{"id":195851,"date":"2022-07-30T23:33:10","date_gmt":"2022-07-31T02:33:10","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/disputa-interna-fogo-amigo-e-ambiente-machista-corrida-eleitoral-de-2022-evidencia-dificuldades-das-mulheres-na-politica\/"},"modified":"2022-07-30T23:33:10","modified_gmt":"2022-07-31T02:33:10","slug":"disputa-interna-fogo-amigo-e-ambiente-machista-corrida-eleitoral-de-2022-evidencia-dificuldades-das-mulheres-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/30\/disputa-interna-fogo-amigo-e-ambiente-machista-corrida-eleitoral-de-2022-evidencia-dificuldades-das-mulheres-na-politica\/","title":{"rendered":"Disputa interna, fogo amigo e ambiente machista: Corrida eleitoral de 2022 evidencia dificuldades das mulheres na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>As mulheres comp\u00f5em a maior parte do eleitorado brasileiro em 2022. Ao todo, 53% dos cidad\u00e3os aptos a votar no pleito marcado para os dias 2 e 30 de outubro, primeiro e segundo turno, respectivamente, s\u00e3o do g\u00eanero feminino. As informa\u00e7\u00f5es, divulgadas no \u00faltimo dia 15 de julho, s\u00e3o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mostram um total superior a 82,3 milh\u00f5es de eleitoras neste ano, o que representa um crescimento na compara\u00e7\u00e3o com 2018, quando eram 77 milh\u00f5es. O p\u00fablico feminino tamb\u00e9m \u00e9 maioria no exterior, representando 59% das pessoas que moram fora do Brasil e se habilitaram para votar no cargo de presidente da Rep\u00fablica. Nos cinco Estados que concentram os maiores col\u00e9gios eleitorais do pa\u00eds, as mulheres tamb\u00e9m lideram. Em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o 18,3 milh\u00f5es de votantes femininas; em Minas Gerais, mais de 8,5 milh\u00f5es de eleitoras. No Rio de Janeiro, o n\u00famero chega a 6,9 milh\u00f5es. Na Bahia, as eleitoras representam 5,9 milh\u00f5es de pessoas e no Rio Grande do Sul, por sua vez, 4,5 milh\u00f5es. Juntos, os Estados ultrapassam a marca de 44 milh\u00f5es de mulheres aptas a votar, chegando a quase um ter\u00e7o do total de eleitores do Brasil. Mesmo com essa expressiva presen\u00e7a feminina no eleitorado, nas candidaturas pol\u00edticas a despropor\u00e7\u00e3o ainda impera. A cerca de dois meses das elei\u00e7\u00f5es, o cen\u00e1rio aponta para um resultado ??? no m\u00ednimo ??? desolador: apenas 10 candidatas aparecem com chances reais de vit\u00f3ria, segundo as pesquisas eleitorais mais recentes. De norte a sul do Brasil, os quadros pol\u00edticos, coliga\u00e7\u00f5es, alian\u00e7as e federa\u00e7\u00f5es se repetem e destacam que a pol\u00edtica \u00e9 constru\u00edda por homens e para homens. Em n\u00fameros, isso significa que entre os partidos com representa\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional, apenas quatro t\u00eam presid\u00eancia feminina: o Podemos, comandado pela deputada federal Renata Abreu; o PCdoB, liderado por Luciana Santos; a Rede, presidida pela ex-senadora Helo\u00edsa Helena; e o PT, chefiado pela deputada federal Gleisi Hoffmann.\u00a0 Nos diret\u00f3rios estaduais o espa\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 masculino. Entre os tucanos, por exemplo, s\u00e3o apenas duas mulheres presidentes contra 25 homens. No Partido Liberal (PL), sigla do presidente Jair Bolsonaro, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma, assim como no Partido dos Trabalhadores, do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, mostrando uma desigualdade que vai dos partidos \u00e0s candidaturas.