{"id":182772,"date":"2022-07-10T09:55:40","date_gmt":"2022-07-10T12:55:40","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/jovem-que-sofreu-amputacoes-e-avcs-viraliza-no-tiktok\/"},"modified":"2022-07-10T09:55:40","modified_gmt":"2022-07-10T12:55:40","slug":"jovem-que-sofreu-amputacoes-e-avcs-viraliza-no-tiktok","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/10\/jovem-que-sofreu-amputacoes-e-avcs-viraliza-no-tiktok\/","title":{"rendered":"Jovem que sofreu amputa\u00e7\u00f5es e AVCs viraliza no TikTok"},"content":{"rendered":"<p><b><i>Aten\u00e7\u00e3o: Esta reportagem cont\u00e9m imagens fortes.<\/i><\/b><\/p>\n<p>A publicit\u00e1ria Cl\u00e1udia Fontana Winck, de 25 anos, era apenas uma crian\u00e7a quando precisou amputar a ponta dos dedos dos p\u00e9s e das m\u00e3os em um hospital de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Se seus pais n\u00e3o autorizassem o procedimento cir\u00fargico, ela n\u00e3o sobreviveria. &#8220;Eu cheguei nesse hospital com apenas 1% de chance de vida e fiquei em coma induzido. Meus pais choraram muito e n\u00e3o acreditaram no que estava acontecendo&#8221;, conta \u00e0 BBC News Brasil. <\/p>\n<ul>\n<li>Como elei\u00e7\u00f5es aumentaram casos de infarto e AVC nos EUA: existe o mesmo risco no Brasil?<\/li>\n<li>O que pode causar sangramentos no c\u00e9rebro em jovens?<\/li>\n<\/ul>\n<p>A decis\u00e3o ocorreu depois que seus membros necrosaram devido a uma trombose, que, segundo a fam\u00edlia, foi provocada por um erro m\u00e9dico em uma outra unidade hospitalar, em Novo Hamburgo, tamb\u00e9m no Estado ga\u00facho. <\/p>\n<h3>A doen\u00e7a<\/h3>\n<p>Quando tinha 1 ano e 7 meses, Claudia apresentou uma forte dor de garganta e foi levada ao hospital. Na \u00e9poca, para tratar a condi\u00e7\u00e3o, os m\u00e9dicos iniciaram um tratamento com amoxicilina, antibi\u00f3tico usado contra diversas infec\u00e7\u00f5es bacterianas. <\/p>\n<p>Algum tempo depois, ao retornar para casa, ela apresentou roxos no bra\u00e7o, nas pernas e em outras partes do corpo. A princ\u00edpio, seus pais acreditavam que a beb\u00ea poderia se bater durante o sono, mas ela apresentou um roxo bem no meio da testa, o que chamou sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao ser levada para um hospital em Novo Hamburgo, o pediatra pediu exames porque havia muitas suspeitas. Os especialistas acreditavam que poderia ser leucemia, l\u00fapus ou p\u00farpura trombocitop\u00eanica idiop\u00e1tica. <\/p>\n<p>O resultado apresentado foi esta \u00faltima doen\u00e7a autoimune que, na \u00e9poca, era considerada rara. &#8220;At\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe se a doen\u00e7a surgiu por causa da dor na garganta ou por causa dos efeitos do antibi\u00f3tico que foi usado para tratar o problema. Na bula, dizia que podia provocar isso&#8221;, lembra Claudia. <\/p>\n<p>Internada, come\u00e7ou o tratamento, por\u00e9m, segundo ela, este foi feito de forma errada. &#8220;Eles fizeram uma transfus\u00e3o de sangue, porque as plaquetas estavam baixas, e eu tive uma trombose&#8221;, conta. A publicit\u00e1ria ainda desenvolveu uma anemia aguda, conhecida por s\u00edndrome hemol\u00edtica ur\u00eamica. <\/p>\n<p>Durante esse per\u00edodo, Claudia come\u00e7ou a fazer xixi com sangue, apresentou um mau funcionamento dos rins, e as pontas dos dedos come\u00e7aram a ficar roxas. Depois de uma semana, mesmo diante do quadro, um hematologista disse que ela poderia ir para casa e ter alta. Sua m\u00e3e questionou e mostrou as fraldas da crian\u00e7a com muito sangue. <\/p>\n<p>Os exames tamb\u00e9m n\u00e3o apresentaram um bom progn\u00f3stico, e at\u00e9 os funcion\u00e1rios do laborat\u00f3rio indagaram se era o momento para receber alta hospitalar. Segundo a jovem, o relat\u00f3rio informava que ela havia tido uma melhora. <\/p>\n<p>Ao chegar em casa, sua m\u00e3e estranhou que sempre quando a garota colocava a m\u00e3o na \u00e1gua reclamava de ard\u00eancia e dor e que as pontas dos dedos continuavam roxas. Ao falar com o m\u00e9dico por telefone, ele teria dito que havia feito tudo que era