{"id":183109,"date":"2022-07-11T03:03:34","date_gmt":"2022-07-11T06:03:34","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/inseguranca-alimentar-afeta-319-da-populacao-feminina-no-mundo\/"},"modified":"2022-07-11T03:03:34","modified_gmt":"2022-07-11T06:03:34","slug":"inseguranca-alimentar-afeta-319-da-populacao-feminina-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/11\/inseguranca-alimentar-afeta-319-da-populacao-feminina-no-mundo\/","title":{"rendered":"Inseguran\u00e7a alimentar afeta 31,9% da popula\u00e7\u00e3o feminina no mundo"},"content":{"rendered":"<p>O rel\u00f3gio marcava 14h30 quando Ana*, de 58 anos, conversava por telefone com a equipe do\u00a0Metr\u00f3poles. Ela ainda n\u00e3o havia feito nenhuma refei\u00e7\u00e3o no dia. ???Para n\u00e3o dizer que n\u00e3o comi hoje, tomei um caf\u00e9zinho de manh\u00e3???, conta.<\/p>\n<p> Moradora de uma ocupa\u00e7\u00e3o nas proximidades do centro de Bras\u00edlia, no Distrito Federal, Ana faz parte da parcela de 31,9% das mulheres do mundo que enfrentam inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave.<\/p>\n<p> A mulher vive em situa\u00e7\u00e3o de rua h\u00e1 quase 30 anos e pediu para n\u00e3o ter seu nome verdadeiro divulgado. A \u00fanica renda que recebe \u00e9 a do benef\u00edcio social Aux\u00edlio Brasil, de R$ 400. Ana tem problemas card\u00edacos e n\u00e3o pode trabalhar.<\/p>\n<p> Ela, o marido, duas filhas e sete netos guardam os pertences perto de uma \u00e1rvore na ocupa\u00e7\u00e3o. Entre os objetos, est\u00e3o alguns utens\u00edlios de cozinha, como pratos e panelas, que passam a maior parte da semana vazios.<\/p>\n<p> ???Aqui, pra gente se alimentar \u00e9 na quinta, sexta, s\u00e1bado e domingo. De segunda a quarta a gente j\u00e1 n\u00e3o tem o que comer. ??s vezes a gente ganha marmita. Cesta \u00e9 dif\u00edcil aparecer, \u00e9 gente demais que mora nessa redondeza???, conta.<\/p>\n<p>   De acordo com relat\u00f3rio Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo, divulgado nesta semana pela Organiza\u00e7\u00e3o para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura das Na\u00e7\u00f5es Unidas (FAO), 31,9% popula\u00e7\u00e3o feminina do mundo vive nessas condi\u00e7\u00f5es. Entre os homens, a porcentagem \u00e9 de 27,6%.<\/p>\n<p> Segundo a FAO, nas situa\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a alimentar moderada, a pessoa \u00e9 obrigada a reduzir, em alguns momentos do ano, a qualidade ou quantidade dos alimentos consumidos, por falta de recursos para custear a comida. O quadro de inseguran\u00e7a alimentar grave ocorre quando o indiv\u00edduo n\u00e3o tem acesso regular e permanente \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> \t???Historicamente, mulheres apresentam tend\u00eancia a serem desproporcionalmente afetadas por crises econ\u00f4micas e de sa\u00fade de diversas formas. A pandemia de Covid teve um impacto desproporcional nas oportunidades de acesso econ\u00f4mico e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o das mulheres???, consta no relat\u00f3rio.<\/p>\n<p> ?????s vezes me sinto muito triste. Tem dias que olho para um lado e para o outro, n\u00e3o vejo um p\u00e3o, um leite para dar para os meus netos. ??s vezes entro em desespero, come\u00e7o a chorar, ficar desesperada. D\u00f3i muito quando a gente v\u00ea um filho, um neto chorar com fome e a gente n\u00e3o ter de onde tirar para alimentar???, lamenta Ana.<\/p>\n<p> A fome tem g\u00eanero e cor Segundo o relat\u00f3rio da FAO, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe s\u00e3o as regi\u00f5es com mais discrep\u00e2ncia entre homens e mulheres quando o assunto \u00e9 inseguran\u00e7a alimentar. Nesses locais, 45% da popula\u00e7\u00e3o feminina vive nessas condi\u00e7\u00f5es, ante 33% da popula\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n<p> O 2\u00ba Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil mostra que, atualmente, 33,1 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o t\u00eam o que comer, e que 58,7% da popula\u00e7\u00e3o brasileira convive com inseguran\u00e7a alimentar em algum grau. Em 2020, a porcentagem era de 55,2%.<\/p>\n<p>  De acordo com o estudo, elaborado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) com dados de 2021 e 2022, seis em cada dez casas chefiadas por mulheres (63%) s\u00e3o atingidas por algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p> Entre os homens, o \u00edndice foi de 56,6%. Al\u00e9m disso, 65% dos lares comandados por pessoas pretas ou pardas enfrentam algum grau de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>    Pol\u00edticas P\u00fablicas Professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e vice-presidente da Rede Pessan, a pesquisadora Sandra Chaves explica que os indicadores s\u00e3o espelho do racismo estrutural e do sexismo no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p> ???Quando falta comida, falta muito mais na vida das pessoas. A gente vai pensar em todas as desigualdades que marcam a nossa sociedade???. explica.<\/p>\n<p> Ela pontua que mulheres, especialmente as negras e pardas, t\u00eam menos oportunidades de emprego e menores rendimentos ??? mesmo quando t\u00eam os mesmos \u00edndices de escolaridade que homens e mulheres brancas.<\/p>\n<p> ???O que esses dados deixam claro \u00e9 um racismo estrutural que vem se acumulando na nossa sociedade. Em situa\u00e7\u00f5es de crise exacerbada, como a pandemia, a situa\u00e7\u00e3o piora. O feminic\u00eddio aumentou, a viol\u00eancia contra a mulher aumentou. Vem no conjunto das desigualdades estruturais???, explica.<\/p>\n<p> Para a pesquisadora, \u00e9 importante que os governos invistam em pol\u00edticas p\u00fablicas para resolver o problema a curto e a longo prazo.<\/p>\n<p> ???Quem tem fome tem pressa. Precisamos de cria\u00e7\u00e3o de restaurantes populares, entrega de cestas b\u00e1sicas, programa de transfer\u00eancia de renda. E tamb\u00e9m precisamos de pol\u00edticas estruturais, gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, qualifica\u00e7\u00e3o para o trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o para todos e, principalmente, pol\u00edticas que aumentem a empregabilidade da mulher???, avalia.<\/p>\n<p> Receba not\u00edcias do Metr\u00f3poles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal:\u00a0https:\/\/t.me\/metropolesurgente.<\/p>\n<p> O post Inseguran\u00e7a alimentar afeta 31,9% da popula\u00e7\u00e3o feminina no mundo apareceu primeiro em Metr\u00f3poles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rel\u00f3gio marcava 14h30 quando Ana*, de 58 anos, conversava por telefone com a equipe do\u00a0Metr\u00f3poles. 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