{"id":195971,"date":"2022-07-31T08:44:39","date_gmt":"2022-07-31T11:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/casos-de-violencia-eleitoral-devem-aumentar-afirma-cientista-politico\/"},"modified":"2022-07-31T08:44:39","modified_gmt":"2022-07-31T11:44:39","slug":"casos-de-violencia-eleitoral-devem-aumentar-afirma-cientista-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/31\/casos-de-violencia-eleitoral-devem-aumentar-afirma-cientista-politico\/","title":{"rendered":"&#8216;Casos de viol\u00eancia eleitoral devem aumentar&#8217;, afirma cientista pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p>Estudo realizado pelo Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o Eleitoral (Giel), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), aponta um crescimento de 22% nos registros de viol\u00eancia pol\u00edtica no pa\u00eds no primeiro semestre deste ano, em compara\u00e7\u00e3o com o ano eleitoral anterior, 2020. Nesse primeiro semestre, o Giel j\u00e1 contabilizou 214 ocorr\u00eancias de crime pol\u00edtico. No mesmo per\u00edodo de 2020, foram apurados 174 crimes do g\u00eanero, e em 2020, ano sem elei\u00e7\u00f5es, houve 169. A proje\u00e7\u00e3o esperada \u00e9 de que os n\u00fameros cres\u00e7am consideravelmente no segundo semestre. Para entender como o Giel realizou essa pesquisa e o que esperar para o per\u00edodo eleitoral, confira a entrevista com o coordenador do grupo, o cientista pol\u00edtico e professor da UniRio, Felipe Borba.<\/p>\n<p><b>Como \u00e9 realizado esse estudo?<\/b><br \/>Coletamos esses dados de viol\u00eancia desde o in\u00edcio de 2019. Monitoramos a imprensa de todo o pa\u00eds com mais de 50 palavras-chave, buscamos nas mat\u00e9rias e vamos completando com outras informa\u00e7\u00f5es das v\u00edtimas, como idade, trajet\u00f3ria na pol\u00edtica, filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e cargo que ocupa. Apuramos cinco tipos de viol\u00eancias: agress\u00f5es, amea\u00e7as, atentados, homic\u00eddios e sequestros, contra a pr\u00f3pria lideran\u00e7a pol\u00edtica ou seus familiares. Sejam esses pol\u00edticos em exerc\u00edcio de mandato; sejam em cargos pol\u00edticos como ministros ou secret\u00e1rios; sejam ex-pol\u00edticos, ex-candidatos ou candidatos.<\/p>\n<p><b>Como surgiu a ideia de monitorar esses dados?<\/b><br \/>O insight de fazer a coleta veio da morte da vereadora Marielle (Franco) e, naquele mesmo ano, o ex-presidente Lula, que ainda n\u00e3o havia sido preso, na caravana pelo pa\u00eds sofreu um atentado \u00e0 sua comitiva. Foram esses dois casos que nos chamaram a aten\u00e7\u00e3o. A\u00ed, fomos vendo como era a metodologia em outros pa\u00edses que monitoravam esses dados.<\/p>\n<p><b>No clima pol\u00edtico atual, com discursos enf\u00e1ticos, em especial da extrema-direita, n\u00e3o era de se esperar que o maior n\u00famero de v\u00edtimas fosse de apoiadores do PT, apesar de o estudo n\u00e3o mostrar isso?<\/b><br \/>Existem duas categorias de motiva\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia: uma de natureza ideol\u00f3gica, como esse caso do senhor Marcelo Arruda (tesoureiro do PT assassinado por um bolsonarista em Foz do Igua\u00e7u); e outra de natureza econ\u00f4mica, que \u00e9 preponderante. Ela acontece muito no pequeno munic\u00edpio que tem at\u00e9 50 mil habitantes, onde o controle pol\u00edtico da m\u00e1quina p\u00fablica \u00e9 praticamente o controle absoluto, onde, muitas vezes, a prefeitura \u00e9 o principal agente econ\u00f4mico do local. Nesses pequenos munic\u00edpios, os partidos de centro-direita e de direita s\u00e3o os de grande maioria, os partidos de esquerda t\u00eam muito pouca penetra\u00e7\u00e3o nesses locais, o que faz com que a maioria das v\u00edtimas do nosso estudo seja desses partidos. Este ano, com a elei\u00e7\u00e3o nacional, sem as disputas locais, a tend\u00eancia \u00e9 o crescimento dos crimes pol\u00edticos por motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p><b>Na sua opini\u00e3o, o caso de Marielle Franco foi ideol\u00f3gico?<\/b><br \/>Pelas informa\u00e7\u00f5es que temos, a motiva\u00e7\u00e3o do crime deve ter sido de natureza pol\u00edtica econ\u00f4mica, n\u00e3o foi ideol\u00f3gico, n\u00e3o era por ela ser do Psol. Entendo que foi pela atua\u00e7\u00e3o dela, independentemente do partido de que ela participasse, em especial de enfrentamento \u00e0s mil\u00edcias.