{"id":191017,"date":"2022-07-23T06:28:47","date_gmt":"2022-07-23T09:28:47","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/afinal-os-holandeses-fizeram-o-dique-a-historia-acaba-de-ser-revelada\/"},"modified":"2022-07-23T06:28:47","modified_gmt":"2022-07-23T09:28:47","slug":"afinal-os-holandeses-fizeram-o-dique-a-historia-acaba-de-ser-revelada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/23\/afinal-os-holandeses-fizeram-o-dique-a-historia-acaba-de-ser-revelada\/","title":{"rendered":"Afinal, os holandeses fizeram o Dique? A hist\u00f3ria acaba de ser revelada"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Nem adianta procurar no Google, pois n\u00e3o tem nenhuma men\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria de um tal Joos Coecke, o mais &#8220;novo&#8221; personagem da hist\u00f3ria da Bahia. ?? bem poss\u00edvel que nem aquele professor de Hist\u00f3ria do cursinho do Enem saiba quem \u00e9. Este holand\u00eas que passou pouco menos de um ano na Bahia \u00e9 o autor do primeiro &#8216;Google Maps&#8217; de Salvador j\u00e1 descoberto. Reparem bem para o mapa em destaque, pois ele ser\u00e1 nosso GPS at\u00e9 o final do texto. Al\u00e9m de assumir o status de ???foto??? mais antiga da capital baiana, este mapa do Centro Hist\u00f3rico, feito em 1624 e descoberto num livreiro antigo na Holanda, acaba de esclarecer um dos maiores mist\u00e9rios do universo e da Bahia, o que d\u00e1 no mesmo: foram os holandeses que fizeram o Dique do Toror\u00f3?\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A resposta vem na melhor melodia paradoxa de uma can\u00e7\u00e3o tropicalista. Sim e n\u00e3o. De fato, os holandeses fizeram um dique na \u00e9poca que invadiram nossa terra, em 1624. Contudo, o telefone sem fio hist\u00f3rico foi mudando as vers\u00f5es e a autoria holandesa caiu nas \u00e1guas escuras do Toror\u00f3. Vamos novamente ao mapa rec\u00e9m-descoberto. Est\u00e1 vendo a faixa azul atr\u00e1s do Centro Hist\u00f3rico? ?? justamente o dique que os holandeses fizeram, onde hoje \u00e9 a Baixa dos Sapateiros, aproveitando o afluente do Rio das Tripas. Uma constru\u00e7\u00e3o feita bem antes do Toror\u00f3, diga-se de passagem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ver o Dique do Toror\u00f3 em mapas a partir do s\u00e9culo 18, feito pelos portugueses tamb\u00e9m com prop\u00f3sito de prote\u00e7\u00e3o, mas com aproveitamento do Rio Lucaia. J\u00e1 o mapinha holand\u00eas \u00e9 do s\u00e9culo 17.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Agora, adivinha quem projetou e fez (em menos de um ano!) este primeiro dique soteropolitano? \u00a0Ele, o pr\u00f3prio Coecke, um engenheiro militar que estava nas embarca\u00e7\u00f5es holandesas que invadiram Salvador, em 1624. O projeto foi feito para manter o fundo do Centro Hist\u00f3rico protegido contra as tentativas de retomada da cidade. Gra\u00e7as a Joos, a primeira capital do Brasil finalmente poder\u00e1 conhecer sobre uma invas\u00e3o que se tornou um evento global, mais importante at\u00e9 que a tomada holandesa em Pernambuco, apesar de poucos registros no pa\u00eds. Tudo isso gra\u00e7as ao seu mapa. Vamos explicar esta ocupa\u00e7\u00e3o mais adiante, para tristeza dos irm\u00e3os pernambucanos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Temos agora o retrato mais antigo da cidade e de muito poder hist\u00f3rico. Podemos, finalmente, entender Salvador no ano da ocupa\u00e7\u00e3o holandesa (1624\/25) e das transforma\u00e7\u00f5es na capital. Apesar deles ficarem pouco tempo, os holandeses constru\u00edram um dique que gerou, durante s\u00e9culos, controv\u00e9rsias se a constru\u00e7\u00e3o foi feita ou n\u00e3o. Alegavam que eles n\u00e3o tiveram tempo para fazer, mas fizeram. De quebra, ainda tinha um mito que a obra se tratava do Dique do Toror\u00f3, e agora sabemos que foi outro bem mais antigo???, disse o historiador Pablo Magalh\u00e3es, professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Magalh\u00e3es viajou at\u00e9 a Europa, onde foi encontrada a rel\u00edquia baiana, para ver pessoalmente o Atlas com 80 mapas antigos, incluindo o de Salvador, adquirido pelo empres\u00e1rio Frank Abubakir, idealizador do Instituto Sociocultural Fl\u00e1via Abubakir, no Corredor da Vit\u00f3ria. Com a planta da cidade e novas refer\u00eancias, Magalh\u00e3es e a pesquisadora da USP L\u00facia Furquim Werneck, que ainda est\u00e1 na Holanda, conseguiram ampliar o leque de estudos e ganharam novos rumos na busca por outros documentos no Museu Nacional de Amsterd\u00e3 que tenham rela\u00e7\u00e3o com a invas\u00e3o holandesa. J\u00e1 foi poss\u00edvel, inclusive, saber mais sobre Joos Coecke, o mapa e o ???Dique das Tripas???.