{"id":193341,"date":"2022-07-27T06:30:39","date_gmt":"2022-07-27T09:30:39","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/tiago-d-oliveira-leitor-tardio-e-reconhecimento-precoce\/"},"modified":"2022-07-27T06:30:39","modified_gmt":"2022-07-27T09:30:39","slug":"tiago-d-oliveira-leitor-tardio-e-reconhecimento-precoce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/27\/tiago-d-oliveira-leitor-tardio-e-reconhecimento-precoce\/","title":{"rendered":"Tiago D. Oliveira: leitor tardio e reconhecimento precoce"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">O escritor baiano Tiago D. Oliveira, 38 anos, j\u00e1 conseguiu uma fa\u00e7anha que poucos colegas de profiss\u00e3o conseguiram: em 2020, foi um dos finalistas do importante Pr\u00eamio Oceanos, que aponta os melhores livros da l\u00edngua portuguesa que foram lan\u00e7ados em qualquer pa\u00eds lus\u00f3fono num determinado ano. Nada mal para quem estava apenas em seu quarto livro, cinco anos ap\u00f3s a estreia como autor. Tiago concorria pelo livro de poemas As Solas dos P\u00e9s de Meu Av\u00f4.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Era uma conquista e tanto para quem, at\u00e9 os 20 anos de idade, lia apenas por obriga\u00e7\u00e3o escolar. O primeiro livro que leu por iniciativa pr\u00f3pria foi uma colet\u00e2nea de Carlos Drummond de Andrade, que ganhara de presente de Manuela, hoje sua esposa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Agora, Tiago \u00e9 um dos premiados do Selo Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro, que financia a publica\u00e7\u00e3o de autores locais. O escritor lan\u00e7a nesta sexta-feira seu novo livro, Soprando o Vento, contemplado na categoria poesia pelo edital que leva o nome de um dos maiores escritores brasileiros. Os textos j\u00e1 estavam praticamente prontos quando ele soube da premia\u00e7\u00e3o e decidiu inscrever-se.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Escrevo diariamente, quase como uma terapia, ent\u00e3o o livro estava organizadinho, j\u00e1 havia terminado os poemas&#8221;, observa o autor. Segundo Tiago, &#8220;soprar o vento&#8221; \u00e9 uma alegoria que simboliza a resist\u00eancia, uma marca presente nestes textos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;A resist\u00eancia \u00e9 marca do livro, mas n\u00e3o s\u00f3 a resist\u00eancia pol\u00edtica. ?? uma marca expl\u00edcita em alguns momentos e, em outros, ela \u00e9 pincelada com delicadeza e sensibilidade&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Ainda antes de ser arrebatado pela literatura, a m\u00fasica era a paix\u00e3o de Tiago. &#8220;Sou da perfieria, onde a m\u00fasica e a oralidade s\u00e3o muito presentes. Nasci e fui criado no bairro Sete de Abril [em Salvador], que tinha um ar buc\u00f3lico, era uma grande fazenda&#8221;, lembra-se.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">At\u00e9 ali, o Tiago s\u00f3 tinha contato com os livros na escola. E a m\u00fasica \u00e9 que lhe dava imagina\u00e7\u00e3o e criatividade, como os livros s\u00e3o para algumas crian\u00e7as. &#8220;Metade do ano, ouvia Roberto Carlos e na outra, forr\u00f3. A pot\u00eancia do Nordeste despertava uma narrativa em mim e ficava uma riqueza imag\u00e9tica que me dessas can\u00e7\u00f5es, que me remetiam \u00e0 casa de minha av\u00f3, no interior&#8221;. Al\u00e9m de ouvinte, Tiago era guitarrista de uma banda de rock que tinha com amigos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A literatura s\u00f3 entrou para a vida dele mais intensamente quando foi morar em Portugal, depois de ter estudado um pouco de engenharia e administra\u00e7\u00e3o no Brasil, sem ter conclu\u00eddo. L\u00e1, foi estudar jornalismo. Depois, transferiu-se para o curso de letras e concluiu o curso mais tarde, na Ufba. Uma conversa com Manuela, que era sua namorada, foi decisiva:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Ela me perguntou: Voc\u00ea nunca parou pra pensar que o professor \u00e9 tamb\u00e9m o centro das aten\u00e7\u00f5es, no &#8216;palco&#8217;?