{"id":187073,"date":"2022-07-17T06:00:53","date_gmt":"2022-07-17T09:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/sabia-que-bh-tem-mais-de-70-parques-descubra-o-mais-perto-da-sua-casa\/"},"modified":"2022-07-17T06:00:53","modified_gmt":"2022-07-17T09:00:53","slug":"sabia-que-bh-tem-mais-de-70-parques-descubra-o-mais-perto-da-sua-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/17\/sabia-que-bh-tem-mais-de-70-parques-descubra-o-mais-perto-da-sua-casa\/","title":{"rendered":"Sabia que BH tem mais de 70 parques?  Descubra o mais perto da sua casa"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><i>Paris, Londres ou Nova Yorl n\u00e3o seriam as mesmas sem seus parques. Da mesma forma, imagine Belo Horizonte sem sua \u00e1rea verde central, inspirada em conceitos do paisagismo europeu e norte-americano? <\/p>\n<p>Em cidades mundo afora, essas reservas ambientais urbanas, al\u00e9m de locais destinados \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o e ao lazer, s\u00e3o verdadeiros term\u00f4metros de regula\u00e7\u00e3o da temperatura, filtros de purifica\u00e7\u00e3o do ar, esponjas para absor\u00e7\u00e3o da \u00e1gua das chuvas e viveiros para a manuten\u00e7\u00e3o de biomas. Representam cortinas naturais que funcionam como redutoras da polui\u00e7\u00e3o sonora e atmosf\u00e9rica, onde plantas e animais nativos s\u00e3o protegidos em ecossistemas nos quais normalmente ocorrem na natureza. Tamb\u00e9m preservam cursos d???\u00e1gua, forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas relevantes, al\u00e9m de processos ecol\u00f3gicos que ligam as esp\u00e9cies e o ambiente. <\/p>\n<p>BH tem hoje nada menos que 76 desses espa\u00e7os multifun\u00e7\u00e3o. Mas os belo-horizontinos conhecem bem e usufruem de tudo o que t\u00eam a oferecer esses equipamentos urbanos? No m\u00eas de f\u00e9rias escolares, para responder a essa pergunta e revelar tesouros naturais pouco conhecidos incrustados na selva de concreto, o Estado de Minas d\u00e1 in\u00edcio hoje a uma s\u00e9rie de visitas a algumas dessas estruturas, mostrando suas voca\u00e7\u00f5es (esportivas, de lazer, ambientais, de pesquisas, entre outras) e avaliando seus principais atrativos. Na estreia, uma reserva plantada por moradores do Bairro Teixeira Dias. <\/i><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<h3>Nascentes e ecossistemas no meio da metr\u00f3pole<\/h3>\n<div>A capital mineira conta atualmente com 10,7 milh\u00f5es de metros quadrados de \u00e1reas verdes, espalhados por 76 parques, al\u00e9m de jardins bot\u00e2nico e zool\u00f3gico, centros de viv\u00eancia agroecol\u00f3gica e, inclusive, cemit\u00e9rios. Nessas reservas, est\u00e3o abrigados exemplares de cerrado, mata atl\u00e2ntica e campos de altitude, onde s\u00e3o encontradas mais de 200 esp\u00e9cies de animas, mais de mil esp\u00e9cies vegetais e diversas nascentes que abastecem os c\u00f3rregos da Bacia do Rio S\u00e3o Francisco: cerca de 40 t\u00eam olhos d&#8217;\u00e1gua, c\u00f3rregos ou lagoas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Primeira capital planejada do Brasil, Belo Horizonte foi pioneira na Am\u00e9rica Latina a dar import\u00e2ncia a uma reserva ambiental urbana a partir de sua planta original, destinando mais de 600 mil metros quadrados para abrigar um parque no Centro da cidade. Gra\u00e7as a essa preocupa\u00e7\u00e3o, o Parque Municipal Am\u00e9rico Rene\u00e9 Giannetti, embora hoje com \u00e1rea reduzida a 180 mil metros quadrados, ainda \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o verde pulsando em meio ao caos de edif\u00edcios e tr\u00e2nsito fren\u00e9tico, delimitado pelas avenidas Afonso Pena, Andradas, Caranda\u00ed e Assis Chateubriand, al\u00e9m da Rua da Bahia e da Alameda Ezequiel Dias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A cidade tamb\u00e9m abriga um dos maiores parques municipais urbanos do pa\u00eds, o Mangabeiras, na Regi\u00e3o Centro-Sul. Criado por lei de 1966, somente foi implantado nos anos 1980, tornando-se um raro exemplo de reconvers\u00e3o de \u00e1rea miner\u00e1ria, onde funcionava a mineradora Ferrobel. <\/p>\n<p>Outras reservas s\u00e3o resultado de lutas hist\u00f3ricas, como o Parque Lagoa do Nado, na Regi\u00e3o Norte, vizinha ao Bairro Planalto. A mobiliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em fins dos anos 1970, quando o terreno, que era muito utilizado para lazer pela popula\u00e7\u00e3o do entorno, foi adquirido pela MinasCaixa para constru\u00e7\u00e3o de um conjunto habitacional, provocando forte rea\u00e7\u00e3o popular.