{"id":182252,"date":"2022-07-09T07:32:43","date_gmt":"2022-07-09T10:32:43","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/mae-e-filha-criam-editora-para-lancar-autoras-brasileiras\/"},"modified":"2022-07-09T07:32:43","modified_gmt":"2022-07-09T10:32:43","slug":"mae-e-filha-criam-editora-para-lancar-autoras-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/09\/mae-e-filha-criam-editora-para-lancar-autoras-brasileiras\/","title":{"rendered":"M\u00e3e e filha criam editora para lan\u00e7ar autoras brasileiras"},"content":{"rendered":"<p>Div\u00f3rcio, educa\u00e7\u00e3o de mulheres, feminismo. Esses s\u00e3o alguns dos temas j\u00e1 abordados por autoras brasileiras que publicaram livros nos s\u00e9culos 19 e 20. Muitos desses livros n\u00e3o chegaram a ter espa\u00e7o no mercado editorial e acabaram no esquecimento. Para resgatar essas obras, a jornalista Ana Maria Leite Barbosa e a filha, Carol Engel, formada em marketing e com experi\u00eancia no mercado editorial, criam a Janela Amarela Editora.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1470072&#038;o=rss\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1470072&#038;o=rss\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><\/p>\n<p>Criada em plena pandemia, em 2020, a editora, al\u00e9m de publicar autores independentes, conta hoje com sete t\u00edtulos, todos escritos por mulheres, entre os anos de 1801 e 2000, nos formatos f\u00edsico e digital. ???Muitas delas j\u00e1 estavam discutindo nessa \u00e9poca assuntos que discutimos atualmente???, diz Carol.<\/p>\n<p>Carol trabalhava em uma editora quando veio a pandemia de covid-19. Ela teve o sal\u00e1rio e a carga hor\u00e1ria reduzidos. Ao mesmo tempo, a m\u00e3e, Ana Maria, desligou-se da empresa onde trabalhava. Com tempo livre dispon\u00edvel e em busca de uma atividade para recompor o or\u00e7amento, juntas, fundaram a Janela Amarela Editora. O nome surgiu, inicialmente, por conta da sonoridade. A partir da\u00ed, Carol e Ana Maria foram entendendo que combinava tanto a ideia de que pelas janelas entram e saem not\u00edcias, ideias e conversas, quanto o amarelo da luz e da energia, que geram criatividade.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image atom-align-center\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=293266:cheio_8colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/lFaIk9TlwuNlN2iNWMAwR4awpzE=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/tmazs_abr_0607220462.jpg?itok=mMzc9nIc\" alt=\"Carol Engel ,Janela Amarela Editora\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/lFaIk9TlwuNlN2iNWMAwR4awpzE=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/tmazs_abr_0607220462.jpg?itok=mMzc9nIc\" alt=\"Carol Engel ,Janela Amarela Editora\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=293266 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Carol Engel conta que o primeiro livro da Janela Amarela veio de um sonho\u00a0&#8211; <strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=293266--><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p>???Eu estava lendo muitos cl\u00e1ssicos ingleses e me perguntando: ???Estou lendo as inglesas todas que escreveram por volta de 1800, e cad\u00ea as brasileiras? Ningu\u00e9m escrevia nessa \u00e9poca????, diz Carol. Foi a partir desse questionamento que veio a ideia de buscar autoras brasileiras que publicaram nos s\u00e9culos 19 e 20.