{"id":201647,"date":"2022-08-09T13:43:11","date_gmt":"2022-08-09T16:43:11","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/por-que-deflacao-registrada-pelo-ibge-nao-significa-alivio-para-mais-pobres\/"},"modified":"2022-08-09T13:43:11","modified_gmt":"2022-08-09T16:43:11","slug":"por-que-deflacao-registrada-pelo-ibge-nao-significa-alivio-para-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/09\/por-que-deflacao-registrada-pelo-ibge-nao-significa-alivio-para-mais-pobres\/","title":{"rendered":"Por que defla\u00e7\u00e3o registrada pelo IBGE n\u00e3o significa al\u00edvio para mais pobres"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil registrou uma defla\u00e7\u00e3o de 0,68% no \u00faltimo m\u00eas de julho, depois de dois anos seguidos de aumento nos pre\u00e7os. O pa\u00eds ainda acumula uma infla\u00e7\u00e3o anual de mais de 10%, ou seja, os pre\u00e7os subiram em geral 10% nos \u00faltimos doze meses. <\/p>\n<p>A\u00a0queda foi puxada pela diminui\u00e7\u00e3o acentuada do pre\u00e7o dos combust\u00edveis\u00a0e da energia, mas a maioria dos produtos e servi\u00e7os que comp\u00f5em o \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o ainda est\u00e3o subindo. O pre\u00e7o dos alimentos, em especial, continua subindo e afeta principalmente as fam\u00edlias mais pobres. <\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 defla\u00e7\u00e3o e o que ela significa nesse contexto? <\/p>\n<p>Se a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 o aumento dos pre\u00e7os, a defla\u00e7\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio: \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o negativa do n\u00edvel de pre\u00e7os entre dois momentos, explica o economista Anderson Antonio Denardin, coordenador do curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). <\/p>\n<p>Ou seja, defla\u00e7\u00e3o \u00e9 o que acontece quando o \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 negativo. No Brasil, o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo) \u00e9 considerado o \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o e a queda de 0,68% no \u00edndice mensal (compara\u00e7\u00e3o de julho com o m\u00eas anterior) foi anunciada nesta ter\u00e7a (09\/08) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica). <\/p>\n<p>A defla\u00e7\u00e3o de julho foi puxada principalmente por dois fatores, explica Denardin: o corte do ICMS (Imposto Sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os) e a queda no valor dos combust\u00edveis e da energia; e o aumento dos juros, que diminui a oferta de cr\u00e9dito e portanto freia o consumo.<\/p>\n<p>O \u00edndice, no entanto, \u00e9 uma m\u00e9dia das varia\u00e7\u00f5es dos diferentes componentes do IPCA, e a queda n\u00e3o quer dizer que todos os pre\u00e7os baixaram na compara\u00e7\u00e3o entre julho e junho. <\/p>\n<p>&#8220;Quando se fala em defla\u00e7\u00e3o, normalmente estamos falando de uma queda generalizada de pre\u00e7os. Mas a defla\u00e7\u00e3o de julho n\u00e3o foi uma queda generalizada&#8221;, afirma Andr\u00e9 Braz, economista da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas). <\/p>\n<p>Os pre\u00e7os dos alimentos e dos servi\u00e7os ainda est\u00e3o subindo &#8211; a infla\u00e7\u00e3o de alimentos foi de 1,3% em julho e 14,72% em doze meses, segundo o IBGE. <\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 na verdade a not\u00edcia mais importante, porque \u00e9 a que mais afeta a popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Houve um aumento real dos alimentos, o que significa que a cada visita que a fam\u00edlia faz ao mercado, ela volta com menos alimentos&#8221;, diz o economista. <\/p>\n<h3>Mais pobres afetados pela alta dos alimentos<\/h3>\n<p>O economista lembra que o \u00edndice de difus\u00e3o, que mede o percentual de produtos e servi\u00e7os com aumento de pre\u00e7os, est\u00e1 em 63% &#8211; ou seja, apesar da queda geral do \u00edndice de 0,68%, quase dois ter\u00e7os dos dos pre\u00e7os que comp\u00f5em o IPCA na verdade subiram. <\/p>\n<p>&#8220;Do jeito que a defla\u00e7\u00e3o aconteceu, ela beneficia principalmente o brasileiro mais rico, que consome gasolina e gasta mais energia&#8221;, diz Braz. &#8220;?? uma queda que foi mais sentida pelos ricos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o mais pobre ainda sofre com a alta dos alimentos, que diminui o seu poder de compra. ?? um grupo que n\u00e3o tem muita flexibilidade para fugir desse processo inflacion\u00e1rio&#8221;, diz Denardin.  <\/p>\n<p>Braz afirma que a expectativa \u00e9 que o efeito da queda no pre\u00e7o dos combust\u00edveis e da energia tenham o efeito de reduzir a infla\u00e7\u00e3o nos outros produtos e servi\u00e7os. &#8220;S\u00e3o itens usados na atividade produtiva, ent\u00e3o a gente espera que haja um efeito de diminui\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Para Denardin, a defla\u00e7\u00e3o de 0,68% registrada significa que a pol\u00edtica do governo de reduzir impostos teve o efeito esperado. <\/p>\n<p>A mudan\u00e7a nas regras do ICMS para os Estados foi articulada pelo Planalto e aprovada pelo Congresso em junho, a quatro meses da elei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Braz, no entanto, aponta que a redu\u00e7\u00e3o dos custos \u00e9 acompanhada de redu\u00e7\u00e3o na arrecada\u00e7\u00e3o, o que no longo prazo diminui o f\u00f4lego do governo para investir e pode estancar o crescimento. <\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, se voc\u00ea n\u00e3o mostra de onde est\u00e1 arrecadando para compensar essa redu\u00e7\u00e3o de impostos, voc\u00ea gera incerteza e diminui a credibilidade fiscal do governo&#8221;, afirma Braz. &#8220;N\u00e3o sou contra o corte dos impostos, mas \u00e9 preciso que seja feito com responsabilidade fiscal.&#8221;<\/p>\n<p><i>&#8211; Este texto foi publicado em <\/i>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-62484156<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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