{"id":173490,"date":"2022-06-25T10:01:41","date_gmt":"2022-06-25T13:01:41","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/o-poder-e-a-sorte-andre-gustavo-stumpf\/"},"modified":"2022-06-25T10:01:41","modified_gmt":"2022-06-25T13:01:41","slug":"o-poder-e-a-sorte-andre-gustavo-stumpf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/25\/o-poder-e-a-sorte-andre-gustavo-stumpf\/","title":{"rendered":"O poder e a sorte (Andr\u00e9 Gustavo Stumpf),"},"content":{"rendered":"<p>Elei\u00e7\u00e3o \u00e9, sempre, o momento de crise nos regimes democr\u00e1ticos. O governante em exerc\u00edcio luta para permanecer no cargo, desfrutar das del\u00edcias do poder e utilizar \u00e0 farta a capacidade de prender e soltar. Seus advers\u00e1rios sonham em sentar-se na cadeira, no trono ou na cadeira curul, poltrona utilizada na Roma antiga para receber grandes dignat\u00e1rios. Com um pouco de planejamento, alguma sorte e uma r\u00e1pida leitura nos conceitos b\u00e1sicos de Maquiavel \u00e9 poss\u00edvel pensar numa a\u00e7\u00e3o governamental de longo prazo. Get\u00falio Vargas, um mestre na dissimula\u00e7\u00e3o, permaneceu quinze anos do Pal\u00e1cio do Catete, antiga sede do governo no Rio de Janeiro, afagando ou batendo na direita e na esquerda, de acordo com as circunst\u00e2ncias.<br \/>\n Get\u00falio perdeu o poder como consequ\u00eancia do final da Segunda Guerra. Os 25 mil soldados brasileiros lutaram na It\u00e1lia ao lado das for\u00e7as norte-americanas comandadas pelo general Mark Clark contra o fascismo de Mussolini e a favor dos ideais democr\u00e1ticos alardeados pelos aliados. Perceberam no calor da luta a diferen\u00e7a entre um e outro regime. A FEB teve contato com o que havia de melhor em mat\u00e9ria de estrat\u00e9gia, t\u00e1tica e equipamentos militares. Os pracinhas n\u00e3o poderiam defender no Brasil o que combateram no exterior. Os generais de hoje, supostamente, acompanham os ideais de seus antecessores.<br \/>\n Este \u00e9 um exemplo da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira. O atual presidente Jair Bolsonaro, tenente que depois de ir para a reserva foi promovido a capit\u00e3o, conseguiu ser eleito e reeleito para a C\u00e2mara dos Deputados. Foi um parlamentar de poucos projetos, algumas discuss\u00f5es tolas e palavreado de baixo cal\u00e3o. Um golpe de sorte, em momento de fal\u00eancia do poder civil, abriu uma janela de oportunidade que permitiu sua elei\u00e7\u00e3o para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es raras na pol\u00edtica. Alcan\u00e7ar o poder por golpe de sorte \u00e9 algo muito especial. O premiado deve reverenciar seus deuses, ajoelhar diante do altar do senhor das coincid\u00eancias e se preparar para o reencontro com a realidade.<br \/>\n Bolsonaro n\u00e3o se preparou para exercer a presid\u00eancia da Rep\u00fablica porque nem em seus melhores devaneios, durante as pescarias em Angra dos Reis, imaginou que poderia habitar o Pal\u00e1cio da Alvorada. O poder caiu em seu colo. Ele n\u00e3o tinha partido, grupo ou correligion\u00e1rios. Fez acordos de emerg\u00eancia e se baseou no faro dos filhos. A desconfian\u00e7a \u00e9 o padr\u00e3o de seu comportamento. Seus auxiliares da primeira hora foram todos, um a um, exclu\u00eddos do governo. Demitidos com humilha\u00e7\u00e3o. A paranoia e o sempre presente receio de golpe, al\u00e9m de sua hist\u00f3ria muito pr\u00f3xima das mil\u00edcias cariocas, explicam os temores.<br \/>\n Ele governou sempre no ataque, segundo os conselhos de seu filho Carlos na campanha. Deu certo. Criticar, humilhar, desconsiderar, agredir, descontruir foi o que ele realizou, com \u00eaxito, na busca de votos. Venceu. Mas n\u00e3o percebeu que a elei\u00e7\u00e3o tinha terminado. N\u00e3o desceu do palanque. Continuou a agredir. Bolsonaro revela ter necessidade de advers\u00e1rios, de exibir m\u00fasculos na sua guerra particular contra seus dem\u00f4nios reais ou imagin\u00e1rios. Ele \u00e9 contra tudo: sistema eleitoral, Petrobras, opera\u00e7\u00e3o lava-jato, empres\u00e1rios, mulheres, jovens, homossexuais e ministros do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de um paranoide reacion\u00e1rio. Quanto mais ele avan\u00e7ou neste caminho, mais perdeu correligion\u00e1rios.<br \/>\n O presidente tem hoje menor n\u00famero de eleitores do que tinha na elei\u00e7\u00e3o de 1998. E rejei\u00e7\u00e3o maior. De repente, ele e seus auxiliares, civis e militares, descobriram que haver\u00e1 elei\u00e7\u00e3o para presid\u00eancia da Rep\u00fablica em outubro deste ano. Abriram os olhos e enxergaram uma guerra na Europa. Com um pouco mais de trabalho perceberam que a economia da China, motor do mundo, vive dificuldades por causa da pandemia. E com base em improvisa\u00e7\u00e3o pretende solucionar a quest\u00e3o do pre\u00e7o do combust\u00edvel no Brasil. Mas, privatizar a Petrobras n\u00e3o significa reduzir o pre\u00e7o do combust\u00edvel.<br \/>\n A sonhada reelei\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob s\u00e9rio risco. ?? dif\u00edcil ganhar duas vezes na loteria eleitoral. O caminho err\u00e1tico gera preju\u00edzos, queda da bolsa, d\u00f3lar mais alto, desemprego e infla\u00e7\u00e3o. Se o governo continuar caminhando \u00e0s cegas, o governo Bolsonaro poder\u00e1 at\u00e9 produzir in\u00e9dita escassez de combust\u00edvel no pa\u00eds. Ser\u00e1 outra consequ\u00eancia do improviso que o levou a ter um Ministro da Educa\u00e7\u00e3o preso por formar uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa e outros malfeitos, como gostava de qualificar os desvios de dinheiro p\u00fablico a inesquec\u00edvel Dilma Rousseff, que viveu problemas semelhantes.<br \/>\n \t\u00a0<br \/>\n Andr\u00e9 Gustavo Stumpf), jornalista (andregustavo10@terra.com.br)<br \/>\n O post O poder e a sorte (Andr\u00e9 Gustavo Stumpf), apareceu primeiro em Metr\u00f3poles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elei\u00e7\u00e3o \u00e9, sempre, o momento de crise nos regimes democr\u00e1ticos. 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