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/5\/f\/csm_diferencas_no_mapa_f07fd190b2.jpg\" width=\"800\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Na primeira imagem, o dique dos holandeses. Na segunda, uma reprodu\u00e7\u00e3o de Salvador antes da invas\u00e3o, em 1624, com o Rio das Tripas passando longe<\/strong> (Imagem: Cortesia Instituto Fl\u00e1via Abubakir)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">???Pelo que podemos apurar at\u00e9 o momento, Joos Coecke nasceu na Zel\u00e2ndia, uma das sete prov\u00edncias holandesas da \u00e9poca. Ele nasceu por volta de 1587 e alegou ter 38 anos quando esteve em Salvador???, conta Magalh\u00e3es, que descobriu mais. ???Esse mapa de Joos n\u00e3o \u00e9 um trabalho de artista e foi pensado apenas para ser entregue \u00e0s autoridades na Holanda (o mapa mede 41,5 x 54 cm). Era um registro t\u00e9cnico que necessitava de uma maior veracidade, pois precisava informar aos seus superiores sobre o andamento das obras de defesa. Nestes documentos encontrados, os invasores holandeses afirmavam que estavam enviando constantemente mapas de Salvador para Amsterd\u00e3. Era um controle, n\u00e9? Encontramos este em perfeita condi\u00e7\u00e3o???, completa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A obra do ???Dique das Tripas??? tamb\u00e9m apresenta detalhes curiosos. Na \u00e9poca, os holandeses n\u00e3o pretendiam sair de Salvador. Queriam, de fato, ficar aqui permanentemente. Para tanto, precisavam proteger o Centro Hist\u00f3rico, praticamente a \u00fanica zona urbana na \u00e9poca. O centr\u00e3o comercial. Os muros foram fortificados, mas era preciso guardar bem os fundos, com o devido ???l\u00e1 ele???, para evitar poss\u00edveis ataques e tentativas de retomada pela retaguarda. Foi a\u00ed que Joos Coecke resolveu, a partir de uma s\u00e9rie de casas demolidas, aproveitar este material para fazer as recusas do Dique.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Foi uma engenharia apressada, mas o mapa mostra descri\u00e7\u00f5es detalhadas de uma obra bem elaborada. Mesmo depois da expuls\u00e3o, este Dique ainda fica anos servindo como defesa de outros ataques, at\u00e9 ser aterrado no s\u00e9culo 19???, revela Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Um mapa de Salvador de autoria do portugu\u00eas Jo\u00e3o Teixeira Albernaz, que retrata o Centro hist\u00f3rico pr\u00e9-invas\u00e3o holandesa, mostra o Rio das Tripas bem semelhante a uma tripinha, mais afastada da zona urbana. Apesar da planta de Albernaz retratar um per\u00edodo antes de Joos, a publica\u00e7\u00e3o foi em 1630, como uma reprodu\u00e7\u00e3o de retratos mais antigos destru\u00eddos com o tempo. Isso deixa o registro holand\u00eas ainda mais importante, pois \u00e9 o \u00fanico da \u00e9poca feito <em>in loco<\/em>, em ???tempo real??? que sobreviveu ao tempo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Rebarba pernambucana<\/strong><br \/> Chegou a hora da pol\u00eamica. Se j\u00e1 existe conflito com os irm\u00e3os pernambucanos sobre quem tem o melhor Carnaval e S\u00e3o Jo\u00e3o, a rivalidade nordestina acaba de ganhar mais um embate: a primeira op\u00e7\u00e3o da Holanda sempre foi Salvador e s\u00f3 se contentaram em invadir Pernambuco porque acabaram expulsos daqui. Pronto, falei.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nossa capital era muito mais importante que Recife ou Olinda, com todo respeito. Inclusive a invas\u00e3o holandesa em Salvador foi o primeiro grande evento global, como a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia, mas sem internet.