{"id":204564,"date":"2022-08-14T21:37:23","date_gmt":"2022-08-15T00:37:23","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/imigracao-para-o-canada-crise-violencia-e-facilidade-de-residencia-fazem-fluxo-de-brasileiros-explodir\/"},"modified":"2022-08-14T21:37:23","modified_gmt":"2022-08-15T00:37:23","slug":"imigracao-para-o-canada-crise-violencia-e-facilidade-de-residencia-fazem-fluxo-de-brasileiros-explodir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/14\/imigracao-para-o-canada-crise-violencia-e-facilidade-de-residencia-fazem-fluxo-de-brasileiros-explodir\/","title":{"rendered":"Imigra\u00e7\u00e3o para o Canad\u00e1: crise, viol\u00eancia e facilidade de resid\u00eancia fazem fluxo de brasileiros explodir"},"content":{"rendered":"<figure><\/figure>\n<p>No Brasil, a pernambucana Paula Affonso, de 39 anos, era advogada com carreira est\u00e1vel no servi\u00e7o p\u00fablico federal. No Canad\u00e1, precisou bater ponto como oper\u00e1ria de f\u00e1brica. Seu marido, Jos\u00e9 Arlan, de 43 anos, tamb\u00e9m advogado, trocou os ternos pelo macac\u00e3o de pe\u00e3o de obra. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s quatro anos no exterior, eles t\u00eam hoje uma casa com piscina, dois carros e nenhum arrependimento. <\/p>\n<p>O casal e os tr\u00eas filhos est\u00e3o entre os 11.425 brasileiros que se tornaram residentes permanentes do pa\u00eds em 2021, um aumento de 116% em rela\u00e7\u00e3o aos 5.290 de 2019, \u00faltimo ano antes da pandemia. <\/p>\n<p>O aumento fez com que o Brasil se tornasse o s\u00e9timo pa\u00eds que mais exportou residentes permanentes para o Canad\u00e1 no ano passado. <\/p>\n<p>Segundo dados do \u00f3rg\u00e3o de imigra\u00e7\u00e3o canadense, o Immigration, Refugees and Citizenship Canada (IRCC), em 2020 o Brasil j\u00e1 come\u00e7ava a se destacar, mesmo diante do recuo generalizado na imigra\u00e7\u00e3o causado pela pandemia.<\/p>\n<p>Naquele ano, os brasileiros apareceram pela primeira vez na lista das dez nacionalidades que mais imigraram para o Canad\u00e1, na 9\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com 3.695 resid\u00eancias permanentes concedidas. Neste ano, at\u00e9 17 de julho, j\u00e1 s\u00e3o 4.110.<\/p>\n<p>&#8220;A crise econ\u00f4mica e a viol\u00eancia no Brasil s\u00e3o elementos centrais que motivam a sa\u00edda do pa\u00eds. Soma-se a esse contexto a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que faz com que as pessoas tenham cada vez menos confian\u00e7a no futuro do Brasil&#8221;, aponta Leonardo Paz, analista de Intelig\u00eancia Qualitativa no N\u00facleo de Prospec\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia Internacional da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). <\/p>\n<p>Mas o caminho \u00e9 \u00e1rduo para obter a permiss\u00e3o para viver de forma definitiva no Canad\u00e1. <\/p>\n<p>&#8220;Eu ficava oito horas em p\u00e9 por turno, colocando pepperoni em pizzas em uma f\u00e1brica e come\u00e7ava de madrugada. Depois emendava mais quatro horas como assistente de marketing em outra empresa&#8221;, lembra Paula.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m foi lavadora de pratos em uma cafeteria e balconista de loja de lingerie, al\u00e9m assistente administrativa e jur\u00eddica, fun\u00e7\u00f5es que acumulava com a de estudante de Marketing no Fanshawe College, em London, cidade na Prov\u00edncia de Ont\u00e1rio. <\/p>\n<h3>Curso de n\u00edvel superior \u00e9 porta de entrada <\/h3>\n<p>Fazer um curso de n\u00edvel superior no Canad\u00e1, como Paula, foi o caminho escolhido por 43,5% brasileiros que se tornaram residentes permanentes no pa\u00eds em 2021, segundo o IRCC. <\/p>\n<p>Isso porque, al\u00e9m de preparar o estudante para o mercado de trabalho local, um diploma canadense conta pontos no Express Entry, sistema online do governo que avalia os candidatos a imigrantes. <\/p>\n<p>A pontua\u00e7\u00e3o leva em conta fatores como idade, n\u00edvel de ingl\u00eas e franc\u00eas, forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e trajet\u00f3ria profissional para escolher quem receber\u00e1 a resid\u00eancia permanente.