{"id":195969,"date":"2022-07-31T08:43:36","date_gmt":"2022-07-31T11:43:36","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/parque-do-confisco-retrata-conquista-social-de-uma-comunidade\/"},"modified":"2022-07-31T08:43:36","modified_gmt":"2022-07-31T11:43:36","slug":"parque-do-confisco-retrata-conquista-social-de-uma-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/31\/parque-do-confisco-retrata-conquista-social-de-uma-comunidade\/","title":{"rendered":"Parque do Confisco retrata conquista social de uma comunidade"},"content":{"rendered":"<div>A hist\u00f3ria de um parque que se confunde com a forma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria comunidade, o Confisco, na regi\u00e3o da Pampulha, est\u00e1 em \u00e1rea de vulnerabilidade social e \u00e9 um dos mais protegidos pela pr\u00f3pria comunidade. O espa\u00e7o de lazer faz parte de uma rede p\u00fablica de atendimento conquistada pelos moradores que partiu de uma luta por moradia e englobou escola, posto de sa\u00fade e Centro de Refer\u00eancia da Assist\u00eancia Social (Cras). <\/p>\n<p>O Parque do Confisco est\u00e1 em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o e cuidados. Mesmo de segunda a sexta-feira, quando muitos est\u00e3o trabalhando ou estudando, a vida pulsa no espa\u00e7o, com a frequ\u00eancia em grande parte de fam\u00edlias, crian\u00e7as e idosos. Jardins aparados, grama cortada, equipamentos de gin\u00e1stica ao ar livre, brinquedos, quadras de peteca, multiesportivas e campo de futebol em excelentes condi\u00e7\u00f5es. Corrim\u00e3os, escadas e pistas de acesso, al\u00e9m de uma arquibancada, todos pintados e bem cuidados. Nos fins de semana, o espa\u00e7o fica lotado com feiras que oferecem os mais variados produtos, brincadeiras e torneios esportivos.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quem n\u00e3o deixa de passear por l\u00e1 \u00e9 o professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica Avner Raynner Gomes de Paula, 30 anos. Diariamente, ele leva seu c\u00e3o yorkshire Tunico e o sobrinho Davi Lucas Rodrigues de Paula, de 8 anos, para brincar no parque. Ele conta que quando nasceu havia apenas um buraco e lembra quando come\u00e7aram as obras do espa\u00e7o. &#8220;Tinha uns 10 anos. Hoje adoro fazer caminhada por aqui&#8221;, diz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;O parque \u00e9 nossa joia, todos se divertem sem atrapalhar ningu\u00e9m. Muitos que est\u00e3o sem trabalho v\u00eam vender as coisas aqui no final de semana. Acho que pode melhorar, poderia ter uma piscina, eu gosto muito de nadar. O Cras ali em frente nos ajuda muito, promove muitas atividades&#8221;, reconhece Denise de Oliveira Barros, 76 anos, uma das primeiras moradoras a chegar na antiga ocupa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<h2>Hist\u00f3ria de conquista\u00a0<\/h2>\n<div>?? com orgulho que as pessoas contam a hist\u00f3ria sobre a constitui\u00e7\u00e3o do bairro em mutir\u00e3o e dos equipamentos p\u00fablicos, resultado da amizade entre os moradores e sistema de coopera\u00e7\u00e3o. A \u00e1rea foi doada pelo governo do estado para moradia de desabrigados de vilas e favelas de Contagem e Belo Horizonte, e fica no limite entre os dois munic\u00edpios. Houve muitos conflitos tanto entre os ocupantes quanto entre poder p\u00fablico das duas cidades. Alguns receberam materiais de constru\u00e7\u00e3o, mas a maioria n\u00e3o, obrigando muitos a morar em barracas de lona, at\u00e9 a regulamenta\u00e7\u00e3o, ou ter condi\u00e7\u00f5es de pagar pelos insumos. \u00c1gua, luz, rede de esgoto, transportes e pavimenta\u00e7\u00e3o eram sonhos distantes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No meio do terreno existia um enorme buraco, onde havia nascentes e todos depositavam lixo, j\u00e1 que n\u00e3o havia coleta. Foi nessa \u00e1rea de 28 mil metros quadrados que foi criado o Parque do Confisco, implantado em 1999 com recursos do Or\u00e7amento Participativo (OP). <\/p>\n<p>De acordo com dados da prefeitura, a \u00e1rea de lazer apresenta como caracter\u00edstica marcante tr\u00eas nascentes que abastecem a Lagoa da Pampulha. A cobertura vegetal arb\u00f3rea \u00e9 esparsa e composta por mangueiras antigas, eucaliptos, jaqueiras e ing\u00e1s. <br \/>A \u00e1rea