{"id":197296,"date":"2022-08-02T13:01:40","date_gmt":"2022-08-02T16:01:40","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/churrasco-brasileiro-precisa-ser-mais-que-boa-copia-do-americano-diz-criador-do-churrascada\/"},"modified":"2022-08-02T13:01:40","modified_gmt":"2022-08-02T16:01:40","slug":"churrasco-brasileiro-precisa-ser-mais-que-boa-copia-do-americano-diz-criador-do-churrascada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/02\/churrasco-brasileiro-precisa-ser-mais-que-boa-copia-do-americano-diz-criador-do-churrascada\/","title":{"rendered":"Churrasco brasileiro precisa ser mais que boa c\u00f3pia do americano, diz criador do Churrascada"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; No pr\u00f3ximo s\u00e1bado (6), 3.000 pessoas v\u00e3o se reunir em um complexo de galp\u00f5es da avenida Henry Ford, na Mooca, para comer churrasco at\u00e9 cansar.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O endere\u00e7o, mantido em segredo e divulgado pela Folha em primeira m\u00e3o, foi escolhido como palco da s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o do evento Churrascada em S\u00e3o Paulo. Os ingressos ???a R$ 550 e que d\u00e3o direito a comida e bebida \u00e0 vontade??? foram vendidos em abril e se esgotaram em apenas 36 horas.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 acontece desde 2015, o american barbecue, t\u00e9cnica mais bombada entre os amantes de churrasco, promete ser uma das t\u00f4nicas do evento. A estrela maior ser\u00e1 o pitmaster norte-americano Ed Mitchell, que acaba de entrar para o cobi\u00e7ado Barbecue Hall of Fame.<\/p>\n<p>Mas quem reparar direitinho vai ver que novos ventos est\u00e3o soprando as brasas da Churrascada, uma tend\u00eancia que j\u00e1 era vis\u00edvel nas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es e aparece refor\u00e7ada este ano.<br \/>Estar\u00e3o l\u00e1 Ant\u00f4nio da Concei\u00e7\u00e3o, conhecido como Playboy, preparando a tradicional carne de fumeiro de Maragogipe (BA), no Rec\u00f4ncavo Baiano, e o ga\u00facho Fabricio Goulart, assando shoulders no churrasco de vala, m\u00e9todo secular que resiste nos pampas.<\/p>\n<p>Ma\u00edco dos Santos, trazido de Alter do Ch\u00e3o (PA), foi encarregado de exibir a piracaia amaz\u00f4nica, peixe assado em moqu\u00e9m ???pela primeira vez, pescados tiveram entrada permitida na Churrascada.<\/p>\n<p>E o paulistano Paulo Yoller vai preparar cordeiro e porco no biaribi, t\u00e9cnica ind\u00edgena na qual o alimento \u00e9 cozido em uma cova, envolto em folha de bananeira.<\/p>\n<p>Para elaborar o card\u00e1pio com acento brasuca, Gustavo Bottino, criador do festival, aproveitou a interrup\u00e7\u00e3o do evento durante a pandemia para mergulhar na pesquisa de t\u00e9cnicas dos povos origin\u00e1rios das Am\u00e9ricas, muitas delas temperadas pelas influ\u00eancias africanas.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que essas t\u00e9cnicas t\u00eam potencial de virar uma nova onda. Est\u00e1 na hora de encontrarmos uma identidade brasileira para o churrasco&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Entre assadores, Bottino tem fama de ser justamente um dos principais respons\u00e1veis pela moda do american barbecue por aqui. De 2012 a 2016, ele comandou o restaurante BOS BBQ, na Vila Madalena, e apresentou ao paulistano o ent\u00e3o chamado churrasco texano.<\/p>\n<p>Nessa t\u00e9cnica, os cortes s\u00e3o assados pela a\u00e7\u00e3o indireta do fogo em churrasqueiras especiais, os pit smokers. Quem faz o servi\u00e7o \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de fuma\u00e7a e calor gerado pela lenha ou carv\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um tipo de churrasco bem peculiar, como explica o paraense Edvaldo Carib\u00e9, autor do livro &#8220;O Barbecue Brasileiro &#8211; do Moqu\u00e9m ao Pit Smoker&#8221; (editora Lettera).<\/p>\n<p>&#8220;A caracter\u00edstica do american barbecue \u00e9 a crosta escura e caramelizada, diferente da colora\u00e7\u00e3o mogno do churrasco brasileiro, fruto do contato direto com o fogo.