{"id":173901,"date":"2022-06-26T07:44:21","date_gmt":"2022-06-26T10:44:21","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/casa-da-infancia-aposta-na-liberdade-e-integracao-com-as-familias-para-formar-cidadaos\/"},"modified":"2022-06-26T07:44:21","modified_gmt":"2022-06-26T10:44:21","slug":"casa-da-infancia-aposta-na-liberdade-e-integracao-com-as-familias-para-formar-cidadaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/26\/casa-da-infancia-aposta-na-liberdade-e-integracao-com-as-familias-para-formar-cidadaos\/","title":{"rendered":"Casa da Inf\u00e2ncia aposta na liberdade e integra\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias para formar cidad\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Sapatos na porta. Crian\u00e7as. Colmeia com abelhas a voar. Rosas do deserto a brotar l\u00e1 fora. Calopsita. Cheiro de comida de v\u00f3. Arte. Caos criativo. Desenhos espalhados. M\u00e3e-anfitri\u00e3. Brincadeiras. N\u00e3o fossem a fachada e o movimento de pais e alunos chegando e saindo, a escola Casa da Inf\u00e2ncia poderia ser confundida com um lar, que \u00e9 onde existem acolhimento e afeto. E n\u00e3o deixa de ser. ???N\u00e3o se pode falar de educa\u00e7\u00e3o sem falar de amor???, ensinou Paulo Freire (1921-1997).\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A institui\u00e7\u00e3o foge dos m\u00e9todos tradicionais de ensino, ao defender uma educa\u00e7\u00e3o humanizada, baseada na abordagem Reggio Em\u00edlia, que considera a subjetividade de cada aluno e visa formar cidad\u00e3os, n\u00e3o apenas portadores de diplomas. Primeiro, as crian\u00e7as podem chegar no hor\u00e1rio entre 7h e 8h30 da manh\u00e3 (os pais tamb\u00e9m agradecem!). Segundo: n\u00e3o tem cantina; eles se alimentam do que \u00e9 feito na escola e ajudam a preparar o alimento. Terceiro: n\u00e3o existem provas e nem tarefas de casa; o aprendizado se d\u00e1 atrav\u00e9s de brincadeiras e oficinas art\u00edsticas (m\u00fasica, instrumentos, fotografia, culin\u00e1ria, capoeira, idiomas, educa\u00e7\u00e3o ambiental, entre outras), criadas por educadores que se encarregam de construir contextos que propiciem um ambiente experimental e de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0???A gente faz um movimento completamente contr\u00e1rio \u00e0 sociedade. Muitos pais buscam escolas competitivas, que prometem formar l\u00edderes, patr\u00f5es, grandes empres\u00e1rios. N\u00f3s queremos formar pessoas aut\u00eanticas???, afirma Mar\u00edlia Dourado, 56 anos, diretora da Casa da Inf\u00e2ncia, que recebe crian\u00e7as na faixa-et\u00e1ria de 06 meses a 11 anos (ensinos infantil ao fundamental). \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nascida no munic\u00edpio de Campo Formoso, Norte da Bahia, Mar\u00edlia sabe do que est\u00e1 falando. Ainda pequena, veio com os pais e os irm\u00e3os para Salvador, onde passaram a morar no col\u00e9gio Dois de Julho. Mesmo com o pai sendo um dos respons\u00e1veis pela escola, a educadora confessa que n\u00e3o foi uma boa aluna. Pelo menos, n\u00e3o aos olhos do ensino convencional. ???Tive que dar meus pulos para encontrar meu lugar no mundo, e encontrei justamente com a educa\u00e7\u00e3o. Sempre fui muito questionadora: por que estudar o que n\u00e3o me interessava e por que algumas quest\u00f5es que me interessavam muito, eu n\u00e3o podia aprofundar????, relembra.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O que parecia uma contradi\u00e7\u00e3o &#8211; escola conservadora e senso questionador &#8211; serviu de impulso para ela ir em busca de uma forma\u00e7\u00e3o libertadora, bem ao modo Paulo Freire, que, inclusive, chegou a conhecer. Durante seu processo de forma\u00e7\u00e3o, Mar\u00edlia foi \u00e0 cidade italiana de Reggio Em\u00edlia. L\u00e1 surgiu a abordagem pedag\u00f3gica de mesmo nome, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, quando as m\u00e3es vi\u00favas procuravam um lugar mais acolhedor para criar seus filhos. O fundador foi o professor e pedagogo Loris Malaguzzi (1920-1994).\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"670\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/Fotos_perfil\/casa_2_marina.