{"id":174370,"date":"2022-06-27T07:56:22","date_gmt":"2022-06-27T10:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/disparada-dos-precos-dos-combustiveis-quem-pode-menos-paga-mais\/"},"modified":"2022-06-27T07:56:22","modified_gmt":"2022-06-27T10:56:22","slug":"disparada-dos-precos-dos-combustiveis-quem-pode-menos-paga-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/27\/disparada-dos-precos-dos-combustiveis-quem-pode-menos-paga-mais\/","title":{"rendered":"Disparada dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis: quem pode menos paga mais"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Moradores de cidades mineiras mais pobres e isoladas, como no Norte e no Vale do Jequitinhonha, est\u00e3o sofrendo impacto maior da disparada dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis do que os que vivem em munic\u00edpios mais ricos, como Nova Lima, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, que tem o maior \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,813. N\u00e3o s\u00e3o apenas os consumidores os afetados, mas o com\u00e9rcio tamb\u00e9m sofre, prejudicando a economia local.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nessas localidades, at\u00e9 o servi\u00e7o de entrega de mercadorias na zona rural, que chegam a at\u00e9 45 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, est\u00e1 sendo restringido por alguns comerciantes para evitar mais preju\u00edzos. Os custos elevados dos derivados de petr\u00f3leo somam-se \u00e0s dificuldades de circular por estradas malconservadas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com o \u00faltimo reajuste dos combust\u00edveis autorizado pela Petrobras, em algumas cidades o \u00f3leo diesel custa mais que a gasolina. Em S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es, munic\u00edpio com o mais baixo IDH do estado (0,529), o diesel est\u00e1 sendo comercializado a R$ 8,19 o litro. A gasolina, R$ 8,09. Por l\u00e1, os pre\u00e7os s\u00e3o mais elevados que os praticados em Nova Lima, onde, na \u00faltima semana, o litro da gasolina variou entre R$ 7,65 e R$ 7,79. J\u00e1 o diesel \u00e9 vendido a R$ 7,65, segundo pesquisa da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP).<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>Propriet\u00e1rio de uma loja de produtos veterin\u00e1rios e ra\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es, Dario Mard\u00f4nio Soares de Brito disse que a situa\u00e7\u00e3o ficou complicada. ???Nossa margem de lucro diminuiu. O\u00a0valor do frete aumentou muito\u00a0e n\u00e3o temos como repassar esse custo para os consumidores, pois a regi\u00e3o \u00e9 carente e as pessoas n\u00e3o podem pagar. Se aumentarmos os pre\u00e7os das mercadorias, a gente n\u00e3o consegue vender???, afirmou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???O aumento de pre\u00e7os dos combust\u00edveis acarreta o reajuste todas as mercadorias. As pessoas de baixo poder aquisitivo passam a comprar somente aquilo que consideram indispens\u00e1vel???, complementa Patr\u00edcia Souza Santos Neves, dona de um supermercado na cidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Aumento das despesas\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Diesel tamb\u00e9m mais caro que a gasolina em Bonito de Minas, que tem o terceiro pior IDH de Minas: 0,537. Por conta da eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do combust\u00edvel, o comerciante Geraldo Justino da Silva, dono de um supermercado, viu crescer as despesas com o frete na entrega de compras para comunidades a 42 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Nos \u00faltimos seis meses, tamb\u00e9m teve aumento de 30% nos custos com o \u00f4nibus que transporta gratuitamente parte da clientela que mora na zona rural para fazer compras no munic\u00edpio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???O que fazemos \u00e9 uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 regi\u00e3o. Se a gente cobrar as viagens das pessoas da zona rural, elas n\u00e3o t\u00eam como pagar, s\u00e3o aposentados, recebedores do Programa Bolsa-Fam\u00edlia (Aux\u00edlio Brasil) e trabalhadores rurais, que ganham pouco???, conta Geraldo Justino.