&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Foi a\u00ed que ele come\u00e7ou a levar a s\u00e9rio a ideia de ensinar. Hoje, \u00e9 professor de l\u00edngua portuguesa de uma escola particular em Lauro de Freitas, depois de ter passado pela rede p\u00fablica. Mas, mesmo tendo deixado de ensinar nessas escolas, ele faz quest\u00e3o de visit\u00e1-las de vez em quando e apresentar seus livros aos estudantes. &#8220;Eles ficam encantados. Vou a bairros como Cajazeiras e Sete de Abril e vejo o brilho no olho delas. Dizem: &#8216;ah, voc\u00ea morou aqui, voc\u00ea \u00e9 escritor&#8230; se voc\u00ea pode, eu tamb\u00e9m posso&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para o p\u00fablico estudantil, Tiago lan\u00e7ou recentemente Para Al\u00e9m de 22 (Ed. Caramur\u00ea), que conta, em forma de poema, o que foi a Semana de Arte Moderna de 1922 e o legado que o evento deixou para a cultura brasileira.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;A Semana durou, na verdade, s\u00f3 tr\u00eas dias, por falta de dinheiro. E cada cap\u00edtulo \u00e9 dedicado a um dia. O leitor fica sabendo a import\u00e2ncia da Semana, quem a financiou, os bastidores. De uma maneira divertida, sabe at\u00e9 por que Villa Lobos foi vaiado ao entrar descal\u00e7o no palco&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"276\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/07\/26\/capa_alem_22.jpg\" width=\"171\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Livros do Selo Jo\u00e3o Ubaldo ser\u00e3o lan\u00e7ados queinta-feira (28)<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os livros da cole\u00e7\u00e3o Selo Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro ??? Ano III ser\u00e3o lan\u00e7ados nesta sexta-feira. O edital \u00e9 promovido pela Funda\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio de Mattos (FGM) e as primeiras publica\u00e7\u00f5es foram lan\u00e7adas em 2016.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Desta vez, foram premiados Daiana Oliveira (categoria cr\u00f4nica\/livro: Fuxico, Resenha, Mexerico nas Esquinas e Buzus de Salvador); Breno Fernandes (romance\/As Fotos Roubadas); A\u00edcha Pinheiro (drama\/Alimentando as Feras); Tiago D. Oliveira (poesia\/Soprando o Vento); Paulo Atto (drama\/A Travessia do Gr\u00e3o Profundo); Stael Mamed (literatura infantil\/Hist\u00f3ria do Bicho-Folhagem); M\u00e1rcia Monteiro (livre\/Efem\u00e9rides) e Aruane Garzedin (conto\/Sobre Quatro Patas H\u00e1 um Lugar Seguro).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Hoje, \u00e0s 17h, haver\u00e1 uma roda de conversas com Breno Fernandes, M\u00e1rcia Fonseca, Tiago D. Oliveira e Aruane Garzedin. O evento ser\u00e1 transmitido ao vivo no canal da FGM no Youtube.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Amanh\u00e3, \u00e0s 17h, os livros ser\u00e3o lan\u00e7ados no Teatro Greg\u00f3rio de Mattos, com a presen\u00e7a dos autores, al\u00e9m de convidados e da imprensa. A presen\u00e7a \u00e9 restrita a esse grupo por causa da pandemia de covid-19.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???O Selo Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro j\u00e1 est\u00e1 consolidado no campo liter\u00e1rio de Salvador. Autores consagrados e novos autores lan\u00e7am lado a lado suas obras. ?? um interc\u00e2mbio de experi\u00eancias fant\u00e1stico. E o p\u00fablico pode esperar obras que exploram e constroem universos que encantam, provocam e emocionam???, declara Fernando Guerreiro, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio de Mattos.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/3\/a\/csm_Vida_Selo_Literario_Joao_Ubaldo_Ribeiro_Foto_Max_Haack_309fe8a5da.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">Foto: Max Haack\/divulga\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor baiano Tiago D. 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