{"id":191182,"date":"2022-07-23T12:50:43","date_gmt":"2022-07-23T15:50:43","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/os-evangelicos-que-se-reuniram-ha-60-anos-no-nordeste-para-discutir-revolucao-social\/"},"modified":"2022-07-23T12:50:43","modified_gmt":"2022-07-23T15:50:43","slug":"os-evangelicos-que-se-reuniram-ha-60-anos-no-nordeste-para-discutir-revolucao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/23\/os-evangelicos-que-se-reuniram-ha-60-anos-no-nordeste-para-discutir-revolucao-social\/","title":{"rendered":"Os evang\u00e9licos que se reuniram h\u00e1 60 anos no Nordeste para discutir revolu\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p>Entre as muitas mem\u00f3rias que a ditadura militar no Brasil se esfor\u00e7ou para apagar e deixar para tr\u00e1s est\u00e1 um importante evento da hist\u00f3ria do protestantismo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Confer\u00eancia do Nordeste, realizada em Recife em 1962, \u00e9 vista por muitos historiadores como um marco do que \u00e9 at\u00e9 hoje um dos mais significativos movimentos de engajamento social de lideran\u00e7as progressistas crist\u00e3s na Am\u00e9rica Latina. Por\u00e9m, s\u00e3o poucos os que sabem da exist\u00eancia desse evento. <\/p>\n<ul>\n<li>Como pensam evang\u00e9licas, que podem definir elei\u00e7\u00e3o para presidente <\/li>\n<\/ul>\n<p>A conven\u00e7\u00e3o, que aconteceu entre 22 e 29 de julho, aproveitou-se de um momento de intenso debate pol\u00edtico no Brasil e no mundo para tratar de um tema que j\u00e1 vinha sendo discutido nos bastidores por estudantes e lideran\u00e7as mais progressistas do protestantismo: a responsabilidade das igrejas diante das mudan\u00e7as pol\u00edticas e sociais enfrentadas pelo pa\u00eds na \u00e9poca. <\/p>\n<p>Sob o tema &#8220;Cristo e o Processo Revolucion\u00e1rio Brasileiro&#8221;, pastores, reverendos e fi\u00e9is de pelo menos 20 Estados se reuniram para ouvir e debater com alguns dos mais destacados intelectuais da \u00e9poca, como Celso Furtado, Gilberto Freyre e Paul Singer.<\/p>\n<p>Segundo Marcus de Matos, professor de Direito da Universidade de Brunel, no Reino Unido, e pesquisador do tema, ouviu-se falar muito durante aqueles oito dias sobre a pobreza e a injusti\u00e7a social do Brasil da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>&#8220;Mas eles tamb\u00e9m falaram de cultura popular e folclore brasileiros, de economia e de modelos de sociedade e transforma\u00e7\u00e3o social&#8221;, diz o estudioso. &#8220;E, claro, discutiram muito sobre teologia, mais especificamente qual teologia permite esse tipo de reflex\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A confer\u00eancia rapidamente despertou o interesse da sociedade da \u00e9poca e deu aos protestantes brasileiros uma visibilidade que eles haviam experimentado poucas vezes no passado. <\/p>\n<p>O governador de Pernambuco \u00e0 \u00e9poca, Cid Sampaio, participou de algumas reuni\u00f5es, e o presidente Jo\u00e3o Goulart enviou um telegrama e um representante a Recife. Jornais do Nordeste e Sudeste noticiaram o evento, alguns com manchetes em primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<ul>\n<li>&#8216;N\u00e3o adianta se dizer crist\u00e3o e n\u00e3o fazer o bem&#8217;: a influenciadora evang\u00e9lica que mudou de opini\u00e3o sobre Bolsonaro<\/li>\n<\/ul>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o recebida, por\u00e9m, gerou uma forte rea\u00e7\u00e3o de setores mais conservadores das igrejas, que buscaram se afastar dos organizadores e dos temas trazidos \u00e0 tona. <\/p>\n<p>Press\u00f5es vindas do pr\u00f3prio Estado tamb\u00e9m contribu\u00edram para o fim do movimento que teve seu auge durante a conven\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Em 1962 o Brasil j\u00e1 come\u00e7ava a experimentar uma certa convuls\u00e3o social que culminaria no golpe militar de 1964 e, antes mesmo do evento, alguns dos principais nomes por tr\u00e1s da Confer\u00eancia do Nordeste j\u00e1 vinham sendo observados pelo DOPS, o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social, que mais tarde serviria \u00e0 Ditadura Militar. <\/p>\n<p>Durante os anos do regime, alguns dos l\u00edderes do movimento foram expulsos de suas igrejas e denunciados como subversivos ao governo militar. V\u00e1rios tiveram que se exilar.