{"id":182240,"date":"2022-07-09T06:42:27","date_gmt":"2022-07-09T09:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/sob-lideranca-feminina-gamboa-de-baixo-prospera-e-vira-novo-ponto-turistico\/"},"modified":"2022-07-09T06:42:27","modified_gmt":"2022-07-09T09:42:27","slug":"sob-lideranca-feminina-gamboa-de-baixo-prospera-e-vira-novo-ponto-turistico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/09\/sob-lideranca-feminina-gamboa-de-baixo-prospera-e-vira-novo-ponto-turistico\/","title":{"rendered":"Sob lideran\u00e7a feminina, Gamboa de Baixo prospera e vira novo ponto tur\u00edstico"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/6\/d\/csm_o_poder_feminino_da_gamboa_de_baixo_novo_ponto_turistico_de_salvador_foto_marina_silva_jornal_correio_2022__6__ec669dd20d.jpeg\"\/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Simone Santos, do Acaraj\u00e9 da M\u00f4ny, na beira-mar da Gamboa de Baixo<\/strong> (Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Inaugurado h\u00e1 200 anos, o Forte de S\u00e3o Paulo da Gamboa contava com uma formid\u00e1vel pe\u00e7a de artilharia no final do s\u00e9culo 19, a qual fora carinhosamente apelidada de ???Vov\u00f3???. A velhinha ??? um canh\u00e3o Armstrong calibre 250, pesando 13 toneladas ??? transformava o lugar numa das melhores fortifica\u00e7\u00f5es da Bahia no per\u00edodo, e seu poder de fogo era t\u00e3o grande que, quando disparada, destru\u00eda vidra\u00e7as na vizinhan\u00e7a. Na sua estreia, em 1875, diz-se que reduziu uma secular mangueira em Mar Grande ???a um mont\u00e3o de lenha???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Embora ???Vov\u00f3??? (h\u00e1 quem chame de ???Vov\u00f4???) tenha passado a morar na frente do Quartel da Mouraria, a pot\u00eancia dela continua intacta em seus netos e, principalmente, netas na Gamboa de Baixo. S\u00e3o mulheres guerreiras da comunidade que comandam as a\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s d\u00e9cadas de resist\u00eancia ante a aus\u00eancia do poder p\u00fablico e o preconceito ??? chaga que tamb\u00e9m tem poder de fogo destruidor, inclusive letal.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De quatro anos para c\u00e1, a Gamboa passou a se reconfigurar num espa\u00e7o requisitado e mais frequentado, loca\u00e7\u00e3o de novela da Globo, seriado da Netflix, clipe de Anitta, e, com o fluxo de visitantes cada vez mais intenso, novo ponto tur\u00edstico da cidade.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\">O pioneiro Bar da M\u00f4nica, junto com o Bar Odoy\u00e1, o Point Brisa do Mar, o Bar Piranha do Mar, o Acaraj\u00e9 da M\u00f4ny e o Drinks da Ruana s\u00e3o os principais estabelecimentos, todos sob lideran\u00e7a feminina, que atendem novos visitantes (da cidade e do mundo), com boa comida e uns bons drinks, gerando emprego e renda na favela encravada entre o mar e o asfalto. Assim como as donas, os empregados s\u00e3o gente da vizinhan\u00e7a, e os pescados que pintam nos pratos da clientela s\u00e3o comprados na m\u00e3o de quem trabalha ali em frente.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Instado<\/strong><br \/> A conquista do front que permitiu o ingresso nessa nova era da Gamboa veio atrav\u00e9s de disparos despretensiosos nas redes sociais, em novembro de 2018, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o de um perfil do Bar da M\u00f4nica no Instagram. No di\u00e1rio de bordo dessa invas\u00e3o de aliados (novos clientes) tamb\u00e9m consta a comemora\u00e7\u00e3o de um anivers\u00e1rio j\u00e1 no m\u00eas seguinte. Quem explica essa cronologia \u00e9 a empres\u00e1ria M\u00f4nica Arcela, dona do bar, que at\u00e9 ent\u00e3o vinha h\u00e1 mais de 15 anos atendendo somente vizinhos e chegados de bairros pr\u00f3ximos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Realmente, aqui n\u00e3o tinha fluxo. Come\u00e7ou quando duas sobrinhas minhas resolveram postar no Insta as comidas que eu servia, dizendo que estavam no melhor lugar de Salvador. Depois, uma rep\u00f3rter conheceu o bar, gostou e resolveu comemorar o anivers\u00e1rio aqui. Pronto! Depois que ela veio com os convidados, deu uma alavancada boa???