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Institui\u00e7\u00e3o foge dos m\u00e9todos tradicionais de ensino<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Voz e vez<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">As vozes, com palavras e frases ainda em forma\u00e7\u00e3o, ecoam na casa ampla localizada no bairro do Caminho das \u00c1rvores. E se tornam ainda mais potentes durante a Assembleia Geral, realizada sempre \u00e0s sextas-feiras. ???Muitas pessoas est\u00e3o pintando as paredes. Quase n\u00e3o tem mais espa\u00e7o pra nada???, denuncia Malu. ???Minha sugest\u00e3o \u00e9 colocar folhas de papel para cobrir as paredes???, recomenda Pedro.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Um grupo de crian\u00e7as maiores apresenta o manual, produzido por elas, para o uso da caneta 3D, de forma que todas possam usufruir do objeto tecnol\u00f3gico corretamente: ???Passo 1: Ligue na tomada da parede. Passo 2: Agora pressione neste bot\u00e3o. Passo 3: Espere um dos bot\u00f5es da caneta ficar verde??? Passo 8: A\u00ed, \u00e9 s\u00f3 se divertir!!!!!!??? (assim mesmo, com muitas exclama\u00e7\u00f5es!).\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em espa\u00e7os como esses se d\u00e1 o exerc\u00edcio da cidadania, desde muito cedo. ????? importante escutar, estar presente e em uma rela\u00e7\u00e3o de respeito com as crian\u00e7as. Sinto que, na Assembleia Geral, elas percebem que a voz tem toda uma pot\u00eancia, que elas falam coisas incr\u00edveis e que suas ideias t\u00eam valor, sentido e podem transformar o mundo onde vivem???, ressalta C\u00e2ndida Sheldon, coordenadora pedag\u00f3gica, respons\u00e1vel pela media\u00e7\u00e3o dos encontros.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">C\u00e2ndida tamb\u00e9m \u00e9 uma das respons\u00e1veis pelo Humanize-se (@projetohumanizesse), projeto de alimenta\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria voltado para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. A ideia veio a partir de um Plano de Trabalho aplicado com os alunos, e ganhou a aten\u00e7\u00e3o especial de Maria Luiza Dourado da Costa, de 10 anos. ???A gente leu textos sobre a fome, sobre as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua (aprendemos que eles n\u00e3o s\u00e3o moradores das ruas), e a\u00ed eu me comprometi em fazer um cartaz falando sobre isso pra colar na escola. O cartaz chamou aten\u00e7\u00e3o, e eu, minha m\u00e3e e C\u00e2ndida come\u00e7amos o Humanize-se. Eu j\u00e1 tinha visto pessoas no sinal, pedindo dinheiro, comida, e tinha vezes que eu chorava, me imaginava naquela situa\u00e7\u00e3o???, explica Malu, como \u00e9 conhecida.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ana Cec\u00edlia Pereira Guimar\u00e3es, de 9 anos, \u00e9 uma das parceiras de Malu na empreitada solid\u00e1ria. ???Toda sexta tem mobiliza\u00e7\u00e3o pra fazer comida e distribui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 fomos entregar quentinhas \u00e0s duas horas da manh\u00e3. Com os adultos, \u00e9 claro???, ressalta. A iniciativa, que agora conta com o apoio de outras crian\u00e7as, pais e educadores, distribui mais de 100 quentinhas, todas as sextas, na Sete Portas, Aquidab\u00e3, Barroquinha e Politeama. A comida \u00e9 feita na casa de fam\u00edlias volunt\u00e1rias e os alunos ajudam na distribui\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"661\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/Fotos_perfil\/casa_3.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>As crian\u00e7as seguem regras na escola, mesmo que ela seja diferente do padr\u00e3o tradicional<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Integra\u00e7\u00e3o: pais, filhos e educadores<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A constru\u00e7\u00e3o dessas rela\u00e7\u00f5es faz parte dos fundamentos da abordagem Reggio Em\u00edlia. Tamb\u00e9m coordenadora pedag\u00f3gica da Casa da Inf\u00e2ncia, Daniele Meyer explica que uma educa\u00e7\u00e3o respeitosa exige trocas permanentes entre crian\u00e7as, educadores e familiares: ???Viver em grupo \u00e9 um exerc\u00edcio di\u00e1rio de aprendizagem que exige abertura, empatia e capacidade de lidar com as adversidades da vida. Essas s\u00e3o habilidades que v\u00e3o sendo constru\u00eddas por adultos e crian\u00e7as em uma comunidade educativa participativa???.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Foi Marcele Moreira, m\u00e3e de Ana Cec\u00edlia, quem, no primeiro momento, me recebeu na Casa da Inf\u00e2ncia. Ela me conduziu por entre seus ambientes, com a desenvoltura de quem pertence ao lugar. Pudera: a historiadora foi uma das primeiras pessoas a acreditar naquele processo educacional inovador, quando foi implantado, h\u00e1 nove anos, mesma idade de Ana Cec\u00edlia.