{"id":197278,"date":"2022-08-02T12:45:22","date_gmt":"2022-08-02T15:45:22","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/como-brasil-pode-reduzir-a-pobreza-no-proximo-governo-segundo-banco-mundial\/"},"modified":"2022-08-02T12:45:22","modified_gmt":"2022-08-02T15:45:22","slug":"como-brasil-pode-reduzir-a-pobreza-no-proximo-governo-segundo-banco-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/02\/como-brasil-pode-reduzir-a-pobreza-no-proximo-governo-segundo-banco-mundial\/","title":{"rendered":"Como Brasil pode reduzir a pobreza no pr\u00f3ximo governo, segundo Banco Mundial"},"content":{"rendered":"<figure><\/figure>\n<p>Em um calhama\u00e7o de 155 p\u00e1ginas lan\u00e7ado em julho, o Banco Mundial ??? institui\u00e7\u00e3o financeira internacional que faz empr\u00e9stimos para pa\u00edses em desenvolvimento ??? apresenta um combo de sugest\u00f5es de pol\u00edticas para reduzir a pobreza e a desigualdade no Brasil. <\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 gerar conversa\u00e7\u00f5es sobre as distintas reformas e mudan\u00e7as de pol\u00edticas que s\u00e3o necess\u00e1rias no pa\u00eds, dado o contexto que o Brasil est\u00e1 vivendo, com os novos desafios da pandemia e os velhos desafios das desigualdades&#8221;, diz Gabriel Lara Ibarra, economista s\u00eanior do Grupo de Pobreza e Equidade do Banco Mundial e respons\u00e1vel pelo relat\u00f3rio.  <\/p>\n<ul>\n<li>Desigualdade no Brasil caiu no in\u00edcio do ano, mas todos ficaram mais pobres, diz Ipea  <\/li>\n<\/ul>\n<p>As sugest\u00f5es v\u00e3o desde programas de recupera\u00e7\u00e3o escolar p\u00f3s-pandemia, passando por requalifica\u00e7\u00e3o de trabalhadores, investimentos em infraestrutura e sa\u00fade, inclus\u00e3o financeira e digital da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, at\u00e9 uma otimiza\u00e7\u00e3o dos programas sociais, com a revis\u00e3o de benef\u00edcios menos eficientes e ado\u00e7\u00e3o de uma metodologia oficial de defini\u00e7\u00e3o de pobreza pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo o Banco Mundial, o momento atual \u00e9 estrat\u00e9gico para o Brasil, passadas duas crises ??? a recess\u00e3o econ\u00f4mica de 2014-2016 e a pandemia ???, e diante do novo ciclo de pol\u00edticas p\u00fablicas que deve ter in\u00edcio com o governo que come\u00e7a em 2023. <\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o lembra que o Brasil j\u00e1 fez isso uma vez: entre 2001 e 2011, o PIB per capita (soma de toda a riqueza produzida no pa\u00eds, dividida pelo n\u00famero de habitantes, uma medida de desenvolvimento humano) cresceu 32%, enquanto a desigualdade diminuiu 9,4% e o percentual de pessoas vivendo na pobreza e extrema pobreza caiu pela metade.  <\/p>\n<p>Ibarra destaca a import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o do Estado para redu\u00e7\u00e3o da pobreza e da desigualdade. <\/p>\n<p>&#8220;?? uma decis\u00e3o inteligente para promover o desenvolvimento econ\u00f4mico n\u00e3o s\u00f3 do pa\u00eds, mas das fam\u00edlias tamb\u00e9m&#8221;, diz o economista mexicano, em entrevista \u00e0 BBC News Brasil. &#8220;?? necess\u00e1rio para gerar uma via sustent\u00e1vel de desenvolvimento econ\u00f4mico para as fam\u00edlias que, por alguma raz\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam tudo o que precisam para garantir um n\u00edvel m\u00ednimo de bem-estar.