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>H\u00e1 200 anos, o Brasil, rec\u00e9m independente de Portugal, vivia um regime imperial. A escravid\u00e3o era legal e institucionalizada e assim foi at\u00e9 1888. No s\u00e9culo 19, a gest\u00e3o do lar e a educa\u00e7\u00e3o dos filhos cabia \u00e0s mulheres. Os homens brancos dominavam o mercado de trabalho nas cidades e ocupavam as posi\u00e7\u00f5es de poder. Segundo a publica\u00e7\u00e3o do Senado Federal Escritoras do Brasil [LINK: https:\/\/www2.senado.leg.br\/bdsf\/bitstream\/handle\/id\/562126\/Opusculo_humanitario.pdf], o Censo realizado em 1872, apurou que 23,4% dos homens eram alfabetizados, enquanto 13,4% das mulheres sabiam ler e escrever, sendo que elas eram, praticamente, a metade da popula\u00e7\u00e3o, 48%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>Escolha das autoras<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Feito o recorte temporal, Carol e Ana Maria precisavam, ent\u00e3o, escolher uma primeira autora, para dar in\u00edcio aos trabalhos da Janela Amarela. Como se trata de uma editora pequena, a ideia foi come\u00e7ar com obras de dom\u00ednio p\u00fablico, ou seja, obras que podem ser reproduzidas e distribu\u00eddas sem necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o. ???A gente queria que fosse dom\u00ednio p\u00fablico, mas n\u00e3o queria que fosse o dom\u00ednio p\u00fablico que todo mundo tem, como Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas [de Machado de Assis] ou O Corti\u00e7o [de Alu\u00edsio Azevedo]. A gente queria uma coisa nova???, conta Carol.<\/p>\n<p>Julia Lopes de Almeida veio em um sonho. O livro A \u00c1rvore, escrito por ela, era o livro de cabeceira da m\u00e3e de Ana Maria, av\u00f3 de Carol. Quando ela faleceu, Ana Maria ficou com a obra, mas nem sequer a folheou. At\u00e9 que um dia, sonhou com o livro. ???Quando ela olhou o livro, viu que era de uma mulher, e uma mulher que estava em dom\u00ednio p\u00fablico. Na \u00e9poca, eu estava justamente lendo A Fal\u00eancia [da mesma autora]. Ela chegou na sala e falou: ???J\u00e1 sei quem vamos publicar??????.<\/p>\n<p>A carioca Julia Lopes de Almeida viveu entre 1862 e 1934. ?? autora de contos, pe\u00e7as teatrais, novelas e romances. Ocupou as primeiras p\u00e1ginas de jornais da \u00e9poca, espa\u00e7o ent\u00e3o reservado para os escritores homens. Republicana, defensora da aboli\u00e7\u00e3o do regime escravocrata, do div\u00f3rcio e da educa\u00e7\u00e3o feminina, escreveu por 30 anos no jornal O Paiz e teve textos publicados na Gazeta de Campinas, Jornal do Commercio, Tribuna Liberal, A Mensageira, A Fam\u00edlia, Kosmos, entre outros ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Julia Lopes de Almeida foi tamb\u00e9m a \u00fanica mulher a participar das reuni\u00f5es que deram in\u00edcio a Academia Brasileira de Letras (ABL), mas, como conta Ana Maria, apesar de trabalhar tanto pela institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode fazer parte simplesmente por ser uma mulher. A autora tem t\u00edtulos j\u00e1 publicados, mas tem tamb\u00e9m outros desconhecidos. E eles viraram o foco da editora.<\/p>\n<h2>Div\u00f3rcio e educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>As autoras escolhidas t\u00eam caracter\u00edsticas comuns, todas s\u00e3o consideradas de alguma forma revolucion\u00e1rias e abordam temas que eram tabus na \u00e9poca em que viveram, como o div\u00f3rcio, que s\u00f3 foi institu\u00eddo oficialmente no Brasil em 1977. Outro tema era a educa\u00e7\u00e3o feminina. A publica\u00e7\u00e3o feita pelo Senado Federal mostra que, em 1853, o pa\u00eds contava com uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 9 milh\u00f5es de habitantes, entre os quais somente 55,5 mil estavam matriculados nas escolas, sendo que apenas 8.443 eram mulheres. Foi no s\u00e9culo 19 que as mulheres passaram a poder trabalhar como professoras, mas ainda sem poder ocupar cargos superiores, como o de diretora de escola.