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"449\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/2\/7\/csm_Pablo_d3f0573483.jpeg\" width=\"800\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>Historiador baiano Pablo Magalh\u00e3es esteve com o mapa e se surpreendeu com o achado<\/strong> (Foto: Acervo pessoal)\u00a0<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">???Salvador era uma cidade cosmopolita, a maior do Atl\u00e2ntico Sul na \u00e9poca. Ent\u00e3o, tudo passava por Salvador. A rota das \u00edndias obrigatoriamente passava por Salvador e depois seguia para a \u00c1sia. Todo um fluxo global j\u00e1 circulava por aqui. Diria mais. O epis\u00f3dio da ocupa\u00e7\u00e3o holandesa na Bahia \u00e9 o primeiro epis\u00f3dio que teve uma repercuss\u00e3o global na hist\u00f3ria. Salvador era o porto do Atl\u00e2ntico Sul invadido. Reverberou at\u00e9 na Am\u00e9rica do Norte, inclusive com not\u00edcias registradas at\u00e9 no M\u00e9xico???, garante Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Afinal, que diabo a Holanda queria aqui? A resposta \u00e9 a mesma da invas\u00e3o em Pernambuco: a\u00e7\u00facar. Na \u00e9poca, o Brasil era um grande exportador do produto, em formato mascavado, para os pa\u00edses baixos, que recebiam a vers\u00e3o bruta e refinavam para o consumo. Contudo, a Espanha resolveu cortar a exporta\u00e7\u00e3o, uma pancada para a Holanda, que importava mais de 50 mil caixas todo ano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Oxe, Espanha mandando no que o Brasil exportava? Isso mesmo! Nesta \u00e9poca, est\u00e1vamos sobre o dom\u00ednio espanhol, um per\u00edodo conhecido como Uni\u00e3o Ib\u00e9rica. Portugal e suas col\u00f4nias estavam sob a ???tutela??? dos espanh\u00f3is.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para evitar este preju\u00edzo, a Companhia das \u00cdndias Ocidentais, praticamente uma grande empresa de exporta\u00e7\u00e3o holandesa, resolveu fazer um panfleto e distribuir para sua popula\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo: ???motivos para tomar da Espanha a terra do Brasil???. Portanto, foi uma invas\u00e3o anunciada.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No dia 8 de maio de 1624, os holandeses entraram na Ba\u00eda de Todos os Santos e atracaram no Porto da Barra com 26 navios, 450 canh\u00f5es e 3.330 homens. A turma subiu a ladeira da Barra e foi marchando at\u00e9 o Centro. Entre eles, Joos Coecke. Segundo documentos da \u00e9poca, Salvador tinha apenas 80 soldados protegendo a cidade. Com a invas\u00e3o consolidada e sem grandes resist\u00eancias, o engenheiro p\u00f4de desenhar mapas e criar o tal Dique das Tripas. Na \u00e9poca, cerca de 350 mil caixas de a\u00e7\u00facar da capital tamb\u00e9m foram enviadas para a Holanda.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Por que esse mapa \u00e9 importante? Porque ele est\u00e1 inserido em um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es. No s\u00e9culo 17, a cidade de Salvador destacava-se n\u00e3o s\u00f3 por ser a capital da Am\u00e9rica Portuguesa, mas tamb\u00e9m por ser um centro de refer\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica. O porto de Salvador liderava as exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar, inclusive ultrapassava at\u00e9 mesmo Pernambuco???, conta o historiador Rafael Dantas. ???Esse mapa \u00e9 interessante porque a gente percebe que a cidade estava literalmente fortificada. De um lado, uma prote\u00e7\u00e3o pela Ba\u00eda de Todos os Santos. Uma prote\u00e7\u00e3o natural. E em outro lado uma prote\u00e7\u00e3o pelo dique. O mapa \u00e9 uma das grandes descobertas dos \u00faltimos anos, que lan\u00e7a luz para novas pesquisas nesta \u00e1rea???, acrescenta.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Outro fato curioso \u00e9 que o mar parece chegar bem pr\u00f3ximo da muralha natural que separa as cidades Alta e Baixa. N\u00e3o \u00e9 fake. Na \u00e9poca, ainda n\u00e3o existia o aterramento para a constru\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. O mar, de fato, chegava at\u00e9 ali. O mapa tamb\u00e9m prova que a Holanda conseguiu fortalecer Salvador como nunca os portugueses haviam conseguido.