&#8221; <\/p>\n<p>Confira 11 sugest\u00f5es do Banco Mundial para reduzir a mis\u00e9ria e as iniquidades sociais no Brasil, no curto e no longo prazo. <\/p>\n<h3>1) Adotar programas de recupera\u00e7\u00e3o escolar <\/h3>\n<p>Diante do forte impacto da pandemia sobre a educa\u00e7\u00e3o, o Banco Mundial diz que o Brasil deve adotar no curto prazo programas de recupera\u00e7\u00e3o escolar durante o per\u00edodo letivo e no contraturno (isto \u00e9, fora do hor\u00e1rio de aulas regulares). <\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o destaca a disparidade no acesso a atividades escolares durante a pandemia: enquanto 75,6% das crian\u00e7as de lares mais ricos realizaram atividades escolares durante cinco dias da semana, somente 50% das crian\u00e7as mais pobres tiveram a mesma frequ\u00eancia; e uma em cada cinco crian\u00e7as de renda mais baixa n\u00e3o participaram de atividade escolar alguma nesse per\u00edodo. <\/p>\n<p>&#8220;As perdas nas habilidades em portugu\u00eas e matem\u00e1tica causadas pela pandemia j\u00e1 representam mais de um ano de aprendizagem perdida&#8221;, observa o banco, que afirma que os professores precisam receber ferramentas para identificar o n\u00edvel de aprendizagem de cada crian\u00e7a. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os sistemas educacionais devem buscar ativamente os estudantes que abandonaram a escola e adotar estrat\u00e9gias para evitar novos abandonos.  <\/p>\n<h3>2) Apoiar a reinser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho <\/h3>\n<p>Apesar de a taxa de desemprego brasileira j\u00e1 ter voltado para n\u00edveis pr\u00e9-pandemia (ela estava em 9,3% em junho, menor patamar para o trimestre desde 2015), as mulheres seguem com maior dificuldade de retornar ao mercado de trabalho, em compara\u00e7\u00e3o com os homens. <\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, quando a taxa de desemprego no pa\u00eds estava em 11,1%, o n\u00edvel de desocupa\u00e7\u00e3o delas era 13,7%, comparado a 9,1% para eles ??? a diferen\u00e7a entre as taxas era ent\u00e3o de 50,5%. <\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, o Banco Mundial destaca que o sistema de prote\u00e7\u00e3o social segue tendo papel crucial, especialmente para as m\u00e3es solteiras e os lares mais vulner\u00e1veis. <\/p>\n<p>Para apoiar a reinser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, a institui\u00e7\u00e3o diz que s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas e programas que foquem especialmente nelas e nos setores onde as mulheres costumam se ocupar mais. <\/p>\n<p>&#8220;Essas pol\u00edticas e programas podem incluir o retreinamento de mulheres e subs\u00eddios para a recontrata\u00e7\u00e3o, como feito, por exemplo, no Chile&#8221;, diz o banco, destacando ainda a import\u00e2ncia de assist\u00eancia financeira e t\u00e9cnica para mulheres empreendedoras e aut\u00f4nomas, al\u00e9m de campanhas para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 desigualdade no trabalho dom\u00e9stico e de cuidado com dependentes, como crian\u00e7as e idosos. <\/p>\n<h3>3) Reformar o sistema de apoio aos desempregados <\/h3>\n<p>Em 2019, antes da pandemia, apenas 17,7% dos desempregados brasileiros recebiam seguro-desemprego, bem abaixo da m\u00e9dia de 37% dos pa\u00edses da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico), isso apesar de o pa\u00eds gastar o equivalente a 2,3% do PIB com programas voltados ao mercado de trabalho, acima do padr\u00e3o internacional. <\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Assim, o Banco Mundial defende que \u00e9 preciso reformar o atual sistema de apoio aos desempregados, estendendo a prote\u00e7\u00e3o aos trabalhadores aut\u00f4nomos e provendo servi\u00e7os aos desocupados para evitar a deteriora\u00e7\u00e3o das suas habilidades. <\/p>\n<p>O banco tamb\u00e9m defende programas de incentivo \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores jovens e de baixa qualifica\u00e7\u00e3o, como o Contrato de Trabalho Verde e Amarelo proposto pelo governo Bolsonaro.  <\/p>\n<p>Esse modelo de contrata\u00e7\u00e3o, no entanto, foi muito criticado por entidades sindicais, que argumentavam \u00e0 \u00e9poca que a proposta criava uma parcela de trabalhadores &#8220;de segunda classe&#8221;, com menos direitos do que os demais. <\/p>\n<ul>\n<li>Como programa que incentiva contrata\u00e7\u00e3o de jovens pode amea\u00e7ar emprego de mais velhos<\/li>\n<\/ul>\n<h3>4) Aumentar gastos com educa\u00e7\u00e3o e melhorar direcionamento <\/h3>\n<p>O Brasil gastava em 2018 o equivalente a 6% do PIB com educa\u00e7\u00e3o, acima da m\u00e9dia de 3,9% dos pa\u00edses de renda m\u00e9dia-alta. Esses gastos, contudo, poderiam ser mais bem focalizados, defende o Banco Mundial. <\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o sugere, por exemplo, que as regi\u00f5es Norte e Nordeste deveriam ser priorizadas, com investimentos em infraestrutura, na forma\u00e7\u00e3o docente e em gest\u00e3o. <\/p>\n<p>O banco tamb\u00e9m defende que as despesas com universidades federais deveriam ser revistas, j\u00e1 que em 2015, elas consumiam 0,7% do PIB, mas 65% dos estudantes destas institui\u00e7\u00f5es pertenciam aos 40% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A BBC News Brasil questionou o economista Gabriel Lara Ibarra, respons\u00e1vel pelo estudo, sobre qual exatamente \u00e9 a proposta do Banco Mundial para as universidades federais, posto que o Brasil ainda tem somente 21% dos jovens adultos com ensino superior, comparado a m\u00e9dia de 44% em pa\u00edses da OCDE, 40% na Argentina e 63% na R\u00fassia, por exemplo.  <\/p>\n<p>E num momento em que a participa\u00e7\u00e3o de negros e egressos do ensino p\u00fablico finalmente cresce nestas universidades, como resultado da pol\u00edtica de cotas sociais e raciais. <\/p>\n<ul>\n<li>Enem mais negro: por que n\u00famero de candidatos pretos e pardos cresceu ao longo dos anos <\/li>\n<\/ul>\n<figure><\/figure>\n<p>&#8220;O ponto n\u00e3o \u00e9 que as despesas educacionais no n\u00edvel terci\u00e1rio deveriam ser mais baixas, mas que a destina\u00e7\u00e3o de recursos deve levar em conta a integralidade das despesas de educa\u00e7\u00e3o&#8221;, argumentou Ibarra.  <\/p>\n<p>&#8220;Os gastos t\u00eam que ser feitos de forma que os estudantes de todas as partes da distribui\u00e7\u00e3o de renda, incluindo fam\u00edlias de renda mais baixa, possam beneficiar-se deles. Uma solu\u00e7\u00e3o, por exemplo, seria um aumento dos recursos para os n\u00edveis educacionais mais baixos, permitindo que alunos vindos da escola p\u00fablica no n\u00edvel fundamental tenham melhor qualidade da educa\u00e7\u00e3o e uma probabilidade mais alta de aceder \u00e0s universidades p\u00fablicas.&#8221; <\/p>\n<p>Adriano Senkevics, doutor em educa\u00e7\u00e3o pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), v\u00ea a sugest\u00e3o do Banco Mundial de rever os gastos com as universidades federais com cautela.  <\/p>\n<p>&#8220;O que me incomoda nessa abordagem \u00e9 que ela insiste numa oposi\u00e7\u00e3o entre gasto com educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e educa\u00e7\u00e3o superior, quando estamos mal nas duas dimens\u00f5es, essa \u00e9 a verdade&#8221;, diz Senkevics. <\/p>\n<p>&#8220;Temos uma popula\u00e7\u00e3o pouqu\u00edssimo escolarizada e, se a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com desigualdade, h\u00e1 um estudo do Marcelo Medeiros, Rog\u00e9rio Barbosa e Flavio Carvalhaes que mostra que o n\u00edvel educacional que vai ter impacto sobre a desigualdade \u00e9 o ensino superior.