<\/strong>, explica M\u00f4nica, que de uma hora para outra multiplicou a clientela numa quantidade que nem consegue dimensionar.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">???Antigamente, o perfil de cliente aqui era pescador, o pessoal dos arredores como Garcia, Politeama, da Pregui\u00e7a. Hoje em dia vem gente de tudo que \u00e9 canto do Brasil e do mundo???, explica. A mem\u00f3ria vai t\u00e3o bem que at\u00e9 hoje M\u00f4nica lembra da antiga receita da falta de frequentadores: ???As pessoas n\u00e3o vinham porque a Gamboa era marginalizada. Devido \u00e0 m\u00eddia, a Gamboa era mal vista???. Ela conta que, junto com os colaboradores, trabalhou para mudar essa vis\u00e3o deturpada e atrair mais visitantes, sem esquecer da comunidade, onde moram cerca de 300 fam\u00edlias.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Todo pescado que eu pego, em termo de peixe, lagosta e polvo, \u00e9 da Gamboa. A \u00fanica coisa que eu n\u00e3o pego aqui \u00e9 o camar\u00e3o, porque n\u00e3o pescamos camar\u00e3o. E a economia da Gamboa hoje praticamente gira em torno do bar: barqueiro, pescador e outros. Quando eu fecho aqui, \u00e9 um transtorno???, admite M\u00f4nica, que chega a empregar 12 pessoas nos per\u00edodos mais movimentados.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No dia em que a jornalista e especialista em m\u00eddias digitais Cl\u00e1udia Castro foi comemorar seus 39 anos, ela convocou cerca de 20 combatentes, mas teve que lidar com algumas deser\u00e7\u00f5es. ???Acho que umas cinco pessoas disseram que n\u00e3o iam porque era na Gamboa???, relembra a comunicadora sobre o sabad\u00e3o ensolarado de 8 de dezembro de 2018 (Concei\u00e7\u00e3o da Praia), quando 12 colegas grand\u00f5es sem medo baixaram no bar e ajudaram a mudar a hist\u00f3ria do lugar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Eu comecei a enviar os convites para as pessoas, fiz um mapinha explicando como era pra chegar l\u00e1, e muitas ficaram apreensivas. Por se tratar de uma comunidade, perguntaram se n\u00e3o era perigoso, eu falei ???n\u00e3o, pode ir???. Algumas n\u00e3o foram, mas quem foi amou a comida, o local???, recorda. Entre os convidados da jornalista havia outros comunicadores, que encantados com o novo pico, viraram divulgadores espont\u00e2neos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Famosos na \u00e1rea<\/strong><br \/> Se os eventos do final de 2018 j\u00e1 tinham dado uma movimentada na \u00e1rea (antes inclusive teve grava\u00e7\u00e3o da novela ???Segundo Sol??? e de clipe de Kann\u00e1rio e Marcelo Falc\u00e3o), o que acontece em janeiro de 2019 vem para abrir de vez a porteira. Coube mais uma vez a uma mulher, esta Made in Hon\u00f3rio, colocar a comunidade aos olhos do mundo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Com imagens feitas na prainha do Solar do Unh\u00e3o (comunidade vizinha) e no Bar da M\u00f4nica, o clipe de ???Bola Rebola??? \u00e9, para grande parte dos moradores, o marco principal da mudan\u00e7a de perspectiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas comunidades, que s\u00e3o separadas pela antiga fortifica\u00e7\u00e3o. ???O que mudou tudo foi o clipe de Anitta. Estourou de vez???, crava Vanessa Santos, 42, propriet\u00e1ria do Point Brisa do Mar sobre a parceria da funkeira com J. Balvin, Tropkillaz e Mc Zaac que conta mais de 185 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es s\u00f3 no YouTube.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???E teve agora outra coisa que revolucionou isso daqui, que foi a filmagem do seriado ???Santo??? [Netflix], com Bruno Gagliasso, e a cerveja ele tomou foi aqui, no meu estabelecimento. As meninas falaram: ???Vanessa, Bruno est\u00e1 pedindo uma cerveja???, eu falei: ???\u00e9 mentira???. A\u00ed ele subiu e disse: ???Vanessa, por favor, me d\u00ea uma Heineken???. Quase ca\u00ed pra tr\u00e1s. Pense numa pessoa humilde???