{"id":204606,"date":"2022-08-15T05:23:09","date_gmt":"2022-08-15T08:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/e-como-se-estivesse-vendo-ele-em-minha-frente-diz-pai-de-jovem-morto-por-pms\/"},"modified":"2022-08-15T05:23:09","modified_gmt":"2022-08-15T08:23:09","slug":"e-como-se-estivesse-vendo-ele-em-minha-frente-diz-pai-de-jovem-morto-por-pms__trashed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/15\/e-como-se-estivesse-vendo-ele-em-minha-frente-diz-pai-de-jovem-morto-por-pms__trashed\/","title":{"rendered":"????? como se estivesse vendo ele em minha frente???, diz pai de jovem morto por PMs"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"text-justify\">Os dedos que pressionam os olhos com for\u00e7a, tentam em v\u00e3o conter as l\u00e1grimas que escorrem pelo rosto de um pai amargurado. Enquanto recorda seu filho Geovane Mascarenhas, Jurandy Silva de Santana mal consegue completar uma frase dessa entrevista. A emo\u00e7\u00e3o toma conta, principalmente, quando fala da semelhan\u00e7a f\u00edsica do filho ca\u00e7ula com o primog\u00eanito, assassinado de forma brutal por policiais militares, em 2 de agosto de 2014. O mais novo hoje tem a mesma idade do irm\u00e3o ao ser morto. ????? como se estivesse vendo ele em minha frente???, diz o pai, olhando firme para o horizonte pela janela da casa de sua m\u00e3e, na comunidade de Santa M\u00f4nica, onde Geovane passou a maior parte da curta vida. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Apesar das l\u00e1grimas, Jurandy mant\u00e9m a mesma coragem &#8211; que se sobrep\u00f5e ao medo de retalia\u00e7\u00e3o -, de h\u00e1 oitos anos, quando iniciou a saga para enterrar Geovane. Foi ele quem encontrou o v\u00eddeo que liga um grupo de PMs \u00e0 morte do filho, que foi decapitado, esquartejado e teve os restos mortais queimados, ap\u00f3s abordagem na Cal\u00e7ada.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No ano passado, Jurandy perdeu tamb\u00e9m seu pai, mais um golpe no cora\u00e7\u00e3o bastante sofrido. ???Ele ficou t\u00e3o abalado com o que fizeram com Geovane, que teve depress\u00e3o e morreu. Eles [os policiais] tiraram para sempre de mim as duas pessoas que eu amava. Vou ter medo de que agora, me diga????, questiona.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Toda a entrevista aconteceu no segundo andar da casa da av\u00f3 de Geovane, em \u00e1rea que fica do lado oposto ao quarto que foi do rapaz. ???Era muito sofrimento. E a gente resolveu ir dando as coisas aos poucos???, conta ele, sobre os pertences do filho.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A luta de Jurandy, infelizmente, est\u00e1 longe de terminar. Para esse pai dilacerado, a expuls\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o e a pris\u00e3o dos culpados, que hoje trabalham normalmente no servi\u00e7o de rua de Salvador, v\u00e3o al\u00e9m da puni\u00e7\u00e3o pela barb\u00e1rie. ?? tamb\u00e9m repara\u00e7\u00e3o do Estado pelo ato cometido pelos seus servidores. ???Meus netos j\u00e1 t\u00eam no\u00e7\u00e3o do que fizeram com o pai. O menor entra em p\u00e2nico quando v\u00ea uma viatura???, diz a av\u00f4.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Geovane deixou dois filhos: uma menina, hoje com 9 anos; e um menino, de 8. Eles s\u00e3o criados pelas m\u00e3es com a ajuda dos parentes. ???Agora mesmo, a m\u00e3e da mais velha perguntou se eu poderia contribuir para botar a menina em escola particular. Disse que ia ver, porque n\u00e3o tenho renda fixa???, conta Jurandy, que trabalha como pedreiro. Nessa conversa com o CORREIO, ele fala sobre ingressar com a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria contra o Estado e tamb\u00e9m sobre lembran\u00e7as e amea\u00e7as ao longo da sua cruzada por justi\u00e7a. Confira: \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Quem \u00e9 &#8211; <\/strong>Jurandy Silva de Santana\u00a0tem 54 anos e trabalha como pedreiro e carpinteiro. Em 2014, seu filho mais velho, Geovane Mascarenhas, foi assassinado por policiais militares dentro da sede da Rondesp, no Lobato. Desde ent\u00e3o, esse pai incan- s\u00e1vel pranteia o primog\u00eanito e se dedica a desafiar o sistema e a morosidade da Justi\u00e7a; e a quebrar as leis do sil\u00eancio que imperam nas periferias, em busca de repara\u00e7\u00e3o para o crime. Ele tem ou- tros filhos. O ca\u00e7ula, a- tualmente, tem a mesma idade do irm\u00e3o ao ser morto, 22 anos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O que mudou nesses oito anos ap\u00f3s a morte de Geovane?