&#8221; <\/p>\n<p>O banco tamb\u00e9m defende a necessidade de melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o, considerando que o desempenho dos alunos brasileiros no Pisa (Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes) \u00e9 sistematicamente inferior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE. <\/p>\n<p>Aqui, os especialistas sugerem medidas como a nomea\u00e7\u00e3o de diretores escolares e a bonifica\u00e7\u00e3o de professores e funcion\u00e1rios a partir de avalia\u00e7\u00f5es de desempenho. Eles citam como exemplo o modelo do Cear\u00e1, de financiamento da educa\u00e7\u00e3o baseado em resultados. <\/p>\n<h3>5) Requalificar trabalhadores <\/h3>\n<p>O envelhecimento e baixa qualifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores exigir\u00e3o um esfor\u00e7o de requalifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra brasileira nos pr\u00f3ximos anos, diz o Banco Mundial. <\/p>\n<p>Os autores mostram essa necessidade em n\u00fameros: 95% dos trabalhadores pobres trabalham em ocupa\u00e7\u00f5es com risco relativamente alto de automa\u00e7\u00e3o; cerca de um ter\u00e7o dos brasileiros com 20 a 39 anos n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio e s\u00f3 17% t\u00eam diploma de ensino superior; e a taxa de depend\u00eancia (rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de crian\u00e7as e idosos e a popula\u00e7\u00e3o em idade ativa) da economia brasileira deve subir dos atuais 45% para 67% at\u00e9 2060. <\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma parcela importante da m\u00e3o de obra brasileira que j\u00e1 saiu da escola tradicional, que j\u00e1 tem as habilidades definidas e o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o que v\u00e3o ter. Mas a din\u00e2mica de automa\u00e7\u00e3o e investimentos em novos setores, como a economia verde, v\u00e3o exigir capacidades que esses grupos de trabalhadores n\u00e3o t\u00eam. Por isso \u00e9 importante pensar como eles v\u00e3o poder enfrentar essas mudan\u00e7as do mercado do trabalho do futuro&#8221;, diz Ibarra. <\/p>\n<p>Segundo ele, \u00e9 preciso envolver as empresas em esfor\u00e7os de requalifica\u00e7\u00e3o de seus trabalhadores, com est\u00edmulos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional. Al\u00e9m disso, diante da redu\u00e7\u00e3o constante da m\u00e3o de obra agr\u00edcola, s\u00e3o necess\u00e1rios programas para ajudar os trabalhadores rurais a transitar para outros setores, sugere o Banco Mundial. <\/p>\n<h3>6) Ampliar investimento em sa\u00fade <\/h3>\n<p>Em 2017, um ter\u00e7o das fam\u00edlias brasileiras gastaram mais de 10% do or\u00e7amento familiar em sa\u00fade, com medicamentos como a principal despesa paga do pr\u00f3prio bolso. Al\u00e9m disso, a cada ano, 10 milh\u00f5es de brasileiros caem na pobreza por despesas com sa\u00fade, cita o banco. <\/p>\n<p>Assim, uma pol\u00edtica hol\u00edstica de combate \u00e0 pobreza deve incluir o fortalecimento do sistema p\u00fablico de sa\u00fade, de forma a reduzir as despesas pagas pelas pessoas do pr\u00f3prio bolso. <\/p>\n<h3>7) Ampliar a inclus\u00e3o financeira e digital da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda <\/h3>\n<p>O Brasil tem n\u00edveis de acesso a cr\u00e9dito e a contas banc\u00e1rias superiores ao restante da Am\u00e9rica Latina e Caribe, mas esse acesso \u00e9 bem menor para os 40% mais pobres, diz o banco. Al\u00e9m disso, s\u00f3 32% dos brasileiros adultos conseguiram poupar dinheiro em 