{"id":184618,"date":"2022-07-13T06:40:52","date_gmt":"2022-07-13T09:40:52","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/mozart-bem-bahia-tenor-baiano-inspira-novas-geracoes-no-canto-lirico\/"},"modified":"2022-07-13T06:40:52","modified_gmt":"2022-07-13T09:40:52","slug":"mozart-bem-bahia-tenor-baiano-inspira-novas-geracoes-no-canto-lirico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/13\/mozart-bem-bahia-tenor-baiano-inspira-novas-geracoes-no-canto-lirico\/","title":{"rendered":"Mozart bem Bahia: tenor baiano inspira novas gera\u00e7\u00f5es no canto l\u00edrico"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Morador da Liberdade, o jovem Carlos Eduardo Santos acompanhava a m\u00e3e, Algiza, nos ensaios semanais do coral que ela participava na ONG Budista frequentada pelos dois. E achava encantador como aquele tanto de vozes diferentes funcionava t\u00e3o bem juntas. O menino, com seus 10 anos, achava m\u00e1gico como a maestrina C\u00e9lia Rodrigues conseguia coordenar todas aquelas pessoas e seus tons diferentes numa mesma can\u00e7\u00e3o. Ali, uma paix\u00e3o foi despertada. E foi o ponto de partida para formar uma das grandes vozes do canto l\u00edrico da Bahia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Hoje, aos 37 anos, Carlos Eduardo Santos \u00e9 tenor, foi finalista e premiado entre cantores latinoamericanos e brasileiros da 20\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas, j\u00e1 cantou \u00f3pera at\u00e9 em trio el\u00e9trico, dividiu palco com Gilberto Gil e levou seu canto por mais de 5 pa\u00edses da Europa em excurs\u00f5es em \u00a0Portugal, It\u00e1lia, Fran\u00e7a e Finl\u00e2ndia s\u00e3o alguns exemplos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A partir desta quinta-feira (14), ele ser\u00e1 um dos protagonistas da \u00f3pera A Flauta M\u00e1gica, adapta\u00e7\u00e3o da obra de 1791 de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto de Emanuel Schikaneder, que vai entrar em cartaz no Teatro das Merc\u00eas, no Centro, a nova casa da m\u00fasica l\u00edrica na Bahia. A dire\u00e7\u00e3o musical e c\u00eanica \u00e9 do maestro Aldo Brizzi e a montagem \u00a0fica em temporada at\u00e9 a pr\u00f3xima semana, com ingressos custando R$40 | R$20.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ouvindo tudo isso e come\u00e7ando a contar a hist\u00f3ria a partir da inf\u00e2ncia, \u00e9 de se imaginar que Carlos Eduardo come\u00e7ou a se profissionalizar cedo &#8211; o que \u00e9 um engano. At\u00e9 ele se encontrar e aceitar que seu caminho era na m\u00fasica, passou por duros percal\u00e7os numa trajet\u00f3ria que envolveu o enfrentamento ao etarismo e racismo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">?? estranho ouvir, mas quem entra numa faculdade aos 26 anos, como foi o seu caso quando ingressou na Ufba, j\u00e1 \u00e9 considerado &#8216;velho&#8217;.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Na adolesc\u00eancia, comprava cds que vinham junto a revistas como Caras, Contigo, Esso. Ficava fascinado naquele trem. No lado de m\u00fasica vocal, n\u00e3o me interessava por \u00f3pera ou canto solista. Sempre estava em coral, a voz que fazia sentido no conjunto, nunca solo. Embora, desde os 15 anos fa\u00e7o solo dentro do coro. Achava \u00f3pera algo estranh\u00edssimo, uma gritaria retada&#8221;, sorri enquanto pensa na ironia do destino.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/8\/0\/csm_carlos_eduardo_santos_tenor_364894fbf3.jpeg\" width=\"667\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Carlos Eduardo deixou um emprego convencional para apostar na m\u00fasica em 2011, quando come\u00e7ou a adoecer repentinamente\u00a0<\/strong>(Foto: Paula Fr\u00f3es\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"> Em 2010, foi aprovado para trabalhar no Coro do Teatro Castro Alves e ali teve os primeiros contatos com m\u00fasica erudita para corais, que j\u00e1 eram um fasc\u00ednio. Depois de alguns cursos de extens\u00e3o na \u00e1rea musical e da indefini\u00e7\u00e3o e sofrimento em n\u00e3o seguir carreira na \u00e1rea de finan\u00e7as, na qual atuava, veio o alerta de um amigo: ???Voc\u00ea tem que trabalhar com alguma coisa que te fa\u00e7a levantar feliz da cama para trabalhar segunda-feira???. A resposta demorou quase um ano para chegar. E era a m\u00fasica.