{"id":198800,"date":"2022-08-04T15:43:43","date_gmt":"2022-08-04T18:43:43","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/a-eleicao-em-que-bolsonaro-defendeu-urna-eletronica-como-antidoto-contra-fraude-no-voto-impresso\/"},"modified":"2022-08-04T15:43:43","modified_gmt":"2022-08-04T18:43:43","slug":"a-eleicao-em-que-bolsonaro-defendeu-urna-eletronica-como-antidoto-contra-fraude-no-voto-impresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/04\/a-eleicao-em-que-bolsonaro-defendeu-urna-eletronica-como-antidoto-contra-fraude-no-voto-impresso\/","title":{"rendered":"A elei\u00e7\u00e3o em que Bolsonaro defendeu urna eletr\u00f4nica como ant\u00eddoto contra fraude no voto impresso"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Esse Congresso est\u00e1 mais do que podre&#8221;, gritou o ent\u00e3o deputado federal Jair Bolsonaro no dia 20 de agosto de 1993. &#8220;Estamos votando uma lei eleitoral que n\u00e3o muda nada. N\u00e3o querem informatizar as apura\u00e7\u00f5es. Sabe o que vai acontecer? Os militares ter\u00e3o 30 mil votos, e s\u00f3 ser\u00e3o computados 3.000&#8221;.<\/p>\n<ul>\n<li>De &#8216;se gritar pega Centr\u00e3o&#8217; a Arthur Lira cabo eleitoral: a guinada de Bolsonaro em 4 anos<\/li>\n<\/ul>\n<p>Bolsonaro, ent\u00e3o filiado ao PPR (Partido Progressista Reformador) de Paulo Maluf, discursava para coron\u00e9is e generais da reserva na sede do Clube Militar do Rio de Janeiro em um evento para discutir a &#8220;salva\u00e7\u00e3o do Brasil&#8221;. Fazia uma defesa da nascente urna eletr\u00f4nica como um ant\u00eddoto contra fraudes que ocorriam no voto impresso.<\/p>\n<p>A maior parte da reuni\u00e3o, segundo o Jornal do Brasil da \u00e9poca, ocorreu sob sigilo, com os participantes divididos em seus planos para a retomada do poder. Uns defendiam o lan\u00e7amento de candidaturas para as elei\u00e7\u00f5es de 1994. Outros, como Bolsonaro, sustentavam que a via democr\u00e1tica era um &#8220;sistema viciado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Independente das pequenas diverg\u00eancias, n\u00f3s j\u00e1 somos uma for\u00e7a pol\u00edtica, e estamos crescendo&#8221;, disse no evento do clube militar Euclydes Figueiredo (1919-2009), irm\u00e3o de Jo\u00e3o Figueiredo (1918-1999), \u00faltimo presidente da ditadura militar brasileira. &#8220;N\u00e3o queremos o golpe, mas eles nos temem&#8221;.<\/p>\n<p>No final daquele ano, enumeraria as provid\u00eancias que julgava necess\u00e1rias para garantir a lisura do processo eleitoral ??? entre elas, a proibi\u00e7\u00e3o do voto dos analfabetos, a exig\u00eancia de segundo grau (o antigo ensino m\u00e9dio) para os candidatos e a informatiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 com essas medidas conseguir\u00edamos evitar os votos comprados&#8221;, disse.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es contrastam com uma das principais plataformas do atual presidente da Rep\u00fablica: lan\u00e7ar desconfian\u00e7a sobre a lisura da urna eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>As investidas de Bolsonaro contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) v\u00eam se acirrando desde 7 de outubro de 2018, com a defini\u00e7\u00e3o do segundo turno contra Fernando Haddad (PT) na \u00faltima disputa presidencial. <\/p>\n<p>&#8220;Lamentavelmente, o sistema derrotou o voto impresso&#8221;, disse o ent\u00e3o candidato presidencial do PSL. &#8220;Se tiv\u00e9ssemos confian\u00e7a no voto eletr\u00f4nico, j\u00e1 ter\u00edamos o nome do futuro presidente da Rep\u00fablica decidido no dia de hoje&#8221;.