{"id":199282,"date":"2022-08-05T08:29:01","date_gmt":"2022-08-05T11:29:01","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/moradores-e-trabalhadores-relatam-mudancas-na-rotina-apos-da-estudante-cristal\/"},"modified":"2022-08-05T08:29:01","modified_gmt":"2022-08-05T11:29:01","slug":"moradores-e-trabalhadores-relatam-mudancas-na-rotina-apos-da-estudante-cristal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/05\/moradores-e-trabalhadores-relatam-mudancas-na-rotina-apos-da-estudante-cristal\/","title":{"rendered":"Moradores e trabalhadores relatam mudan\u00e7as na rotina ap\u00f3s da estudante Cristal"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Era para ser mais uma semana comum na rotina de Amanda Rosa, 28 anos, auxiliar administrativa, que trabalha diariamente na Ladeira da Barra. Entretanto, ap\u00f3s a morte da estudante Cristal Pacheco, de 15 anos, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (2), em frente ao Pal\u00e1cio da Aclama\u00e7\u00e3o, pr\u00f3ximo ao Campo Grande, a insegura tomou conta da rotina da profissional.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A auxiliar administrativa, moradora do bairro do Toror\u00f3, no Centro de Salvador, realizava todos os dias o trajeto at\u00e9 seu trabalho a p\u00e9, como forma de economizar dinheiro e movimentar seu corpo. Nesta quinta-feira (4), Amanda aguardava seu segundo transporte da manh\u00e3, ao lado \u00a0de uma banca de revista, em frente \u00e0 Pra\u00e7a do Campo Grande, afastada 500m do ponto de \u00f4nibus. ???Estou aqui como forma de estrat\u00e9gia. Quem passa, acha que estou me protegendo da chuva, mas \u00e9 como consigo ter uma vis\u00e3o completa da regi\u00e3o. Vejo quem vem de todos os lados e me escondo???, afirma a jovem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Com o novo trajeto, Amanda gasta uma hora do seu dia para chegar ao trabalho utilizando dois \u00f4nibus, tempo esse que era reduzido pela metade quando a moradora do Toror\u00f3 se sentia apta a fazer sua caminhada. Segundo a profissional, o novo esquema de deslocamento faz parte das suas recentes atividades para driblar poss\u00edveis furtos e roubos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Seu retorno para casa, por volta das 19h30, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo: ???pe\u00e7o a meu namorado para ir me buscar de moto porque minha volta para casa, normalmente, \u00e9 pelo Campo Grande, nesse hor\u00e1rio as ruas j\u00e1 est\u00e3o vazias. Fiquei muito abalada com a morte de Cristal e n\u00e3o consigo mais voltar andando sozinha. Por ser mulher, s\u00e3o in\u00fameros fatores que mexem com meu psicol\u00f3gico, tantos casos ruins e, infelizmente, podem acontecer comigo???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ainda refor\u00e7ando o choque pela vida de uma crian\u00e7a ter sido interrompida por um motivo t\u00e3o f\u00fatil, Amanda se mostra preocupada com sua integridade f\u00edsica nas ruas do centro da cidade. ???Minha vida \u00e9 muito cara para ser tirada por causa de um celular, um bem material. Estou realmente muito em choque???, desabafa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nas proximidades da Casa D???It\u00e1lia, com sua barraca de apostas esportivas, Beatriz Ara\u00fajo, 25, trabalha de segunda a s\u00e1bado na regi\u00e3o. H\u00e1 5 anos no mesmo posto, a jovem afirma que os casos de inseguran\u00e7a n\u00e3o t\u00eam influenciado em sua rotina de trabalho. Por outro lado, tendo uma din\u00e2mica que envolve quantias em dinheiro, o medo sempre esteve presente.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Meus bens materiais posso trabalhar para conseguir comprar novamente, mas e o dinheiro dos outros? Meu maior medo \u00e9 n\u00e3o ter como prestar contas e devolver esse dinheiro do trabalho que est\u00e1 sob a minha responsabilidade???, afirma Beatriz.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pris\u00e3o ao ar livre<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A viol\u00eancia assusta tamb\u00e9m aqueles que moram nas imedia\u00e7\u00f5es do Pal\u00e1cio da Aclama\u00e7\u00e3o, no Campo Grande. Isaura de Codes, 69, assistente social, morou 20 anos no Corredor da Vit\u00f3ria. Atualmente, a idosa mora no Campo Grande e afirma que seu pr\u00e9dio foi invadido cerca de quatro vezes desde quando se mudou h\u00e1 2 anos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A assistente social relata que constantemente medidas s\u00e3o tomadas no edif\u00edcio no qual reside. ???Tivemos que redobrar a seguran\u00e7a do pr\u00e9dio, levantar mais o muro e colocar grades na parte do fundo para evitar essas invas\u00f5es. Felizmente os meliantes s\u00f3 conseguem adentrar a parte do por\u00e3o, sem conseguir acessar os elevadores e apartamentos.???