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Passou no vestibular da Ufba em primeiro lugar e enfrentou todas as dificuldades para se formar. Largou o antigo emprego e se virou nos 30 para conseguir segurar a peteca durante os anos de gradua\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;O fato de ocupar esses espa\u00e7os, cantar em 5 idiomas, \u00e9 revolucion\u00e1rio e mostra que \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 poss\u00edvel. Tive uma grande alegria neste ano, fui o primeiro baiano premiado no Maria Callas e quando saiu uma cr\u00edtica minha numa revista especializada, n\u00e3o falaram que era um cantor negro, nordestino, falaram que \u00e9 um cantor da Bahia com x, y e z habilidades musicais. Eu gosto de n\u00e3o ser visto pelo exotismo&#8221;<\/strong>, disse Carlos Eduardo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\"> No entanto, ele assume que o fato de ser um homem negro e nordestino fez com que \u00a0precisasse utilizar da excel\u00eancia como uma maneira de prote\u00e7\u00e3o. ???H\u00e1 cantoras e cantoras negras com talento, voca\u00e7\u00e3o igual ou melhor do que pessoas de qualquer tipo de pele. A gente pode usar isso a nosso favor e quando posso, eu uso, mas quando as pessoas ultrapassam a barreira do ex\u00f3tico \u00e9 um grande triunfo. Mas \u00e9 fato que voc\u00ea tem que se empenhar um pouco mais porque o que chega primeiro \u00e9 o olhar conservador sobre sua imagem. Voc\u00ea tem que ser fera e chegar chegando. Eu sempre fui CDF, isso \u00e9 um mecanismo de prote\u00e7\u00e3o???, refor\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ele tamb\u00e9m acredita que estar nesses lugares e contar hist\u00f3rias como a de dividir trio el\u00e9trico com Daniela Mercury, cantar com Gilberto Gil e dar vida ao pr\u00edncipe numa montagem escrita por um m\u00fasico austr\u00edaco pode inspirar novas gera\u00e7\u00f5es de meninos, que, assim como ele, podem estar por ali na Liberdade se apaixonando por m\u00fasica cl\u00e1ssica e ainda n\u00e3o sabem muito bem que podem ser protagonistas de novas gera\u00e7\u00f5es da m\u00fasica erudita ao redor do mundo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A Flauta M\u00e1gica: mistura de comicidade e\u00a0 filosofia<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">O pr\u00f3ximo desafio de Carlos Eduardo \u00e9 o de dar a vida a Tamino, um pr\u00edncipe que chega numa terra desconhecida e d\u00e1 de cara com a Rainha da Noite (Fl\u00e1via Albano), antes de se apaixonar pelo retrato da filha da monarca, a princesa Pamina (Gra\u00e7a Reis), que foi sequestrada para um local que a Rainha da Noite classifica como reino do Mal.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/c\/c\/csm_CARLOS_EDUARDO_TENOR_BAHIA_8310b29fcd.jpeg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Carlos Eduardo Santos \u00e9 um dos protagonistas na \u00f3pera AFlauta M\u00e1gica\u00a0<\/strong>(Foto: Paula Fr\u00f3es\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">A vers\u00e3o apresentada pelo N\u00facleo de ??pera da Bahia ser\u00e1 realizada pela primeira vez em portugu\u00eas com um elenco local, de cantores l\u00edricos profissionais pertencentes ao coletivo N\u00facleo de ??pera da Bahia, sendo 80% afrodescendentes, e com a participa\u00e7\u00e3o de cantores do Laborat\u00f3rio de ??pera da UFBA, coordenado pela Prof\u00aa Fl\u00e1via Albano e com o Coro Juvenil do NEOJIBA.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">????? uma \u00f3pera que \u00e9 uma das grandes da hist\u00f3ria da m\u00fasica e ao mesmo tempo tem muitos mist\u00e9rios profundos. Pessoas adultas podem achar profunda e c\u00f4mica ao mesmo tempo porque tem personagens que fazem morrer de rir. S\u00e3o 15 personagens principais, mais o coro juvenil do NEOJIBA com 30 pessoas???, explica Aldo Brizzi.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Algumas das \u00e1rias da \u00f3pera tornaram-se muito conhecidas, como o dueto de Papagueno (Carlos Morais) e Papaguena (Mya Suto), e as duas \u00e1rias da Rainha da Noite. Ao mesmo tempo \u00e9 uma \u00f3pera que parece um conto de fadas para crian\u00e7as e cont\u00e9m os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa que transparecem em v\u00e1rios momentos na \u00f3pera. Schikaneder era companheiro de loja ma\u00e7\u00f4nica de Mozart. ?? \u00e9poca, por influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a ma\u00e7onaria ganhou simpatizantes ao mesmo tempo que era perseguida, como explica Brizzi.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na hist\u00f3ria, ao longo do tempo, Tamino vai percebendo que as coisas n\u00e3o eram muito bem do jeito que a Rainha da Noite contava e que ela sequer era t\u00e3o boazinha como parecia em seus primeiros contatos. O restante disso tudo, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel descobrir indo at\u00e9 o Teatro ver a pe\u00e7a, que fica em cartaz at\u00e9 o dia 19 de julho. Os ingressos est\u00e3o \u00e0 venda no Sympla.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morador da Liberdade, o jovem Carlos Eduardo Santos acompanhava a m\u00e3e, Algiza, nos ensaios semanais do coral que ela participava na ONG Budista frequentada\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":184619,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-184618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184618\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}