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apolo Heringer Lisboa, m\u00e9dico e ambientalista, fundador do Projeto Manuelz\u00e3o, defende que um parque n\u00e3o deveria ser um ap\u00eandice da cidade, mas uma \u00e1rea constitu\u00edda com a concep\u00e7\u00e3o de qualidade de vida, em ambiente de vegeta\u00e7\u00e3o e de conv\u00edvio com cada ecossistema. <\/p>\n<p>???A cidade tem que ter sistema de mobilidade, valorizar ciclovias, pistas de caminhadas. Todas as beiras de rios deveriam ser parques ciliares onde se pudesse transitar. O ideal seria haver parques urbanos com telef\u00e9ricos, como no caso da Serra do Curral, porque se valoriza aquilo que se conhece???, afirma, defendendo que, se a popula\u00e7\u00e3o conhecesse melhor a serra que \u00e9 s\u00edmbolo de BH, a resist\u00eancia a agress\u00f5es ao maci\u00e7o seria muito mais intensa.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O ambientalista lembra que a gest\u00e3o das \u00e1guas urbanas \u00e9 outra importante fun\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de parques, permitindo que se tenha maior permeabilidade na cidade, com mais \u00e1reas onde a \u00e1gua possa penetrar no solo. <\/p>\n<p>???Poder\u00edamos impedir inunda\u00e7\u00f5es nas cidades se, das nascentes mais altas e na origem das chuvas em locais mais elevados, fosse poss\u00edvel vir amortecendo a energia da \u00e1gua, que fosse conduzida para \u00e1reas verdes que pudessem infiltr\u00e1-la no solo. Na constru\u00e7\u00e3o urbana, \u00e9 preciso imaginar \u00e1reas n\u00e3o pavimentadas para que a \u00e1gua v\u00e1 se concentrando, como a Barragem Santa L\u00facia (no bairro de mesmo nome), a Lagoa Seca, no Belvedere, e outros parques que poderiam ser compatibilizados com escoamento pluvial, para que n\u00e3o se precisasse mais construir piscin\u00f5es nem canalizar c\u00f3rregos e rios.???<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A arquiteta Cl\u00e1udia Pires, ex-presidente da se\u00e7\u00e3o mineira do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), refor\u00e7a que a qualidade de vida de uma cidade est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de se desenhar um urbanismo que propicie ao mesmo tempo locais para a vida, servi\u00e7os, com\u00e9rcio, infraestrutura e onde se possa exercer o lazer, a contempla\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 caro ao homem, que \u00e9 a natureza.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<h3>Como um parque \u00e9 criado?<\/h3>\n<div>Parte dos atuais parques de Belo Horizonte foi criada por meio do Or\u00e7amento Participativo, iniciativa implantada na cidade em 1993, na qual moradores de todas as regionais da cidade priorizam obras em seus bairros a partir de uma fatia or\u00e7ament\u00e1ria reservada pela prefeitura.