<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Isaura participa do grupo de dan\u00e7a ???Agita, Campo Grande??? e frequenta as aulas no turno da manh\u00e3, preferencialmente \u00e0s 06h. Diante dos constantes assaltos e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua na regi\u00e3o, a assistente social tem refor\u00e7ado seus h\u00e1bitos de seguran\u00e7a: ???n\u00e3o levo celular, nem uso correntes e rel\u00f3gio. Ando sempre com minhas m\u00e3os livres, sem levar absolutamente nada. H\u00e1 anos evito caminhar pelo local onde a estudante Cristal foi morta justamente por n\u00e3o me sentir segura.???<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A senhora, que tamb\u00e9m faz aulas na Casa D???It\u00e1lia, conta que estende sua caminhada quando precisa sair a p\u00e9. ???Para mim seria muito r\u00e1pido andar em linha reta partindo do local onde moro, mas n\u00e3o fa\u00e7o isso. Sempre dou a volta no Rel\u00f3gio de S\u00e3o Pedro, l\u00e1 tem ambulantes e lojas, que deixam a via mais movimentada. Eu j\u00e1 vinha me precavendo, tentando evitar estar exposta e agora estou redobrando os cuidados???, conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para a jornalista Queila do Val, 46 anos, a seguran\u00e7a nos bairros do Centro da cidade deixa a desejar h\u00e1 anos. Segundo ela, ap\u00f3s a pandemia, o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua aumentou nas avenidas e pra\u00e7as. Ainda no dia em que Cristal Pacheco foi morta, a jornalista participou de uma aula coletiva de funcional na Pra\u00e7a do Campo Grande.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???O grupo que fa\u00e7o essa atividade costuma se reunir no final das aulas para ficar conversando, resenhando por um tempo. Naquela ter\u00e7a, em especial, fizemos uma aula mais silenciosa, com volume do som reduzido. No final da aula, guardamos os equipamentos e cada um foi para sua casa de maneira r\u00e1pida. Quem tem o h\u00e1bito de ir a p\u00e9, pegou carona com um dos colegas ou foi de carro, evitamos ao m\u00e1ximo a exposi\u00e7\u00e3o naquele momento???, afirma a comunicadora.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Sobre os cuidados com sua seguran\u00e7a, Queila diz que tem pavor de andar de \u00f4nibus e prefere realizar suas atividades do dia a dia andando, sem levar bolsa e escondendo seu celular na roupa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Espero realmente que a quest\u00e3o da seguran\u00e7a seja revista para que possamos continuar seguindo nossa vida, ir e vir sem se preocupar em ser atacada pelo caminho. Por enquanto vou seguir com minhas atividades, saindo em hor\u00e1rios de maior movimenta\u00e7\u00e3o, principalmente com meus cachorros &#8211; que s\u00e3o de ra\u00e7a &#8211; e podem tamb\u00e9m virar alvos de bandidos. Evitar tamb\u00e9m andar com coisas valiosas \u00e0 vista, infelizmente acaba sendo uma pris\u00e3o ao ar livre???, desabafa a jornalista.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Policiamento<\/strong><br \/> Procurada para falar sobre a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a de quem frequenta a regi\u00e3o, a Pol\u00edcia Militar informou, atrav\u00e9s de nota, que\u00a0atua preventivamente com rondas nas vias p\u00fablicas ou atrav\u00e9s de den\u00fancias feitas por quem frequenta o local. Acrescentou ainda que o\u00a0policiamento no Campo Grande \u00e9 realizado pelo 18\u00ba Batalh\u00e3o da PM diuturnamente, com o uso de viaturas, que circulam pela regi\u00e3o de forma &#8220;ostensivas e preventiva&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ainda na nota, a PM destacou que, al\u00e9m do policiamento habitual feito no Centro, equipes da Companhia de Emprego T\u00e1tico Operacional (Ceto), &#8220;se sobrep\u00f5em ao policiamento dos setores, de acordo com a mancha criminal&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;A unidade tem intensificado sua atua\u00e7\u00e3o, inclusive com opera\u00e7\u00f5es, com vistas a coibir a\u00e7\u00f5es delituosas de quaisquer naturezas, contando com o refor\u00e7o e o apoio da Companhia Independente de Policiamento T\u00e1tico (CIPT) &#8211; Rondesp BTS, que realiza constantes a\u00e7\u00f5es preventivas na localidade. A regi\u00e3o do Campo Grande conta, ainda, com o emprego de policiais em escalas extraordin\u00e1rias da Opera\u00e7\u00e3o Centro Hist\u00f3rico de Salvador (CHS)&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><em>*Com supervis\u00e3o da chefe de reportagem Perla Ribeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era para ser mais uma semana comum na rotina de Amanda Rosa, 28 anos, auxiliar administrativa, que trabalha diariamente na Ladeira da Barra. 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