{"id":201451,"date":"2022-08-09T05:45:55","date_gmt":"2022-08-09T08:45:55","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/emprestimo-ate-com-o-auxilio-brasil-como-brasileiros-encaram-as-dividas\/"},"modified":"2022-08-09T05:45:55","modified_gmt":"2022-08-09T08:45:55","slug":"emprestimo-ate-com-o-auxilio-brasil-como-brasileiros-encaram-as-dividas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/09\/emprestimo-ate-com-o-auxilio-brasil-como-brasileiros-encaram-as-dividas\/","title":{"rendered":"Empr\u00e9stimo at\u00e9 com o Aux\u00edlio Brasil: como brasileiros encaram as d\u00edvidas"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Encarar o come\u00e7o de m\u00eas se tornou um drama para a diarista Ethiele Martins Gon\u00e7alves, de 30 anos. Sem emprego fixo h\u00e1 um ano e meio, a belo-horizontina acumulou d\u00edvidas no per\u00edodo e precisa constantemente abrir m\u00e3o de compras consideradas mais sup\u00e9rfluas para viver com dignidade. Para n\u00e3o cair no vermelho, ela contraiu empr\u00e9stimo de R$ 2,5 mil nesta semana com a ideia de pag\u00e1-lo \u00e0 medida que vai conseguindo trabalhos tempor\u00e1rios na cidade.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O drama de Ethiele \u00e9 o mesmo enfrentado por milhares de brasileiros que t\u00eam dificuldade de honrar seus compromissos. N\u00e3o bastassem o alto \u00edndice de desemprego e as rendas m\u00e9dias cada vez mais baixas, o endividamento se transformou em um problema a mais num cen\u00e1rio j\u00e1 pessimista. Pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) em parceria com o Instituto FSB Pesquisa mostrou que um a cada quatro brasileiros n\u00e3o consegue pagar todas as contas no fim do m\u00eas. Pior do que isso, precisa se endividar para p\u00f4r comida na mesa. Enquanto isso, gastos com viagens, lazer e roupas se reduziram progressivamente.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A d\u00edvida de Ethiele teve seu maior peso em virtude do atraso de quatro meses no aluguel da casa onde mora, em um total de mais de R$ 2 mil, al\u00e9m de gastos com supermercado. ???O momento \u00e9 muito delicado, infelizmente, o que nos leva a ter d\u00edvidas. ?? uma realidade muito triste, pois dependemos de faxina para sobreviver e muitas vezes n\u00e3o conseguimos trabalho. ?? preciso paci\u00eancia???, lamenta.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Os dias tamb\u00e9m t\u00eam sido de certa ansiedade e sofrimento para o casal Amaur\u00edlio Moreira Costa, de 48, e a Fernanda, de 35, que vivem nas ruas. Desempregado h\u00e1 tr\u00eas anos, eles j\u00e1 sacrificaram a parcela do Aux\u00edlio Brasil que teriam direito a receber no dia 18 ao fazer um empr\u00e9stimo numa financeira. O restante dos recursos \u00e9 obtido por meio da reciclagem de papel\u00e3o e latas. ???N\u00e3o teve jeito. Precisamos comer e n\u00e3o temos recursos. Quando o aux\u00edlio chegar, vamos receber apenas R$ 280 dos R$ 600 que o governo vai pagar???, lamenta Amaur\u00edlio.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A auxiliar de servi\u00e7os gerais Sandra Guimar\u00e3es Silva, de 49, vive os reflexos de d\u00edvidas contra\u00eddas h\u00e1 dois meses por um dos filhos. ???Ele me pediu o cart\u00e3o emprestado para comprar celular e roupa e n\u00e3o pagou. A conta acabou sobrando para mim. Tenho de trabalhar dobrado. Apesar disso, consegui fazer umas economias para pagar as contas e n\u00e3o ficar devendo ningu\u00e9m???, afirma.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Nem mesmo quem tem emprego est\u00e1vel ficou longe das d\u00edvidas. O funcion\u00e1rio p\u00fablico Raimundo Torres, de 61, precisou contrair empr\u00e9stimo para pagar d\u00edvidas herdadas por sua esposa, que tem um restaurante. Mas ele entende que h\u00e1 oportunidade para ficar em dia com as contas. ???O Brasil passa por um momento tenso, mas tudo tem melhorado nos \u00faltimos meses. Com a gasolina mais barata, outros produtos tamb\u00e9m caem de pre\u00e7o, o que ajuda a economizar. A energia tamb\u00e9m baixou cerca de 30% na minha casa. J\u00e1 \u00e9 alguma coisa.