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na escola da filha, Marcele aprendeu a maternar. ???Estar aqui me transformou completamente, foi onde eu pude entender os desafios que a maternidade trouxe. Pude me dedicar muito a estar com minha filha, ser presen\u00e7a efetiva no seu desenvolvimento. A escola inova ao convocar a fam\u00edlia para fazer parte. Se a fam\u00edlia n\u00e3o estiver presente, n\u00e3o funciona???, acredita. Ela tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de a institui\u00e7\u00e3o ter educadores e colaboradores negros, como ela e sua filha, uma forma de se reconhecerem num espa\u00e7o majoritalmente branco, o das escolas particulares. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pai de Manuel, de 3 anos, e Em\u00edlia, de 1, Juan Torres \u00e9 visto com frequ\u00eancia nos corredores da Casa da Inf\u00e2ncia. Apesar de menos tempo do que Marcele na comunidade escolar (ele matriculou os filhos no in\u00edcio no ano), o jornalista est\u00e1 t\u00e3o integrado ao ambiente que passa o dia l\u00e1 mesmo. ???Como a escola \u00e9 longe da minha casa e eu trabalho remotamente, deixo as crian\u00e7as com os educadores e subo para uma sala que eles disponibilizam, e que est\u00e1 aberta a qualquer pai. Isso me permite acompanhar de muito perto a rotina da escola, al\u00e9m de desenvolver intimidade com o local, com toda a equipe de educadores e tamb\u00e9m com todas as crian\u00e7as, de todos os grupos???, afirma.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???M\u00e3e, vou ficar no mato, viu????, pede Cau\u00e3, de seis anos. De origem ind\u00edgena, o pequeno j\u00e1 sacou que a natureza \u00e9 um laborat\u00f3rio de experimenta\u00e7\u00f5es. Rec\u00e9m-chegado \u00e0 Casa da Inf\u00e2ncia, ele e a fam\u00edlia &#8211; da reserva Tha-fene, em Lauro de Freitas &#8211; promoveram uma mini-revolu\u00e7\u00e3o, com seus saberes ancestrais. Especialista em Sa\u00fade P\u00fablica, Madjowane, a m\u00e3e, conduz encontros de integra\u00e7\u00e3o, troca de saberes, conhecimentos e pr\u00e1ticas entre pais, alunos e educadores.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Trazemos nossas realidades, ouvimos as outras realidades, fazemos viv\u00eancias, promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos trabalhadores e das crian\u00e7as; e apresentamos a medicina ind\u00edgena, as ervas, em espec\u00edfico, como forma de preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as???, explica ela. ???Tem tamb\u00e9m a colm\u00e9ia e o bebedouro que foi constru\u00eddo para os passarinhos durante oficina???. As atividades acontecem na Pra\u00e7a dos Eucaliptos, em frente \u00e0 escola.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"671\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/Fotos_perfil\/casa_4.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Sensibilidade e criatividade desenvolvidas<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Regras inegoci\u00e1veis<\/strong><br \/> N\u00e3o possuir m\u00e9todos convencionais de ensino n\u00e3o significa que as crian\u00e7as n\u00e3o precisem seguir regras. Ao contr\u00e1rio. Algumas s\u00e3o inegoci\u00e1veis e todos t\u00eam que cumprir, para garantir o bem-estar. Por exemplo, n\u00e3o se corre dentro da escola (s\u00f3 fora), porque podem se bater e gerar transtornos (e galos!); s\u00f3 pode entrar no banheiro um aluno por vez, uma forma de reafirmar a import\u00e2ncia da privacidade e o respeito ao corpo; tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 permitido agress\u00e3o nem moral e nem f\u00edsica.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A partir de cinco anos, se isso ocorrer, eles registram o que aconteceu, na linguagem que quiserem: pode ser por escrito, m\u00fasica, desenho. Quando termina o registro, os educadores pereguntam se precisam deles para mediar a resolu\u00e7\u00e3o do conflito ou se j\u00e1 podem conversar e encontrar uma solu\u00e7\u00e3o entre eles. Caso os alunos digam que precisam, os pais participam, no dia seguinte, da mesa de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os aparelhos eletr\u00f4nicos s\u00e3o permitidos (embora, eu n\u00e3o tenha visto nenhum aluno com celular), mas com ressalvas. ???Come\u00e7amos a construir um processo de consci\u00eancia digital. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas acredito que estamos no caminho certo???, conta Mar\u00edlia Dourado.