<\/p>\n<p> Para reverter este cen\u00e1rio de desigualdade, o Congresso Nacional aprovou algumas medidas para diminuir a disparidade de g\u00eanero na pol\u00edtica, como destina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria pelos partidos pol\u00edticos de no m\u00ednimo 30% dos recursos p\u00fablicos para campanhas de candidaturas femininas e a reserva de 30% do tempo de\u00a0 propaganda gratuita no r\u00e1dio e na televis\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0s mulheres. Entretanto, na pr\u00e1tica, pouco efeito se enxerga. A menos de tr\u00eas meses das elei\u00e7\u00f5es, as pesquisas eleitorais apontam para o desprest\u00edgio das candidaturas femininas. Um exemplo disso \u00e9 a senadora Simone Tebet (MDB), que enfrenta a desconfian\u00e7a de uma ala do partido, foi alvo de fogo amigo intensificado horas antes da conven\u00e7\u00e3o que oficializou o seu nome como postulante \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e pontua cerca de 2% nos levantamentos de inten\u00e7\u00e3o de voto mais recentes.\u00a0<\/p>\n<p> Para a mestre em direito constitucional e especialista em direito p\u00fablico e eleitoral, Gabriela Barbosa, o cen\u00e1rio refor\u00e7a a ideia de que a pol\u00edtica ainda \u00e9 feita ???por homens e para homens???, em sua maioria brancos, de classe m\u00e9dia e heterossexuais. ???Somos apenas 15% do Congresso Nacional. Na C\u00e2mara, s\u00e3o 77 deputadas na C\u00e2mara, de um total de 513. No Senado, somos em 12 mulheres de 81 parlamentares, um claro exemplo de exclus\u00e3o das mulheres nestes espa\u00e7os. Um exemplo \u00e9 que no Senado, at\u00e9 2016, n\u00e3o havia um banheiro feminino dentro do plen\u00e1rio, algo t\u00e3o b\u00e1sico. Isso mostra como esses espa\u00e7os s\u00e3o pensados para serem ocupados somente por homens???, disse a especialista, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisadora na \u00e1rea de direito das mulheres, com enfoque na elegibilidade e representatividade feminina na pol\u00edtica latino-americana, em entrevista \u00e0 Jovem Pan.<\/p>\n<p> Ela menciona ainda que as desigualdades est\u00e3o longe de se limitarem ao baixo n\u00famero de candidaturas. A disparidade de g\u00eanero na pol\u00edtica tamb\u00e9m se reflete em menor prest\u00edgio das governantes entre seus pr\u00f3prios aliados. Um exemplo disso \u00e9 o recente caso da governadora Izolda Cela, do Cear\u00e1, preterida em uma disputa interna do\u00a0Partido Democr\u00e1tico Trabalhista (PDT), de Ciro Gomes. Mesmo pontuando pr\u00f3ximo a 30% das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto, com apoio do ex-governador Camilo Santana (PT), do senador Cid Gomes (PDT), irm\u00e3o de Ciro, e dos partidos de esquerda, Cela n\u00e3o ter\u00e1 chance de disputar as elei\u00e7\u00f5es deste ano, sendo substitu\u00edda por Roberto Cl\u00e1udio (PDT). Como consequ\u00eancia da escolha dos pedetistas, a governadora em exerc\u00edcio anunciou, na ter\u00e7a-feira, 26, sua desfilia\u00e7\u00e3o da legenda fundada por Leonel Brizola. ???Al\u00e9m das mulheres serem minoria nos espa\u00e7os p\u00fablicos, elas t\u00eam menos influ\u00eancia nos processos de tomada de decis\u00e3o e precisam lidar com a viol\u00eancia de g\u00eanero. S\u00e3o interrompidas, desqualificadas, t\u00eam sua intimidade violadas, exclu\u00eddas de debates. Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o indicadas como titulares de comiss\u00f5es, ainda que tenham compet\u00eancia para tal???, menciona Gabriela Barbosa.