{"id":186444,"date":"2022-07-16T07:36:02","date_gmt":"2022-07-16T10:36:02","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/cientistas-estao-imprimindo-carne-em-salvador-quilo-custa-r-53-mil\/"},"modified":"2022-07-16T07:36:02","modified_gmt":"2022-07-16T10:36:02","slug":"cientistas-estao-imprimindo-carne-em-salvador-quilo-custa-r-53-mil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/16\/cientistas-estao-imprimindo-carne-em-salvador-quilo-custa-r-53-mil\/","title":{"rendered":"Cientistas est\u00e3o imprimindo carne em Salvador; quilo custa R$ 5,3 mil"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Para um leigo, \u00e9 dif\u00edcil assimilar que aquela impressora est\u00e1 criando uma estrutura com fibras e gordura. Lentamente, a m\u00e1quina constr\u00f3i a forma de um alimento rico em prote\u00edna e com c\u00e9lulas vivas extra\u00eddas de animais, sem precisar de abates ou maus-tratos. No computador ao lado, os cientistas criam um formato de hamb\u00farguer num aplicativo gr\u00e1fico, escolhendo tamb\u00e9m as vitaminas, calorias, nutrientes e se vai ter gosto de picanha ou maminha. A bioimpressora faz o resto, montando a carne celular neste a\u00e7ougue de laborat\u00f3rio. Parece a narra\u00e7\u00e3o de um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas est\u00e3o imprimindo carne em Salvador, literalmente.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Enquanto o soteropolitano brinca de tomar susto ao se deparar com o pre\u00e7o da picanha no mercado, cientistas e pesquisadores do Centro Tecnol\u00f3gico e Universit\u00e1rio Senai Cimatec, em Piat\u00e3, entraram na corrida pela cria\u00e7\u00e3o da carne celular. Desde dezembro, o Senai adquiriu a bioimpressora, um derivado da impressora 3D, capaz de imprimir alimentos e tecidos de origem animal. Todos os dias um pedacinho de carne est\u00e1 sendo produzido e testado, at\u00e9 chegar na estrutura igual ao da carne convencional, com formato, tabela nutricional e cor. S\u00f3 ent\u00e3o poderemos provar o primeiro bife de laborat\u00f3rio feito na Bahia. A previs\u00e3o inicial \u00e9 2023.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Afinal, que carne \u00e9 esta e como \u00e9 poss\u00edvel fazer este alimento animal sem matar o boi? A resposta est\u00e1 na estrutura celular, o ator principal para este milagre da multiplica\u00e7\u00e3o. Os cientistas utilizam c\u00e9lulas-tronco para iniciar todo o processo. Ela \u00e9 retirada do cord\u00e3o umbilical ou at\u00e9 mesmo da pele da vaquinha. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel a retirada pela medula \u00f3ssea, mas a gente evita, pois \u00e9 muito invasivo para o animal. N\u00e3o \u00e9 nossa inten\u00e7\u00e3o. ?? poss\u00edvel tirar de pele, mas precisamos transformar estas c\u00e9lulas novamente em tronco. Por qu\u00ea? \u00a0Para que estas c\u00e9lulas cres\u00e7am em grandes quantidades, precisamos de biorreatores e a c\u00e9lula-tronco \u00e9 uma das que crescem bem neles. Gordura, m\u00fasculo e pele s\u00e3o c\u00e9lulas acostumadas com o corpo da gente, grudadinhas, muito espec\u00edficas, dif\u00edcil de manipular???, explica Jaqueline Vieira, doutoranda em engenharia tecidual pela Fiocruz e integrante da equipe que est\u00e1 imprimindo as carnes em Piat\u00e3.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"471\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/1\/9\/csm_equipe_4757d5fb45.jpeg\" width=\"750\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Cientistas ou a\u00e7ougueiros? Pesquisadores do Senai Cimatec est\u00e3o revolucionando a ci\u00eancia na Bahia <\/strong>(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Complicou? Vamos tentar traduzir o cientifiqu\u00eas. Estes organismos vivos s\u00e3o ???virgens???, sem forma\u00e7\u00e3o, uma matriz das c\u00e9lulas que temos e ser\u00e3o respons\u00e1veis pelo formato do nosso corpo, como pele e cora\u00e7\u00e3o, por exemplo. Elas tamb\u00e9m reconstroem nosso tecido quando nos cortamos. De forma bem simples, uma c\u00e9lula-tronco se transforma em tudo que somos, por isso ela se tornou providencial para customizar todo material biol\u00f3gico sint\u00e9tico, como a carne e at\u00e9 na constru\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os em laborat\u00f3rio para futuros transplantes na medicina. N\u00f3s, portanto, temos um molde natural que faz estas c\u00e9lulas-tronco se formarem. No caso da carne de laborat\u00f3rio, a bioimpressora far\u00e1 este papel, inclusive colocando aquela capinha de gordura e at\u00e9 um ossinho na costelinha. Ossinho comest\u00edvel, inclusive.