n\u00e3o vegetada \u00e9 coberta por grama. Tamb\u00e9m foram plantadas \u00e1rvores nativas, como ip\u00ea, aroeira, capororoca, quaresmeira e sapucaia, com o objetivo de recuperar a \u00e1rea pr\u00f3xima \u00e0 nascente. Sua fauna \u00e9 composta por aves e insetos, ocorrendo raramente presen\u00e7a de alguns mam\u00edferos de pequeno porte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Ocupamos um terreno em uma barraca de pl\u00e1stico. Foi uma luta da comunidade, &#8216;uma briga&#8217; mas acabamos ganhando, queriam tirar nossas barracas. Viv\u00edamos de aluguel, trabalhava como gari e o dinheiro n\u00e3o dava&#8221;, conta Denise, que tem cinco filhos, quatro netos e cinco bisnetos que frequentam o local quando a visitam.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>L\u00edder comunit\u00e1ria do grupo &#8220;Acorda Confisco Criativo&#8221;, Maria das Gra\u00e7as Silva Ferreira, 58 anos,\u00a0 conta que no in\u00edcio vieram fam\u00edlias de v\u00e1rias comunidades. &#8220;Conseguimos os terrenos, todos construindo junto, uma \u00e9poca muito boa na nossa vida, tem uns 30 anos. Vi a constru\u00e7\u00e3o da escola, do centro de sa\u00fade, do Cras, o parque, tudo em sistema de mutir\u00e3o e ajuda da comunidade. Eram pessoas que moravam em \u00e1reas de risco, n\u00e3o tinham como pagar aluguel, gente de BH e Contagem. O parque \u00e9 maravilhoso, foi uma conquista no Or\u00e7amento Participativo, era um buraco com lixo, onde tinha nascente. A comunidade usufrui muito do espa\u00e7o \u00e9 o \u00fanico, com essa caracter\u00edstica, no bairro. Tem usado bastante, estamos tamb\u00e9m trazendo feiras nos fim de semana. Digo que hoje moro em \u00e1rea nobre da Pampulha.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o dessa rede intersetorial \u00e9 contada no cap\u00edtulo ???Rede Confisco pela Paz: tecendo uma experi\u00eancia criativa no territ\u00f3rio???, que faz parte do livro digital ???Criatividade ??? mudar a educa\u00e7\u00e3o, transformar o mundo ???, organizado pelo programa Escolas Transformadoras, correalizado no Brasil pela Ashoka e pelo Instituto Alana. &#8220;Aqui era um buraco, tinha uma bica onde eu lavava roupa. O terreno eu ganhei do governo do estado. O parque e o bairro foram constru\u00eddos pela comunidade. A prefeitura dava material e a gente fazia mutir\u00e3o&#8221;, conta Maria Efig\u00eania Rodrigues, 77 anos, dom\u00e9stica.<\/p>\n<\/div>\n<h2>Atividades constru\u00eddas em conjunto<\/h2>\n<div>O Parque do Confisco faz parte de uma rede territorial com a\u00e7\u00f5es conjuntas, explica a assistente social do Cras do bairro, Fl\u00e1via Santos de Oliveira, 39 anos. Ela explica tratar-se de equipamento p\u00fablico que integra o Sistema ??nico de Assist\u00eancia Social (Suas BH ). ???Atendemos o p\u00fablico de assist\u00eancia social, aberto a todos, mas a maioria s\u00e3o fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. Hoje no territ\u00f3rio temos a Rede Confisco pela Paz, englobando, o Cras, o posto de sa\u00fade, a Escola Municipal Anne Frank, o parque e centros culturais, todas as atividades territoriais s\u00e3o constru\u00eddas em conjunto&#8221;, diz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vestida com a roupa t\u00edpica, a pod\u00f3loga Maria do Socorro Rodrigues, 57 anos, atravessa o parque para chegar ao Cras, onde apresentaria a dan\u00e7a cigana com seu grupo &#8220;Flor de Liz&#8221;. &#8220;O parque \u00e9 muito importante, mas precisa de mais carinho. Sou prova viva da luta desse bairro. Fui uma das que corri atr\u00e1s para conseguir pavimenta\u00e7\u00e3o. O parque era reivindica\u00e7\u00e3o da comunidade. Apresentamos aqui (no parque) de vez em quando, mas em outros equipamentos p\u00fablicos tamb\u00e9m, como o Cras&#8221;, conta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de um parque que se confunde com a forma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria comunidade, o Confisco, na regi\u00e3o da Pampulha, est\u00e1 em \u00e1rea de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":195970,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8648],"tags":[],"class_list":["post-195969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minas-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}