<\/strong>, recorda a dona do bar que fica bem ao lado da Mans\u00e3o Morada dos Cardeais.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A clientela no famoso ???pr\u00e9dio de Ivete???, ali\u00e1s, \u00e9 cada vez mais fidelizada. ???Os ???bar\u00e3o??? pedem muito. Mandam no meu Instagram, WhatsApp. A gente leva por aqui mesmo ou eu mando entregar l\u00e1. O pre\u00e7o pra eles \u00e9 o mesmo de todo mundo, n\u00e9? Pedem muita batata frita, moqueca, camar\u00e3o ao alho e \u00f3leo???.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/07\/09\/o_poder_feminino_da_gamboa_de_baixo_novo_ponto_turistico_de_salvador_foto_marina_silva_jornal_correio_2022__2_.jpeg\"\/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>\u00a0Vanessa Santos, moradora e propriet\u00e1ria do Point Brisa do Mar, bar que costuma atender vizinhos da Morada dos Cardeais<\/strong> (Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Quando est\u00e1 na \u00e1rea, Ivete Sangalo tamb\u00e9m faz seus pedidos, mas normalmente quem atende \u00e9 a irm\u00e3 de Vanessa, a baiana de acaraj\u00e9 Simone Santos, 47. ???Ivete pede o acaraj\u00e9 direto. Direto mesmo! Uma pessoa pede por ela, manda pro zap de minha filha. O contato \u00e9 pelo WhatsApp, ou Instagram. Ivete faz o pix???, brinca a comandante do Acaraj\u00e9 da M\u00f4ny, \u00fanico tabuleiro da comunidade, com 13 anos de servi\u00e7os prestados. Essa fama de ser ???uma das baianas preferidas de Ivete???, inclusive, j\u00e1 a faz receber clientes curiosos em saber o que \u00e9 que o seu quitute tem de diferente. ???Eu t\u00f4 sendo reconhecida agora???, comemora.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Reivindica\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/> A comunidade tamb\u00e9m teve algo a comemorar com a passagem da Netflix, que deixou como ???contrapartida??? pelo apoio da comunidade nas grava\u00e7\u00f5es, em outubro passado, \u00a0uma cobertura ornada de palha, que serve para amenizar o calor em dois bares.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Vinte anos antes, uma outra contrapartida, desta vez da Odebrecht, ajudou a garantir a constru\u00e7\u00e3o da lavanderia da comunidade, como compensa\u00e7\u00e3o para a demoli\u00e7\u00e3o de casas na Gamboa visando a constru\u00e7\u00e3o da Morada dos Cardeais.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Parece pouco, mas diante do hist\u00f3rico de abandono do poder p\u00fablico e da pr\u00f3pria sociedade, desde a inaugura\u00e7\u00e3o da Avenida Lafayete Coutinho, a Contorno, h\u00e1 exatos 60 anos, \u00e9 alguma coisa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Tal descaso na parte sanit\u00e1ria, por exemplo, resultou num surto de c\u00f3lera, h\u00e1 30 anos, que vem a ser, por iniciativa das mulheres locais, o in\u00edcio de um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o que tem ajudado a tornar as coisas menos piores por ali.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???As mulheres foram as mentoras da associa\u00e7\u00e3o de moradores, deram o passo inicial quando no surto do c\u00f3lera, em 1992, pessoas morreram. S\u00e3o elas que come\u00e7am a organizar a comunidade para buscar melhorias habitacionais e, principalmente, por direitos, como \u00e1gua encanada, saneamento b\u00e1sico???<\/strong>, destaca Ana Caminha, 48, uma das fundadoras e atual presidente da Associa\u00e7\u00e3o Amigos de Geg\u00ea dos Moradores da Gamboa de Baixo, que homenageia uma das v\u00edtimas do c\u00f3lera.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Antes da associa\u00e7\u00e3o, poucas casas eram de alvenaria, e al\u00e9m de n\u00e3o haver sistema de abastecimento de \u00e1gua, tamb\u00e9m n\u00e3o tinha energia el\u00e9trica, entre outras car\u00eancias inacredit\u00e1veis para uma comunidade encravada no Centro da capital baiana.