{"id":173911,"date":"2022-06-26T08:55:03","date_gmt":"2022-06-26T11:55:03","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/centenario-de-dom-silverio-mais-que-um-simbolo-de-fe\/"},"modified":"2022-06-26T08:55:03","modified_gmt":"2022-06-26T11:55:03","slug":"centenario-de-dom-silverio-mais-que-um-simbolo-de-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/26\/centenario-de-dom-silverio-mais-que-um-simbolo-de-fe\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de dom Silv\u00e9rio: mais que um s\u00edmbolo de f\u00e9"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Os brasileiros celebram neste ano o Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia e o Centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna, com esp\u00edrito c\u00edvico em setembro e alma em festa pela cultura em fevereiro. Os mineiros, especificamente, ter\u00e3o mais um motivo hist\u00f3rico para prestar homenagens, ao reverenciar a mem\u00f3ria de dom Silv\u00e9rio Gomes Pimenta (1840-1922), cujo centen\u00e1rio de morte ser\u00e1 lembrado em 30 de agosto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nascido em Congonhas, na Regi\u00e3o Central do estado, dom Silv\u00e9rio foi o primeiro bispo negro do pa\u00eds e tamb\u00e9m o primeiro eclesi\u00e1stico a entrar para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Est\u00e1 prevista extensa programa\u00e7\u00e3o na Arquidiocese de Mariana, \u00e0 qual Congonhas pertence, informa o padre Jos\u00e9 Carlos dos Santos, diretor da Faculdade Dom Luciano e vig\u00e1rio da Par\u00f3quia Santa Efig\u00eania, de Ouro Preto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Dom Silv\u00e9rio serve de inspira\u00e7\u00e3o ao Brasil de hoje, quando h\u00e1 um percentual t\u00e3o alto de pessoas que lutam para ter acesso aos estudos, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. De fam\u00edlia muito pobre, descendente de escravizados, ele enfrentou s\u00e9rias dificuldades, ficando \u00f3rf\u00e3o aos 9 anos e come\u00e7ando a trabalhar cedo para ajudar a m\u00e3e e os sete filhos. Chegou a relatar, quando era arcebispo, que viveu a experi\u00eancia da indig\u00eancia, sem comida, roupa e agasalho???, conta o padre. Em Belo Horizonte, dom Silv\u00e9rio d\u00e1 nome ao col\u00e9gio marista fundado em 1950, no Bairro S\u00e3o Pedro, na Regi\u00e3o Centro-Sul.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na pr\u00e1tica, as homenagens ao religioso mineiro j\u00e1 come\u00e7aram, com a reedi\u00e7\u00e3o do livro ???Vida de Dom Vi\u00e7oso???, escrito por dom Silv\u00e9rio. Coordenador editorial do projeto comemorativo de um s\u00e9culo da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, padre Jos\u00e9 Carlos explica a grande import\u00e2ncia de dom Vi\u00e7oso (1787-1875), que est\u00e1 na lista de beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o, na vida do seu afilhado de crisma, bi\u00f3grafo e primeiro arcebispo de Mariana. Vale explicar que o primeiro bispo de Mariana (primeira diocese do interior do Brasil, criada em 1745) foi o frei dom Manoel da Cruz (1690-1764). J\u00e1 a Arquidiocese de Mariana foi instalada em 1906.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A vida dos dois religiosos ??? dom Vi\u00e7oso, portugu\u00eas que chegou ao Brasil aos 32 anos e se tornou o s\u00e9timo bispo de Mariana, e dom Silv\u00e9rio, brasileiro descendente de escravizados ???, se encontra inicialmente em Congonhas, no momento de o menino ser crismado. Depois, Silv\u00e9rio entra como aluno bolsista para o col\u00e9gio dos padres lazaristas, mas a escola \u00e9 fechada e ele fica sem poder estudar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h2>CARTA <\/h2>\n<p>Sempre demonstrando vontade de aprender, embora driblando a fome, Silv\u00e9rio estudava \u00e0 noite usando a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou do com\u00e9rcio. Foi ent\u00e3o que um tio dele decidiu escrever uma carta a dom Vi\u00e7oso, pedindo ajuda para o garoto. ???A resposta foi positiva, e Silv\u00e9rio, que j\u00e1 havia estudado franc\u00eas, latim e filosofia e demonstrava o desejo de se ordenar padre, foi para o semin\u00e1rio???. Em aux\u00edlio, o bispo enviou dinheiro para as despejas de viagem e um animal para o transporte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O brilhantismo de dom Silv\u00e9rio \u00e9 enaltecido por padre Jos\u00e9 Carlos. ???Tinha grande intelig\u00eancia e curiosidade intelectual.\u00a0 Aos 17 anos, era professor de l\u00edngua latina, um trabalho que desenvolveu por d\u00e9cadas. Depois, aprendeu outros idiomas. Era uma figura quase m\u00edtica???, conta o diretor da Faculdade Dom Luciano da Arquidiocese de Mariana.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dois momentos na trajet\u00f3ria de dom Silv\u00e9rio emocionam o padre Jos\u00e9 Carlos. Logo ap\u00f3s ser ordenado sacerdote, o mineiro foi enviado a Roma na companhia de outro religioso, o padre Cornagliotto. Na Santa S\u00e9, foi recebido pelo papa Pio IX (1792-1878), que, ao ver o jovem negro vindo do Brasil, pergunta a Cornagliotto em que l\u00edngua poderia falar com o ele. E a\u00ed veio a resposta: ???O senhor pode falar em ingl\u00eas, franc\u00eas, latim, em qualquer l\u00edngua, pois ele vai entender e responder???.