{"id":196061,"date":"2022-07-31T12:28:02","date_gmt":"2022-07-31T15:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/07\/feira-de-artesanato-movimenta-producao-de-ceramicas-na-bahia\/"},"modified":"2022-07-31T12:28:02","modified_gmt":"2022-07-31T15:28:02","slug":"feira-de-artesanato-movimenta-producao-de-ceramicas-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/07\/31\/feira-de-artesanato-movimenta-producao-de-ceramicas-na-bahia\/","title":{"rendered":"Feira de artesanato movimenta produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2micas na Bahia"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Toda vez que a m\u00e3e do pequeno Rosalvo Santana levava o garoto \u00e0 igreja, o menino ficava impressionado com a beleza das imagens dos santos esculpidos em barro nas paredes do templo. At\u00e9 que ao completar 16 anos ele resolveu fazer uma imagem sacra, uma santa, que alguns dias depois foi levada para ser vendida na Feira do Caxixi, em Nazar\u00e9 das Farinhas, e foi a\u00ed que tudo mudou.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No s\u00e1bado (30), mais de 20 anos depois, as pe\u00e7as dele foram a sensa\u00e7\u00e3o da Feira de Artesanato da Bahia, em Maragogipinho, no Rec\u00f4ncavo. O evento reuniu cerca de 40 mestres e artes\u00e3os na principal pra\u00e7a do distrito de Aratu\u00edpe. Os artistas levaram obras em tecido, madeira e outros materiais, mas foram as pe\u00e7as em barro que se destacaram. Segundo os organizadores, Maragogipinho \u00e9 o maior centro oleiro da Am\u00e9rica Latina, s\u00e3o 170 oficinas de cer\u00e2mica na regi\u00e3o onde Rosalvo nasceu e onde ele ainda mora.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Eu nascei com o dom de desenhar, desenhava muito, e aos 16 anos comecei a tentar fazer a mesma modelagem em barro. Como eu gostava muito dos santos, fiz uma Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e levei at\u00e9 a Feira do Caxixi, e foi um alvoro\u00e7o, porque ningu\u00e9m fazia a mesma modelagem que eu fazia, era um trabalho diferente. Foram surgindo encomendas e eu n\u00e3o parei mais???, disse.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/c\/8\/csm_Arte03_5461979a2f.jpg\" width=\"999\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Rosalvo vende pe\u00e7as para o Brasil e para o exterior<\/strong> (Foto: Ricardo Prado\/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Ele contou que teve que aprender sozinho a dominar o barro. Hoje, os produtos s\u00e3o vendidos por todo o Brasil e tamb\u00e9m no exterior. Uma das pe\u00e7as est\u00e1 no Vaticano. Ele recebeu o CORREIO na casa simples onde mora com a esposa e os quatro filhos, e as pe\u00e7as foram expostas na entrada da feira. A imagem de Santo Ant\u00f4nio com o menino Jesus nos bra\u00e7os impressiona pela riqueza de detalhes, o barro drapeado d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de movimento \u00e0s roupas, os detalhes nas unhas, nas min\u00fasculas contas do ter\u00e7o e outros elementos n\u00e3o escapam aos olhos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Enquanto o artes\u00e3o contava sobre o trabalho, o filho mais velho, Rosalvo Santana Junior, 22, observava o pai orgulhoso. ?? que ele tamb\u00e9m seguiu o of\u00edcio do pai, assim como muitos outros artes\u00e3os. Ana Clara Nazar\u00e9, 18 anos, \u00e9 uma das artistas mais jovens da regi\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com o bisav\u00f3 dela. O av\u00f4 tornou-se mestre. O pai aprendeu a arte e, agora, \u00e9 ela quem leva adiante o trabalho da fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Sou a terceira gera\u00e7\u00e3o de artes\u00e3os profissionais por parte de pai, mas minha fam\u00edlia materna tamb\u00e9m trabalha com barro e sinto muito orgulho disso. Eu cresci vendo meu pai produzindo as pe\u00e7as, mas s\u00f3 comecei a mexer com barro durante a pandemia. Tirei a carteira de artes\u00e3 esse ano???, contou, enquanto ajustava as pe\u00e7as no stand da feira.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/2\/f\/csm_Arte04_12634bd195.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Ana Clara, 18 anos, \u00e9 a terceira gera\u00e7\u00e3o de artes\u00e3os da fam\u00edlia<\/strong> (Foto: Ricardo Prado\/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Economia<\/strong><br \/> ?? primeira vista, as imagens sacras, os potes, jarros, esculturas e objetos de decora\u00e7\u00e3o parecem ser apenas um amontoado de pe\u00e7as de barro, mas basta um olhar mais atento para perceber um peda\u00e7o da hist\u00f3ria esculpido por m\u00e3os de homens e mulheres que encontraram na natureza a fonte de sustento. Segundo a coordenadora de Fomento ao Artesanato da Bahia (CFA), ??ngela Guimar\u00e3es, o objetivo das feiras \u00e9 impulsionar as produ\u00e7\u00f5es locais e criar uma rota tur\u00edstica de artesanato no estado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???As feiras regionais acontecem desde 2021 e Maragogipinho foi o primeiro lugar onde apresentamos esse modelo, uma feira de neg\u00f3cios de pequeno a m\u00e9dio porte, dando visibilidade a produ\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o. Inauguramos\u00a0uma sala de artesanato para dar apoio aos artes\u00e3os e estamos com um plano de desenvolvimento para trabalhar, durante tr\u00eas anos, capacita\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e venda. ?? um conjunto de a\u00e7\u00f5es???, afirmou.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/0\/9\/csm_Arte013_5def906e79.jpg\" width=\"999\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Feiras movimentam a economia local<\/strong> (Foto: Ricardo Prado\/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Para chegar em Maragogipinho \u00e9 preciso seguir 5 km por uma estrada de barro que vai serpenteando por entre vegeta\u00e7\u00e3o densa e campos abertos. A entrada do distrito tem esculturas em diferentes tamanhos e as casas que margeiam o caminho transformaram janelas e varandas em lojas para a venda dos produtos locais. Mas, a maior riqueza da cidade \u00e9 a simplicidade de sua gente.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em uma olaria, como s\u00e3o chamadas as pequenas f\u00e1bricas de cer\u00e2mica, ceramistas mostraram o passo a passo da produ\u00e7\u00e3o, desde a escolha da argila, a habilidade para modelar o barro, a t\u00e9cnica para usar o forno que d\u00e1 resist\u00eancia \u00e0 pe\u00e7a e o acabamento respons\u00e1vel pelo charme final. ????? um trabalho muito delicado e que exige um cuidado extremo, porque pode quebrar???, contou a advogada Fernanda Moraes, que estava visitando a feira.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Essa foi a 18\u00aa edi\u00e7\u00e3o da feira de artesanato da Bahia, a segunda em Maragogipinho. Segundo a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), em 2021, o evento passou por sete munic\u00edpios, reuniu 191 artes\u00e3os, exp\u00f4s 16 mil produtos e movimentou R$ 170 mil. Em 2022, ser\u00e3o 20 edi\u00e7\u00f5es at\u00e9 o final do ano. As pr\u00f3ximas feiras acontecem em Jaguarari, Jacobina e Len\u00e7\u00f3is.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda vez que a m\u00e3e do pequeno Rosalvo Santana levava o garoto \u00e0 igreja, o menino ficava impressionado com a beleza das imagens dos\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":196062,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[213],"tags":[],"class_list":["post-196061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196061\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}