{"id":176653,"date":"2022-06-30T13:07:52","date_gmt":"2022-06-30T16:07:52","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/sonhos-sao-o-espaco-de-invencao-do-novo-conta-o-neurocientista-sidarta-ribeiro\/"},"modified":"2022-06-30T13:07:52","modified_gmt":"2022-06-30T16:07:52","slug":"sonhos-sao-o-espaco-de-invencao-do-novo-conta-o-neurocientista-sidarta-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/30\/sonhos-sao-o-espaco-de-invencao-do-novo-conta-o-neurocientista-sidarta-ribeiro\/","title":{"rendered":"&#8216;Sonhos s\u00e3o o espa\u00e7o de inven\u00e7\u00e3o do novo&#8217;, conta o neurocientista Sidarta Ribeiro"},"content":{"rendered":"<p> Aos 51 anos, Sidarta Ribeiro n\u00e3o deixa de lado a l\u00f3gica dos sonhos como um espa\u00e7o de frui\u00e7\u00e3o do real. Respons\u00e1vel pela funda\u00e7\u00e3o de uma das principais institui\u00e7\u00f5es que pesquisam neuroci\u00eancia no pa\u00eds, o Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICE\/UFRN), ele diz que os sonhos s\u00e3o &#8220;o estado mental de constru\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o existe&#8221;.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nDono de uma larga trajet\u00f3ria como professor, pesquisador e capoeirista, Sidarta defende a ideia de que a humanidade tem elaborado, h\u00e1 mil\u00eanios, um repert\u00f3prio de conhecimentos e saberes atrav\u00e9s deste ambiente.\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\nEssa sapi\u00eancia, o teste de hip\u00f3teses sobre o novo, desnivelado atrav\u00e9s dos sono, no entanto, n\u00e3o estaria acess\u00edvel a todos, sobretudo aos que n\u00e3o t\u00eam a ancestralidade como fundamento.\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 nada claro nessa civiliza\u00e7\u00e3o urbana de matriz europ\u00e9ia, do racionalismo, do iluminismo, que jogou os sonhos na lata do lixo&#8221;, argumenta o cientista, acrescentando que, no estado atual, a sociedade n\u00e3o consegue sonhar, seja no sentido pr\u00e1tico ou metaf\u00f3rico da coisa.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nOs reflexos s\u00e3o diversos, alerta o professor, pois, cada vez mais, o mundo do trabalho invade a noite, faz com que indiv\u00edduos durmam cada vez menos e passem a ter problemas cognitivos.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;A gente sabe que precisa dormir bem, comer bem, se exercitar, ter rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00f3xicas para poder ter sa\u00fade, mas a gente, como sociedade, est\u00e1 embarcando no projeto oposto&#8221;, esclarece Sidarta, que atribui ao v\u00edcio no dinheiro o status de contaminador das rela\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nA compreens\u00e3o sobre drogas, ali\u00e1s figura como um dos temas de aten\u00e7\u00e3o do brasiliense, que \u00e9 autor de livros como &#8220;Entendendo as coisas&#8221; (1998) e &#8220;Maconha, c\u00e9rebro e sa\u00fade&#8221; (2007).\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\nPara ele, a &#8220;mistifica\u00e7\u00e3o&#8221; do Brasil acerca das drogas \u00e9 um desafio para o avan\u00e7o de uma pol\u00edtica eficaz. &#8220;As pessoas acham que s\u00e3o contra drogas, mas v\u00e3o \u00e0 drogaria a todo momento comprar drogas, ou v\u00e3o aos bares, ou v\u00e3o aos supermercados&#8221;, compara, afirmando ainda que subst\u00e2ncas como o a\u00e7\u00facar t\u00eam efeito no corpo e na mente dos indiv\u00edduos.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;Sonho manifesto: Dez exerc\u00edcios urgentes de otimismo apocal\u00edptico&#8221; (2022) \u00e9 o escrito mais recente de Sidarta, que disse, apesar do respeito que nutre pela institui\u00e7\u00e3o e das vagas ociosas, n\u00e3o ter interesse em se candidatar \u00e0 uma cadeira da Academia Brasileira de Letras (ABL).<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;Enquanto a Concei\u00e7\u00e3o Evaristo n\u00e3o for admitida, todo mundo que \u00e9 branco ou quase branco deveria ficar do lado de fora&#8221;, avalia, acrescentando que acredita na emerg\u00eancia de outras quest\u00f5es mais importantes como a renconstru\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia do pa\u00eds. Confira a entrevista completa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 51 anos, Sidarta Ribeiro n\u00e3o deixa de lado a l\u00f3gica dos sonhos como um espa\u00e7o de frui\u00e7\u00e3o do real. 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