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O certo mesmo \u00e9 que dom Silv\u00e9rio encantou Pio IX e os cardeais, sendo convidado a fazer uma homilia durante a missa. ???Ele impressionou a todos com a melhor marca que o Brasil tem como s\u00edmbolo de luta do povo: a coragem e a f\u00e9???.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Religioso exalta reedi\u00e7\u00e3o de livro como resgate hist\u00f3rico<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>O projeto de reedi\u00e7\u00e3o da obra-prima de dom Silv\u00e9rio nasceu em 2016, quando monsenhor Fl\u00e1vio Carneiro Rodrigues, da C\u00faria de Mariana, apresentou, durante evento organizado pelo curso de teologia do Semin\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9, em Mariana, a causa de beatifica\u00e7\u00e3o do Vener\u00e1vel dom Ant\u00f4nio Ferreira Vi\u00e7oso. O desejo de contribuir para dom Vi\u00e7oso se tornar mais conhecido e venerado fez brotar a ideia de reeditar a biografia escrita pelo afilhado. Assim, sob coordena\u00e7\u00e3o do padre Jos\u00e9 Carlos, ???um grupo de seminaristas, muitos deles atualmente presb\u00edteros e di\u00e1conos, se disp\u00f4s a abra\u00e7ar o trabalho???. Em pouco tempo, foi redigido o projeto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>????? dif\u00edcil descrever a riqueza e o valor da obra publicada em 1920. Dom Silv\u00e9rio nos oferece a oportunidade de conhecer, com detalhes e extremo rigor cient\u00edfico, a edificante vida de dom Vi\u00e7oso. Trata-se de uma viagem n\u00e3o somente pelo que seu padrinho realizou, mas tamb\u00e9m uma jornada ao seu mundo interior, ao seu itiner\u00e1rio vocacional e de santifica\u00e7\u00e3o, no servi\u00e7o a Deus em meio a imensos desafios???, afirma o padre.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A primeira parte da obra segue as fases da vida de dom Vi\u00e7oso (familiares, o contexto de nascimento, inf\u00e2ncia, surgimento da voca\u00e7\u00e3o, ingresso no semin\u00e1rio), enquanto a segunda mostra o trabalho executado ??? a situa\u00e7\u00e3o em que encontrou a diocese, sem bispo havia nove anos, e os servi\u00e7os prestados. ???Por morar no ent\u00e3o Col\u00e9gio do Cara\u00e7a, dom Vi\u00e7oso conhecia como poucos a diocese, que englobava quase todo o territ\u00f3rio mineiro.???<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>&#8216;OBRA-PRIMA&#8217; <\/h2>\n<p>Al\u00e9m de proporcionar aprofundado conhecimento sobre a vida de dom Vi\u00e7oso, o livro de autoria de dom Silv\u00e9rio ???\u00e9 reconhecidamente uma obra-prima da literatura brasileira???, defende o padre, lembrando que, com esse trabalho, dom Silv\u00e9rio conquistou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. ???Foi o primeiro eclesi\u00e1stico a conseguir esse feito, sem esquecer que dom Silv\u00e9rio era negro, e que, certamente, enfrentou dificuldades. O livro tem valor hist\u00f3rico. Por meio da leitura, conhecemos pormenores da hist\u00f3ria de Minas, do Brasil, da Igreja no pa\u00eds, e, especialmente, da Diocese de Mariana.???<\/p>\n<div><\/div>\n<h2>Trajet\u00f3ria de dedica\u00e7\u00e3o e defesa dos exclu\u00eddos<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>O Vaticano j\u00e1 reconheceu as virtudes heroicas de dom Vi\u00e7oso, chamado Vener\u00e1vel, e para ele se tornar beato \u00e9 necess\u00e1rio o reconhecimento de um milagre. Para ser canonizado, outro milagre dever\u00e1 ser relatado \u00e0 Comiss\u00e3o para a Causa dos Santos da Santa S\u00e9.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Minas Gerais tem quatro beatos na Igreja Cat\u00f3lica, \u00faltimo passo antes da canoniza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o eles Padre Eust\u00e1quio, Nh\u00e1 Chica, Padre Victor e Isabel Cristina Mrad Campos, a \u00fanica que ainda n\u00e3o teve a cerim\u00f4nia de beatifica\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A hist\u00f3ria de dom Vi\u00e7oso come\u00e7a em Portugal, onde nasceu em Peniche, em 13 de maio de 1787. Chegou ao Brasil com 32 anos, foi eleito s\u00e9timo bispo de Mariana ap\u00f3s quase nove anos de sede vacante. ???Ele se empenhou heroicamente pelo bem da Igreja, mostrou grande interesse pelo Semin\u00e1rio de Mariana e o entregou \u00e0 dire\u00e7\u00e3o dos padres lazaristas. Trouxe da Fran\u00e7a as irm\u00e3s vicentinas que, em Mariana, assumiram o Col\u00e9gio Provid\u00eancia, primeiro educand\u00e1rio feminino de Minas. Sempre defendeu os escravizados, pobres e oprimidos???, relata padre Jos\u00e9 Carlos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dom Vi\u00e7oso morreu em 7 de julho de 1875 e est\u00e1 sepultado na cripta da Catedral da S\u00e9, em Mariana. Ao longo do tempo, recebeu muitas homenagens, incluindo o nome da cidade de Vi\u00e7osa, na Zona da Mata mineira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os brasileiros celebram neste ano o Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia e o Centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna, com esp\u00edrito c\u00edvico em setembro e alma\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":173912,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8648],"tags":[],"class_list":["post-173911","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minas-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}