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><b>POUPAN??A DIFICIL <\/b>O levantamento CNI\/Instituto FSB Pesquisa mostra outro dado preocupante: apenas 29% dos brasileiros poupam, enquanto 68% n\u00e3o conseguem guardar dinheiro. O levantamento tamb\u00e9m mostrou que 64% dos entrevistados cortaram gastos desde o in\u00edcio do ano e 20% pegaram algum empr\u00e9stimo ou contra\u00edram d\u00edvidas nos \u00faltimos 12 meses. Em rela\u00e7\u00e3o a d\u00edvidas espec\u00edficas, 34% dos ouvidos atrasaram contas de luz ou \u00e1gua, 19% deixaram de pagar o plano de sa\u00fade e 16% tiveram de vender algum bem para quitar d\u00edvidas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Outros h\u00e1bitos foram afetados pela infla\u00e7\u00e3o. Segundo a pesquisa, 45% dos brasileiros pararam de comer fora de casa, 43% diminu\u00edram gastos com transporte p\u00fablico e 40% deixaram de comprar algum alimento.\u00a0<\/div>\n<div>Al\u00e9m disso, pelo menos 28% deixaram de comprar medicamentos. Com a alta dos pre\u00e7os, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 recorrendo a um h\u00e1bito antigo: pechinchar. O levantamento aponta que 68% dos entrevistados admitiram que tentaram negociar pre\u00e7o menor antes de fazer alguma compra neste ano.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Um total de 51% parcelou a compra no cart\u00e3o de cr\u00e9dito, enquanto 31% dos entrevistados admitiram que compram fiado. Os juros altos est\u00e3o tornando o cr\u00e9dito menos atrativo, ao menos para quem pode fugir dele. Menos de 15% dos brasileiros recorreram ao cheque especial, cr\u00e9dito consignado ou empr\u00e9stimos com outras pessoas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>???A pandemia da COVID-19 e uma s\u00e9rie de outros desafios, como a guerra na Ucr\u00e2nia, comprometeram a recupera\u00e7\u00e3o da economia e a retomada do crescimento no Brasil. A acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o levou a um novo ciclo de aumento de juros, o que desestimulou o consumo e os investimentos. Ao menos, estamos diante de um cen\u00e1rio de recupera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, com redu\u00e7\u00e3o do desemprego e aumento do rendimento da popula\u00e7\u00e3o ??? o que nos d\u00e1 uma perspectiva de supera\u00e7\u00e3o, ainda que gradual, dessa s\u00e9rie de dificuldades que as fam\u00edlias est\u00e3o enfrentando???, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.<\/div>\n<div><\/div>\n<h3><b>Enquanto isso&#8230;Etanol e gasolina t\u00eam maiores quedas<\/b><\/h3>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><i>O pre\u00e7o m\u00e9dio da gasolina na Grande BH caiu 10,34% ou R$ 0,62 em menos de um m\u00eas, segundo pesquisa do site Mercado Mineiro. O valor m\u00e9dio por litro, que era de R$ 5,95 em 10 de julho, passou para R$ 5,33 no levantamento feito entre 4 e 6 deste m\u00eas. A gasolina comum pode ser encontrada na capital mineira com pre\u00e7os entre R$ 4,97 e R$ 5,89 ???\u00a0 varia\u00e7\u00e3o de 18,51% entre postos. O pre\u00e7o m\u00e9dio do etanol est\u00e1 em R$ 4,04, queda de 14,11% ou R$ 0,66 nos pre\u00e7os. J\u00e1 o diesel teve a menor redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os: apenas 1,64%, ou R$ 0,08. O pre\u00e7o m\u00e9dio, que era de R$ 7,02 em 10 de julho, caiu para R$ 6,94 agora. Na compara\u00e7\u00e3o com janeiro de 2021, o valor do litro, que era R$ 3,65, subiu 94,93%.\u00a0<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encarar o come\u00e7o de m\u00eas se tornou um drama para a diarista Ethiele Martins Gon\u00e7alves, de 30 anos. 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