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outros surgiram em processos de licenciamento ambiental, alguns em pequenas extens\u00f5es destinadas ao uso p\u00fablico, resultantes de exig\u00eancias da Lei de Parcelamento, Ocupa\u00e7\u00e3o e Uso do Solo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em alguns casos, foram fruto de medida compensat\u00f3ria \u00e0 expans\u00e3o urbana ou mesmo de ado\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. ???Isso ocorre quando alguma \u00e1rea verde \u00e9 adquirida pelo mercado imobili\u00e1rio, mantendo um percentual para destina\u00e7\u00e3o dessas reservas???, explica S\u00e9rgio Augusto Domingues, presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Parques Municipais e Zoobot\u00e2nica da Prefeitura de Belo Horizonte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As \u00e1reas dispon\u00edveis para mais parques est\u00e3o cada vez mais raras na cidade, reconhece o presidente da funda\u00e7\u00e3o, mas ele aponta que ainda h\u00e1 mobiliza\u00e7\u00e3o para preservar alguns espa\u00e7os verdes remanescentes. Como exemplos, ele cita a luta de um parque linear no Belvedere e a intensa movimenta\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o do parque linear do Ribeir\u00e3o do On\u00e7a.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Temos \u00e1reas de pequena extens\u00e3o que s\u00e3o verdadeiras joias, como o parque na reserva do Jardim Leblon, um fragmento de mata muito preservado, com uma \u00e1rea de uso p\u00fablico, encostado em uma escola. Al\u00e9m de beneficiar muito aquela regi\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 na quest\u00e3o de uso p\u00fablico, serve de apoio para a escola integrada. Nesses espa\u00e7os s\u00e3o oferecidos servi\u00e7os ambientais com fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica importante para as comunidades. A dimens\u00e3o dessas unidades cumpre papel essencial na \u00e1rea urbana???, acrescenta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo o presidente da funda\u00e7\u00e3o, hoje, uma das menores concentra\u00e7\u00f5es de parques na cidade est\u00e1 na Regi\u00e3o Leste, mas a comunidade conta com o Horto Florestal, uma enorme \u00e1rea verde da Universidade Federal de Minas Gerais.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<h3>Ref\u00fagios da natureza ainda pouco explorados<\/h3>\n<div>Quando foi a \u00faltima vez que voc\u00ea visitou um parque em Belo Horizonte? H\u00e1 quanto tempo n\u00e3o entra no Parque Municipal, ou n\u00e3o d\u00e1 um passeio para sentir o ar de montanha no das Mangabeiras?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Conhece algum espa\u00e7o verde no seu bairro, ou na sua regional? Para boa parte das pessoas que moram ou trabalham em BH, responder a essas perguntas significa constatar o quanto a frequ\u00eancia a esses ref\u00fagios verdes \u00e9 rara ou mesmo esquecida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Lucilene Xavier de Souza, de 45 anos, encarregada de produ\u00e7\u00e3o, mora atualmente em Betim, na Grande BH, mas se lembra de frequentar o Parque Municipal, no Centro de BH, todos os domingos. ???Morava no Santa L\u00facia e quando me mudei, h\u00e1 anos, n\u00e3o havia parques por l\u00e1. Eu, pelo menos, desconhecia. Conheci s\u00f3 mesmo o municipal. E achava genial.???<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outra que tem no parque da \u00e1rea central de BH uma refer\u00eancia de inf\u00e2ncia \u00e9 Camila da Silva, balconista, de 33, moradora do Bairro Goi\u00e2nia. Mas na regi\u00e3o onde mora, conta que n\u00e3o conhece nenhum parque. Para ela, \u00e9 fundamental que esses espa\u00e7os tenham atrativos como brinquedos, para que as crian\u00e7as possam se divertir no passeio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Morador da capital mineira h\u00e1 seis meses, quando trocou Sergipe por Minas Gerais, o t\u00e9cnico industrial Genisson Andr\u00e9 Dias dos Santos, de 37, do Bairro Paquet\u00e1, na Regi\u00e3o da Pampulha, diz que, al\u00e9m da reserva mais conhecida no Centro de BH, conheceu o Parque C\u00e1ssia Eller, nas vizinhan\u00e7as de casa. Com ???olhar de estrangeiro???, diz que considerou os dois espa\u00e7os muito bem organizados e bem cuidados, mas entende que o C\u00e1ssia Eller fica devendo em acessibilidade: ???Tem muita escada???.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, Londres ou Nova Yorl n\u00e3o seriam as mesmas sem seus parques. 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