<\/p>\n<p>&#8220;Cada vez mais, o Canad\u00e1 prioriza quem estudou e trabalhou no pa\u00eds. Na vis\u00e3o do governo, essas pessoas j\u00e1 est\u00e3o inseridas na cultura local, suprindo a necessidade de m\u00e3o de obra&#8221;, afirma Camilla Lopes, diretora da ag\u00eancia de interc\u00e2mbio educacional Hi Bonjour, que levou mais de 5 mil brasileiros para o Canad\u00e1 desde 2013. <\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Para atrair estudantes internacionais, o Canad\u00e1 concede permiss\u00e3o de trabalho em meio per\u00edodo durante os estudos. Al\u00e9m disso, o c\u00f4njuge pode trabalhar em per\u00edodo integral, e os filhos t\u00eam acesso \u00e0 escola p\u00fablica gratuita. <\/p>\n<p>Os benef\u00edcios permitem que as fam\u00edlias consigam ter renda em d\u00f3lares para cobrir as despesas do dia-a-dia. <\/p>\n<p>Ao concluir o curso, o estudante tem direito ao Post-Graduation Work Permit (PGWP), permiss\u00e3o para trabalhar em tempo integral no Canad\u00e1 por at\u00e9 mais tr\u00eas anos. <\/p>\n<p>&#8220;?? geralmente neste per\u00edodo que a resid\u00eancia permanente \u00e9 conquistada&#8221;, ressalta Lopes.<\/p>\n<p>Muitos imigrantes, por\u00e9m, desistem e voltam para o Brasil. Os motivos incluem n\u00e3o aguentar a rotina pesada ou ver as economias em reais acabarem. <\/p>\n<p>&#8220;Nunca vivi como turista. Nunca torrei dinheiro. Conhe\u00e7o gente que quebrou e voltou. Quem se dedica na fase inicial \u00e9 recompensado depois&#8221;, conta Paula, acrescentando que, antes da resid\u00eancia permanente, o marido cogitou desistir algumas vezes.<\/p>\n<p>&#8220;No inverno, s\u00f3 com os olhos de fora, o frio na obra \u00e9 um desespero. No ver\u00e3o de 40 graus, ele j\u00e1 chegou em casa desidratado&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, motivado pela alta remunera\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o civil, Arlan segue firme. &#8220;Este tipo de emprego, assim como os de eletricista, marceneiro e operador de m\u00e1quina, n\u00e3o \u00e9 malvisto aqui como \u00e9 no Brasil. N\u00e3o \u00e9 preciso ter t\u00edtulos para ganhar muito bem e ser respeitado&#8221;, observa a pernambucana.<\/p>\n<p>Paula se formou na faculdade em 2020, dois anos ap\u00f3s chegar ao Canad\u00e1. &#8220;A vida \u00e9 outra depois da formatura, quando o estudante tamb\u00e9m pode trabalhar em per\u00edodo integral&#8221;, afirma. <\/p>\n<p>Atualmente, ela \u00e9 consultora educacional para interessados em iniciar a jornada no Canad\u00e1 com visto de estudante. Al\u00e9m disso, \u00e9 empres\u00e1ria no ramo de aluguel de im\u00f3veis e profissionalizou sua p\u00e1gina no Instagram (@paulanocanada), onde d\u00e1 orienta\u00e7\u00f5es sobre vida no pa\u00eds para cerca de 25 mil seguidores. <\/p>\n<p>&#8220;Nunca imaginei que iria empreender no exterior, mas aqui isso foi poss\u00edvel&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Imigrar atrav\u00e9s dos estudos exige investimento financeiro. Um curso de dois anos em uma faculdade pode chegar a cerca de R$ 150 mil, fora as despesas com documenta\u00e7\u00e3o, passagens a\u00e9reas, aluguel de moradia, mob\u00edlia e roupas de inverno, entre outras. <\/p>\n<p>&#8220;Nossa carreira no Brasil nos possibilitou ter uma reserva financeira para investir nesse sonho. N\u00e3o temos uma vida de luxo, mas temos uma vida muito melhor que a que t\u00ednhamos l\u00e1. Consigo pagar por um carro que jamais teria, conseguimos viajar no