{"id":204418,"date":"2022-08-14T14:49:07","date_gmt":"2022-08-14T17:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/autorias-indigenas-sao-destaque-na-quinta-edicao-da-flige\/"},"modified":"2022-08-14T14:49:07","modified_gmt":"2022-08-14T17:49:07","slug":"autorias-indigenas-sao-destaque-na-quinta-edicao-da-flige","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/14\/autorias-indigenas-sao-destaque-na-quinta-edicao-da-flige\/","title":{"rendered":"Autorias ind\u00edgenas s\u00e3o destaque na quinta edi\u00e7\u00e3o da Flig\u00ea"},"content":{"rendered":"<p> A quinta edi\u00e7\u00e3o da Flig\u00ea come\u00e7ou dando destaque aos temas, escritores e artistas ind\u00edgenas. Desde a quarta-feira (10) at\u00e9 este\u00a0domingo (14), mesas liter\u00e1rias, expografias e shows comp\u00f5em a programa\u00e7\u00e3o da Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com a alegria do reencontro e da retomada, o escritor Daniel Munduruku abriu as sess\u00f5es liter\u00e1rias da Flig\u00ea 2022, na noite de quinta-feira (11). Em um Centro Cultural lotado, com \u00a0pessoas do lado de fora se apoiando nas janelas para prestigiar as palavras do escritor, Daniel presenteou o p\u00fablico com suas palavras sobre literaturas, ancestralidades, e sobre o poder de preservar as mem\u00f3rias, viver o presente e celebrar outras formas de narrar o tempo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com o tema &#8220;Literatura e Ancestralidades: o solo origin\u00e1rio do gesto&#8221;, o escritor falou sobre as nossas origens, n\u00e3o apenas sobre os povos origin\u00e1rios, mas da nossa brasilidade, daquilo que nos faz mais humanos. &#8220;O que nos comp\u00f5e s\u00e3o essas diferentes formas de olhar para o mundo&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na quinta-feira (12), a expografia intitulada E(m) tran\u00e7ados sonhos, que aconteceu no Espa\u00e7o Retomada, contou com a exposi\u00e7\u00e3o do Manto Sagrado Tupinamb\u00e1. O objeto foi produzido por Glic\u00e9lia Tupinamb\u00e1, cuja inspira\u00e7\u00e3o foi advinda do encontro com o manto original \u00a0durante a exposi\u00e7\u00e3o dos 500 anos.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A pe\u00e7a sagrada do povo Tupinamb\u00e1 podia ser vista unicamente na Europa, o que acarretou em reivindica\u00e7\u00f5es por parte dos ind\u00edgenas para que aquele s\u00edmbolo de sua hist\u00f3ria pudesse ser repatriado. Como esse, pelo menos 10 mantos tupinamb\u00e1s registados nos s\u00e9culos 16 e 17 est\u00e3o conservados em museus europeus, fazendo com que os descendentes dos povos ind\u00edgenas que os produziram no passado n\u00e3o tenham direito ao acesso a esses artefatos sagrados. Um primeiro exemplar foi disponibilizado para o Museu Nacional, por\u00e9m, desapareceu devido ao inc\u00eandio que aconteceu em 2018 e destruiu o local.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Da mesma forma, a terceira mesa da Flig\u00ea 2022 aconteceu no Centro Cultural, nesta \u00faltima sexta-feira (12), e abordou o tema Narrativas ind\u00edgenas: saberes (sobre) viv\u00eancias. O evento contou com a media\u00e7\u00e3o de Jesu\u00edna Tupinamb\u00e1 e a participa\u00e7\u00e3o da escritora, pedagoga e advogada, Denizia Kawany Fulkax\u00f3; da aldeia Serra do Padeiro, localizada na Terra Ind\u00edgena Tupinamb\u00e1 de Oliven\u00e7a, envolvida nas causas pol\u00edticas e espirituais dos Tupinamb\u00e1s, Glic\u00e9lia Tupinamb\u00e1 e para o jornalista, graduando em filosofia e mestrando em estudos africanos, povos ind\u00edgenas e culturas negras, hoje pesquisador e escritor, \u00a0Nankup\u00e9 Tupinamb\u00e1 Fulkax\u00f3, Nankup\u00e9 Tupinamb\u00e1 Fulkax\u00f3.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para ela, \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia o espa\u00e7o concedido pela grade de programa\u00e7\u00e3o da Flig\u00ea. &#8220;?? importante que outras pessoas n\u00e3o falem por n\u00f3s, mas que d\u00eaem espa\u00e7o para falarmos&#8221;, afirmou. Quanto ao contexto pand\u00eamico e o cotidiano dos ind\u00edgenas, ela pontuou que a comunidade j\u00e1 est\u00e1 acostumada \u00a0a viver confinada. E foi nesse per\u00edodo que ela escreveu contos. Por\u00e9m, garantiu que os \u00edndios prezam por serem seres livres. &#8220;N\u00f3s gostamos de liberdade&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para fechar o dia, Gean Ramos encantou o p\u00fablico da Flig\u00ea com sua musicalidade. Os saberes e a musicalidade do povo Pankararu, do Sert\u00e3o de Pernambuco, ecoou e encantou a plateia que vibrou com a pot\u00eancia vocal e identit\u00e1ria do artista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A tarde de s\u00e1bado da Flig\u00eazinha (13) foi marcada pela conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias de lendas e contos ind\u00edgenas, realizada pela escritora Den\u00edzia Kawany Fulkax\u00f3, descendente das etnias Fulni-\u00f4, Kariri e Xoc\u00f3. As crian\u00e7as presentes no evento puderam aprender mais das hist\u00f3rias dos povos ind\u00edgenas do Brasil, al\u00e9m de conhecer m\u00fasicas e dan\u00e7as do povo Fulkax\u00f3.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Durante o evento, a escritora narrou uma hist\u00f3ria sobre &#8220;A cura do mundo &#8211; povos da floresta&#8221; e sorteou adere\u00e7os artesanais ind\u00edgenas e tamb\u00e9m o seu livro &#8220;Kariri Xoc\u00f3 &#8211; Contos Ind\u00edgenas&#8221; para crian\u00e7as que acertassem perguntas relacionadas ao conto. Al\u00e9m disso, Den\u00edzia tamb\u00e9m ensinou ao p\u00fablico infantil e adulto can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as dos povos origin\u00e1rios. &#8220;Tudo isso que eu fa\u00e7o aqui \u00e9 para transformar, para reflorestar, decolonizar, e eu me sinto muito orgulhosa de ver todos voc\u00eas aqui&#8221;, afirmou a escritora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quinta edi\u00e7\u00e3o da Flig\u00ea come\u00e7ou dando destaque aos temas, escritores e artistas ind\u00edgenas. 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