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 14 de julho, o Minist\u00e9rio da Defesa sob comando de Bolsonaro sugeriu, para as elei\u00e7\u00f5es de 2022, uma vota\u00e7\u00e3o paralela em c\u00e9dulas de papel, sob a justificativa de testar a confiabilidade do sistema eletr\u00f4nico. <\/p>\n<p>Quatro dias depois, em meio a uma reuni\u00e3o com embaixadores estrangeiros no Pal\u00e1cio da Alvorada, Bolsonaro criticou ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-os de sabotar eventuais medidas de transpar\u00eancia.<\/p>\n<h3>&#8220;Bozo Ricupero&#8221;<\/h3>\n<p>Em 1994, ano em que Bolsonaro se reelegeu para a C\u00e2mara dos Deputados, a infla\u00e7\u00e3o e o Ex\u00e9rcito assombravam os debates pol\u00edticos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Era tamb\u00e9m o in\u00edcio do Plano Real.<\/p>\n<p>A medida provis\u00f3ria n\u00ba 434, publicada no final de fevereiro de 1994, instaurava a Unidade Real de Valor (URV), empregando-a como refer\u00eancia nas convers\u00f5es financeiras para a nova moeda, a ser lan\u00e7ada em junho.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es trabalhistas se opunham aos crit\u00e9rios do governo, por consider\u00e1-los prejudiciais aos assalariados. Segundo c\u00e1lculos do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), as perdas no poder de compra da popula\u00e7\u00e3o oscilariam entre 26% e 55%. <\/p>\n<p>A URV desagradava igualmente ao Ex\u00e9rcito. De acordo com Bolsonaro, coron\u00e9is teriam soldos reduzidos a 5,5 sal\u00e1rios m\u00ednimos; capit\u00e3es, a 3,2; e sargentos, a 2,5. <\/p>\n<p>O jornal Tribuna da Imprensa noticiou que, em 1\u00ba de mar\u00e7o, Bolsonaro discursou na tribuna da C\u00e2mara: &#8220;N\u00e3o admito uma pol\u00edtica econ\u00f4mica dessa forma. J\u00e1 que o presidente n\u00e3o \u00e9 homem, que pelo menos o ministro seja, e assuma de vez esse arrocho&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o di\u00e1rio Jornal do Brasil de 12 de mar\u00e7o, o atual presidente recomendava &#8220;a\u00e7\u00f5es de guerrilha, saques e sabotagem&#8221; contra o Plano Real para evitar que militares se transformassem em &#8220;meros funcion\u00e1rios de quarteis&#8221;.  <\/p>\n<p>Em 14 de abril, o Congresso aprovou a medida provis\u00f3ria n\u00ba 457, que implementava pequenas mudan\u00e7as \u00e0 URV, sem incorporar as propostas da oposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Bolsonaro, aos berros, alardeou: &#8220;Vejam o que eu fa\u00e7o com essa m&#8230;&#8221;. <\/p>\n<p>Em seguida, dirigiu-se ao senador Ronan Tito (PMDB-MG), que segurava uma c\u00f3pia do texto, e arrancou o papel de suas m\u00e3os, rasgando-o e cuspindo sobre as folhas picadas.<\/p>\n<p>Quatro dias depois, o incidente reverberaria no Clube Militar. Falas do evento foram registradas pelo Tribuna da imprensa ??? o jornal que mais citaria o parlamentar ao longo dos anos 1990. <\/p>\n<p>&#8220;Hoje n\u00e3o preciso cuspir em ningu\u00e9m. Aqui, estou entre amigos&#8221;, discursou Bolsonaro, de volta ao local. <\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o posso dizer o mesmo do Congresso, que \u00e9 uma pocilga.&#8221;<\/p>\n<p>Rubens Ricupero, que substitu\u00edra Fernando Henrique no Minist\u00e9rio da Fazenda, foi o maior alvo do deputado naquela segunda-feira: &#8220;Esse ministro Bozo Ricupero est\u00e1 fazendo papel de palha\u00e7o ao dizer que as medidas protegem sal\u00e1rios&#8221;, acusou.<\/p>\n<p>&#8220;O Plano Real s\u00f3 dura at\u00e9 o dia 3 de outubro, para eleger o canalh\u00e3o do FHC. Tenho imunidade para falar o que quero, n\u00e3o para roubar.&#8221;<\/p>\n<p>Fernando Henrique se demitira para disputar o comando do Executivo pelo PSDB. Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, seu principal advers\u00e1rio, concorria \u00e0 presid\u00eancia pelo PT. <\/p>\n<p>O golpe de 1964 completava tr\u00eas d\u00e9cadas, e sua mem\u00f3ria vinha sendo relativizada por diversas candidaturas militares menos de dez anos ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Clube Militar, uma plateia de 200 oficiais aplaudiu a fala de Bolsonaro. <\/p>\n<p>Mas Euclydes Figueiredo externou certa ressalva: &#8220;J\u00e1 dei conselho para ele falar tudo o que queira do Congresso, desde que n\u00e3o use adjetivos&#8221;.<\/p>\n<h3>&#8220;Eu n\u00e3o entendo nada de pol\u00edtica&#8221;<\/h3>\n<p>Numa sexta-feira, 12 de agosto, cem militares da reserva se aglomeraram em frente ao Pal\u00e1cio Duque de Caxias, no centro do Rio de Janeiro. Insatisfeitos com os pr\u00f3prios sal\u00e1rios, entoavam palavras de ordem: &#8220;Melhor sobreviver na ditadura que morrer nessa democracia&#8221;.<\/p>\n<p>Bolsonaro liderava a manifesta\u00e7\u00e3o. Como prova dos baixos vencimentos recebidos pela categoria, ostentou uma xerox do seu contracheque de parlamentar, lado a lado com o de um general e o de um juiz. <\/p>\n<p>&#8220;Desafio o presidente da Rep\u00fablica a divulgar na imprensa os contracheques dos funcion\u00e1rios das estatais, do Banco Central, dos auditores fiscais, entre outros&#8221;, declarou \u00e0 Tribuna da Imprensa. &#8220;Eles financiam a campanha do FHC com o que roubam dos civis e militares&#8221;, acusou o congressista, sem apresentar provas.  <\/p>\n<p>Os militares planejavam disputar elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias naquele ano.<\/p>\n<p>O general Newton Cruz (1924-2022), candidato ao governo do Estado pelo PSD carioca, mostrava-se otimista com o futuro dos militares junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica: &#8220;A maioria da popula\u00e7\u00e3o do Rio prefere um governador que n\u00e3o seja pol\u00edtico&#8221;, afirmou o general. <\/p>\n<p>&#8220;A todo momento, a gente ouve que antigamente era melhor, que as coisas n\u00e3o eram t\u00e3o ruins quanto hoje&#8221;.<\/p>\n<p>Em agosto daquele ano, pesquisas do Instituto Gerp revelariam que o general tinha apenas 4% das inten\u00e7\u00f5es de voto no estado, contra 10% de Jorge Bittar (PT), 24% de Marcello Alencar (PSDB) e 27% de Anthony Garotinho (PDT). <\/p>\n<p>Cruz, por\u00e9m, questionou as estat\u00edsticas: &#8220;O que vale \u00e9 o que estou vendo nas ruas&#8221;, disse. &#8220;Pelo que li, o estudo foi pago pelo PT. N\u00e3o quero discutir com nenhum instituto, mas n\u00e3o acredito nessa pesquisa. Se for verdade, tem muita gente mentindo para mim.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto isso, Bolsonaro se dizia ignorante sobre pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Um jornalista da Tribuna da Imprensa perguntou o que ele achava da coliga\u00e7\u00e3o de seu PPR com o PSD de Newton Cruz: &#8220;Eu n\u00e3o entendo nada de pol\u00edtica, n\u00e3o tenho a m\u00ednima ideia&#8221;, respondeu. <\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 estou aqui no cantinho, com o meu pessoal.&#8221;<\/p>\n<p>Mas o capit\u00e3o mostrava-se desconfort\u00e1vel com outros colegas de caserna que adentraram a pol\u00edtica: &#8220;Alguns querem apenas atrapalhar o trabalho dos mais bem situados&#8221;, reclamou. <\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o foi vista como uma indireta a S\u00e9rgio Porto da Luz ??? oficial da Marinha, assessor legislativo e candidato a deputado federal pelo PMDB.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 lugar para todos&#8221;, defendeu-se Porto da Luz. &#8220;Bolsonaro diz no programa eleitoral que os demais candidatos n\u00e3o fizeram nada pelos militares, quando na verdade \u00e9 ele quem rouba as ideias dos outros.