2017. <\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>&#8220;A inclus\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o financeira criam a possibilidade de poupan\u00e7a, gerando um caminho mais sustent\u00e1vel para as finan\u00e7as das fam\u00edlias que est\u00e3o na parte mais baixa da distribui\u00e7\u00e3o de renda&#8221;, diz Ibarra. <\/p>\n<p>&#8220;A ferramentas digitais reduzem o custo do acesso a produtos banc\u00e1rios e h\u00e1 muita facilidade hoje em dia, atrav\u00e9s dos aplicativos, para transa\u00e7\u00f5es financeiras formais&#8221;, cita o economista, destacando a bem-sucedida experi\u00eancia do pagamento do aux\u00edlio emergencial atrav\u00e9s de contas digitais da Caixa Econ\u00f4mica Federal. <\/p>\n<p>O Banco Mundial sugere que o Bolsa Fam\u00edlia ou Aux\u00edlio Brasil tamb\u00e9m poderia ser atrelado a uma conta poupan\u00e7a dedicada. Mas alerta que \u00e9 preciso programas para apoiar a inclus\u00e3o digital das popula\u00e7\u00f5es rurais e vulner\u00e1veis, j\u00e1 que o pre\u00e7o e a qualidade dos servi\u00e7os de banda larga no Brasil s\u00e3o hoje fatores impeditivos para essas parcelas da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<h3>8) Melhorar a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria  <\/h3>\n<p>&#8220;Muitos estudos mostram que, quando os direitos de propriedade s\u00e3o claros e bem regularizados, os incentivos para cuidar, investir e produzir mais sobre uma determinada propriedade s\u00e3o muito maiores&#8221;, diz o economista do Banco Mundial. <\/p>\n<p>Segundo o estudo, cerca de 57% da popula\u00e7\u00e3o rural cronicamente pobre n\u00e3o possui registro formal de propriedade; metade do territ\u00f3rio registrado no Brasil tem registros sobrepostos; e os mais de 20 \u00f3rg\u00e3os envolvidos na regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no pa\u00eds n\u00e3o est\u00e3o conectados.  <\/p>\n<p>Assim, o banco defende a simplifica\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o dos processos de cadastro de im\u00f3veis, al\u00e9m de um esfor\u00e7o de registro de terras estaduais e federais, com retifica\u00e7\u00e3o ou cancelamento de registros equivocados. <\/p>\n<p>&#8220;Uma reforma do processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, com sistemas melhor integrados, vai dar mais certeza aos direitos de propriedade para as fam\u00edlias&#8221;, afirma Ibarra. <\/p>\n<h3>9) Aumentar competitividade e abrir o mercado <\/h3>\n<p>O Banco Mundial avalia que o modelo econ\u00f4mico brasileiro, baseado em uma ind\u00fastria altamente protegida e exporta\u00e7\u00f5es de commodities, est\u00e1 &#8220;exaurido&#8221;.  <\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Assim, a institui\u00e7\u00e3o defende que, para fortalecer o crescimento, \u00e9 preciso acelerar mudan\u00e7as estruturais, com o aumento da produtividade da ind\u00fastria e do setor de servi\u00e7os, diversifica\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es e aumento da participa\u00e7\u00e3o do Brasil no com\u00e9rcio global. <\/p>\n<p>O banco tamb\u00e9m defende a necessidade de o pa\u00eds retomar investimentos em infraestrutura e afirma que uma forma de fazer isso seria reduzir a vincula\u00e7\u00e3o de despesas no or\u00e7amento, gerando espa\u00e7o para investimentos dentro do teto de gastos. <\/p>\n<p>No entanto, o governo Jair Bolsonaro (PL) realizou diversas manobras para driblar o teto nos \u00faltimos anos e h\u00e1 uma expectativa de que um novo governo eventualmente mude a regra, que tem se mostrado de dif\u00edcil cumprimento sob os moldes atuais. <\/p>\n<h3>10) Usar a pol\u00edtica fiscal para