{"id":191713,"date":"2022-07-24T13:49:14","date_gmt":"2022-07-24T16:49:14","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/empreendedorismo-feminino-cresceu-41-no-brasil-aponta-estudo\/"},"modified":"2022-07-24T13:49:14","modified_gmt":"2022-07-24T16:49:14","slug":"empreendedorismo-feminino-cresceu-41-no-brasil-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/24\/empreendedorismo-feminino-cresceu-41-no-brasil-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Empreendedorismo feminino cresceu 41% no Brasil, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo com a crise causada pela pandemia do covid-19, as mulheres conseguiram se destacar no segmento do empreendedorismo. De acordo com os dados do LinkedIn, a participa\u00e7\u00e3o feminina no setor cresceu globalmente. Em 2020, o Brasil registrou um salto de 41% entre as mulheres que iniciaram algum neg\u00f3cio pr\u00f3prio. Entre os homens, o crescimento foi de 22%. Os n\u00fameros foram comparados com o ano de 2019.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, o aumento \u00e9 entendido como consequ\u00eancia de uma s\u00e9rie de desafios que as mulheres enfrentam em suas vidas profissionais. Entre eles, est\u00e1 o fato de que a pandemia fez com que muitas delas assumissem a dupla responsabilidade de trabalhar e cuidar de casa e\/ou fam\u00edlia, for\u00e7ando-as a buscar mais flexibilidade do que a oferecida por seus empregadores.<\/p>\n<p>Karol Rosa, 35 anos, \u00e9 um desses exemplos. Ela abriu uma empresa de moda feminina com o intuito de ajudar financeiramente em casa durante o per\u00edodo mais cr\u00edtico da cavid-19. &#8220;Durante a pandemia meu marido teve que sair de um dos empregos que ele tinha. Desta forma, abri o neg\u00f3cio para completar renda dentro de casa&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Mas a empresa se destacou por meio da internet, e trouxe muitos clientes. &#8220;Eu me surpreendi com o desenvolvido em t\u00e3o pouco tempo. Em um ano, eu alcancei uma renda pr\u00f3pria&#8221;, explicou. &#8220;Depois de estudar muito &#8211; porque para se destacar tem que saber as estrat\u00e9gias para o neg\u00f3cio crescer -, alcancei meu primeiro objetivo, e agora sigo para um maior.&#8221;<\/p>\n<p>Os dados tamb\u00e9m mostraram que a representa\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a feminina no Brasil \u00e9 de apenas 27%, o que coloca o pa\u00eds na 27\u00aa posi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses citados pela pesquisa e abaixo da m\u00e9dia global de 31%. Al\u00e9m disso, a pesquisa aponta que a probabilidade de promo\u00e7\u00f5es internas \u00e0 lideran\u00e7a para os homens foi 52% maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, em m\u00e9dia, no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Durante a pandemia, as mulheres tentaram assumir o controle de suas carreiras criando seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios, por\u00e9m, as empresas ainda precisam fazer muito mais para diminuir a diferen\u00e7a de g\u00eanero em termos de representa\u00e7\u00e3o feminina em cargos de lideran\u00e7a e promo\u00e7\u00e3o de mulheres para posi\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o para criar um mundo de trabalho mais equitativo e inclusivo&#8221;, destaca Ana Claudia Plihal, executiva de solu\u00e7\u00f5es de talentos do LinkedIn no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Antes da pandemia<\/strong><\/p>\n<p>A escassez de trabalho durante a crise sanit\u00e1ria \u00e9 apontada como um dos fatores que impulsionaram a alta, mas, embora a pandemia tenha aumentado a parcela de mulheres que empreenderam, o estudo evidencia que esse movimento n\u00e3o \u00e9 uma novidade.<\/p>\n<p>Desde 2016, quando os dados passaram a ser coletados pela rede social profissional, a participa\u00e7\u00e3o feminina no empreendedorismo vem crescendo de forma mais acelerada. Em 2019, a alta foi de 19% entre as mulheres e 10% entre os homens, em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Mesmo com uma desacelera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o pico de 2020, as participa\u00e7\u00f5es acumulam um crescimento de 99% entre as mulheres e 54% entre os homens entre 2016 e 2021.<\/p>\n<p>Como exemplo, a hist\u00f3ria da mineira Camila Guerra, que abriu uma hamburgueria dentro de casa, em 2015, obstinada a entrar para o top 10 do ranking nacional de fast food. Camila conta que come\u00e7ou apenas com um fog\u00e3o, uma panela e R$ 800 no bolso. Ela criou sua pr\u00f3pria receita de molho e come\u00e7ou a fazer entregas de lanches em Contagem, regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte (MG). A ideia surgiu quando teve vontade de comer um hamb\u00farguer, mas n\u00e3o p\u00f4de ser atendida, porque morava fora do raio de atua\u00e7\u00e3o de um delivery da capital.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria explicou que o delivery ajudou na evolu\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, que cresceu ainda mais durante o confinamento motivado pela pandemia. Segundo a empreendedora, se a American Burger Delivery fosse uma pessoa, seria daquelas que nascem com sorte. &#8220;Mas n\u00e3o foi sorte. Atribuo o sucesso que temos tido \u00e0 minha capacidade de realizar tudo o que imagino. Sempre que tenho uma ideia, vou l\u00e1 e executo. Assumo riscos, encaro as dificuldades e tomo decis\u00f5es&#8221;, revelou.<\/p>\n<p>Dados do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Global Entrepreneurship Monitor 2020, mostram que mulheres correspondem a 46% dos empreendedores iniciais (com at\u00e9 3,5 anos de empresa) segundo relat\u00f3rio GEM, 2020. De acordo com n\u00fameros do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), 2019, 57% das empresas se enquadram na categoria de Microempreendedor Individual (MEI) e 54% s\u00e3o do segmento de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A maioria das empreendedoras atua em casa e em neg\u00f3cios voltados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, moda e beleza. Daniela Flores, 41 anos, trabalha h\u00e1 12 anos com artesanato. &#8220;Com o nascimento de uma sobrinha comecei a fazer acess\u00f3rios infantis, neste per\u00edodo eu ainda conciliava o artesanato com outra atividade, com carteira assinada. Com o tempo, eu vi que poderia viver disso e h\u00e1 cinco anos me dedico exclusivamente a isso&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Em 2019, ela abriu uma loja colaborativa, cedendo espa\u00e7o tamb\u00e9m para outras artes\u00e3s, onde come\u00e7ou a fazer outros tipos de trabalhos manuais, como imagens religiosas e fantasias infantis. Com a pandemia, Daniela precisou fechar o estabelecimento e decidiu seguir com o ateli\u00ea em casa. Hoje ela expandiu sua produ\u00e7\u00e3o e acaba de come\u00e7ar a se dedicar tamb\u00e9m ao segmento de moda pet.<\/p>\n<p>Apesar do crescimento do n\u00famero de mulheres \u00e0 frente de seus neg\u00f3cios, o estudo do LinkedIn apontou que elas continuam sub-representadas em cargos de lideran\u00e7a globalmente, ocupando menos de um ter\u00e7o desses espa\u00e7os na maioria dos pa\u00edses. Enquanto as mulheres dominam quase 46% dos cargos de n\u00edvel b\u00e1sico no Brasil, elas ocupam pouco menos de um ter\u00e7o 35% dos cargos de gest\u00e3o e menos de um quarto 23% dos cargos de lideran\u00e7a s\u00eanior (C-level).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com a crise causada pela pandemia do covid-19, as mulheres conseguiram se destacar no segmento do empreendedorismo. 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