poss\u00edvel. Nesse intervalo, seu estado de sa\u00fade s\u00f3 piorava. <\/p>\n<p>Quando voltaram para o hospital, conta Cl\u00e1udia, o m\u00e9dico comentou que s\u00f3 ia atender mediante cheques antecipados, funcionando como um &#8220;pagamentos por fora&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;Como meu pai era um jogador de futebol conhecido na \u00e9poca, ele ligou l\u00e1 e sempre cobravam dele e dentro do hospital. Ele queria a todo custo fazer algo por mim. Era algo desesperador, uma crian\u00e7a fazendo xixi com sangue&#8221;, relata. <\/p>\n<p>Quando voltou para o local, Claudia diz que um cardiologista viu seu estado, ficou em choque e tentou injetar medicamentos em seus p\u00e9s e m\u00e3os para bombear sangue. <\/p>\n<p>O especialista ainda aconselhou a fam\u00edlia a ir para um outro hospital e ter um atendimento melhor. Depois disso, seus pais decidiram transferi-la para Porto Alegre. <\/p>\n<p>Logo na chegada ao hospital em Porto Alegre, ela ficou em coma induzido e com os rins totalmente parados. <\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos deixaram bem claro para seus pais que Cl\u00e1udia tinha apenas 1% de chance de vida. &#8220;Eles injetaram plasma, falaram que eu estava muito mal e para os meus pais irem se preparando&#8221;, relembra. <\/p>\n<p>Na \u00e9poca, ela foi cuidada por 14 especialistas, que n\u00e3o acreditavam como seus membros chegaram naquele estado. Por causa da trombose, os dedos estavam necrosando, e os m\u00e9dicos optaram pela amputa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e dormia na sala do hospital e n\u00e3o sabia o dia de amanh\u00e3. Quando souberam da amputa\u00e7\u00e3o, meus pais s\u00f3 choravam.&#8221;<\/p>\n<p>Um dos profissionais disse que seria preciso amputar os p\u00e9s a partir do tornozelo, e as m\u00e3os, come\u00e7ando pelo o pulso. Um outro sugeriu fazer o procedimento aos poucos. &#8220;Eu fiquei com a minha falange. Mas minha m\u00e3o esquerda, por ter sido afetada pela trombose, teve um pouco mais de amputa\u00e7\u00e3o&#8221;, relata. <\/p>\n<p>Foram 40 dias entre o coma e procedimentos para as amputa\u00e7\u00f5es, somando cinco cirurgias. Claudia ficou com o ded\u00e3o do p\u00e9, o mindinho do p\u00e9 esquerdo e o mindinho direito. Os outros membros foram amputados. <\/p>\n<p>Depois que saiu do hospital, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), o primeiro de tr\u00eas que teria em sua vida. <\/p>\n<p>&#8220;Meus pais contavam que chegavam sacos e mais sacos de medicamentos para eu tomar. Ingeria um monte.&#8221; <\/p>\n<p>Por causa disso, ela ficou mais quase 60 dias entre interna\u00e7\u00f5es e tratamento. Ap\u00f3s uma melhora, finalmente teve alta. <\/p>\n<h3>AVCs depois do hospital<\/h3>\n<p>Por causa das amputa\u00e7\u00f5es, a jovem precisou fazer fisioterapia. Quando tinha pouco mais de 2 anos, sofreu o segundo AVC. &#8220;O fisioterapeuta notou que n\u00e3o estava levantando a perna e a m\u00e3o e alertou minha m\u00e3e&#8221;, diz Claudia. <\/p>\n<p>Ela foi levada novamente ao hospital e, gra\u00e7as ao atendimento r\u00e1pido, n\u00e3o precisou ficar em uma cadeira de rodas e, aos poucos, tentou andar. A publicit\u00e1ria ainda sofreu uma trombose de car\u00f3tida, um entupimento do vaso arterial. <\/p>\n<p>Depois do epis\u00f3dio, ela precisou tomar inje\u00e7\u00f5es para o sangue n\u00e3o coagular e evitar novos casos de trombose. Aos poucos, as doses foram diminuindo e, quando ela tinha 8 anos, n\u00e3o precisou mais dos rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Passado alguns anos, quando j\u00e1 estava no ensino fundamental, come\u00e7ou a sentir muita coceira nos p\u00e9s, nos dedos, e os membros come\u00e7aram a ficar roxos. Mesmo diante disso, n\u00e3o ligou para o ocorrido. <\/p>\n<p>Mas, depois de muito inc\u00f4modo, mostrou para sua m\u00e3e, e todas as mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia vieram \u00e0 tona. &#8220;Fui para o hospital, e constataram que estava com vasculite, uma inflama\u00e7\u00e3o nos vasos sangu\u00edneos. Por causa disso, preciso fazer tratamento