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Muita coisa, mas nada de positivo. Porque aquele filme [o document\u00e1rio Sem Descanso, do cineasta franc\u00eas Bernard Attal], aquele sofrimento todo, continua em nossa fam\u00edlia. Perdi meu pai. Ele ficou depressivo depois da morte do neto. Foi ele quem criou. De bom, nada. S\u00f3 angustia, tristeza???.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Os policiais v\u00e3o a j\u00fari popular, mas at\u00e9 agora n\u00e3o tem data marcada. Como o senhor v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Cada vez que a gente tem essas informa\u00e7\u00f5es, sofre mais com tudo isso. Tenta tirar as coisas da mente, levar vida normal, trabalhando, cumprindo as suas obriga\u00e7\u00f5es, mas quando as pessoas puxam o assunto, fico triste. Eles [os PMs acusados] recorreram, foram para Bras\u00edlia [Justi\u00e7a Federal], mas at\u00e9 agora n\u00e3o tem nada concreto [quanto a data do julgamento]. N\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o, um prazo. ?? um sofrimento cada dia mais doloroso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O senhor cr\u00ea que eles v\u00e3o sentar no banco dos r\u00e9us?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A gente [a fam\u00edlia de Geovane] acredita, tem a esperan\u00e7a de um dia ver os culpados n\u00e3o fazendo mais o que fizeram com o meu filho. Vai ser dif\u00edcil &#8230; Se chegar esse dia, se eu ainda estiver vivo, ver, acompanhar, vai ser mais um sofrimento, mas se tiver de acontecer&#8230; A minha esperan\u00e7a \u00e9 ver os culpados pagando pelo que fizeram.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como \u00e9 manter acesa a chama dessa luta por justi\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">No in\u00edcio, meu pensamento era s\u00f3 encontrar o meu filho, dar enterro digno a ele. S\u00f3 que de l\u00e1 para c\u00e1, muitas coisas aconteceram. Muito sofrimento. Muitos pais passaram pelo que passei, mas n\u00e3o era para isso acontecer. N\u00e3o era para eu enterrar meu filho. O certo era meu filho me enterrar. Como a justi\u00e7a est\u00e1 a\u00ed, quero ver a justi\u00e7a acontecer. Eu n\u00e3o vou fazer justi\u00e7a nunca, mas vou ver que a justi\u00e7a foi feita.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O PAD [Processo Administrativo Disciplinar] j\u00e1 foi conclu\u00eddo e est\u00e1 nas m\u00e3os do comando-geral da PM para oficializar o posicionamento da corpora\u00e7\u00e3o sobre o resultado da investiga\u00e7\u00e3o da Corregedoria. O que o senhor tem a dizer sobre essa demora?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Por que ele [o comandante-geral da PM baiana, Paulo Coutinho], n\u00e3o deu seu parecer at\u00e9 agora? Falta de provas? \u00a0?? isso que a gente fica com um p\u00e9 atr\u00e1s. O que precisa para ele assinar? Fica a pergunta para ele dar a resposta. Isso \u00e9 uma dor que ningu\u00e9m imagina. Na minha cabe\u00e7a, s\u00f3 eu sei o que passo, s\u00f3 eu sei no meu peito a dor que sinto. O Comando-Geral n\u00e3o me diz nada. Ningu\u00e9m chega pra me dizer alguma coisa.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A morte de Geovane foi um crime brutal. O senhor acredita que em um caso desses, se n\u00e3o houver rapidez nos tr\u00e2mites judiciais, pode abrir brecha para outros casos com crueldade semelhante?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">O caso como aconteceu, que foi provado passo a passo toda a situa\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o for feita justi\u00e7a com as provas que est\u00e3o no processo, a gente vai esperar o que mais?