<\/p>\n<p>\u00a0???J\u00e1 se falava muito na educa\u00e7\u00e3o feminina, a maioria das autoras foca nisso. N\u00e3o sei se por acaso, mas a gente pegou autoras que est\u00e3o preocupadas com isso, que falam que as mulheres tinham que estudar. Dizendo, dentro do contexto da \u00e9poca que as mulheres tinham que cuidar do lar, mas nada impedia que tivessem suas publica\u00e7\u00f5es. Quantos homens n\u00e3o escreviam seus livros e eram advogados e jornalistas????, diz Carol.<\/p>\n<p>Em Cruel Amor, segundo a editora, J\u00falia Lopes de Almeida trabalha com personagens femininas e questiona por que n\u00e3o pode casar com o homem que quer e, se for do seu desejo, por que n\u00e3o casar inclusive por dinheiro?<\/p>\n<h2>Pesquisa<\/h2>\n<p>As obras da Janela Amarela s\u00e3o impressas sob demanda e enviadas para todo o pa\u00eds. Por meio de parcerias, a editora consegue tamb\u00e9m imprimir obras no exterior, tamb\u00e9m sob demanda. A divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 toda feita na internet e \u00e9 tamb\u00e9m pela internet, por meio das redes sociais, que m\u00e3e e filha recebem indica\u00e7\u00f5es de autoras.\u00a0Um dos livros da editora, A Divorciada, de Francisca Clotilde, veio de uma indica\u00e7\u00e3o no Instagram.\u00a0<\/p>\n<p>???Uma das leitoras, pelo Instagram, nos falou dela. Foi dif\u00edcil de achar, porque a edi\u00e7\u00e3o que encontramos estava incompleta. Ana Amelia Mota, que estuda Francisca Clotilde, que tinha a obra, nos mandou fotos da edi\u00e7\u00e3o dela e a gente conseguiu completar???, diz. Francisca fazia parte da Academia Cearense de Letras, institui\u00e7\u00e3o que segundo Carol, as cumprimentou pela publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para publicar, a proposta \u00e9 buscar as primeiras edi\u00e7\u00f5es das obras selecionadas. E isso, segundo Carol, exige muita pesquisa, muitas visitas a bibliotecas e sebos. Um dos pr\u00f3ximos livros a ser publicado \u00e9 Fantasia, de C\u00e2ndida Fortes Brand\u00e3o. Para achar a obra, elas entraram em contato com a prefeitura de Cachoeira do Sul (RS), cidade onde a professora e escritora nasceu e onde encontraram um exemplar no Museu Municipal da cidade.<\/p>\n<p>???Conseguimos descobrir um \u00fanico exemplar do livro, em p\u00e9ssimo estado, sem capa. Digitalizaram e v\u00e3o mandar para n\u00f3s. T\u00eam p\u00e1ginas que est\u00e3o falhadas. Estamos em contato com eles para mandarem fotos de alguns trechinhos. ?? assim, trabalho de formiguinha, ir procurando e descobrindo???, diz a editora. Outro livro, que Carol n\u00e3o revelou qual \u00e9, mas garantiu que ser\u00e1 publicado em breve, foi encontrado apenas nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Embora os livros escritos por mulheres, no Brasil, tenham ganhado cada vez mais espa\u00e7o nas estantes das livrarias, levantamentos mostram que elas ainda s\u00e3o minoria no mercado editorial. Levantamento feito sob coordena\u00e7\u00e3o da professora Regina Dalcastagn\u00e8, da Universidade de Bras\u00edlia, mostra que entre 1965 e 1979, 17,4% dos autores de romances eram mulheres. Entre 2005 e 2014, essa porcentagem sobe para 29,4%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Div\u00f3rcio, educa\u00e7\u00e3o de mulheres, feminismo. Esses s\u00e3o alguns dos temas j\u00e1 abordados por autoras brasileiras que publicaram livros nos s\u00e9culos 19 e 20. 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