\u00a0<\/p>\n<p> Reflexo nos Estados Assim como nos partidos pol\u00edticas e na corrida \u00e0 Presid\u00eancia, em outras esferas de poder a disputa tamb\u00e9m \u00e9 desigual. Neste ano, considerando os 26 Estados e o Distrito Federal, apenas tr\u00eas mulheres lideram de forma isolada as pesquisas de inten\u00e7\u00f5es de votos aos governos locais: Teresa Surita (MDB), F\u00e1tima Bezerra (PT) e Mar\u00edlia Arraes (Solidariedade), que chegam a 47%, 39% e 30,7% das inten\u00e7\u00f5es de voto em Roraima, Rio Grande do Norte e Pernambuco, respectivamente. Al\u00e9m delas, outras tr\u00eas aparecem em segundo ou terceiro lugar nos levantamentos, sendo elas: Mara Rocha (MDB), no Acre, com 17%; Raquel Lyra (PSDB), tamb\u00e9m em Pernambuco, com 15,6%, e Rose Modesto (Uni\u00e3o Brasil), no Mato Grosso do Sul, com 15%, todas com chances efetivas de vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>  J\u00e1 para o Senado Federal, os nomes mais promissores s\u00e3o Fl\u00e1via Arruda (PL) e Rosilene Correa (PT), ambas no Distrito Federal, com 29% e 13%; Tereza Cristina (PP), pelo Mato Grosso do Sul, com 23,7%; Dra. Ra\u00edssa Soares (PL) na Bahia com 10%; Rose de Freitas (MDB), com 16%, no Esp\u00edrito Santo;\u00a0Ana Am\u00e9lia Lemos (PSD), com 20%, no Rio Grande do Sul; Delegada Danielle Garcia, com 20,8%, em Sergipe; e Katia Abreu (PP) e Dorinha Rezende (Uni\u00e3o Brasil), com 24% e 19%, respectivamente, pelo Estado de Tocantins. At\u00e9 esta sexta-feira, 29, a candidatura de outra mulher era somada na disputa por uma vaga de senadora: a deputada federal J\u00e9ssica Sales (MDB), que pontuava cerca de 20% das inten\u00e7\u00f5es de votos no Acre. No entanto, ela anunciou desist\u00eancia da candidatura ao admitir que a campanha eleitoral majorit\u00e1ria iria exigir uma disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica maior e demandar muito esfor\u00e7o e energia, o que, em meio a um tratamento contra o c\u00e2ncer de mama, seria desgastante. ???N\u00e3o \u00e9 desonroso dar um passo para tr\u00e1s. Nesse momento eu n\u00e3o consigo dar um passo \u00e0 frente e vou disputar minha reelei\u00e7\u00e3o???, conclui, em v\u00eddeo compartilhado nas redes sociais.<\/p>\n<p> Consequ\u00eancias Enquanto as candidaturas femininas competitivas se limitam a 15 nomes, ao menos 20 Estados sequer possuem mulheres concorrendo aos governos locais, como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que agrupam os tr\u00eas maiores col\u00e9gios eleitorais do pa\u00eds. O resultado disso se reflete nas pol\u00edticas p\u00fablicas desenvolvidas e na forma como sociedade \u00e9 constru\u00edda, assim como suas leis, projetos e discuss\u00f5es. ???Nossa sociedade \u00e9 diversa e, por isso, \u00e9 extremamente necess\u00e1rio ter representantes desses grupos nos espa\u00e7os. ?? necess\u00e1rio vencer viol\u00eancia de g\u00eanero e qualquer ato cujo objetivo seja excluir as mulheres no espa\u00e7o pol\u00edtico e entender que a falta de mulheres n\u00e3o \u00e9 somente um problema feminino, \u00e9 um problema da democracia. Porque sem mulheres, n\u00e3o h\u00e1 democracia neste pa\u00eds???, explica Gabriela Barbosa. Para ela, o caminho rumo \u00e0 equidade pol\u00edtica passa pelo financiamento efetivo das candidaturas, capacita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres e combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. ???E claro, votar em mulheres, principalmente aquelas que estejam dispostas a lutar pelas quest\u00f5es das mulheres, por mais direitos. ??, agora, extremamente necess\u00e1rio e essencial???, finaliza.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres comp\u00f5em a maior parte do eleitorado brasileiro em 2022. 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