&#8221;<\/p>\n<p>O que pouca gente sabe \u00e9 que o churrasco americano e as nossas t\u00e9cnicas ancestrais t\u00eam a mesma origem. &#8220;Embora o barbecue seja o s\u00edmbolo da cultura dos Estados Unidos, suas ra\u00edzes est\u00e3o fortemente ligadas aos povos ind\u00edgenas das Am\u00e9ricas Central e do Sul&#8221;, diz Carib\u00e9.<\/p>\n<p>Nos prim\u00f3rdios, tanto l\u00e1 como aqui, carnes e peixes eram assados sobre estruturas suspensas de madeira ???o moqu\u00e9m, ou barbacoa, cujo princ\u00edpio tamb\u00e9m \u00e9 o preparo na fuma\u00e7a, sob a\u00e7\u00e3o indireta do fogo.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi diferente no sul do pa\u00eds, onde os guaranis comiam churrasco malpassado, para desespero dos jesu\u00edtas, que temiam contamina\u00e7\u00e3o por vermes.<\/p>\n<p>&#8220;O m\u00e1ximo que os nativos faziam era colocar alguns peda\u00e7os de carne em cima de uma esp\u00e9cie de grelha chamada m\u00f4ca\u00eata. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o assavam, mas defumavam a refei\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Clarice Chwartzmann, coautora de &#8220;Os Ga\u00fachos e o Churrasco &#8211; Uma Jornada ao Redor do Fogo&#8221; (editora. Quattro Projetos).<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que norte-americanos investiram tanto na evolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de defuma\u00e7\u00e3o que chegaram ao atual pit smoker, equipamento luxuoso que permite controle preciso de temperatura e circula\u00e7\u00e3o de fuma\u00e7a, com formato similar ao de um barril transformado em churrasqueira.<\/p>\n<p>Aqui, o caminho foi outro: o churrasco que se popularizou nos centros urbanos foi o ga\u00facho dos espetos, devidamente adaptado para a rotina moderna.<\/p>\n<p>&#8220;O churrasco de fogo de ch\u00e3o, feito com cortes enormes, leva de 4 a 12 horas para ficar pronto. ?? medida em que o mercado passou a oferecer cortes menores, que podem ser assados rapidamente em contato direto com o fogo, a cultura foi mudando&#8221;, explica Clarice.<\/p>\n<p>Enquanto isso, as t\u00e9cnicas mais r\u00fasticas, do churrasco assado sob defuma\u00e7\u00e3o, que exige espa\u00e7o e paci\u00eancia, ficaram restritas a culturas regionais.<\/p>\n<p>&#8220;O moqu\u00e9m foi desprezado pelos colonizadores, mas vejo que, aos poucos, est\u00e1 despertando interesse no mundo do churrasco&#8221;, festeja Carib\u00e9, que n\u00e3o perde a oportunidade de montar moqu\u00e9ns nos eventos gastron\u00f4micos para os quais \u00e9 convidado.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m defende que assadores brasileiros lacrem seus caros pit smokers e voltem a usar estruturas rudimentares de madeira para defuma\u00e7\u00e3o ???pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Encontrar uma identidade brasileira para o churrasco n\u00e3o depende apenas da t\u00e9cnica. Vale at\u00e9 usar o pit smoker americano, que afinal funciona t\u00e3o bem, mas com sabores nossos, dos temperos e acompanhamentos ao tipo de lenha.<\/p>\n<p>Quer um exemplo? Na Churrascada, a dupla Tat\u00e1 Lowrider e Walter Amaral vai servir brisket, o corte mais famoso do american barbecue, mas com jambu e tucupi.<\/p>\n<p>Para Bottino, \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de virar a &#8220;chavinha&#8221;. &#8220;O Brasil tem muito craque e est\u00e1 mais do que na hora de deixarmos de ser um pa\u00eds que apenas soube copiar bem o churrasco norte-americano. Agora \u00e9 a vez do brazilian barbecue.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; No pr\u00f3ximo s\u00e1bado (6), 3.000 pessoas v\u00e3o se reunir em um complexo de galp\u00f5es da avenida Henry Ford, na Mooca, para comer\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":197297,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8135],"tags":[],"class_list":["post-197296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estilo-de-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197296\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=197296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=197296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}