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca antes ou depois desta confer\u00eancia se viu o protestantismo brasileiro t\u00e3o engajado na discuss\u00e3o da realidade social brasileira e t\u00e3o consciente da necessidade de participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de tal realidade&#8221;, afirma Raimundo Barreto, historiador e professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos. <\/p>\n<h3>&#8216;O tema foi uma bomba&#8217;<\/h3>\n<p>A conven\u00e7\u00e3o foi organizada por um setor especial da extinta Confedera\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lica do Brasil (CEB), \u00f3rg\u00e3o interdenominacional constitu\u00eddo de seis das principais igrejas protestantes do pa\u00eds na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Chamado de setor de Responsabilidade Social da Igreja, esse departamento foi criado por membros de diferentes denomina\u00e7\u00f5es motivados por outros movimentos que surgiam \u00e0s margens do cristianismo, comandados inicialmente por fi\u00e9is jovens e universit\u00e1rios. <\/p>\n<p>Antes da Confer\u00eancia do Nordeste, o grupo j\u00e1 havia organizado tr\u00eas consultas internas para analisar a participa\u00e7\u00e3o das igrejas na sociedade brasileira. <\/p>\n<p>&#8220;Eles foram influenciados pelas discuss\u00f5es em torno do Marxismo e das promessas n\u00e3o cumpridas do desenvolvimento capitalista de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida&#8221;, diz Barreto. &#8220;Com isso, emerge a quest\u00e3o da responsabilidade social da igreja e da Justi\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<ul>\n<li>Dia dos Pioneiros: a migra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos m\u00f3rmons h\u00e1 175 anos<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8220;Muito desse movimento aconteceu \u00e0s margens das igrejas protestantes, porque o mundo do protestantismo brasileiro sempre foi conservador e influenciado por movimentos mission\u00e1rios americanos mais individualistas cuja maior preocupa\u00e7\u00e3o era a convers\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A cidade de Recife foi escolhida como palco do evento justamente por abrigar na d\u00e9cada de 1960 importantes iniciativas pol\u00edticas e culturais que inspiraram as discuss\u00f5es. Al\u00e9m disso, era no Nordeste brasileiro, a regi\u00e3o mais empobrecida do pa\u00eds, que a injusti\u00e7a social no pa\u00eds era mais vis\u00edvel. <\/p>\n<p>Entre os principais nomes por tr\u00e1s da organiza\u00e7\u00e3o estava o do pastor e soci\u00f3logo Waldo C\u00e9sar, falecido em 2007.<\/p>\n<p>Ele era o secret\u00e1rio executivo do setor de Responsabilidade Social e \u00e9 autor de um dos poucos registros do dia-a-dia e dos bastidores da confer\u00eancia, um livro de cr\u00f4nicas que leva o nome do evento: <i>Cristo e o Processo Revolucion\u00e1rio Brasileiro<\/i>. <\/p>\n<p>Em uma entrevista concedida em 2005, para um curta-metragem produzido pelo Instituto de Estudos da Religi\u00e3o (ISER), C\u00e9sar relata como o evento foi recebido pela sociedade e pelas pr\u00f3prias igrejas. <\/p>\n<p>&#8220;Foi uma luta enorme dentro da Confedera\u00e7\u00e3o (CEB) para organizar a confer\u00eancia, porque o tema era bravo n\u00e9?&#8221;, disse. &#8220;O presidente era Jo\u00e3o Goulart, e o Brasil estava uma efervesc\u00eancia com nacionalistas, reformas de base??? estava pegando fogo&#8221;. <\/p>\n<ul>\n<li>40 curiosidades sobre a ABL, fundada por Machado de Assis h\u00e1 125 anos<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8220;O tema foi uma bomba&#8221;, afirmou ainda, citando especialmente a rea\u00e7\u00e3o dos jornais da \u00e9poca.