{"id":200563,"date":"2022-08-07T15:45:01","date_gmt":"2022-08-07T18:45:01","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/disputa-pelo-planalto-traz-debate-sobre-desigualdade-de-genero-na-politica\/"},"modified":"2022-08-07T15:45:01","modified_gmt":"2022-08-07T18:45:01","slug":"disputa-pelo-planalto-traz-debate-sobre-desigualdade-de-genero-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/07\/disputa-pelo-planalto-traz-debate-sobre-desigualdade-de-genero-na-politica\/","title":{"rendered":"Disputa pelo Planalto traz debate sobre desigualdade de g\u00eanero na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, o Brasil ter\u00e1, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, duas chapas inteiramente formadas por mulheres na corrida presidencial, tanto para presidente quanto para vice. O feito acontece ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o de Mara Gabrilli (PSDB) como vice na campanha de Simone Tebet (MDB-Federa\u00e7\u00e3o PSDB\/Cidadania-Podemos). A outra chapa feminina \u00e9 a do PSTU, com Vera L\u00facia ao lado da ind\u00edgena Kun\u00e3 Ypor\u00e3. Juntas com a senadora Soraya Thronicke (MS), oficializada candidata \u00e0 Presid\u00eancia pelo Uni\u00e3o Brasil, essa se torna a elei\u00e7\u00e3o com maior participa\u00e7\u00e3o de mulheres na disputa majorit\u00e1ria. <\/p>\n<p> A tend\u00eancia tamb\u00e9m deve se repetir no Legislativo, na contram\u00e3o do que foi vivenciado nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, quando as candidatas representaram apenas 32% das nominatas homologadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mesmo com a destina\u00e7\u00e3o de, pelo menos, 30% do fundo eleitoral para garantir a representatividade no pleito. O esperado \u00e9 que, neste ano, o resultado da disputa de outubro reflita melhor a presen\u00e7a da mulher na sociedade brasileira, especialmente no Congresso Nacional e nas Casas legislativas estaduais. <\/p>\n<p> Apesar das pol\u00edticas de incentivo, o Congresso Nacional ainda \u00e9 pouco feminino: no Senado, h\u00e1 apenas 12 senadoras (15%) em um universo de 81 cadeiras. Na C\u00e2mara dos Deputados, dos 513 lugares, apenas 77 (14,8%) s\u00e3o ocupados por mulheres.  <\/p>\n<p>Na \u00faltima campanha eleitoral, casos de candidaturas femininas laranjas foram evidenciados em pesquisa da das universidades estrangeiras University College London e James Madison University. Segundo o levantamento, 35% de todas as candidaturas de mulheres para a C\u00e2mara dos Deputados na elei\u00e7\u00e3o de 2018 n\u00e3o chegaram a alcan\u00e7ar 320 votos. Os n\u00fameros indicam que as candidatas sequer fizeram campanhas e levantaram a suspeita de que tenham sido usadas apenas para o cumprimento da lei de cotas.  <\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostrou que, 20 anos ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da lei de cotas, em 1998, pouco se avan\u00e7ou na representatividade de mulheres na C\u00e2mara. De 1998 a 2018, o percentual de deputadas passou de 5,6% para 15%. Por causa de casos como o das candidaturas laranja, o TSE reafirmou, em janeiro deste ano, a cota de g\u00eanero e endureceu as regras eleitorais para que os partidos cumpram efetivamente a legisla\u00e7\u00e3o em 2022. <\/p>\n<p> Nos anos anteriores, a quest\u00e3o era regulada por uma normativa do pr\u00f3prio TSE. Por\u00e9m, diante do descumprimento da regra, foi promulgada, em abril deste ano, a Emenda Constitucional 117. A lei institui que os partidos pol\u00edticos devem direcionar, no m\u00ednimo, 30% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do tempo de propaganda eleitoral obrigat\u00f3ria em r\u00e1dio e tev\u00ea as suas candidatas.  <\/p>\n<p>Para fomentar, ainda, as candidaturas femininas no longo prazo, a lei prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de programas de promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres. <br \/><strong><br \/>Pouco incentivo  <\/strong><\/p>\n<p>A docente e pesquisadora da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e consultora externa do Observat\u00f3rio de Mulheres na Pol\u00edtica da C\u00e2mara dos Deputados, Luciana Panke, enfatiza que, ao contr\u00e1rio de pa\u00edses como o M\u00e9xico, em que as cotas de representatividade s\u00e3o para as cadeiras no Legislativo &#8211; ou seja, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o -, no Brasil elas s\u00e3o obrigat\u00f3rias apenas para a disputa eleitoral. <\/p>\n<p> &#8220;Os partidos s\u00e3o obrigados a postular mulheres, isso n\u00e3o significa que essas candidaturas sejam competitivas. Muitas vezes, v\u00eam candidaturas que s\u00e3o ou fict\u00edcias ou com pouco investimento&#8221;, explicou. <\/p>\n<p>Al\u00e9m das cotas femininas, outras pol\u00edticas de incentivo \u00e0 representatividade identit\u00e1ria poder\u00e3o ser vistas nas elei\u00e7\u00f5es. A advogada eleitoral e pesquisadora do Observat\u00f3rio Nacional de Mulheres na Pol\u00edtica da C\u00e2mara dos Deputados Carla Rodrigues destaca tr\u00eas iniciativas principais. <\/p>\n<p>&#8220;O voto em dobro para negros e mulheres para fins de distribui\u00e7\u00e3o do fundo partid\u00e1rio e do fundo eleitoral deve encorajar os partidos a lan\u00e7ar candidaturas femininas mais competitivas, ou seja, v\u00e3o investir em mulheres que t\u00eam capital pol\u00edtico. Al\u00e9m disso, a entrada em vigor da Lei de Combate \u00e0 Viol\u00eancia Pol\u00edtica contra a Mulher, fen\u00f4meno global e antes invis\u00edvel, tamb\u00e9m contribui para a sub-representatividade&#8221;, explicou a advogada.<\/p>\n<p>  Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, a inclus\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica \u00e9 um desafio enfrentado devido \u00e0 falta de apoio e incentivo aos interesses pelo tema. ?? o que acredita a cientista pol\u00edtica Beatriz Finochio, que \u00e9 contra as cotas para as candidaturas femininas por considerar uma interven\u00e7\u00e3o que pode estimular a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  &#8220;O papel da mulher na pol\u00edtica \u00e9 recente, e o interesse tamb\u00e9m. A forma como a sociedade se configura, onde sequer a mulher podia opinar, mudou recentemente. Mas, agora, ela passar de eleitora para virar candidata, \u00e9 um caminho. ?? excelente ter mulheres na pol\u00edtica, mas, mais excelente seria se tiv\u00e9ssemos pessoas capacitadas independentemente do g\u00eanero&#8221;, argumentou a acad\u00eamica.  <\/p>\n<p>Para a doutoranda em ci\u00eancia pol\u00edtica na Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Brenda Barreto, a sub-representatividade come\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o interna dos pr\u00f3prios partidos. &#8220;O cen\u00e1rio que a gente v\u00ea da sub-representa\u00e7\u00e3o de mulheres em n\u00edvel nacional come\u00e7a na entrada da mulher em um partido. Se a gente olha quem s\u00e3o os presidentes dos partidos, as mulheres praticamente n\u00e3o existem em n\u00edvel nacional&#8221;, salientou.  <\/p>\n<p>O apoio dos homens \u00e0 causa \u00e9 fundamental para que as pol\u00edticas p\u00fablicas j\u00e1 existentes sejam bem-sucedidas. No entanto, a coordenadora da se\u00e7\u00e3o brasileira da Women&#8217;s Democracy Network (WDN\/Brazil), Silvia Rita de Souza, enxerga que, por vezes, os homens se sentem acuados com a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os por mais figuras femininas. <\/p>\n<p> &#8220;Quando a gente trata de espa\u00e7o pol\u00edtico, os homens se sentem acuados, at\u00e9 porque, para algu\u00e9m entrar, algu\u00e9m tem que sair. Eles sentem que est\u00e3o perdendo espa\u00e7o e muitos n\u00e3o entendem a luta&#8221;, avaliou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, o Brasil ter\u00e1, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, duas chapas inteiramente formadas por mulheres na corrida presidencial, tanto para presidente quanto para vice.\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":200564,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-200563","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=200563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200563\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=200563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=200563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=200563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}