{"id":191125,"date":"2022-07-23T10:45:52","date_gmt":"2022-07-23T13:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/cns-propoe-aumento-da-capacidade-industrial-para-combater-falta-de-remedios\/"},"modified":"2022-07-23T10:45:52","modified_gmt":"2022-07-23T13:45:52","slug":"cns-propoe-aumento-da-capacidade-industrial-para-combater-falta-de-remedios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/23\/cns-propoe-aumento-da-capacidade-industrial-para-combater-falta-de-remedios\/","title":{"rendered":"CNS prop\u00f5e aumento da capacidade industrial para combater falta de rem\u00e9dios"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 meses, farm\u00e1cias e unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade de todo o pa\u00eds t\u00eam enfrentado um apag\u00e3o de alguns rem\u00e9dios, como dipirona, antibi\u00f3ticos, soro e diur\u00e9ticos. O desabastecimento de medicamentos afeta prefeituras, hospitais p\u00fablicos e tamb\u00e9m a rede privada, pacientes t\u00eam relatado dificuldades na aquisi\u00e7\u00e3o de medicamentos e a rede de atendimento n\u00e3o consegue suprir a demanda.<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o ordin\u00e1ria na \u00fatima quarta-feira (20\/7), o Conselho Nacional de Sa\u00fade (CNS) debateu maneiras de enfrentar o desabastecimento. A implementa\u00e7\u00e3o de um Complexo Econ\u00f4mico Industrial foi apontada como alternativa para resolver o problema, com o desenvolvimento do segmento secund\u00e1rio da economia, a exemplo das ind\u00fastrias de base qu\u00edmica, biotecnol\u00f3gica, mec\u00e2nica e de materiais.<\/p>\n<p>???Temos que colocar a sa\u00fade e sua base econ\u00f4mica, produtiva e tecnol\u00f3gica como grande aposta para o Brasil superar a depend\u00eancia gritante que temos do mercado externo???, avaliou o pesquisador do Departamento de Administra\u00e7\u00e3o e Planejamento em Sa\u00fade da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica da Fiocruz (Daps\/Ensp), Carlos Gadelha, que conduziu a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Um Complexo Econ\u00f4mico Industrial garantiria autonomia ao mercado brasileiro, mas \u00e9 uma resolu\u00e7\u00e3o a longo prazo para um problema urgente. A escassez destes medicamentos \u00e9 resultado de muitos fatores, como o n\u00e3o acesso \u00e0s mat\u00e9rias primas (Ifa???s) no mercado internacional, press\u00e3o pelo aumento dos pre\u00e7os por parte da ind\u00fastria farmac\u00eautica, al\u00e9m do desfinanciamento do Sistema ??nico de Sa\u00fade (SUS) determinado pela Emenda Constitucional 95\/2016, que congelou investimentos em Sa\u00fade at\u00e9 2036.<\/p>\n<p>Segundo Silvio Pereira, CEO da Pharbox, primeira farmatech brasileira, o Brasil tem basicamente tr\u00eas polos industriais farmac\u00eauticos, no interior de S\u00e3o Paulo, em An\u00e1polis, em Goi\u00e1s e em Minas Gerais. &#8220;Frequentemente vemos produtos onde apenas uma ou duas ind\u00fastrias possuem registro e autoriza\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o, e concentrando grande parte do consumo nacional. Qualquer ruptura nessa cadeia de produ\u00e7\u00e3o afeta o nosso pa\u00eds, que tem um volume de consumo continental ref\u00e9m. Somente com novos players e novos registros podemos aumentar a concorr\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o industrial???, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Quase 95% dos medicamentos no pa\u00eds dependem de mat\u00e9ria-prima origin\u00e1ria, principalmente, da China, que teve as exporta\u00e7\u00f5es afetadas porque est\u00e1 mais uma vez em lockdown para conter a nova onda de casos de covid. Al\u00e9m da maior dificuldade para a chegada de insumos ao pa\u00eds, tivemos uma esp\u00e9cie de efeito domin\u00f3, pois outros produtos que estavam faltando exigiram mais dedica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, acarretando a redu\u00e7\u00e3o na fabrica\u00e7\u00e3o de outros produtos&#8221;, observou o CEO da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Redes de Farm\u00e1cias e Drogarias (Abrafarma), S\u00e9rgio Mena Barreto.