<\/p>\n<p>&#8220;O serm\u00e3o de abertura, feito pelo presidente da CEB da \u00e9poca, Amir dos Santos, foi de tremer o teatro, e a gente soube depois que as autoridades locais ficaram profundamente chocadas.&#8221;<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, Marcus de Matos reuniu algumas das principais publica\u00e7\u00f5es da imprensa da \u00e9poca. <\/p>\n<p>&#8220;??ltima Hora, Correio da Manh\u00e3 e o Globo repercutiam imediatamente o que acontecia nesse evento. A repercuss\u00e3o foi gigantesca&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns jornais mais progressistas detalharam as discuss\u00f5es, enquanto outros fizeram acusa\u00e7\u00f5es de comunismo.&#8221;<\/p>\n<h3>&#8216;160 delegados de pelo menos 20 Estados e 16 denomina\u00e7\u00f5es&#8217;<\/h3>\n<p>A conven\u00e7\u00e3o aconteceu no col\u00e9gio presbiteriano Agnes Erskine. A abertura foi realizada no Teatro do Parque, no centro do Recife, com a presen\u00e7a de autoridades locais e militares.<\/p>\n<p>&#8220;T\u00ednhamos 160 e tantos delegados, de 20 Estados pelo menos. Eram 16 denomina\u00e7\u00f5es presentes&#8221;, relatou Waldo C\u00e9sar. <\/p>\n<p>Segundo o soci\u00f3logo, os dias que seguiram foram de discuss\u00f5es sobre temas relevantes \u00e0 \u00e9poca, como movimentos sociais e estudantis, reformas de base e at\u00e9 Reforma Agr\u00e1ria. <\/p>\n<p>&#8220;Fizemos um movimento que inclu\u00eda tamb\u00e9m arte, filmes, pe\u00e7as de teatro, exposi\u00e7\u00e3o de material folcl\u00f3rico &#8211; tudo dentro de uma perspectiva social.&#8221;<\/p>\n<p>Em seus relatos, o pastor afirma que nem todos os presentes concordavam durante as discuss\u00f5es, mas a maioria gostou do que ouviu por ali. <\/p>\n<p>&#8220;O prof. Gilberto Freyre nos mandou muitas publica\u00e7\u00f5es do instituto que dirige; e o ex-secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a nos enviou material geralmente de propaganda anticomunista para distribui\u00e7\u00e3o gratuita. Adotamos como medida n\u00e3o impedir nada disso que vinha&#8221;, escreveu em suas cr\u00f4nicas. <\/p>\n<h3>&#8216;Eles \u00e9 que deveriam ter medo de virar crist\u00e3os&#8217;<\/h3>\n<p>Ao ser questionado sobre as acusa\u00e7\u00f5es de envolvimento com o movimento comunista na entrevista de 2005, C\u00e9sar brincou: &#8220;Alguns perguntavam se n\u00e3o t\u00ednhamos medo de virar marxistas. E eu brincava que eles \u00e9 que deveriam ter medo de virar crist\u00e3os&#8221;. <\/p>\n<p>Segundo Marcus de Matos, as pautas sociais defendidas pelo setor de Responsabilidade Social da Igreja estavam bastante pr\u00f3ximas de uma pol\u00edtica de esquerda, mas \u00e0 \u00e9poca seus integrantes n\u00e3o diziam se identificar com o comunismo.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos se identificavam com uma corrente importada de alguns pensadores dos Estados Unidos de que era preciso ouvir o marxismo e sua cr\u00edtica ao capitalismo, mas encontrar a resposta superior do cristianismo para essas quest\u00f5es&#8221;, diz o historiador Raimundo Barreto. <\/p>\n<p>&#8220;O di\u00e1logo com o marxismo n\u00e3o era necessariamente uma ades\u00e3o, mas um di\u00e1logo cr\u00edtico e aberto.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de C\u00e9sar, outros nomes conhecidos do protestantismo brasileiro tamb\u00e9m participaram da organiza\u00e7\u00e3o da reuni\u00e3o, como o escritor e pastor Rubem Alves, o metodista Anivaldo Padilha e o jornalista e pastor Jether Ramalho. <\/p>\n<h3>&#8216;J\u00e1 n\u00e3o pod\u00edamos falar, escrever ou conversar&#8217;<\/h3>\n<p>Ao mesmo tempo em que a Confer\u00eancia do Nordeste representou o ponto alto das discuss\u00f5es sobre classe, justi\u00e7a social e desenvolvimento na igreja protestante, tamb\u00e9m marcou o in\u00edcio do fim dessa mobiliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Antes mesmo do golpe militar de 1964, integrantes do setor de Responsabilidade Social e de outros movimentos aliados j\u00e1 come\u00e7aram a ser vigiados.