&#8221;<\/p>\n<p>Numa quinta-feira, 10 de novembro, o oficial da Marinha prestou queixa no 22\u00ba DP da Penha, acusando Bolsonaro e outros seis homens de terem agredido seus eleitores na campanha de segundo turno. <\/p>\n<p>O ataque, segundo Porto da Luz, teria provocado ferimentos nas m\u00e3os e bra\u00e7os das v\u00edtimas, entre elas um sargento, Eurico Pamplona, e sua filha, Andrea Lisboa.<\/p>\n<p>Bolsonaro narrou uma outra hist\u00f3ria: dizia ter se apoderado dos panfletos que seus advers\u00e1rios distribu\u00edam pela Avenida Brasil, e descartado o material num bueiro. <\/p>\n<p>Negava, entretanto, quaisquer agress\u00f5es f\u00edsicas: &#8220;Porto da Luz \u00e9 homossexual passivo e recalcado&#8221;, declarou \u00e0 Tribuna da Imprensa. &#8220;N\u00e3o vou comprar briga com ele&#8221;.<\/p>\n<h3>&#8220;Claro que roubaram meus votos&#8221;<\/h3>\n<p>O segundo turno para governador do Rio de 1994 seria disputado entre o ex-prefeito do Rio Marcello Alencar (PSDB) e o ex-prefeito de Campos dos Goytacazes Anthony Garotinho (PDT). O tucano acabaria vencendo.<\/p>\n<p>Mas o Legislativo fluminense tamb\u00e9m teve uma nova elei\u00e7\u00e3o no segundo turno porque a vota\u00e7\u00e3o para deputado ocorrida no primeiro turno foi anulada.<\/p>\n<p>Jairo Vasconcelos do Carmo, juiz da 13\u00aa Zona, anulou os votos de uma urna mal lacrada na 923\u00aa se\u00e7\u00e3o. Na 890\u00aa, teriam sido encontradas pelo menos 20 c\u00e9dulas n\u00e3o assinadas pelos mes\u00e1rios. <\/p>\n<p>Na 1\u00aa Zona, o juiz Fernando Cabral descobriu irregularidades em 185 c\u00e9dulas ??? de acordo com uma reportagem publicada pelo Jornal do Brasil, todas elas beneficiavam um candidato militar.<\/p>\n<p>&#8220;Isso abala a credibilidade da democracia&#8221;, lamentou a deputada Cidinha Campos (PDT). &#8220;O in\u00edcio de tudo \u00e9 a fraude eleitoral. O parlamentar j\u00e1 chega ao Congresso roubando&#8221;.<\/p>\n<p>A sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), no centro da capital fluminense, teve sua vigil\u00e2ncia refor\u00e7ada ap\u00f3s o recebimento de um telefonema an\u00f4nimo com amea\u00e7as de morte a Youssef Salim Saker, presidente do Tribunal, ao procurador Alcir Molina e ao ent\u00e3o juiz e atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, que ordenara a recontagem de 380 mil votos na 25\u00aa Zona.<\/p>\n<p>&#8220;Isso parte de um grupo de pessoas contrariadas com meu trabalho contra as fraudes&#8221;, declarou Fux. &#8220;Mas vou jogar duro at\u00e9 o final&#8221;.<\/p>\n<p>No dia 19 de outubro, o TRE decidiu, por unanimidade, anular as elei\u00e7\u00f5es para deputado no Rio de Janeiro ??? um novo pleito, em 15 de novembro, ocorreria paralelamente ao segundo turno para governador. <\/p>\n<p>Bolsonaro, eleito na disputa cancelada, apoiava a medida: &#8220;Claro que roubaram meus votos&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>O TRE requisitou o apoio das For\u00e7as Armadas para o monitoramento dos col\u00e9gios eleitorais na nova vota\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As tropas do Ex\u00e9rcito, contudo, mostraram-se incapazes de deter as irregularidades no dia.<\/p>\n<p>Luiz Noronha Dantas, juiz da 25\u00aa Zona, descobriu, numa \u00fanica urna, 12 c\u00e9dulas preenchidas com a mesma caligrafia, todas em benef\u00edcio de um candidato a deputado estadual pelo PSC. <\/p>\n<p>&#8220;A semelhan\u00e7a \u00e9 incontest\u00e1vel, por isso decidi anular os votos&#8221;, explicou o magistrado ao Jornal do Brasil.<\/p>\n<p>Um procedimento similar envolveu os nomes de outros candidatos a deputado. A falsifica\u00e7\u00e3o, nesse caso, era mais sofisticada: &#8220;As caligrafias se repetem de quatro em quatro e de dois em dois votos&#8221;, disse Dantas.