{"id":192655,"date":"2022-07-26T05:48:46","date_gmt":"2022-07-26T08:48:46","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/disparada-do-diesel-castiga-os-mais-pobres\/"},"modified":"2022-07-26T05:48:46","modified_gmt":"2022-07-26T08:48:46","slug":"disparada-do-diesel-castiga-os-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/26\/disparada-do-diesel-castiga-os-mais-pobres\/","title":{"rendered":"Disparada do diesel castiga os mais pobres"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>O pre\u00e7o do \u00f3leo diesel S10, usado pelos caminh\u00f5es no transporte de cargas, teve um aumento de 42% no Brasil no primeiro semestre deste ano. Em um ano, entre junho de 2021 e junho de 2022, o valor do litro do combust\u00edvel cobrado nas bombas bomba subiu 68%, aponta levantamento feito a pedido do Estado de Minas pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT), com base nos pre\u00e7os m\u00e9dios de revenda apontados em pesquisas realizadas pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP). O resultado \u00e9 forte impacto na infla\u00e7\u00e3o, que castiga toda a popula\u00e7\u00e3o, mas especialmente a mais pobre, com \u00eanfase na que vive em munic\u00edpios cuja economia \u00e9 menos din\u00e2mica e movimenta itens mais b\u00e1sicos de consumo, como alimentos.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>De acordo com o estudo, nos per\u00edodos analisados, os reajustes dos pre\u00e7os do \u00f3leo diesel foram muito superiores ao aplicados sobre a gasolina, que, de janeiro a junho deste ano subiu 12% e em doze meses teve um acr\u00e9scimo de 30%, tamb\u00e9m com base nos dados da ANP.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Na esteira da alta do dieses, os impactos s\u00e3o imediatos no custo do frete e oneram os caminhoneiros e diferentes meios de transporte, interferindo diretamente na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, na ind\u00fastria, no valor final dos produtos. As consequ\u00eancias s\u00e3o mais sentidas nos munic\u00edpios mais pobres do interior, de baixo \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH). Nesses lugares, conforme revelou o Estado de Minas em s\u00e9rie de reportagens iniciada em mar\u00e7o, por conta das dificuldades de log\u00edstica e dist\u00e2ncia das refinarias, a popula\u00e7\u00e3o paga mais caro pelos combust\u00edveis do que os moradores de cidades mais desenvolvidas e maior renda per capita. E ainda sofre com impactos dos pre\u00e7os de uma cesta de consumo mais restrita do que as de moradores de cidades mais ricas ??? embora as parcelas mais pobres tamb\u00e9m sofram nos munic\u00edpios maiores.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>???O aumento do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel, com a consequente eleva\u00e7\u00e3o dos custos do frete e de transporte, tende a prejudicar os mais pobres de modo geral, n\u00e3o somente dos munic\u00edpios mais afastados, mas tamb\u00e9m nas grandes cidades. Isto porque as altas dos combust\u00edveis acabam sendo repassadas para os custos finais e pre\u00e7os dos bens da economia com um todo???, afirma o professor Rafael Marques Ribeiro, da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (Face) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/div>\n<div>Ele salienta que o reajuste do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel eleva muito os custos do transporte e dos alimentos, que ???s\u00e3o as duas categorias que mais pesam??? no or\u00e7amento das fam\u00edlias mais pobres. Em consequ\u00eancia, o poder de compra dos mais pobres sofre maior redu\u00e7\u00e3o do que da parcela mais rica, explica.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Na mesma linha, a professora V\u00e2nia Vilas Boas, coordenadora do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC) calculado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), enfatiza que o aumento do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel eleva o custo do transporte, com reflexo nos alimentos e atingem pesadamente moradores de munic\u00edpios como S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es, que tem o pior IDH de Minas (0,529) e Bonito de Minas, terceiro pior IDH (0,537), cuja realidade foi mostrada pelo EM.<\/div>\n<div><b><br \/><\/b><\/div>\n<div><b>EFEITO CASCATA <\/b>O modal rodovi\u00e1rio \u00e9 o sistema de transportes mais usado no Brasil e, por isso, reajustes do \u00f3leo diesel e de outros custos do setor t\u00eam reflexos diretor para o consumidor, especialmente no que se refere \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, reafirma a economista. ???Temos que lembrar o \u00f3leo diesel \u00e9 um componente da linha de produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores e influencia nos pre\u00e7os dos alimentos, uma vez que tamb\u00e9m o processo produtivo ??? as m\u00e1quinas e equipamentos agr\u00edcolas ??? depende do combust\u00edvel. Ent\u00e3o, temos um efeito cascata???, descreve V\u00e2nia Vilas Boas.<\/div>\n<div>Segundo a coordenadora do IPC Unimontes, o item transporte tem peso de 8% no or\u00e7amento das fam\u00edlias de baixa renda. J\u00e1 o grupo alimenta\u00e7\u00e3o responde por 40% dessas fam\u00edlias. Tais condi\u00e7\u00f5es fazem com aumento do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel e do custo do transporte seja mais sentido nas cidades de baixa renda per capita.