<\/p>\n<p>Em 1960, Waldo C\u00e9sar recebeu sua primeira visita de um agente do DOPS. Em 1963, um coronel do Ex\u00e9rcito visitou a sede da CEB fazendo perguntas sobre a Confer\u00eancia do Nordeste. <\/p>\n<p>O tumulto enfrentado pela pol\u00edtica brasileira tamb\u00e9m influenciou setores mais conservadores das igrejas, que passaram a fazer press\u00e3o contra os organizadores.<\/p>\n<p>Pouco ap\u00f3s o evento, a CEB suspendeu as atividades do setor de Responsabilidade Social e demitiu quatro de seus secret\u00e1rios, incluindo Waldo C\u00e9sar. <\/p>\n<p>&#8220;Com o golpe de 64, a coisa se dispersou. N\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o pod\u00edamos falar, escrever ou conversar por telefone, tudo era censurado&#8221;, relatou Waldo C\u00e9sar na entrevista de 2005. <\/p>\n<p>&#8220;Muitos dos envolvidos com os movimentos sociais foram entregues ao regime por integrantes das pr\u00f3prias igrejas&#8221;, diz Barreto. <\/p>\n<p>C\u00e9sar foi preso pelo regime militar por uma semana em 1966, acusado de estar dirigindo um protesto da Associa\u00e7\u00e3o de Estudantes Secund\u00e1rios, e algum tempo depois se exilou fora do pa\u00eds. <\/p>\n<p>Rubem Alves, Anivaldo Padilha, Jether Ramalho e muitos outros protestantes tamb\u00e9m foram perseguidos. Padilha ficou nove meses encarcerado e foi brutalmente torturado.<\/p>\n<p>Um dos jovens estudantes que fizeram parte do movimento de estudantes crist\u00e3os, Paulo Wright, foi torturado e assassinado pelo governo militar.<\/p>\n<p>&#8220;Em minha pesquisa entrevistei 17 membros do movimento que culminou com a Confer\u00eancia do Nordeste, alguns com mais ou menos envolvimento, mas todos eles foram perseguidos&#8221;, diz o professor Marcus de Matos. <\/p>\n<p>&#8220;Muitos eram te\u00f3logos de forma\u00e7\u00e3o, mas foram obrigados a abandonar a teologia porque as igrejas institucionais n\u00e3o os acolhiam mais&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo os estudiosos, houve ainda um empenho por parte das igrejas para apagar muitos dos registros e das mem\u00f3rias que rodearam o trabalho dessas figuras.<\/p>\n<p>&#8220;Houve um esfor\u00e7o por parte da c\u00fapula das igrejas daquela \u00e9poca para apagar essa mem\u00f3ria evang\u00e9lica dos anos 1960 e 1970&#8221;, diz Matos. &#8220;A ditadura tentou apagar muitas coisas, mas dificilmente seria capaz de sozinha acabar com essa mem\u00f3ria social das igrejas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Existe uma l\u00f3gica de sumi\u00e7o de documentos, inclusive por parte dos perseguidos, que jogaram fora muitos dos registros com medo de serem presos ou estarem sendo vigiados&#8221;. <\/p>\n<p>De acordo com o advogado, por isso quase n\u00e3o existem fotos ou registros da Confer\u00eancia do Nordeste. <\/p>\n<p>Para Raimundo Barreto, todo esse movimento dificulta at\u00e9 hoje a an\u00e1lise desse per\u00edodo da hist\u00f3ria protestante.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria dos evang\u00e9licos hoje sequer ouviu falar neste movimento t\u00e3o significativo para a hist\u00f3ria protestante no Brasil&#8221;, lamenta Barreto. <\/p>\n<p>Segundo o professor de Princeton, mobiliza\u00e7\u00f5es semelhantes, de crist\u00e3os progressistas dispostos a discutir temas de relev\u00e2ncia social, ressurgiram com a redemocratiza\u00e7\u00e3o no Brasil, mas ainda s\u00e3o minorit\u00e1rias. <\/p>\n<p>&#8220;Da mesma forma que aconteceu no passado, grande parte das lideran\u00e7as protestantes e daqueles que est\u00e3o no controle das igrejas evang\u00e9licas do Brasil n\u00e3o gostam desse movimento&#8221;, diz. <\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muita coisa acontecendo, tanto a n\u00edvel local quanto nacional e internacional, mas permanecem \u00e0s margens.&#8221;<\/p>\n<p><i>&#8211; Texto originalmente publicado em <\/i>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-62273483<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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