\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A defesa dos policiais alega que n\u00e3o h\u00e1 provas de que os sete PMs acusados cometeram o crime, mesmo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico tendo denunciado os agentes com base nas investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Civil. Al\u00e9m disso, o advogado dos acusados diz que os policiais est\u00e3o depressivos, que as fam\u00edlias deles est\u00e3o arrasadas&#8230;<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">At\u00e9 entendo que a defesa \u00e9 para defender eles, mas tem a Justi\u00e7a, que tem as provas do crime nas m\u00e3os e precisa fazer acontecer [o julgamento]. Pergunta para as fam\u00edlias deles se morreu algu\u00e9m da mesma forma que mataram meu filho? E vou mais al\u00e9m: faz a compara\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 sofrendo mais, se \u00e9 minha m\u00e3e, que est\u00e1 vi\u00fava hoje e sem o neto que criava? Pergunta se eles est\u00e3o sentindo a minha dor, que perdi um filho daquele jeito? Hoje, convivo com duas dores e foram eles [os policiais] que fizeram isso. Tiraram o meu filho e o meu pai de mim. E ser\u00e1 que est\u00e3o depressivos mesmo? \u00a0Vi um deles trabalhando na rua, no Rio Vermelho. Parei para fazer um lanche e vi ele fardado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Qual a sensa\u00e7\u00e3o de encontrar um dos policiais acusados de matar o seu filho?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Eu n\u00e3o vou dizer medo, porque o que j\u00e1 fiz pelo meu filho at\u00e9 agora, n\u00e3o tenho medo de nada. Eu s\u00f3 fiz olhar para ele e ele olhou para mim e baixou a cabe\u00e7a. Eu s\u00f3 entrego eles \u00e0 justi\u00e7a, que est\u00e1 a\u00ed para ser feita. Eu n\u00e3o quero mal a ningu\u00e9m, porque quem faz o mal, paga aqui mesmo. A lei maior \u00e9 a de Deus. Eu s\u00f3 digo uma coisa: esse Jurandy aqui e nenhum membro de minha fam\u00edlia quer o mal de nenhum deles. Vingan\u00e7a s\u00f3 traz vingan\u00e7a, \u00f3dio e raiva. Se tiver que ser feita a justi\u00e7a dos homens, ser\u00e1 feita.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>E o senhor j\u00e1 conseguiu perdoar os policiais?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00f3 quem perdoa \u00e9 Deus. O que eu sinto n\u00e3o \u00e9 \u00f3dio e nem raiva. ?? tristeza dentro do meu cora\u00e7\u00e3o. O que fizeram com o meu filho, n\u00e3o \u00e9 coisa de um ser humano. A covardia, a crueldade que fizeram, n\u00e3o \u00e9 de uma pessoa&#8230; Depois que o caso foi divulgado pelo jornal [o CORREIO*, primeiro ve\u00edculo a noticiar o desaparecimento de Geovane], algumas pessoas que moraram perto da base [da Rondesp, no Lobato] disseram que ouviram algu\u00e9m urrando de dor. O que esses policiais fizeram com o meu filho podem ter feito com outras pessoas e podem estar continuando a fazer. N\u00e3o sou eu quem vai julgar e nem perdoar. \u00a0A maior justi\u00e7a \u00e9 D???aquele l\u00e1 de cima. Aqui a gente faz, aqui a gente paga.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Quais as lembran\u00e7as que o senhor tem de Geovane?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ele foi criado com a minha m\u00e3e e pai. A vida dele era aqui [em Santa M\u00f4nica]. Mas me ligava, me chamava para almo\u00e7ar, era aquele amor de primeiro filho. A gente se via quase todo final de semana. Todo o final de semana encontrava com ele, com exce\u00e7\u00e3o quando ele estava trabalhando comigo nas obras. Tinha um ???baba??? \u00a0de domingo. O ???baba??? era em Val\u00e9ria com os tios e amigos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Dizem que o tempo \u00e9 o melhor rem\u00e9dio para curardor. O senhor acredita nisso, sua dor diminuiu?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A dor est\u00e1 maior. Com o tempo, vai ficando mais forte. O tempo n\u00e3o est\u00e1 sendo a cura. N\u00e3o sei se \u00e9 porque estou chegando a uma certa idade e as lembran\u00e7as est\u00e3o vindo com mais frequ\u00eancias, passando um filme na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como a fam\u00edlia e amigos encararam a morte drle?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">At\u00e9 hoje, o pessoal ainda comenta. Me perguntam sempre, quando ficam sabendo de outros casos parecidos. ??s vezes, quando vejo um v\u00eddeo ou as mat\u00e9rias do jornal, me pergunto: ???como consegui ser forte????. Foi Deus quem me guiou, passo a passo. H\u00e1 oito anos, quando comecei a procurar por ele, uma pessoa me disse: ???Jurandy, se soubessem que voc\u00ea foi no local procurar seu filho, eles [os policias] j\u00e1 teriam dado fim em voc\u00ea.