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Como a Casa da Inf\u00e2ncia tem uma proposta pedag\u00f3gica embasada no Marco do Ensinar para Compreens\u00e3o, as avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas de forma diferente. Todas as crian\u00e7as recebem nota m\u00e1xima desde que chegam na escola e devem mant\u00ea-la, com a ajuda dos educadores e das fam\u00edlias. ???O papel da gente \u00e9 assegurar esse desempenho e esse processo de aprendizagem. Acredita-se que uma avalia\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica e cont\u00ednua n\u00e3o est\u00e1 apenas baseado em erros e acertos, em aprova\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o. Porque o resultado n\u00e3o revela o desempenho, o n\u00edvel de cada um???, avisa Mar\u00edlia.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Aqui, \u00e9 imperativo recorrer, \u00a0mais uma vez, a Paulo Freire, o patrono da educa\u00e7\u00e3o brasileira: ???Ensinar n\u00e3o \u00e9 transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o ou a sua constru\u00e7\u00e3o???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>ENTREVISTA: Ana Marcilio*<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><em><strong>A escola extrapola o conhecimento formal<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como a educa\u00e7\u00e3o na primeira inf\u00e2ncia impacta na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo adulto?<\/strong><br \/> Costumo dizer que na primeira inf\u00e2ncia a crian\u00e7a percorre o caminho da humanidade. O que significa isso em termos de desenvolvimento? Que entre zero e seis anos de idade, desenvolve habilidades, comportamentos, atitudes que diferenciam os seres humanos de outros animais. ??, tamb\u00e9m na primeira inf\u00e2ncia, que vamos desenvolvendo o uso simb\u00f3lico da linguagem, seja por meio da fala, do desenho ou da escrita. Compreender a grandeza desse momento comparando-o com o desenvolvimento da humanidade, ajuda a dimensionar a import\u00e2ncia desta fase. ?? na primeira inf\u00e2ncia que o potencial humano est\u00e1 em seu \u00e1pice.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Qual a import\u00e2ncia da ludicidade para o desenvolvimento infantil?<\/strong><br \/> Prefiro me referir \u00e0 import\u00e2ncia da brincadeira para crian\u00e7a, ao inv\u00e9s da ludicidade, tendo em vista que brincar \u00e9 uma atividade essencial nos anos iniciais da vida, assim como \u00e9, tamb\u00e9m, um direito reconhecido internacionalmente, por meio da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos das Crian\u00e7as e garantido na legisla\u00e7\u00e3o brasileira por meio do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente. Por meio das brincadeiras aprendemos a nos relacionar conosco, com os nossos pares, com o ambiente em que vivemos, aprendemos habilidades que v\u00e3o nos permitir viver em sociedade, buscar nosso sustento, conformar com as normas culturais e sociais. A brincadeira \u00e9 a forma como a crian\u00e7a pensa, interage, comunica, aprende e ensina.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Quais os est\u00edmulos a serem aplicados no dia a dia das crian\u00e7as, na escola?<\/strong><br \/> \u00a0?? importante que a escola se coloque no lugar de facilitadora da aprendizagem. \u00a0Deve investir na qualidade de seus espa\u00e7os, na presen\u00e7a e conviv\u00eancia com a natureza, em espa\u00e7os que permitam experi\u00eancias genu\u00ednas de aprendizagem e, para a crian\u00e7a pequena, tudo \u00e9 aprendizagem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>De que forma a escola deve contribuir na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo?<\/strong><br \/> A escola \u00e9 um espa\u00e7o de conviv\u00eancia social, de conv\u00edvio com o outro, ou melhor, os outros. Ela extrapola e muito os muros que lhes colocamos, as fronteiras que estabelecemos, o espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento formal. ?? um espa\u00e7o relacional, um lugar social, de socializa\u00e7\u00e3o, de encontros e conviv\u00eancias, esse \u00e9 o maior sentido da escola<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><em>*Ana Marcilio \u00e9 psic\u00f3loga, mestre em Educa\u00e7\u00e3o\u00a0e Justi\u00e7a Social e consultora da Avante &#8211; Educa\u00e7\u00e3o e Mobiliza\u00e7\u00e3o Social.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sapatos na porta. Crian\u00e7as. Colmeia com abelhas a voar. Rosas do deserto a brotar l\u00e1 fora. Calopsita. Cheiro de comida de v\u00f3. Arte. 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