{"id":174343,"date":"2022-06-27T05:56:37","date_gmt":"2022-06-27T08:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/frete-e-insumos-pressionam-produtores-rurais-jamais-vi-algo-semelhante\/"},"modified":"2022-06-27T05:56:37","modified_gmt":"2022-06-27T08:56:37","slug":"frete-e-insumos-pressionam-produtores-rurais-jamais-vi-algo-semelhante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/27\/frete-e-insumos-pressionam-produtores-rurais-jamais-vi-algo-semelhante\/","title":{"rendered":"Frete e insumos pressionam produtores rurais: &#8220;Jamais vi algo semelhante&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O caminho que ultrapassa os 600 quil\u00f4metros de Ja\u00edba, no Norte de Minas, at\u00e9 Belo Horizonte se tornou ainda mais \u00e1rduo diante dos constantes aumentos no pre\u00e7o do diesel. O longo ch\u00e3o a percorrer \u00e9 um empecilho para quem trabalha diariamente no campo. Para transportar a colheita de bananas caturra e prata at\u00e9 o Ceasa Minas, na Regi\u00e3o Metropolitana de BH, o produtor rural Valmir Marques dos Santos, de 48 anos, viu o pre\u00e7o do frete disparar nos \u00faltimos dias, o que reduziu gradativamente sua margem de lucro com a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O drama vivido por Valmir \u00e9 o mesmo de outros agricultores que dependem de transporte para escoar os hortifrutigranjeiros at\u00e9 a venda. Os fretes para quem desloca a colheita at\u00e9 o Ceasa tiveram reajustes entre 40% e 50%. De acordo com a pesquisa do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, a infla\u00e7\u00e3o do diesel no ano atingiu o patamar de 28,4%.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 meses, o combust\u00edvel j\u00e1 acumula alta de 52%. Na esteira do diesel, o pre\u00e7o dos demais gastos na agricultura, como adubo, fertilizantes e venenos para pragas, tamb\u00e9m se acentuaram, com altas de at\u00e9 120% no mercado, em raz\u00e3o do conflito entre Ucr\u00e2nia e R\u00fassia.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano passado, Valmir pagava em torno de R$ 2 mil para trazer em torno de 600 caixas de bananas at\u00e9 a capital. Hoje, o custo gira em torno de R$ 2,8 mil. ???Na semana que vem, nos disseram que ele vai aumentar para R$ 3 mil. Est\u00e1 muito dif\u00edcil. Por isso, vejo muitos produtores desistirem de trabalhar???, lamenta o produtor.<\/p>\n<p>???O diesel subiu muito, mas nunca conseguimos repassar essa perda para o cliente. Nosso ganho depende muito da oferta do produto. E o sal\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aumentou muito. Por isso, n\u00e3o podemos contar com o lucro como era antes???, afirma.<\/p>\n<h2>Peso do frete sobre o produtor<\/h2>\n<p>Outro agricultor que tamb\u00e9m desloca a colheita de Ja\u00edba at\u00e9 o Ceasa \u00e9 Eufr\u00e1sio Aparecido dos Santos, de 48, que dedicou boa parte da sua vida na produ\u00e7\u00e3o de mam\u00e3o, maracuj\u00e1, lim\u00e3o, quiabo, manga e mandioca. Al\u00e9m de usar seu pr\u00f3prio caminh\u00e3o, ele gasta com frete terceirizado em torno de R$ 4 mil para transportar os produtos a cada viagem.<\/p>\n<p>Semanalmente, o custo gira em torno de R$ 12 mil. Uma das alternativas para vencer o aumento do \u00f3leo diesel e tentar arrecadar mais com a produ\u00e7\u00e3o foi reduzir o n\u00famero de hectares plantados. ???Atualmente, o que mais pesa para n\u00f3s s\u00e3o os combust\u00edveis e os insumos. Isso encarece demais a produ\u00e7\u00e3o e inviabiliza o trabalho. Por isso, acabamos reduzindo a \u00e1rea plantada. Eu reduzo um pouco, outros fazem o mesmo e s\u00f3 assim conseguimos???.<\/p>\n<p>Em vez de contratar mais funcion\u00e1rios, Eufr\u00e1sio trabalha com a fam\u00edlia. O pai do agricultor, Walter Paulo dos Santos, de 77, foi o precursor das atividades no campo e hoje a influ\u00eancia \u00e9 passada ao filho, Pablo Santos, de 20. ???S\u00e3o muitos anos trabalhando na terra e jamais vi algo semelhante. O homem do campo nunca passou por tamanha dificuldade para sustentar o neg\u00f3cio???, diz Walter.<\/p>\n<p>Natural de Bom Repouso, no Sul de Minas, Sebasti\u00e3o Ribeiro de Alc\u00e2ntara, de 72, n\u00e3o se lembra de pagar um transporte t\u00e3o caro como nos dias atuais. Ele dedicou mais de meio s\u00e9culo de vida na planta\u00e7\u00e3o de batatas na regi\u00e3o de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es e hoje desembolsa R$ 3 mil para descolar a colheita at\u00e9 BH. O pre\u00e7o da batata no mercado caiu e o saco \u00e9 vendido a R$ 30.