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Antes, por\u00e9m, se faz bi\u00f3psia no animal, sem dor. Este material repleto de c\u00e9lulas-tronco vai para um \u00a0biorreator, onde se multiplicar\u00e3o. Por analogia, este tanque \u00e9 a fazendinha onde o gado [no nosso caso, a c\u00e9lula] come no pasto e cresce. Um pedacinho tirado do boi pode se multiplicar in\u00fameras vezes, sem a necessidade de outras interven\u00e7\u00f5es no animal. ???Quando tivermos uma quantidade suficiente para imprimir, a gente diferencia elas no tipo de tecido que a gente quer. Nessa hora que escolhemos se ser\u00e1 um tecido muscular, mais proteico, ou gordura, o que geralmente d\u00e1 a textura [e gosto] da picanha???, conta Jaqueline.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas, come\u00e7a a brincadeira. Com ajuda de um hidrogel, estas c\u00e9lulas ficam l\u00edquidas e transparentes. ?? poss\u00edvel reparar que o peda\u00e7o de carne impressa no Senai Cimatec parece mais com um docinho de gelatina do que um bife, bem clarinho e transparente. ?? justamente a fase atual da pesquisa: equilibrar todos os ingredientes at\u00e9 chegar ao denominador perfeito, visualmente comest\u00edvel. A carne que conhecemos tem aquela cor gra\u00e7as ao sangue. No peda\u00e7o sint\u00e9tico, os cientistas utilizam outros materiais naturais, como corantes de beterraba ou cenoura, at\u00e9 conseguir a cor perfeita. Estes corantes tamb\u00e9m s\u00e3o produzidos no Senai, no laborat\u00f3rio vizinho.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Com a inclus\u00e3o de vitaminas e prote\u00ednas, o peda\u00e7o perde a transpar\u00eancia e escurece at\u00e9 chegar no ponto certo, mas sem aquele sangue derramado. J\u00e1 a combina\u00e7\u00e3o entre fibras e gordura determinar\u00e1 se ser\u00e1 uma picanha ou maminha. Isso tudo \u00e9 feito no computador, pelos pr\u00f3prios pesquisadores. Depois, ???basta??? colocar na seringa o l\u00edquido com c\u00e9lulas vivas, corantes e prote\u00ednas na impressora. Um mini-hamb\u00farguer leva cerca de uma hora at\u00e9 ficar pronto. Como a bioimpressora \u00e9 voltada para laborat\u00f3rio, ela faz apenas pequenos peda\u00e7os, de car\u00e1ter experimental. Tudo com c\u00e9lulas vivas, inclusive ap\u00f3s impress\u00e3o conclu\u00edda. Depois deste processo, finalmente d\u00e1 para fritar com manteiga de garrafa e consumir com uma farofinha d???\u00e1gua, n\u00e9? N\u00e3o, senhor.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O que a impressora faz \u00e9 transformar estas c\u00e9lulas em tecidos vivos. Como um m\u00fasculo do nosso corpo, cheio de organismos que formam nossos \u00f3rg\u00e3os. Depois de impressas, \u00a0as carnes do Senai Cimatec v\u00e3o para um compartimento conhecido como meio de cultura, onde as c\u00e9lulas permanecem vivas, adquirindo todas as prote\u00ednas e vitaminas suficientes, mas de forma artificial. No nosso corpo, o sangue faria este papel. S\u00f3 ent\u00e3o chegaremos na fase mais gostosa: experiment\u00e1-las.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/1\/b\/csm_impressora_1038a4642e.jpeg\" width=\"750\"\/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">Foto: Marina Silva\/CORREIO<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">???Estamos trabalhando o tempo todo com organismos vivos. Daquelas c\u00e9lulas que v\u00e3o para impress\u00e3o, conseguimos que 70% fiquem vivas para adquirirem todo o aspecto de carne. Se estas c\u00e9lulas n\u00e3o permanecerem vivas, a carne fica podre???, explica Josiane Dantas, doutora e professora do Senai Cimatec, com p\u00f3s-doutorado em Nanotecnologia e Materiais Bio-inspirados, pela \u00a0Universidade da Calif\u00f3rnia, Estados Unidos. Josiane diz que esta possibilidade pode mudar nossa forma de se alimentar, abrindo possibilidades \u00a0para quem nunca comeu carne.