promover a igualdade <\/h3>\n<p>A pol\u00edtica fiscal diz respeito \u00e0 arrecada\u00e7\u00e3o e aos gastos do governo. Aqui, o Banco Mundial faz duas sugest\u00f5es principais: uma revis\u00e3o dos programas sociais para destinar mais recursos aos gastos considerados mais eficientes e uma reforma tribut\u00e1ria. <\/p>\n<p>&#8220;Com os mesmos recursos poder\u00edamos ter um impacto maior na pobreza ou at\u00e9 mesmo alguma poupan\u00e7a para fazermos mais investimentos nos servi\u00e7os p\u00fablicos&#8221;, diz Ibarra. <\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o destaca, por exemplo, os gastos com o Sal\u00e1rio Fam\u00edlia e o Abono Salarial, que por serem destinados a trabalhadores formais, beneficiam o meio da distribui\u00e7\u00e3o de renda, enquanto o Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 considerado um gasto bem direcionado aos mais pobres. <\/p>\n<p>O Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) chegou a sugerir em estudos recentes a fus\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia, Sal\u00e1rio Fam\u00edlia, Abono Salarial e da dedu\u00e7\u00e3o por dependentes no Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica, para cria\u00e7\u00e3o de um &#8220;benef\u00edcio infantil universal&#8221;. A proposta foi vista com bons olhos por especialistas em desigualdade, mas n\u00e3o avan\u00e7ou.  <\/p>\n<p>O Banco Mundial defende ainda a simplifica\u00e7\u00e3o dos impostos indiretos ??? aqueles aplicados sobre o consumo de bens e servi\u00e7os ??? para um modelo de Imposto de Valor Agregado (IVA), adotado em muitos pa\u00edses da Europa. <\/p>\n<p>Um dos modelos de reforma tribut\u00e1ria discutido nos \u00faltimos anos ia justamente nessa linha, mas tamb\u00e9m n\u00e3o prosperou. <\/p>\n<h3>11) Melhorar estat\u00edsticas e criar medida oficial de pobreza <\/h3>\n<p>Por fim, as \u00faltimas propostas do Banco Mundial para atacar a pobreza e a desigualdade tratam da produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Melhorar a coleta de dados sobre as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas e fortalecer o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), com a incorpora\u00e7\u00e3o pelo \u00f3rg\u00e3o de novas fontes de dados como registros administrativos, <em>big data<\/em> e GPS, est\u00e3o entre as recomenda\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>O banco destaca ainda que a recente eleva\u00e7\u00e3o da linha de pobreza considerada para pagamento do Aux\u00edlio Brasil para R$ 210 \u00e9 positiva, mas insuficiente, sendo necess\u00e1ria a ado\u00e7\u00e3o de uma metodologia oficial de medi\u00e7\u00e3o de pobreza no pa\u00eds. <\/p>\n<p>&#8220;Com uma metodologia analiticamente s\u00f3lida \u00e9 poss\u00edvel definir o custo de vida no pa\u00eds e quanto as fam\u00edlias precisam para cobrir suas necessidades b\u00e1sicas. Isso pode ent\u00e3o servir de ponto de refer\u00eancia para identificar as fam\u00edlias que est\u00e3o em necessidade de apoio monet\u00e1rio&#8221;, diz Ibarra. &#8220;N\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio f\u00e1cil, nem uma solu\u00e7\u00e3o final para a pobreza no pa\u00eds, mas isso \u00e9 importante porque d\u00e1 um ponto de refer\u00eancia para a pol\u00edtica p\u00fablica.&#8221; <\/p>\n<p><em>&#8211; Este texto foi publicado originalmente em <\/em>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-62387207<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/strong>Inscreva-se no canal<strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/strong>YouTube<strong>? 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