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A invas\u00e3o, apesar de intensa e com grandes planos econ\u00f4micos e estruturais do lado holand\u00eas, a Espanha resolveu contra-atacar para retomar Salvador, uma importante rota comercial para deixar na m\u00e3o inimiga. Com uma das maiores expedi\u00e7\u00f5es armadas da \u00e9poca, os espanh\u00f3is chegaram \u00e0 capital no dia 22 de mar\u00e7o de 1625 com 52 navios e 12 mil homens, despachando a Holanda daqui. Joos e o mapa foram juntos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Leia o artigo:\u00a0<\/strong><strong>Um mapa, o dique, nossa cidade<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os holandeses ainda tentaram invadir outras vezes, mas sem sucesso. Acabaram optando por invadir Pernambuco, em 1630, onde ficaram at\u00e9 1654. Neste tempo, \u00a0Salvador se tornou uma importante fortaleza, por ironia do destino, se aproveitando das pr\u00f3prias defesas constru\u00eddas pelos holandeses, que s\u00f3 conseguiram uma nova invas\u00e3o soteropolitana em 2014, na Copa do Mundo de futebol, tomando o Centro Hist\u00f3rico e todas as nossas cervejas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Brincadeiras \u00e0 parte, o mapa acabou rodando o mundo. ???Ap\u00f3s expuls\u00e3o, Joos serve na \u00c1frica, por volta de 1634. O atlas vai parar nas m\u00e3os de um capit\u00e3o que serviu com Coecke. Posteriormente, com seu filho, um intelectual holand\u00eas, Thomas Beverline. Ele acaba vendendo toda sua biblioteca para uma fam\u00edlia inglesa e o mapa vai junto para Inglaterra, onde fica durante 150 anos. Depois, o atlas mostra uma nova venda em 1882, para a Am\u00e9rica do Norte. S\u00f3 depois ele retornou para Holanda e o Frank encontrou, em 2001, num livreiro antigo???, \u00a0descreve Pablo Magalh\u00e3es. O atlas tem todos os registros citados.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/2\/c\/csm_frank_cdd76ee870.jpg\" width=\"750\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Frank Abubakir passou 20 anos tentando um mapa da de Salvador antigo. Quando conseguiu, descobriu que era muito mais raro do que imaginava<\/strong>\u00a0(Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Ireno Figueiredo)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Frank Jones<\/strong><br \/> O mapa foi adquirido pelo empres\u00e1rio e Indiana Jones de materiais raros da hist\u00f3ria da Bahia, Frank Abubakir, presidente do conselho da empresa qu\u00edmica Unipar. Contudo, o namoro \u00e9 antigo. H\u00e1 20 anos que Abubakir tenta adquirir o mapa, mas o antigo dono relutava em vender. ???Gosto de coisas singulares e o mapa sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o, mas era uma perspectiva bem mais humilde de um colecionador. Veja que o atlas ficou sem vender todos estes anos, pois o mapa parecia apenas mais uma entre as outras. Ningu\u00e9m percebia a import\u00e2ncia dela, at\u00e9 eu conseguir comprar e descobrirmos seu valor hist\u00f3rico???, conta Frank.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Outro aspecto que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a singularidade do mapa. N\u00e3o era uma reprodu\u00e7\u00e3o, muito comum nos mapas descobertos da \u00e9poca. Era normal o artista fazer uma viagem explorat\u00f3ria e pintarem anos depois o local. Ent\u00e3o, encontramos muita coisa fantasiosa nesta busca de materiais raros. Esta pe\u00e7a foi feita no per\u00edodo, enquanto os holandeses estavam em Salvador???, celebra Frank. Abubakir agora pensa em trazer o mapa de volta \u00e0 capital baiana, mas n\u00e3o ser\u00e1 uma tarefa a curto prazo. O Instituto \u00a0Fl\u00e1via Abubakir est\u00e1 negociando uma parceria com o Arquivo P\u00fablico holand\u00eas para aprofundar mais o assunto.