{"id":192035,"date":"2022-07-25T05:34:02","date_gmt":"2022-07-25T08:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/25-de-julho-e-uma-data-mais-importante-do-que-o-8-de-marco-para-mulheres-negras\/"},"modified":"2022-07-25T05:34:02","modified_gmt":"2022-07-25T08:34:02","slug":"25-de-julho-e-uma-data-mais-importante-do-que-o-8-de-marco-para-mulheres-negras__trashed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/25\/25-de-julho-e-uma-data-mais-importante-do-que-o-8-de-marco-para-mulheres-negras__trashed\/","title":{"rendered":"25 de Julho \u00e9 uma data mais importante do que o 8 de Mar\u00e7o para Mulheres Negras"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">O dia de hoje, 25 de Julho, \u00e9 t\u00e3o ou mais importante para mulheres negras do que o 8 de Mar\u00e7o, quando \u00e9 comemorado o Dia Internacional da Mulher. Isso porque h\u00e1 30 anos, mulheres negras de todo o Caribe e Am\u00e9rica Latina se reuniram na Rep\u00fablica Dominicana para discutir suas agendas, pautas, trocar informa\u00e7\u00f5es sobre suas pr\u00f3prias viv\u00eancias e pensar em a\u00e7\u00f5es de combate ao racismo e machismo que atravessam suas vidas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">V\u00e1rias mulheres baianas estavam presentes naquela mobiliza\u00e7\u00e3o que aconteceu h\u00e1 exatas 3 d\u00e9cadas. Casos de Valdecir Nascimento, Cristina Rodrigues, C\u00e1tia Melo e Dora Dias. Criadora do Instituto Odara, Valdecir Nascimento coordena a Rede de Mulheres que nasceu ali. H\u00e1 10 anos, o Instituto organiza o Julho das Pretas, que, nesta edi\u00e7\u00e3o, conta com 427 atividades realizadas por mais de 200 organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras em 18 estados brasileiros, al\u00e9m de uma atividade em Paris.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Coordenadora do programa de Comunica\u00e7\u00e3o do Instituto, Alane Reis explica que a data \u00e9 importante para mulheres negras, mais at\u00e9 do que o 8 de Julho, por lhes dar protagonismo. Nessa oportunidade, elas se unem para denunciar as condi\u00e7\u00f5es do racismo, viol\u00eancia e machismo que atravessam suas vidas. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 um momento de celebra\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, valoriza\u00e7\u00e3o de suas origens e atividades.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Esse encontro aconteceu em 1992 porque estavam fazendo 500 anos de invas\u00e3o do continente pelos colonizadores europeus, o que demarca o in\u00edcio do genoc\u00eddio, explora\u00e7\u00e3o e escraviza\u00e7\u00e3o de povos nativos, ind\u00edgenas e origin\u00e1rios do continente americano, al\u00e9m da escraviza\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico e explora\u00e7\u00e3o dos povos africanos e seus descendentes. A Rep\u00fablica Dominicana foi o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica a ser invadido por colonizadores e por isso foi eleito para sediar o evento&#8221;, explica Alane.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/d\/8\/csm_Dayse_-_foto_Mare_Luna_Femiani_f48ecfd705.jpg\" width=\"667\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Dayse Sacramento, pesquisadora criou Os Di\u00e1logos Insubmissos das Mulheres Negras<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Luma Femiani\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Coordenadora executiva do Odara, Naiara Leite afirma que os movimentos feministas, de mulheres como um todo, n\u00e3o d\u00e3o conta de falar especificamente das viv\u00eancias e experi\u00eancias das mulheres negras. &#8220;Falar de mulheres no 8 de Mar\u00e7o n\u00e3o d\u00e1 conta da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da grande agenda e vozes de mulheres negras no Brasil. Existe no 25 de julho um debate importante em torno da centralidade de pensar mulheres a partir do combate ao racismo. O racismo \u00e9 uma viol\u00eancia que afeta a vida de mulheres negras e essa data tem um papel que atravessa um debate sobre apenas ser mulher&#8221;, detalha Naiara.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na esteira desse encontro, em 2013, o Instituto Odara criou o Julho das Pretas para ampliar as possibilidades de atividades relacionadas ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ideia do Julho das Pretas \u00e9 unificar uma agenda comum entre diversas organiza\u00e7\u00f5es e grupos de mulheres negras para fortalec\u00ea-los. No primeiro ano, foram 17 atividades na Bahia, que foram crescendo. Nesta, que \u00e9 a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o e marca o retorno \u00e0s atividades presenciais, foram 425 atividades confirmadas em 18 estados.