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>Na cidade, Salvador Pereira Neto, gerente de outro supermercado, reclama das altas dos combust\u00edveis. A unidade tamb\u00e9m oferece o transporte de clientes, buscando pessoas em localidades a 45 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Mas apesar do aumento dos custos nesse tipo de benef\u00edcio, ele lamenta ainda mais \u00e9 a recusa de transportadores para levar mercadorias que ele compra em Belo Horizonte para vender em seu estabelecimento. ???Est\u00e1 dif\u00edcil encontrar caminhoneiros. Eles est\u00e3o recusando as cargas por causa do pre\u00e7o alto do diesel, que quase dobrou nos \u00faltimos seis meses???, revelou.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Entregas limitadas<\/h2>\n<div>\u00a0J\u00e1 em Crist\u00e1lia, que tem IDH de 0,583, comerciantes n\u00e3o tiveram alternativas. Para evitar preju\u00edzos com a eleva\u00e7\u00e3o do \u00f3leo diesel (R$ 7,99 o litro), que tamb\u00e9m est\u00e1 mais caro que a gasolina (R$ 7,89), o jeito foi restringir entregas para os clientes nas comunidades rurais. Dono de um supermercado, Jos\u00e9 Cleiton Rodrigues Rocha s\u00f3 leva at\u00e9 a casa do morador se a compra atinge o valor m\u00ednimo de R$ 600. ???Reduzimos pela metade para evitar preju\u00edzos, pois o custo do transporte praticamente dobrou nos \u00faltimos seis meses???, justifica. ???Toda vez que vem visitar a gente, os vendedores informam que os produtos est\u00e3o mais caros???, complementa.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Vendas em queda\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>O comerciante Altino de Souza, propriet\u00e1rio de um com\u00e9rcio em Botumirim, reclama da queda no faturamento. ???Toda vez que sobe o pre\u00e7o da gasolina, aumenta o pre\u00e7o das outras mercadorias e as vendas diminuem de forma proporcional???, conta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para Maria Ala\u00edde Ver\u00edssimo, dona de um pequeno supermercado no munic\u00edpio, os sucessivos reajustes dos combust\u00edveis, em efeito cascata, aumentam pre\u00e7os de outros produtos. ???Sempre que a gente vende uma mercadoria, n\u00e3o consegue mais comprar a reposi\u00e7\u00e3o pelo mesmo pre\u00e7o. Estou desanimada de continuar trabalhando???, lamentou a comerciante.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quem comercializa roupas sente ainda mais na pele os efeitos econ\u00f4micos. Que o diga H\u00e9rviro Moreira dos Santos. Ele afirma que todo reajuste dos combust\u00edveis j\u00e1 \u00e9 esperada a diminui\u00e7\u00e3o no faturamento da loja. ???Quase tudo que vendemos aqui vem de fora. O reajuste dos combust\u00edveis eleva o custo de vida. As pessoas passam a comprar somente os produtos\u00a0 de primeira necessidade, deixando de comprar outras coisas como roupas???, diz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O comerciante relembra ainda que o cen\u00e1rio \u00e9 registrado bem ap\u00f3s os dois anos de pandemia da COVID-19, situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 pesou demais para os neg\u00f3cios, principalmente os pequenos.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Donos de postos j\u00e1 perdem clientes<\/h2>\n<div>Donos de postos de combust\u00edveis tamb\u00e9m sentem as consequ\u00eancias dos reajustes dos derivados do petr\u00f3leo, com queda da clientela. ???Acredito que, nos \u00faltimos seis meses, tivemos uma redu\u00e7\u00e3o de 30% nas vendas???, estima o empres\u00e1rio Gilvan Domingos Almeida, propriet\u00e1rio de um estabelecimento em Botumirim, no Norte de Minas, cidade com IDH de 0,602. Atualmente, por l\u00e1 o \u00f3leo diesel est\u00e1 sendo comercializado a R$ 8,05. A gasolina, R$ 7,99.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradores de cidades mineiras mais pobres e isoladas, como no Norte e no Vale do Jequitinhonha, est\u00e3o sofrendo impacto maior da disparada dos pre\u00e7os\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":174371,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-174370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=174370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=174370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=174370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=174370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}