{"id":191561,"date":"2022-07-24T06:43:44","date_gmt":"2022-07-24T09:43:44","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/parque-guilherme-lage-oasis-no-bairro-sao-paulo-em-bh\/"},"modified":"2022-07-24T06:43:44","modified_gmt":"2022-07-24T09:43:44","slug":"parque-guilherme-lage-oasis-no-bairro-sao-paulo-em-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/24\/parque-guilherme-lage-oasis-no-bairro-sao-paulo-em-bh\/","title":{"rendered":"Parque Guilherme Lage: o\u00e1sis no Bairro S\u00e3o Paulo, em BH"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Cercada pelas casas, pr\u00e9dios e com\u00e9rcio e \u00e0s margens do Anel Rodovi\u00e1rio, uma das rodovias mais carregadas de tr\u00e1fego na capital, uma grande \u00e1rea verde ajuda a amenizar os efeitos do vaiv\u00e9m fren\u00e9tico de carros e pessoas em meio \u00e0 selva de asfalto e concreto que atualmente abriga mais de 308 mil habitantes em 70 bairros com grandes disparidades sociais na Regi\u00e3o Nordeste de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>O Parque Professor Guilherme Lage, no Bairro S\u00e3o Paulo, tem cerca de 120 mil metros quadrados por onde se espalham in\u00fameras nascentes e duas lagoas, sendo uma delas natural, al\u00e9m de pequenos mam\u00edferos, aves e rica vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Batizada em homenagem ao educador que j\u00e1 foi secret\u00e1rio estadual de Educa\u00e7\u00e3o, a \u00e1rea tem hoje cerca de 1.700 esp\u00e9cimes de mais de 150 tipos de plantas, entre elas ac\u00e1cias, sapucaias, paus-ferro, ip\u00eas, quaresmeiras, palmeiras, ciprestes, mangueiras, jatob\u00e1s, barrigudas e \u00e1rvores de pau-brasil. A fauna \u00e9 composta por micos-estrela e gamb\u00e1s, anf\u00edbios, r\u00e9pteis e p\u00e1ssaros como sabi\u00e1s e bem-te-vis.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Parte da diversidade vegetal do lugar vem do fato de o parque ter sido implantado, em 1982, no antigo viveiro da Prefeitura de Belo Horizonte. Boa parte da vegeta\u00e7\u00e3o foi plantada quando o lugar funcionava como Horto Municipal, onde se produziam mudas a serem plantadas e repostas em vias, pra\u00e7as e parques p\u00fablicos da cidade. O viveiro foi transferido em 1991 para o Parque Jacques Cousteau, na Regi\u00e3o Oeste.<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m:<\/b>\u00a0BH tem parque plantado por moradores<br \/>\u00a0<\/p>\n<p>Deixou como heran\u00e7a a \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o que hoje abriga tamb\u00e9m uma estrutura de quadras poliesportivas, playground, equipamentos para exerc\u00edcios f\u00edsicos, mesas de jogos, campo de futebol, pista de skate, trilha para caminhada e recantos para contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de parte da estrutura estar em bom estado, alguns brinquedos, antigos quiosques que abrigavam lanchonetes e pra\u00e7as de conviv\u00eancia est\u00e3o depredados. A vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem cuidada, mas o acesso ao local, aberto 24 horas, com pouca ilumina\u00e7\u00e3o e sem vigil\u00e2ncia permanente, tornou-se fonte de preocupa\u00e7\u00e3o para vizinhos e visitantes.<\/p>\n<p><\/p>\n<h2>Vandalismo na entrada do parque\u00a0<\/h2>\n<p>O port\u00e3o na guarita da principal entrada, pela Rua Angola, no Bairro S\u00e3o Paulo, foi arrancado. A comunidade denuncia a frequ\u00eancia de usu\u00e1rios de drogas e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, gerando preconceito e inseguran\u00e7a. Quem hoje visita o parque, que j\u00e1 teve \u00e9pocas de intensas atividades culturais e esportivas, avalia que o espa\u00e7o est\u00e1 subaproveitado e com menos visitantes do que comportaria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vanessa Cordeiro, de 33 anos, empres\u00e1ria e nascida na regi\u00e3o, lembra da unidade em seus tempos de crian\u00e7a, ???quando havia um parquinho at\u00e9 com roda gigante???. ???Tinha movimentos culturais, tinha pe\u00e7a de teatro aos domingos. Depois, ficou um bom tempo abandonado. Um ano antes da pandemia, come\u00e7amos movimentos de recupera\u00e7\u00e3o da agenda do parque. Hoje j\u00e1 temos atividades como capoeira, maracatu, estamos tentando conscientizar a popula\u00e7\u00e3o para que use o espa\u00e7o p\u00fablico que \u00e9 nosso de direito???, explica.<\/p>\n<h2>O resgate de uma tradi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O afastamento de visitantes do Parque Guilherme Lage \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de Evanilton Louren\u00e7o Alves, de 52, mestre de capoeira, o mestre Niltinho, que diz lembrar da inaugura\u00e7\u00e3o do Guilherme Lage, onde brincava, jogava bola e participava de rodas de capoeira.<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m:<\/b>\u00a0Fim de semana cultural em parques e na Pampulha<\/p>\n<p>???Por muito tempo o parque ficou esquecido. A quest\u00e3o de usu\u00e1rios de drogas e da ocupa\u00e7\u00e3o por pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua abrange outras \u00e1reas da cidade. Mas essa gente est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de risco social, precisamos promover sa\u00fade p\u00fablica e outras atividades como forma de acolhimento???, defende.