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">????? tudo muito novo. Na cabe\u00e7a das pessoas, o normal \u00e9 a carne sair do animal. Hoje temos outras op\u00e7\u00f5es de consumo, como os veganos. Para uma determinada classe da sociedade que j\u00e1 n\u00e3o faz uso de animais, acaba sendo um poder de convencimento [para o consumo]. \u00a0Quando passar a ter isso dispon\u00edvel no supermercado, voc\u00ea vai poder escolher entre a origem diretamente do animal ou celular???, completa Josiane.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Veganos<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Seria, ent\u00e3o, o fim do vegano? Vamos pensar que todo este experimento d\u00ea certo e se torne comum e massificado para o consumo no mundo. Todos poder\u00e3o comer carne impressa em grande escala. Ora, convenhamos que certamente diminuir\u00e1 a necessidade de abate de animais na forma convencional, correto? Chega de maltratar os bichinhos. Logo, tamb\u00e9m n\u00e3o teremos tantos pastos e diminuiremos o desmatamento. Com menos vacas, menos metano no ar, al\u00e9m do Co2. Um cen\u00e1rio perfeito para um vegano finalmente se esbaldar num churrasco, n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 bem assim.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???O veganismo n\u00e3o se trata de um plano alimentar. ??, de fato, uma filosofia de vida. ?? a elimina\u00e7\u00e3o do uso de produtos de origem animal. Se pensarmos que temos tr\u00eas pilares, praticamente eliminamos esta possibilidade [do vegano consumir a carne celular]. No primeiro, temos o respeito aos animais. O segundo, a sustentabilidade. Nestes dois casos, ok, a carne celular sustenta estes pilares. Mas tamb\u00e9m prezamos pela sa\u00fade. Neste terceiro pilar, n\u00e3o estamos contemplados. N\u00e3o muda em nada. O corpo humano passa dias, a depender da carne, para digerir integralmente o ???alimento??????, explica o jornalista, poeta e vegano de carteirinha, Thiago Nascimento. Ele \u00e9 ativista e tem at\u00e9 tatuagem com a palavra ???vegan???.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mesmo assim, Thiago enxerga com bons olhos este avan\u00e7o cient\u00edfico. &#8220;De uma certa forma, eu celebro que haja este avan\u00e7o, pois contribui com a redu\u00e7\u00e3o da crueldade com animais e com a sustentabilidade planet\u00e1ria, reduzindo os impactos da desenfreada e agressiva ind\u00fastria pecuarista???, completa. ?? um assunto t\u00e3o novo que foi dif\u00edcil at\u00e9 conversarmos com um nutricionista especializado, pois ainda n\u00e3o existem estudos sobre esta carne celular. ?? compreens\u00edvel.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/1\/3\/csm_carne_quadrada_dfebbb16e9.jpeg\" width=\"750\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Vai uma carninha de laborat\u00f3rio? <\/strong>(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">???Produzir c\u00e9lulas e fazer material capaz de gerar algo semelhante \u00e0 carne \u00e9 um desafio complexo e muito inicial, uma vez que ainda n\u00e3o existem estudos para comprovar a qualidade nutricional deste produto e nem a viabilidade da produ\u00e7\u00e3o, nem os efeitos na sa\u00fade do consumidor. Sem d\u00favidas, depois que mais testes forem realizados, e a ci\u00eancia comprovar o benef\u00edcio da t\u00e9cnica, o meio ambiente agradecer\u00e1 tal feito???, disse a nutricionista Thais Majdalane, \u00a0MBA em Gest\u00e3o em Neg\u00f3cios em Alimenta\u00e7\u00e3o e professora do Centro Universit\u00e1rio UniFTC Salvador.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Nas prateleiras do mercado, j\u00e1 existe uma op\u00e7\u00e3o de carne diferente, tamb\u00e9m oriunda dos tubos de ensaio: a carne vegetal. Contudo, apesar de ser um alimento sintetizado, este tipo de ???carne??? n\u00e3o passa de uma mistura 100% vegetal, sem nenhuma rela\u00e7\u00e3o animal. O gosto tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico ao da carne, ao contr\u00e1rio da vers\u00e3o celular, que pretende ser igual, apenas com a maneira de produ\u00e7\u00e3o diferente. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Outro aspecto importante para a massifica\u00e7\u00e3o da carne de laborat\u00f3rio \u00e9 a possibilidade de alimentar um mundo cada dia mais lotado de gente. At\u00e9 2050, segundo a ONU, seremos 10 bilh\u00f5es de bocas para alimentar. Se j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil agora, com 193 milh\u00f5es de pessoas passando fome (segundo recente publica\u00e7\u00e3o da ONU), imagine no futuro. ????? preciso procurar novas maneiras proteicas para alimentar o mundo sem degradar o meio ambiente. A ci\u00eancia est\u00e1 buscando isso e uma alternativa \u00e9 justamente esta c\u00e9lula de prote\u00edna cultivada. N\u00f3s tamb\u00e9m estamos nesta corrida???, disse a doutora e gerente da \u00e1rea de alimentos do Senai Cimatec, Tatiana Nery.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para conseguir contemplar esta melhoria no planeta, a carne celular precisa, al\u00e9m de ser gostosa e ben\u00e9fica, tamb\u00e9m acess\u00edvel para venda em grande escala. A pesquisa ainda \u00e9 cara em todo mundo. O primeiro bife de laborat\u00f3rio foi feito em 2013, pela pela Universidade de Maastricht, na Holanda. O pedacinho custou, na \u00e9poca, quase R$ 2 milh\u00f5es. Contudo, apesar de ainda estar nascendo aqui na Bahia, a corrida para ter a carne celular no mercado j\u00e1 come\u00e7ou e o produto est\u00e1 mais barato de fazer. \u00a0Mais ou menos. Um quilo de carne celular hoje \u00e9 produzido em laborat\u00f3rio por R$ 5.378,50, na cota\u00e7\u00e3o atual do d\u00f3lar. Vale lembrar que ainda n\u00e3o existe escala industrial na produ\u00e7\u00e3o do alimento. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas este valor n\u00e3o desanima investidores. Com a tecnologia consolidada, \u00e9 quest\u00e3o de tempo para baratear todo o ciclo de produ\u00e7\u00e3o que citamos no in\u00edcio da mat\u00e9ria, mas em escala industrial. Em Singapura j\u00e1 existe uma lei reguladora que libera a venda do produto, o primeiro no mundo inclusive a comercializar para o p\u00fablico, em 2020. Foram nuggets de frango celular e cerca de mil pessoas consumiram. O pedacinho custou 50 d\u00f3lares.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">???Qual \u00e9 o nosso desafio? Fazer com que esta tecnologia, hoje em laborat\u00f3rio, seja vi\u00e1vel para ser implementada na ind\u00fastria e no mercado. ?? isto que nossos empres\u00e1rios querem saber, em curto prazo. Somos um dos l\u00edderes na exporta\u00e7\u00e3o de carne convencional e queremos tamb\u00e9m entrar no mercado desta forma alternativa de prote\u00edna???, explica \u00a0Tatiana Nery.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">???O Brasil n\u00e3o tem uma legisla\u00e7\u00e3o que permita o consumo desta carne. Se fizermos aqui no Senai e colocar para vender na Rede Mix, a Anvisa pega. Ent\u00e3o, \u00e9 um trabalho m\u00faltiplo, de pesquisadores de diversas \u00e1reas e pessoas buscando a viabilidade de tudo. Precisamos estudar impactos sanit\u00e1rios para que se tenha uma ag\u00eancia reguladora, como existe em Singapura. J\u00e1 tem gente da ind\u00fastria correndo atr\u00e1s&#8221;, completa.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/e\/b\/csm_pesquisadoras_6a34ef3e6d.jpg\" width=\"700\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">As pesquisadoras Jaqueline, Josiane e Tatiana<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Nos Estados Unidos, a produtora de carne Good Meat anunciou em maio deste ano que sua pesquisa est\u00e1 perto de sair do laborat\u00f3rio e cair no mundo at\u00e9 2024. A empresa assinou conv\u00eanios para a constru\u00e7\u00e3o de biorreatores e bioimpressoras capazes de produzir em escala industrial. Eles ir\u00e3o produzir frango e carne e pretendem, j\u00e1 em 2025, produzir 13,6 milh\u00f5es de quilos de carne celular por ano. Para isso, pol\u00edticos americanos tamb\u00e9m j\u00e1 mexem seus pauzinhos para regularizar a produ\u00e7\u00e3o. Vale lembrar que esta t\u00e9cnica n\u00e3o est\u00e1 resumida apenas a carne bovina. D\u00e1 tamb\u00e9m para produzir com peixe, frango e porco, por exemplo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a FAIRR Initiative, um grupo de investidores globais, em 2021 foram investidos 506 milh\u00f5es de d\u00f3lares em todo mundo na busca da carne celular perfeita e acess\u00edvel para o consumo. Para se ter uma ideia, em 2020 foram ???apenas??? 