final do ano, ver a fam\u00edlia no Brasil&#8230;&#8221;<\/p>\n<h3>Jovens em busca de oportunidades <\/h3>\n<p>A maior recompensa pelo esfor\u00e7o, segundo Paula, \u00e9 ver os filhos completamente adaptados ao pa\u00eds e com um futuro cheio de oportunidades. <\/p>\n<p>Os g\u00eameos Jabes e Carolina, de 18 anos, chegaram no Canad\u00e1 com 14, completaram o ensino m\u00e9dio e foram aceitos em universidades. Ele cursa Ci\u00eancias Pol\u00edticas na Universidade de Toronto, e ela, Medicina na Western University, em London. <\/p>\n<p>O ca\u00e7ula Davi chegou no pa\u00eds com 5 anos sem falar uma palavra sequer em ingl\u00eas. Aos 8, faz sucesso no Instagram da m\u00e3e dando dicas sobre vocabul\u00e1rio e pron\u00fancia correta no idioma.<\/p>\n<p>&#8220;Saber que, assim como eu, meus filhos t\u00eam oportunidade de crescimento profissional e pessoal, al\u00e9m de ver crian\u00e7as como o Davi brincando na rua, sem medo de viol\u00eancia, \u00e9 algo que n\u00e3o tem pre\u00e7o&#8221;, conclui Paula. <\/p>\n<p>Segundo a consultora de imigra\u00e7\u00e3o Juliana Klapouch, n\u00e3o s\u00f3 fam\u00edlias que desejam criar os filhos em um local seguro buscam o pa\u00eds. <\/p>\n<p>&#8220;Hoje, vejo tamb\u00e9m jovens talentos que n\u00e3o est\u00e3o tendo oportunidades profissionais no Brasil e querem aproveitar as que s\u00e3o oferecidas por um pa\u00eds de primeiro mundo&#8221;, constata a s\u00f3cia da Klaps Immigration Consulting.<\/p>\n<p>Foi o caso de Giovanna Barino, de 35 anos, que \u00e9 professora de ingl\u00eas, e do marido, Vitor Rigoni, de 34 anos, que trabalha como desenvolvedor de software. <\/p>\n<p>Eles chegaram ao Canad\u00e1 em junho de 2017 j\u00e1 como residentes permanentes. No m\u00eas passado, ap\u00f3s cinco anos no pa\u00eds, deram um passo al\u00e9m: conquistaram a cidadania, com direito a voto e passaporte canadense.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de sair do Brasil foi tomada em 2016 pelo casal, que vivia em Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo. <\/p>\n<p>&#8220;Nossa vida n\u00e3o ia para a frente. T\u00ednhamos estudado bastante, eu cheguei a fazer um mestrado, e come\u00e7amos a notar que, sem um &#8216;QI&#8217;, sem pessoas que &#8216;adiantassem&#8217; a nossa vida, estar\u00edamos fadados a ter o mesmo destino dos nossos pais: trabalhar muito e conquistar pouco&#8221;, diz Giovanna.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>O casal n\u00e3o tinha recursos para pagar por estudos no exterior, mas tinha o perfil ideal para imigrar direto: menos de 30 anos de idade, alto grau de escolaridade e excelente n\u00edvel de ingl\u00eas. <\/p>\n<p>&#8220;Escolhemos o Canad\u00e1 porque nos encaix\u00e1vamos, porque era o pa\u00eds que nos dava oportunidade de ir direto do Brasil sem medo de precisar voltar&#8221;, acrescenta Giovanna. <\/p>\n<p>Ao se fixarem em Vancouver, na Prov\u00edncia de British Columbia, viram sua vida profissional decolar. Em paralelo, criaram o blog Casal Nerd no Canad\u00e1, em que contavam detalhes sobre seu processo de imigra\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Vitor trabalhou em dois neg\u00f3cios locais at\u00e9 que, h\u00e1 um ano e meio, foi contratado pela multinacional Shopify, a maior empresa de tecnologia do Canad\u00e1 e uma das maiores plataformas de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico do mundo. <\/p>\n<p>&#8220;Logo de cara, mesmo no primeiro emprego, quando ainda ganhava pouco em rela\u00e7\u00e3o aos canadenses, minha renda j\u00e1 era muito superior a qualquer renda que j\u00e1 tive no Brasil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Giovanna, por sua vez, deu aulas de ingl\u00eas para estrangeiros em cursos de idiomas e em uma ONG. <\/p>\n<p>&#8220;Mas o blog cresceu, e muita gente interessada em imigrar como n\u00f3s pedia para ter aulas com ela&#8221;, conta Vitor. <\/p>\n<p>A dupla abriu, ent\u00e3o, a empresa Casal Nerd no Canad\u00e1, especializada em cursos de ingl\u00eas, \u00e0 qual Giovanna se dedica integralmente. Muito conte\u00fado gratuito \u00e9 oferecido tamb\u00e9m no Instagram para mais de 47 mil seguidores.