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Ao longo dessas 10 edi\u00e7\u00f5es, as atividades, sempre diversas que dialogam com o contexto que a Bahia, Brasil e Nordeste vivem, e implicam a vida de mulheres negras de um modo geral. Nessa perspectiva, a gente faz ocupa\u00e7\u00f5es, semin\u00e1rios, debates, m\u00fasica, poesia, ocupa\u00e7\u00f5es que, de maneira organizada, chamam aten\u00e7\u00e3o para a vida de mulheres negras e os desafios de direitos humanos vivos&#8221;, explicou Naiara.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A maior dessas atividades \u00e9 a Marcha das Mulheres Negras. Em Salvador, a manifesta\u00e7\u00e3o come\u00e7a na Pra\u00e7a da Piedade e sai em dire\u00e7\u00e3o ao Pelourinho, onde um festival de atividades culturais acontece at\u00e9 o final da noite desta segunda-feira (25).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No Brasil, a data ainda homenageia a l\u00edder quilombola Tereza de Benguela, um s\u00edmbolo do movimento negro. Ter esse tipo de marco \u00e9 importante para mulheres de todas as idades: desde Valdecir Nascimento com seus mais de 40 anos de milit\u00e2ncia at\u00e9 novas gera\u00e7\u00f5es como Lis D\u00f3rea, de 5 anos, modelo mirim.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/4\/a\/csm_LisDoreaPersonagem25deJulho_FotoThiagoRosarii__3__a66ac7cb0e.jpg\" width=\"999\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Lis, de 5 anos, modelo mirim j\u00e1 aprende sobre o empoderamento das pretas desde pequenininha<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Thiago Rosarii\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Crescer conhecendo sua identidade e sem vergonha de ser uma menina negra, faz parte da luta e conquista das mulheres negras que v\u00eam alcan\u00e7ando diversos espa\u00e7os ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Acredito que o empoderamento das meninas negras \u00e9 de suma import\u00e2ncia para o desenvolvimento de uma vida mais digna, sem preconceitos e por uma igualdade racial e de g\u00eanero???, afirma Zuleide, a m\u00e3e de Lis.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma outra atividade cultural que j\u00e1 virou marco na esteira do Julho das Pretas \u00e9 o Di\u00e1logos Insubmissos de Mulheres Negras, iniciativa da professora e pesquisadora Dayse Sacramento que que desde 2017 produz eventos liter\u00e1rios de mulheres negras, com participa\u00e7\u00e3o em feiras nacionais e internacionais, com o objetivo de promover debates e atividades que t\u00eam como mote a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria feminina negra, que dialogam com outras linguagens art\u00edsticas-culturais e pol\u00edticas-sociais.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A plataforma esteve presente em uma s\u00e9rie de festivais liter\u00e1rios do Brasil: FLIP &#8211; Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty; FLIPEL??- Festa Liter\u00e1ria Internacional do Pelourinho; FLIC &#8211; Feira Liter\u00e1ria de Campina Grande; FLICA ??? Festa Liter\u00e1ria Internacional de Cachoeira, FLIG??- Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea, al\u00e9m de ter participado de atividades como o F\u00f3rum Social Mundial (2018); o Giro pela Vida ??? AVON (2019); e a Virada Sustent\u00e1vel Salvador (2019).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Neste ano, a iniciativa realizou oficinas de escrita, lan\u00e7ou o livro Performances do Tempo Espiralar, da poeta Leda Maria Martins e realizou a Confer\u00eancia Insubmiss\u00e3o e Insurg\u00eancia da Mem\u00f3ria de Mulheres Negras no Brasil, al\u00e9m de fazer uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de absorventes para distribuir a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de pobreza menstrual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia de hoje, 25 de Julho, \u00e9 t\u00e3o ou mais importante para mulheres negras do que o 8 de Mar\u00e7o, quando \u00e9 comemorado\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":192036,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-192035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192035"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192035\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}