou um nome em portugu\u00eas, chamado de Aldeia S\u00e3o Francisco. O visitante \u00e9 sempre bem-vindo para viv\u00eancias e experi\u00eancias na floresta, como rituais, medicina da floresta, entre outros. Segundo Breno, as visitas mais constantes s\u00e3o de estrangeiros.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morador de Vilas do Atl\u00e2ntico, t\u00edpico putanheiro ou baladeiro, tanto faz. Qualquer alcunha se encaixava perfeitamente no modus operandi de Breno Rocha. 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