<\/p>\n<p>O governo federal j\u00e1 vinha sendo alertado pelos secret\u00e1rios municipais de Sa\u00fade, mas a situa\u00e7\u00e3o se agrava a cada dia. Um levantamento recente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios (CNM), feito com 2.469 prefeituras, constatou que mais de 80% dos gestores relataram sofrer com a falta de rem\u00e9dios para atender a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><br \/>Problemas de gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de toda a rea\u00e7\u00e3o em cadeia causada pela falta de insumos, agravada pela pandemia, o sistema de sa\u00fade brasileiro ainda enfrenta graves problemas de gest\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o desses medicamentos, com um grande hist\u00f3rico de medicamentos e vacinas que perderam a validade antes de chegar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Em plena pandemia, por exemplo, mais de 344 mil doses de vacinas contra a covid-19 foram perdidas, um preju\u00edzo de R$ 46,6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico sanitarista Gonzalo Vecina, fundador da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), o principal substrato dessas perdas \u00e9 a falta de capacidade do setor de log\u00edstica fazer o gerenciamento dos estoques e distribuir esses produtos a tempo. ???O departamento de log\u00edstica faz qualquer coisa, menos log\u00edstica. Ent\u00e3o al\u00e9m de perdas deve haver extravios tamb\u00e9m, que n\u00e3o est\u00e3o sendo noticiados. Mas o mais importante mesmo s\u00e3o as perdas por prazo de vencimento, que s\u00e3o de produtos necess\u00e1rios na periferia do sistema???, destacou.<\/p>\n<p>Vecina, que \u00e9 uma das maiores autoridades sanit\u00e1rias do pa\u00eds, avaliou ainda a falta de gest\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o, afetado pelo desabastecimento. &#8220;O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o est\u00e1 fazendo o seu papel de dirigir pol\u00edticas p\u00fablicas para garantir a produ\u00e7\u00e3o. Tem medicamentos que est\u00e3o deixando de ser produzidos aqui porque o pre\u00e7o est\u00e1 muito alto, porque n\u00e3o conseguimos importar e acertar um novo valor frente ao aumento das mat\u00e9rias primas???, acrescentou.<\/p>\n<p>Silvio Pereira, CEO da Pharbox, a primeira farmatech brasileira, conta que esses problemas n\u00e3o podem ser resolvidos apenas com o Complexo Econ\u00f4mico Industrial da sa\u00fade. &#8220;Na minha vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o do Minist\u00e9rio, mas sim da Anvisa, que regula o mercado e \u00e9 respons\u00e1vel pela concess\u00e3o de novos registros, processos de importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima, etc., desenvolvimento de novos produtos e entrada de novos players no mercado industrial&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje existem grandes conglomerados industriais centralizando grande parte da produ\u00e7\u00e3o nacional de medicamentos, uma vez que ocorre uma ruptura no fornecimento de mat\u00e9rias primas ou aumento nas demandas especificas do mercado interno, como grande parte da produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 centralizada em poucas empresas, o mercado varejista sofre, e por consequ\u00eancia, o consumidor final. Com processos de concess\u00e3o de registros mais \u00e1geis, pelo menos para os medicamentos de uso em larga escala, ter\u00edamos laborat\u00f3rios de pequeno e m\u00e9dio porte tamb\u00e9m produzindo e concorrendo nesse mercado. Isso ajudaria muito na regulariza\u00e7\u00e3o do abastecimento nacional.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Silvio Pereira, CEO da Pharbox, primeira farmatech brasileira, o Brasil tem basicamente tr\u00eas polos industriais farmac\u00eauticos, no interior de S\u00e3o Paulo, em Goi\u00e1s e em Minas Gerais. &#8220;Frequentemente vemos produtos onde apenas uma ou duas ind\u00fastrias possuem registro e autoriza\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o, e concentrando grande parte do consumo nacional. Qualquer ruptura nessa cadeia de produ\u00e7\u00e3o afeta o nosso pa\u00eds, que tem um volume de consumo continental ref\u00e9m. Somente com novos players e novos registros podemos aumentar a concorr\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o industrial&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 meses, farm\u00e1cias e unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade de todo o pa\u00eds t\u00eam enfrentado um apag\u00e3o de alguns rem\u00e9dios, como dipirona, antibi\u00f3ticos, soro e\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":191126,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-191125","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191125"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191125\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}