366 milh\u00f5es injetados na pesquisa. A tend\u00eancia \u00e9 que o investimento cres\u00e7a mais 40% este ano. Vale lembrar que as pesquisas realizadas em Salvador tamb\u00e9m servem como suporte para ajudar as empresas brasileiras nesta corrida pela carne de laborat\u00f3rio nas prateleiras.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O Senai Cimatec ainda n\u00e3o tem incentivo industrial, apesar de estar prospectando novos parceiros. A sede soteropolitana entrou nesta corrida sob olhar acad\u00eamico, com o prop\u00f3sito de mostrar op\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para as ind\u00fastrias brasileiras entrarem na briga desta tend\u00eancia mundial. A pesquisa tem recurso pr\u00f3prio e apenas a bioimpressora foi adquirida com recurso da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa p\u00fablica federal. Uma impressora como esta custa, em m\u00e9dia, 20 mil d\u00f3lares. O Centro Universit\u00e1rio de Salvador pretende ampliar os horizontes nesta linha. Para quem quer seguir neste ramo, em outubro come\u00e7a uma especializa\u00e7\u00e3o de Alimentos Funcionais. Quanto mais gente pesquisando, melhor.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas a pesquisa n\u00e3o se limita ao Senai Cimatec. A multinacional brasileira JBS, l\u00edder no mercado aliment\u00edcio no pa\u00eds, adquiriu, em 2021, a empresa espanhola BioTech Foods, justamente com a inten\u00e7\u00e3o de entrar nesta corrida. At\u00e9 o final deste ano, pretende inaugurar um centro de pesquisa em Santa Catarina para que, at\u00e9 2024, possa produzir a carne celular em grande escala. O investimento ultrapassa a casa de R$ 1 bilh\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Sa\u00edmos um pouco atr\u00e1s dos Estados Unidos, mas estamos avan\u00e7ando. Nosso objetivo \u00e9 entregar um produto pronto para consumo, aqui no Senai Cimatec, em um ou dois anos. Antes disso, vamos convidar o CORREIO para comer nossa carne celular. E nem precisa trazer as bebidas, pois aqui tamb\u00e9m produzimos vinhos e cervejas???, assegura Tatiana Nery. Deu \u00e1gua na boca.<br \/> \u00a0<\/p>\n<h1><strong>Como se faz carne celular<\/strong><\/h1>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Coleta\u00a0<\/strong><br \/><em>?? feita uma bi\u00f3psia no animal, extraindo c\u00e9lulas-troncos de alguma parte, geralmente do cord\u00e3o umbilical, sem que o \u00a0boi sofra. ?? poss\u00edvel retirar de outros animais.\u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Fazendinha \u00a0<\/strong><br \/><em>Ap\u00f3s extrair a c\u00e9lula-tronco, ela vai para um tanque rico em nutrientes, conhecido como biorreator. L\u00e1 ele vai se multiplicar at\u00e9 ficar em quantidade suficiente para criar fibras, gorduras e outros tecidos vivos.<\/em><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Manda\u00a0imprimir! \u00a0<\/strong><br \/><em>Estas c\u00e9lulas ser\u00e3o transformadas em hidrog\u00e9is. os cientistas fazem o desenho da carne e equilibram fibras e gorduras que dar\u00e3o o gosto e a textura que determinam se o peda\u00e7o ser\u00e1 de uma picanha ou de uma maminha. Depois, manda imprimir na bioimpressora.<\/em><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Matura\u00e7\u00e3o \u00a0<\/strong><br \/><em>Feita a carne, as c\u00e9lulas continuam vivas e ir\u00e3o para outra fase, que \u00e9 do meio de cultura e matura\u00e7\u00e3o, onde ganhar\u00e3o corpo, prote\u00ednas e nutrientes. Temos um bife de laborat\u00f3rio pronto para fazer um churrasco.<\/em><br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para um leigo, \u00e9 dif\u00edcil assimilar que aquela impressora est\u00e1 criando uma estrutura com fibras e gordura. 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