<\/p>\n<p>???Era hora de ganharmos dinheiro, mas tudo tem subido. Aquele dinheiro que voc\u00ea ia receber a mais serve para pagar esses aumentos no pre\u00e7o do frete. N\u00e3o compensa ter seu pr\u00f3prio transporte, porque teria de pagar empregado para dirigi-lo, o que ficaria mais caro???, diz. H\u00e1 quem optou por comprar um caminh\u00e3o para transportar os produtos da lavoura at\u00e9 os postos de venda, mas quem tamb\u00e9m lida com a mesma dificuldade.\u00a0<\/p>\n<h2>&#8220;Infelizmente, o custo tem de ser repassado&#8221;<\/h2>\n<p>Moacir J\u00fanior de Carvalho, de 30 anos, que transporta cenouras vindas diretamente de S\u00e3o Gotardo, no Alto Parana\u00edba, lamenta que a alta dos combust\u00edveis prejudica quem produz e o consumidor final:\u00a0???A infla\u00e7\u00e3o prejudica muito o com\u00e9rcio, pois o vendedor fica numa situa\u00e7\u00e3o de dif\u00edcil acesso \u00e0 mercadoria. Os pre\u00e7os t\u00eam diariamente varia\u00e7\u00e3o, sofrem altas, e chegam ao consumidor muito mais caro???.<\/p>\n<p>O gasto para levar a colheita no caminh\u00e3o \u00e9 acima de R$ 2,5 mil, dos quais 13% s\u00e3o acrescidos ao valor vendido no mercado. Apesar disso, ele diz que o cen\u00e1rio \u00e9 de muita luta para evitar preju\u00edzos maiores. ???Infelizmente, o custo tem de ser repassado. Quando o produto chega com grande oferta no mercado, o produtor tem de assumir esse repasse, pelo fato de o custo do transporte ser muito alto???, afirma.<\/p>\n<p>Arthur Linhares Pinto, de 59 anos, cuja fazenda fica em Nova Uni\u00e3o, a 80 quil\u00f4metros da capital, diz que o total de combust\u00edvel gasto inserido no pre\u00e7o da colheita das mexericas gira em torno de 10% a 12%.<\/p>\n<p>Com mais de 40 anos de trabalho, ele acredita que o per\u00edodo p\u00f3s-pandemia foi muito ruim para quem vive no campo: ???Temos que morrer nesse pre\u00e7o de custo. A mercadoria sobe no mercado, mas n\u00e3o podemos lucrar mais. O mercado consumidor tem, mas o problema \u00e9 que o poder aquisitivo do povo \u00e9 pequeno???. Arthur Linhares diz que, na situa\u00e7\u00e3o atual, \u00e9 muito dif\u00edcil continuar a produ\u00e7\u00e3o. ???J\u00e1 penso em parar. A idade est\u00e1 chegando e os preju\u00edzos s\u00e3o muito grandes.???<\/p>\n<h3>Expectativa \u00e0 espera de redu\u00e7\u00e3o do ICMS<\/h3>\n<p>Entidade que representa os produtores de Minas, a Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Minas Gerais (Faemg) v\u00ea com grande expectativa a quest\u00e3o do\u00a0Projeto de Lei 18\/2022, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que limita a aplica\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas de ICMS\u00a0para combust\u00edveis, g\u00e1s natural, energia el\u00e9trica, comunica\u00e7\u00f5es e transporte coletivo. A entidade considera que a medida pode representar redu\u00e7\u00e3o importante nos custos para o produto.<\/p>\n<p>????? uma expectativa importante que precisa ser considerada e pode trazer um alento na quest\u00e3o do ICMS, o que beneficiaria os produtores na quest\u00e3o dos combust\u00edveis. J\u00e1 houve queda de 0,64% no IPCA-15 relacionado aos item transportes, mas temos que acompanhar como vai fechar a infla\u00e7\u00e3o, dentro de uma perspectiva de desdobramento do projeto de lei, para ver se haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o para as refinarias e tamb\u00e9m para os consumidores???, ressalta a assessora econ\u00f4mica da Faemg, Aline Veloso.<\/p>\n<p>De acordo com ela, a Faemg vem orientando os produtores sobre a melhor forma de cortar custos nas propriedades rurais, compensando as perdas pelo reajuste dos combust\u00edveis.<\/p>\n<p>???Hoje, v\u00e1rios produtores usam o diesel como insumo em suas propriedades e tamb\u00e9m no transporte. Qualquer reajuste fora do controle do produtor rural impacta na quest\u00e3o de custos. Nossa orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 para que ele apure seus custos de produ\u00e7\u00e3o para que obtenha a m\u00e1xima efici\u00eancia em sua atividade. Infelizmente, este controle n\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os???, comenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caminho que ultrapassa os 600 quil\u00f4metros de Ja\u00edba, no Norte de Minas, at\u00e9 Belo Horizonte se tornou ainda mais \u00e1rduo diante dos constantes\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":174344,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-174343","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=174343"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174343\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=174343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=174343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=174343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}