<\/p>\n<h3>Canad\u00e1 quer 1,2 milh\u00e3o de novos imigrantes<\/h3>\n<p>Para atrair cada vez mais estrangeiros, o pa\u00eds oferece cerca de 70 modalidades de imigra\u00e7\u00e3o voltadas para diferentes perfis. <\/p>\n<p>&#8220;O Canad\u00e1 \u00e9 uma sociedade multicultural e que entende a import\u00e2ncia dos imigrantes para a prosperidade do pa\u00eds&#8221;, afirma Kaplouch. <\/p>\n<p>Ela explica que, al\u00e9m dos programas federais, h\u00e1 os das Prov\u00edncias, que selecionam candidatos de acordo com a necessidade local de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o ministro de Imigra\u00e7\u00e3o, Refugiados e Cidadania do Canad\u00e1, Sean Fraser, apresentou um novo plano com a meta de receber 1,2 milh\u00e3o de pessoas at\u00e9 2023, 20% a mais do que o objetivo para 2020. <\/p>\n<p>Segundo dados de 2020 do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil, os Estados Unidos ainda s\u00e3o o destino principal de brasileiros que v\u00e3o morar fora, com 1,77 milh\u00e3o de pessoas com <em>green card<\/em>. <\/p>\n<p>O Canad\u00e1 aparece em nono entre as maiores comunidades brasileiras no exterior, com 121 mil residentes permanentes, mas a tend\u00eancia de crescimento chama aten\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8220;O Canad\u00e1 facilita a imigra\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio dos Estados Unidos. Durante o per\u00edodo do governo Trump, houve um endurecimento muito forte das pol\u00edticas para imigrantes. E o governo Biden, diferentemente do que se imaginava, n\u00e3o desarticulou essas pol\u00edticas; tentou limitar s\u00f3 um pouco as mais violentas, como a de separar pais e filhos em centros de deten\u00e7\u00e3o de imigrantes&#8221;, explica Paz.<\/p>\n<h3>Saudade do Brasil \u00e9 principal desafio<\/h3>\n<p>A saudade \u00e9, em muitos casos, a maior dificuldade enfrentada por brasileiros no Canad\u00e1. Supera at\u00e9 mesmo as temperaturas congelantes, a comida com tempero diferente, a dificuldade no idioma e o dinheiro que desaparece na convers\u00e3o de reais para d\u00f3lares. <\/p>\n<p>&#8220;Passar o Natal longe da fam\u00edlia foi uma das coisas que mais me afetou no in\u00edcio. A gente aqui n\u00e3o tinha fam\u00edlia e amigos&#8230; Nos primeiros seis meses, nossa rotina era s\u00f3 trabalhar, comer e dormir, sem qualquer vida social&#8221;, lembra Vitor. <\/p>\n<p>Para Paula, os domingos s\u00e3o at\u00e9 hoje os dias mais dif\u00edceis. &#8220;Era o dia em que eu ia almo\u00e7ar com meu pai, comia o cozido da minha m\u00e3e, ria com minhas irm\u00e3s, abra\u00e7ava meus amigos&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Ela conta que teve uma crise de choro quando, ap\u00f3s tr\u00eas meses de Canad\u00e1, ouviu uma m\u00fasica de Ivete Sangalo no celular enquanto limpava a casa. &#8220;A saudade \u00e9 o pre\u00e7o que o imigrante paga. E n\u00e3o \u00e9 barato.&#8221;<\/p>\n<p><em>&#8211; Este texto foi originalmente publicado em<\/em> https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-62470077<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/strong>Inscreva-se no canal<strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/strong>YouTube<strong>? Inscreva-se no nosso canal! <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a pernambucana Paula Affonso, de 39 anos, era advogada com carreira est\u00e1vel no servi\u00e7o p\u00fablico federal. 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