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mestre Niltinho avalia que as atividades promovidas pela manh\u00e3 no espa\u00e7o ajudam a promover uma aproxima\u00e7\u00e3o com essas pessoas, que passam a ver outros frequentadores e a ser vistas com outros olhos. ???S\u00e3o pessoas, algumas muito bacanas, que contam sobre suas vidas, n\u00e3o escondem que s\u00e3o usu\u00e1rias, falam dos motivos de estarem nessa situa\u00e7\u00e3o. Muitos treinam, e a gente ajuda tamb\u00e9m com palavras e di\u00e1logo.???<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O capoeirista, que tem uma academia de capoeira no bairro, passou a levar alunos duas vezes por semana para pr\u00e1tica do esporte ao ar livre, ao mesmo tempo em que compartilha os ensinamentos e incentiva a participa\u00e7\u00e3o de alguns frequentadores do espa\u00e7o que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Arthur Bacha Silva, de 30, advogado, morador do Bairro Santa Efig\u00eania, frequenta as aulas de capoeira no parque \u00e0s ter\u00e7as e quintas-feiras. ???Conheci o parque por interm\u00e9dio da capoeira, quando come\u00e7amos a ocupar esse espa\u00e7o com treinos e rodas. V\u00e1rias pessoas frequentam as aulas com a gente. Acabamos fazendo um trabalho de busca de pessoas que est\u00e3o em cen\u00e1rio de uso de droga???, afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Morador do Bairro Provid\u00eancia, o aut\u00f4nomo Guilherme Dias Cruz, de 37, pratica no parque exerc\u00edcios f\u00edsicos e tamb\u00e9m \u00e9 adepto da capoeira. ???Estamos em um espa\u00e7o que foi reduto da capoeira em BH nas d\u00e9cadas de 1970 e 80, e continua hoje, com o mestre Niltinho, refer\u00eancia do grupo Porto de Minas, nascido e criado no bairro, um promotor de manifesta\u00e7\u00f5es culturais em nossa comunidade. Ele me motivou a vir treinar e a buscar conhecimento???, afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3>Contraste de sons e na conserva\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A partir da entrada do Parque Guilherme Lage, o visitante que caminha entre as \u00e1rvores vai ouvindo o sil\u00eancio sendo quebrado por grupos de adolescentes que usam a quadra poliesportiva e pelo canto de muitos p\u00e1ssaros que aproveitam o acolhimento da \u00e1rea verde. Ao longe, \u00e9 poss\u00edvel ouvir os sons dos ve\u00edculos que transitam pelo agitado Anel Rodovi\u00e1rio, ru\u00eddo que vai crescendo \u00e0 medida que se caminha em dire\u00e7\u00e3o ao outro extremo da unidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em visitas quase di\u00e1rias, D\u00e9bora Pereira Santos Melga\u00e7o, de 31 anos, que mora h\u00e1 um ano no vizinho Bairro Piraj\u00e1, j\u00e1 se habituou a esses contrastes. ???Conhe\u00e7o o parque desde a inf\u00e2ncia, porque nasci em bairro vizinho. Era muito bom. Natureza, ar livre, tranquilidade, isso \u00e9 o que mais me atrai. Como meus filhos de 10 e 6 anos estudam pr\u00f3ximo, vou busc\u00e1-los e sempre passo com eles pelo parque.???<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os contrastes n\u00e3o se resumem aos sons, entende ela. ???Na minha opini\u00e3o, o parque piorou no aspecto de que tinha mais atrativos, como barraquinhas de alimentos, atividades culturais e esportivas, e n\u00e3o havia usu\u00e1rios de drogas. Mas quanto aos equipamentos de gin\u00e1stica e as quadras, est\u00e3o muito bem???, avalia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Almita Nunes de Carvalho, de 71, tecel\u00e3 aposentada, confessa ???um certo temor??? quando vai ao parque. ???Fica muito vazio e a gente que \u00e9 mulher fica cismada. Fa\u00e7o caminhada, porque sou hipertensa, dou umas corridinhas. Atualmente, me sinto insegura em todo lugar, mas aqui \u00e9 muito deserto e tenho at\u00e9 uma vizinha que n\u00e3o vem porque tem medo???, afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ela guarda na mem\u00f3ria os tempos em que o local era um horto florestal, e diz que nestes 50 anos em que mora no bairro, n\u00e3o viu florescer por l\u00e1 nenhuma outra \u00e1rea de lazer. ???No in\u00edcio, o horto ficou meio abandonado, as mudas foram crescendo e a popula\u00e7\u00e3o que ocupava o entorno come\u00e7ou a batalhar para criar um parque.???<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A aposentada viu o crescimento do espa\u00e7o e conta que chegou a participar de um grupo com pessoas da comunidade e da prefeitura que discutia a revitaliza\u00e7\u00e3o do parque. ???Depois, sem ver muitos resultados, as pessoas foram se dispersando e acabou???, relata. Hoje, o lugar faz parte de sua mem\u00f3ria afetiva.<\/p>\n<p>???Vinha com meu filho quando era pequeno, e passeio aqui revendo os brinquedos e recordando da inf\u00e2ncia dele. V\u00eam na mem\u00f3ria as brincadeiras e o que ele falava. ?? meu filho de cria\u00e7\u00e3o. Hoje \u00e9 um rapaz, e ficam as lembran\u00e7as que o parque me ajuda a cultivar.???\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cercada pelas casas, pr\u00e9dios e com\u00e9rcio e \u00e0s margens do Anel Rodovi\u00e1rio, uma das rodovias mais carregadas de tr\u00e1fego na capital, uma grande \u00e1rea\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":191562,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8648],"tags":[],"class_list":["post-191561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minas-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191561"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191561\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}