<\/p>\n<p>Bolsonaro mostrava-se confiante: &#8220;Em 3 de outubro, fui o mais votado aqui na 13\u00aa Zona. A presen\u00e7a do Ex\u00e9rcito ajuda a inibir fraudadores, mas houve falhas. As For\u00e7as Armadas deveriam ter realizado o transporte das urnas at\u00e9 os locais de apura\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Horas depois, o juiz Nelson Carvalhal, da 24\u00aa Zona, descobriria quatro c\u00e9dulas falsas, impressas em papel mais fino. <\/p>\n<p>Beneficiavam quatro candidatos, entre eles Bolsonaro. <\/p>\n<p>A BBC News Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa do presidente, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 o fechamento desta reportagem.<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica frequentemente vinha associada a um tipo espec\u00edfico de fraude, conhecido por <b>&#8220;voto formiguinha&#8221;<\/b>: o eleitor inseria na urna uma c\u00e9dula falsa, e em seguida repassava a terceiros uma aut\u00eantica. O c\u00famplice, depositando de forma irregular a c\u00e9dula recebida fora da se\u00e7\u00e3o, por fim subtra\u00eda outra, encaminhada a um novo fraudador ??? e assim sucessivamente.<\/p>\n<p>Semelhante esquema levou Suimei Cavalieri, ju\u00edza da 82\u00aa Zona, a impugnar os 350 votos de uma urna. &#8220;Estamos peneirando tudo&#8221;, anunciou a magistrada. &#8220;Aqueles que conseguiram fraudar na vota\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sendo descobertos agora&#8221;.<\/p>\n<p>Bolsonaro recebeu 134.643 votos ??? a terceira maior vota\u00e7\u00e3o no Estado entre os candidatos a deputado federal. <\/p>\n<h3>O voto eletr\u00f4nico nos prim\u00f3rdios<\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m naquele segundo turno de 1994, em cinco se\u00e7\u00f5es do Educand\u00e1rio Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, tradicional col\u00e9gio cat\u00f3lico no centro de Florian\u00f3polis, ocorria mais uma experi\u00eancia do nascente voto eletr\u00f4nico na hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Servi\u00e7o Federal de Processamento de Dados (Serpro), envolveu cerca de 1.880 eleitores. <\/p>\n<p>Paulo Afonso Vieira, candidato a governador pelo PMDB, obteve 987 votos, contra 795 de ??ngela Amin, do PPR. Os terminais contabilizaram 12 votos brancos e 86 nulos.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida \u00e0 R\u00e1dio Nacional na manh\u00e3 do dia anterior, Sep\u00falveda Pertence, ent\u00e3o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendera o novo sistema como \u00fanica forma de se evitar fraudes: &#8220;Esperamos que esse acontecimento chame a aten\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional para a necessidade inadi\u00e1vel de chegarmos \u00e0 limpidez completas das elei\u00e7\u00f5es brasileiras&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>A total informatiza\u00e7\u00e3o do pleito, alegava Pertence, era um caminho quase certo ??? cerca de 3.500 microcomputadores j\u00e1 haviam sido entregues \u00e0s zonas eleitorais para os trabalhos de apura\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O \u00faltimo passo seria o processamento eletr\u00f4nico dos votos, dentro da pr\u00f3pria urna: &#8220;Se pararmos na constru\u00e7\u00e3o da rede, teremos constru\u00eddo um rob\u00f4 modern\u00edssimo com p\u00e9s de barro&#8221;, disse.<\/p>\n<p>As urnas eletr\u00f4nicas seriam oficialmente implementadas em 1996 ??? na ocasi\u00e3o, eleitores de 57 munic\u00edpios escolheram prefeitos e vereadores pelo novo sistema. <\/p>\n<p>Em 2000, a informatiza\u00e7\u00e3o atingiu pela primeira vez a totalidade do eleitorado. Hoje, ela permanece na mira do Poder Executivo.<\/p>\n<p><i>&#8211; Este texto foi publicado em <\/i>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-62311882<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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