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>???Outro aspecto \u00e9 que os munic\u00edpios de baixo IDH n\u00e3o contam com estrutura de atendimento m\u00e9dico e os moradores precisam se deslocar cidades maiores em busca de consultas e exames. O aumento do \u00f3leo diesel tamb\u00e9m impacta o aumento de pre\u00e7o do transporte intermunicipal, comprometendo ainda mais o or\u00e7amento das fam\u00edlias das cidades menores???, acrescenta a professora da Unimontes.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O professor Mauro Sayar Ferreira, da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da UFMG, concorda com a avalia\u00e7\u00e3o. ????? natural que nos lugares mais distantes dos grandes centros ocorra um maior impacto do aumento do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel. Os produtos, para chegar l\u00e1, dependem de um custo de transporte mais elevado. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, quando a gente vai a alguma localidade mais distante, os pre\u00e7os dos produtos ali s\u00e3o naturalmente mais e levados do que aqueles que costumamos observar nos grandes centros e nas capitais, enfatiza.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>COM??RCIO <\/b>O gerente da Unidade de Intelig\u00eancia Empresarial do Sebrae Minas, Felipe Brand\u00e3o de Melo, aponta os impactos do diesel e de outras matrizes energ\u00e9ticas no com\u00e9rcio, especialmente dos munic\u00edpios mais pobres, ao elevar o custo de vida da popula\u00e7\u00e3o, reduzindo o potencial de consumo.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>???Como muitas vezes os pequenos munic\u00edpios carecem de maior dinamismo econ\u00f4mico, a renda da popula\u00e7\u00e3o e a massa salarial n\u00e3o acompanham o aumento do custo, que acaba por reduzir a demanda. Isso impacta tamb\u00e9m os propriet\u00e1rios de pequenos neg\u00f3cios???, analisa.<\/div>\n<div>Com a demanda em queda e sem capital de giro para obter volumes que possam baratear a log\u00edstica, os pequenos comerciantes terminam sem sa\u00edda. ???Essa combina\u00e7\u00e3o acaba levando a um aumento de pre\u00e7os ao consumidor que n\u00e3o resulta necessariamente na eleva\u00e7\u00e3o de lucro para o empres\u00e1rio???, avalia o especialista, para quem a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante naqueles munic\u00edpios fortemente dependentes da prefeitura e das transfer\u00eancias do governo, como Bonito de Minas, onde o perfil de neg\u00f3cios \u00e9 voltado exclusivamente para as necessidades b\u00e1sicas das fam\u00edlias.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Impacto em todos os tipos de transporte<\/h2>\n<div>A oscila\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel tem reflexo direto na economia pelo fato de o combust\u00edvel ser um dos principais insumos do transporte do pa\u00eds, juntamente com o custo da m\u00e3o de obra. O combust\u00edvel responde por cerca de 30% a 35% dos custos de transporte rodovi\u00e1rio de cargas no pa\u00eds, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte de Cargas e Log\u00edstica (NTC &#038; Log\u00edstica).<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>???O aumento do pre\u00e7o do diesel impacta substancialmente as transportadoras e reflete na infla\u00e7\u00e3o, que afeta todos os setores econ\u00f4micos???, diz o diretor executivo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, que aponta ainda press\u00e3o dos custos de pneus, cavalos mec\u00e2nicos e o semirreboque. Embora o modal rodovi\u00e1rio represente 65% do transporte de carga do pa\u00eds, outros, como ferrovi\u00e1rio, que responde por (15%) e o aquavi\u00e1rio, com 10,5%, tamb\u00e9m s\u00e3o afetados pelos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, embora consumam menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga transportada, ressalta Bruno Batista. Ele chama aten\u00e7\u00e3o ainda para a dificuldade das empresas para manter estoques de diesel, estando, por isso, sujeitas \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O impacto \u00e9 generalizado na economia, afirma o engenheiro e mestre em transporte Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. ???Somos fortemente dependentes do transporte rodovi\u00e1rio de carga e do \u00f3leo diesel. Nossas ferrovias tamb\u00e9m transportam commodities e usam o biodiesel. Temos as locomotivas movidas a diesel e el\u00e9tricas e tamb\u00e9m toda parte da avia\u00e7\u00e3o (que consome combust\u00edveis). Isso significa que o aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis impactam no pre\u00e7o das passagens a\u00e9reas, no turismo, nas viagens de neg\u00f3cios e na cabotagem (navio), que faz o transporte na costa brasileira, al\u00e9m das passagens de \u00f4nibus intermunicipais e urbanos???, lista Quintella. (LR)<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o do \u00f3leo diesel S10, usado pelos caminh\u00f5es no transporte de cargas, teve um aumento de 42% no Brasil no primeiro semestre deste\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":192656,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-192655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192655"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192655\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}