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Atualmente, a Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Leal Ferreira (FMLF) desenvolve um novo Plano Urban\u00edstico para a Gamboa, al\u00e9m de um projeto habitacional para as 20 fam\u00edlias que vivem no Forte de S\u00e3o Paulo, ???todos dois j\u00e1 constru\u00eddos??? em parceria com a comunidade, segundo a presidente do \u00f3rg\u00e3o, T\u00e2nia Scofield. ???Tamb\u00e9m fizemos o projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o do Cais da Gamboa. A Sucop (Ordem P\u00fablica) j\u00e1 publicou o edital de licita\u00e7\u00e3o para a obra, que deve ser iniciada em outubro. Estamos tamb\u00e9m elaborando a melhoria da Av.\u00a0Contorno, com o objetivo de garantir aos moradores da Gamboa a caminhabilidade e travessia de forma segura&#8221;, complementa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Enquanto come\u00e7am a garantir mais direitos, a mulherada tamb\u00e9m atua no front com projetos sociais, a exemplo dos grupos de dan\u00e7a e de capoeira, ou mesmo apoiando a\u00e7\u00f5es como o P\u00e9rolas da Gamboa, que ensina jiu-j\u00edtsu a cerca de 50 crian\u00e7as. ???Nosso objetivo \u00e9 formar campe\u00f5es dentro e fora do tatame???, explica o advogado e professor volunt\u00e1rio Igor Arcanjo, respons\u00e1vel por calibrar a pot\u00eancia de mais uma gera\u00e7\u00e3o de netas e netos de ???Vov\u00f3???, que j\u00e1 possuem um alvo definido: um futuro bem melhor.<\/p>\n<p class=\"text-center\">***<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Lideran\u00e7a teme que turismo mude identidade do local<\/strong><br \/> Mais do que n\u00e3o ter acesso a servi\u00e7os essenciais, a Gamboa de Baixo sempre conviveu com o preconceito e a viol\u00eancia vindos de fora ??? vide a morte de tr\u00eas jovens negros, numa a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, em mar\u00e7o, sobre a qual o Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual acaba de devolver os inqu\u00e9ritos \u00e0 Pol\u00edcia Civil e \u00e0 Corregedoria da PM para a realiza\u00e7\u00e3o de novas dilig\u00eancias.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Falar o nome da Gamboa pra cidade era sin\u00f4nimo de medo, de perigo, e a gente n\u00e3o tinha sequer o direito de matricular os filhos na escola. T\u00ednhamos que negar a identidade da comunidade, pois os diretores de escola n\u00e3o aceitavam os moradores???<\/strong>, relembra Ana Caminha sobre os anos pr\u00e9-levante feminino.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A colega de associa\u00e7\u00e3o, Luciene Rosa, \u00e9 outra que sempre recha\u00e7ou a m\u00e1 fama. ???Para n\u00f3s, moradores, isso aqui nunca foi perigoso. Devido \u00e0 m\u00eddia, mostrando opera\u00e7\u00e3o policial e etc, era uma regi\u00e3o muito discriminada. Mas aqui \u00e9 uma comunidade de pescadores que \u00e9 uma fam\u00edlia???, comenta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo o arquiteto e urbanista Fabr\u00edcio Zanoli, que pesquisou e atuou em projetos sobre a Gamboa, desde o s\u00e9culo 16 a \u00e1rea j\u00e1 tinha esse perfil voltado para a pesca, e durante o Brasil Imp\u00e9rio, a atividade era inclusive regulamentada pela Coroa. Esse perfil, ironicamente, s\u00f3 foi mantido por conta do ???isolamento??? provocado pela constru\u00e7\u00e3o da avenida.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Na parte de baixo da Contorno, voc\u00ea tem duas comunidades com caracter\u00edsticas totalmente distintas: a Gamboa, que tem uma tradi\u00e7\u00e3o de pesca mais forte, e o Solar do Unh\u00e3o, que teve uma mudan\u00e7a de perfil: tem mais artistas, alguns estrangeiros???<\/strong>, delimita.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Para Ana Caminha, esse perfil agora est\u00e1 amea\u00e7ado, diante do avan\u00e7o do turismo, que traz prosperidade econ\u00f4mica, mas p\u00f5e em risco a identidade local. ???O aumento desse fluxo \u00e9 positivo, sim. Aumentou e muito a quest\u00e3o da renda, mas tamb\u00e9m \u00e9 preocupante porque a gente tem que ter o cuidado de que essa chegada de visitantes seja criteriosa, que n\u00e3o seja uma tomada da Gamboa, descaracterizando a nossa identidade. O crescimento do turismo, se n\u00e3o for de forma controlada, pode apagar essa comunidade tradicional da pesca???, alerta ela, que luta para garantir, como salvaguarda,\u00a0a regulariza\u00e7\u00e3o da Zona Especial de Interesse Social (Zeis) da Gamboa, como comunidade pesqueira.