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Se eu pudesse, o mapa j\u00e1 estaria em Salvador para todos contemplarem, mas precisamos de mais tempo de estudos. Quero compartilhar este achado com todos???, explica Frank sobre o mapa continuar na sua casa, na Su\u00ed\u00e7a. O mapa foi um pontap\u00e9 inicial para mais estudos sobre a \u00e9poca de uma Salvador holandesa. \u00a0A pretens\u00e3o \u00e9 que o primeiro Google Maps da capital venha para a Bahia em 2024, ano em que a invas\u00e3o holandesa completar\u00e1 400 anos. \u00a0<\/p>\n<h2><strong>Instituto Sociocultural Fl\u00e1via Abubakir abre seu acervo para pesquisadores<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\">Empres\u00e1rio e amante de rel\u00edquias hist\u00f3ricas da Bahia, o empres\u00e1rio Frank Abubakir, junto com sua esposa Fl\u00e1via, aprendeu com v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es a import\u00e2ncia hist\u00f3rica de cada item antigo. Ele nem se incomoda com o valor da coisa, mas a sua import\u00e2ncia e singularidade. E, enquanto o mapa mais antigo de Salvador n\u00e3o pega o Atl\u00e2ntico e retorna \u00e0s suas origens, seu instituto promete disponibilizar os documentos encontrados e o mapa com todos os seus detalhes de forma digitalizada, no site do Instituto Sociocultural Fl\u00e1via Abubakir, criado em 2021 para abrigar e conservar todo o acervo adquirido por Frank de sua fam\u00edlia.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O lugar do instituto f\u00edsico fica no Corredor da Vit\u00f3ria, em frente a igreja, mas o acervo est\u00e1 passando tamb\u00e9m por uma digitaliza\u00e7\u00e3o para compartilhar com pesquisadores interessados na hist\u00f3ria da Bahia. ???O acervo mescla itens de diversos per\u00edodos da iconografia baiana. Fl\u00e1via e Frank, ao constitu\u00edrem o instituto, amplificam a ideia de compartilhamento do acervo. Os colecionadores s\u00e3o cada vez mais escassos e o instituto faz o papel de guardar esta hist\u00f3ria. N\u00f3s temos tamb\u00e9m outras \u00e1reas que abra\u00e7amos, como o incentivo \u00e0 cultura, adotamos a pra\u00e7a no Largo da Vit\u00f3ria e apoiamos o Centro Social de Sa\u00fade Esmeralda da Natividade, que promove atendimento m\u00e9dico e odontol\u00f3gico gratuito???, disse\u00a0 ??ngela Ferreira, diretora do Instituto Fl\u00e1via Abubakir.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"999\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/a\/2\/csm_angela_137b7ece4b.jpeg\" width=\"666\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>??ngela Ferreira, diretora do Instituto Fl\u00e1via Abubakir, \u00e9 a guardi\u00e3 de diversas raridades sobre a hist\u00f3ria da Bahia<\/strong> (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Para fazer as consultas, o interessado precisa fazer um cadastro no site do instituto (https:\/\/www.institutoflaviaabubakir.org\/formulario), que est\u00e1 digitalizando todo o acervo. Depois, o usu\u00e1rio recebe um login e pode procurar no site. O acervo tem uma biblioteca com mais de 3,5 mil livros raros, desenhos, esculturas, gravuras, fotos, mapas, entre outros. Somente no site, 8.554 mil pe\u00e7as foram catalogadas e digitalizadas, como um livro de Maur\u00edcio de Nassau, datado de 1659.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Sobre a vinda do mapa, ainda teremos que esperar um pouco, pelo menos no formato f\u00edsico. ???Vamos amadurecer e consolidar mais essa essa pesquisa antes do mapa retornar para Salvador. Precisamos de mais pesquisa, mas a ideia \u00e9 disponibilizar o mapa atrav\u00e9s do nosso software e site. Esse mapa vai integrar a cole\u00e7\u00e3o, mas inicialmente de modo virtual. Vai estar a imagem l\u00e1, os dados deles. Estamos sedimentando a\u00e7\u00f5es para ele retornar em 2024, no anivers\u00e1rio de 400 anos da invas\u00e3o???, prev\u00ea ??ngela.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Ainda precisamos decupar muita coisa, traduzir muitos documentos. Alguns personagens nunca existiram dentro da hist\u00f3ria do Brasil, mas surgiram a partir do mapa. Estamos vivenciando, pela primeira vez, a vers\u00e3o holandesa sobre a invas\u00e3o de Salvador. O mapa \u00e9 muito rico em hist\u00f3ria e dados???, completa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem adianta procurar no Google, pois n\u00e3o tem nenhuma men\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria de um tal Joos Coecke, o mais &#8220;novo&#8221; personagem da hist\u00f3ria da\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":191018,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[213],"tags":[],"class_list":["post-191017","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191017"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191017\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}