at\u00e9 hoje e ainda tive problemas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Quando j\u00e1 estava com 18 anos, teve seu terceiro AVC do lado esquerdo que, segundo ela, foi provocado pela inflama\u00e7\u00e3o dos vasos sangu\u00edneos. <\/p>\n<p>&#8220;Comecei a sentir um formigamento no lado esquerdo, na boca, no bra\u00e7o, na perna, e parecia que meu rosto estava dividido. Fomos ao hospital, e constataram que tive meu terceiro acidente vascular cerebral&#8221;, relembra. <\/p>\n<p>Por causa disso, ela ficou com muita fraqueza e n\u00e3o sentia o ch\u00e3o. <\/p>\n<h3>Recupera\u00e7\u00e3o e inf\u00e2ncia dif\u00edcil<\/h3>\n<p>Quando sofreu seu segundo AVC, ainda crian\u00e7a, Claudia ficou com muitas sequelas e precisou de fisioterapia para realizar alguns movimentos. <\/p>\n<p>Al\u00e9m desse tratamento, fazia diversos esportes como futebol, nata\u00e7\u00e3o, patina\u00e7\u00e3o e outros para tentar recuperar e aprimorar alguns movimentos. <\/p>\n<p>&#8220;Eu fiz de tudo um pouco. O que mais tenho dificuldade \u00e9 do meu lado esquerdo, e ainda manco bastante&#8221;, conta. <\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m faz uso de botox, todos os anos, no bra\u00e7o esquerdo para o relaxamento da musculatura e melhora deste lado do corpo. <\/p>\n<p>Mesmo tendo sempre o apoio da fam\u00edlia e falando abertamente sobre suas amputa\u00e7\u00f5es, no passado, ela sofria muito com <i>bullying<\/i> e julgamento das pessoas. Na escola, estudava com sua irm\u00e3 g\u00eamea na mesma sala e recebia diversos apelidos dos colegas de classe.<\/p>\n<p>Ela relembra que uma vez chegou chorando da escola porque n\u00e3o tinha unhas, e sua irm\u00e3, cansada de ver o que Claudia passava, disse que desejava tirar os dedos e dar para ela. <\/p>\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e me explicou que, se fosse poss\u00edvel, ela tamb\u00e9m daria os dedos para mim. Fui uma crian\u00e7a muito revoltada com a vida, porque n\u00e3o sabia o que tinha ocorrido. At\u00e9 que meus pais me contaram toda a hist\u00f3ria.&#8221; <\/p>\n<p>Por muito tempo, sua m\u00e3e e irm\u00e3 n\u00e3o pintavam as unhas para n\u00e3o deix\u00e1-la mal.<\/p>\n<p>At\u00e9 a adolesc\u00eancia, Claudia tinha o sonho de ter pr\u00f3teses nas m\u00e3os e p\u00e9s, mas o processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 complicado. &#8220;Eu teria que reaprender a escrever do zero, decidi que n\u00e3o queria mais e segui.&#8221;<\/p>\n<p>Questionada por qual motivo seus familiares n\u00e3o processaram o hospital na \u00e9poca ou depois de algum tempo, a jovem ressalta que, por seu pai ser uma figura p\u00fablica, ele preferiu preserv\u00e1-la. <\/p>\n<h3>V\u00eddeo viralizou nas redes sociais<\/h3>\n<p>Como sempre recebeu diversas d\u00favidas sobre sua condi\u00e7\u00e3o, ela resolveu postar um v\u00eddeo sobre sua hist\u00f3ria. Para sua surpresa, o conte\u00fado viralizou rapidamente e fez com que muitas pessoas quisessem saber mais sobre sua vida. <\/p>\n<p>Hoje, a publica\u00e7\u00e3o j\u00e1 soma pouco mais de 5 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, e sua conta atingiu 100 mil seguidores. Por l\u00e1, ela compartilha, quase sempre, sua rotina de fisioterapia e avan\u00e7o nos movimentos. <\/p>\n<p>Ela ainda alerta sobre sintomas sentidos antes de sofrer o AVC e responde \u00e0s d\u00favidas dos seguidores sobre a doen\u00e7a e sequelas que teve. <\/p>\n<p>Agora, uma de suas vontades \u00e9 se tornar uma influenciadora digital e poder motivar com sua hist\u00f3ria. &#8220;Quero falar para mais pessoas e inspir\u00e1-las atrav\u00e9s das redes sociais&#8221;, conclui. <\/p>\n<p><i>&#8211; O texto foi editado em 10\/07 para ficar de acordo com a pol\u00edtica editorial da BBC. O texto originalmente publicado em <\/i>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-62078116<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? Inscreva-se no nosso canal! <\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o: Esta reportagem cont\u00e9m imagens fortes. 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