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a presidente da FMLF, T\u00e2nia Scofield, esse processo est\u00e1 em andamento sob o comando da pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o, e s\u00f3 aguarda o Plano Urban\u00edstico e a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, que est\u00e1 sendo executada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). &#8220;Quando conclu\u00edda a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria faremos uma \u00faltima reuni\u00e3o com a comunidade para o fechamento do processo. No meu entendimento, atrav\u00e9s de decreto formalizaremos a regulariza\u00e7\u00e3o da Zeis\u00a0da Gamboa de Baixo&#8221;, adianta.\u00a0<\/p>\n<p class=\"text-center\">***<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como chegar \u00e0 beira-mar da Gamboa:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Barco &#8211;<\/strong>\u00a0Entrando pelo port\u00e3o do Museu de Arte Moderna (MAM), antes de descer a ladeira, voc\u00ea pega a esquerda, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade do Solar do Unh\u00e3o, onde tamb\u00e9m h\u00e1 boas op\u00e7\u00f5es de bares e restaurantes, al\u00e9m da prainha de pedras. Nela, voc\u00ea pode contratar um dos servi\u00e7os de transporte por barco. A rota foi aberta pela pescadora e mergulhadora Nala Rodrigues, 23, que come\u00e7ou a fazer o itiner\u00e1rio h\u00e1 cerca de quatro anos. ???Me sinto orgulhosa por ser mulher e estar em uma \u00e1rea que, infelizmente, os homens ganham mais reconhecimento???, conta a jovem, que cobra atualmente R$ 10 para ir e R$ 10 para voltar da regi\u00e3o do Bar da M\u00f4nica. Para quem quiser fazer pr\u00e9-agendamento, \u00e9 poss\u00edvel com ela pelo Instagram @nalarodrigues, mas por l\u00e1 tamb\u00e9m d\u00e1 pra pegar o contato de outros barqueiros que fazem o mesmo servi\u00e7o. Com pr\u00e9-agendamento, \u00e9 poss\u00edvel sair tamb\u00e9m da Praia da Pregui\u00e7a ou da Prainha do MAM. ???No Solar do Unh\u00e3o \u00e9 ponto fixo, todos os dias???, explica Nala. No ver\u00e3o, em dias de pico, chega a ter 25 pessoas fazendo o transporte. ???Fica florido de barco na beira da praia???, comenta.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/07\/09\/o_poder_feminino_da_gamboa_de_baixo_novo_ponto_turistico_de_salvador_foto_marina_silva_jornal_correio_2022__3_.jpeg\"\/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>A barqueira ??ngela faz a travessia entre o Solar do Unh\u00e3o e a regi\u00e3o do Bar da M\u00f4nica <\/strong>(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<ul>\n<li><strong>&#8216;Pr\u00e9dio de Ivete&#8217; &#8211;\u00a0<\/strong>Ao lado da entrada de baixo do Edif\u00edcio Mans\u00e3o Morada dos Cardeais, voc\u00ea tem acesso \u00e0 comunidade. Ao lado de algumas poucas vagas de estacionamento,\u00a0basta descer a escada, e seguir entre as casas, quase sempre virando \u00e0 esquerda.\u00a0<\/li>\n<li><strong>Escadaria &#8211;\u00a0<\/strong>Vindo pela Rua Gamboa de Cima (em frente ao Forte de S\u00e3o Pedro), acesse a escadaria que passa embaixo da Avenida Contorno. Como n\u00e3o h\u00e1 sinaliza\u00e7\u00e3o nas vielas, o jeito \u00e9 recorrer ao boca a boca, para chegar \u00e0 \u00e1rea dos bares.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simone Santos, do Acaraj\u00e9 da M\u00f4ny, na beira-mar da Gamboa de Baixo (Foto: Marina Silva\/CORREIO) Inaugurado h\u00e1 200 anos, o Forte de S\u00e3o Paulo\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":182241,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-182240","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182240\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}