<\/p>\n<p><b>Os n\u00fameros devem crescer? Por qu\u00ea?<\/b><br \/>Os n\u00fameros da viol\u00eancia pol\u00edtica devem caminhar junto com o ciclo eleitoral. Conforme a campanha vai avan\u00e7ando para o dia da elei\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia tende a aumentar. A gente ainda est\u00e1 em um momento de pr\u00e9-campanha, ent\u00e3o, a tens\u00e3o deve aumentar, e com o aumento da tens\u00e3o, devem aumentar os casos de viol\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p><b>A viol\u00eancia pol\u00edtica de motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u00e9 algo novo no Brasil?<\/b><br \/>N\u00e3o \u00e9 novo, mas deve se acirrar este ano. As elei\u00e7\u00f5es brasileiras sempre foram polarizadas, seja entre Lula e (Fernando) Collor; PT e PSDB; PT e bolsonarismo. O que esta elei\u00e7\u00e3o traz de novo \u00e9 um discurso de \u00f3dio, de intoler\u00e2ncia pol\u00edtica, intoler\u00e2ncia com quem pensa diferente. Assim, a ideologia ganha um componente novo. Uma intoler\u00e2ncia a quem sustenta essa ideologia. Isso \u00e9 algo que existe de 2018 para c\u00e1, \u00e9 recente.<\/p>\n<p><b>O discurso de \u00f3dio \u00e9 o que provoca essa viol\u00eancia pol\u00edtico-ideol\u00f3gica?<\/b><br \/>Recentemente, eu diria que sim. Hoje em dia, o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa viol\u00eancia ideol\u00f3gica \u00e9 o crime de \u00f3dio, que vem sendo disseminado na sociedade brasileira e vem contaminando o humor das pessoas.<\/p>\n<p><b>Antes de 2018, o que provocava esses crimes pol\u00edticos por motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica?<\/b><br \/>Eles eram circunstanciais. As elei\u00e7\u00f5es presidenciais da \u00e9poca de PT e PSDB eram tensas, n\u00e3o tem como negar, mas era uma tens\u00e3o controlada. Usando a frase do nosso presidente (Bolsonaro), controlada dentro das quatro linhas da Constitui\u00e7\u00e3o. Nenhum candidato \u00e0 Presid\u00eancia pregava o exterm\u00ednio do advers\u00e1rio, ningu\u00e9m dizia que tinha de metralhar petista ou que tinha de metralhar tucano. N\u00e3o havia um discurso t\u00e3o aberto de viol\u00eancia. Hoje, temos um presidente que incita a viol\u00eancia contra advers\u00e1rios de forma aberta, o que n\u00e3o reconhe\u00e7o em nenhum momento no passado.<br \/><b><br \/>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2020 esse discurso j\u00e1 estava comum&#8230;<\/b><br \/>Mas em menor escala. Foi menos contaminada por essa ideologia. O pr\u00f3prio Bolsonaro participou pouco das elei\u00e7\u00f5es. Os crit\u00e9rios de votos s\u00e3o um pouco diferentes das elei\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 a perspectiva de crescimento dessa viol\u00eancia?<\/b><br \/>A curva de crescimento \u00e9 agora, e eu acredito que, mantendo-se a tend\u00eancia de vit\u00f3ria do ex-presidente Lula, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa viol\u00eancia aumente.<\/p>\n<p><b>O senhor v\u00ea alguma solu\u00e7\u00e3o para esse problema da eleva\u00e7\u00e3o desse tipo de crime?<\/b><br \/>Entendo que s\u00e3o v\u00e1rios caminhos. A proposta do senador Humberto Costa (de tipificar o crime por motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica) pode ser um caminho, mas uma pol\u00edcia mais \u00e1gil e, talvez, assim como existem delegacias especializadas em crimes contra a mulher, criar uma pol\u00edcia especializada em crimes pol\u00edticos, que consiga dar respostas mais r\u00e1pidas aos casos. E n\u00e3o podemos deixar de dizer que \u00e9 fundamental responsabilizar a nossa elite pol\u00edtica para n\u00e3o estimular os discursos de \u00f3dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo realizado pelo Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o Eleitoral (Giel), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), aponta um crescimento de 22% nos\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":195972,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-195971","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195971\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}