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O quarto de Geovane aqui nessa casa n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Como foi esse processo da fam\u00edlia se desfazer das coisas dele?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">N\u00e3o foi f\u00e1cil. Foi doloroso demais, porque essa casa aqui era onde ele vivia. Tudo aqui ainda lembra ele. Mas o quarto era onde ele passava mais tempo, onde gostava de ouvir m\u00fasica, conversar, era o mundo dele. Ap\u00f3s a morte, fomos dando as coisas aos poucos. Sempre que algu\u00e9m chegava aqui e precisava de uma roupa, de um sapato ou qualquer outra coisa que havia no quarto, a gente dava. Aos poucos, tudo foi doado. Hoje, quem dorme no quarto \u00e9 um dos primos dele.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Seu filho foi assassinado com crueldade, como \u00e9 lidar com isso?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Sim, foi muita barbaridade que fizeram com ele. A pol\u00edcia \u00e9 para proteger e n\u00e3o para fazer esse tipo de coisa. ?? a pol\u00edcia fazendo o papel do criminoso. E quem \u00e9 que vai fazer a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Nesses oito anos, o senhor sofreu algum tipo de amea\u00e7a ou passou por alguma situa\u00e7\u00e3o que ficou com medo devido \u00e0 presen\u00e7a de policiais?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nunca fui amea\u00e7ado. Mas teve um dia que estava na Paralela [a avenida Luiz Vianna Filho], num domingo, no meu carro com a minha mulher indo \u00e0 casa de um amigo, e passou uma viatura da Rondesp bem devagar. Eu passei na minha velocidade da via e a\u00ed, n\u00e3o sei o que houve, eles aceleraram na via deles e me acompanharam e olharam para mim. Eu reduzi e olhei para eles. N\u00e3o sei se um deles estava mostrando quem eu era aos amigos. Acho que me reconheceram. Isso foi h\u00e1 uns quatro anos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Quando algu\u00e9m fala no nome de Geovane, o que vem \u00e0 sua cabe\u00e7a? \u00a0<\/strong><br \/> O amor que ele tinha por mim&#8230;. Hoje eu tenho &#8230; [Jurandy leva as m\u00e3os aos olhos e come\u00e7a a chorar e a entrevista para por alguns minutos. Em seguida, ele retoma falando da semelhan\u00e7a entre o primog\u00eanito e o filho mais novo, hoje com 22 anos] &#8230;a fisionomia dele na minha frente quando vejo o ca\u00e7ula. N\u00e3o \u00e9 que eu goste mais desse filho do que dos outros. Eu gosto de todos, mas ele tem um neg\u00f3cio diferente. ?? porque quando olho para ele, vejo Geovane na minha frente. E ele tem um amor comigo, me abra\u00e7a muito. Todo mundo acha que ele \u00e9 a c\u00f3pia de Geovane e onde eu vou ele vai atr\u00e1s e me abra\u00e7a&#8230; N\u00e3o sei se \u00e9 o esp\u00edrito dele [de Geovane]. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o aos netos [filhos de Geovane], como est\u00e1 sendo a cria\u00e7\u00e3o deles? A fam\u00edlia j\u00e1 entrou com a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria contra o Estado pelos atos praticados pelos policiais?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">As crian\u00e7as est\u00e3o com as m\u00e3es. A m\u00e3e do menino \u00e9 caixa de uma farm\u00e1cia e a da menina faz bico de manicure. Ent\u00e3o, por a\u00ed d\u00e1 para ver que a gente vem ajudando tamb\u00e9m. A m\u00e3e da menina me pediu uma for\u00e7a para colocar a crian\u00e7a em uma escola particular, mas n\u00e3o dei a resposta ainda. T\u00eam meses que ganho alguma coisa, mas tem outros que n\u00e3o. E eu sei que meus netos t\u00eam direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o e vou lutar por eles. Eles j\u00e1 v\u00e3o crescer sem o pai. Esse dinheiro vai servir para as despesas com comida, escola, mas tamb\u00e9m para pagar um psic\u00f3logo. Elas est\u00e3o traumatizadas com esse caso todo. Mas para isso, \u00e9 preciso que os policiais sejam punidos.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Duas perguntas para dona Crispina, a av\u00f3<\/strong><\/h3>\n<p class=\"bodytext\">Durante \u00a0toda a entrevista de Jurandy, ele estava ao lado de sua m\u00e3e, Crispina Silva de Santana, 67 anos, a av\u00f3 que cuidou de Geovane como se fosse um filho. Ela tamb\u00e9m falou do neto com a reportagem e relatou que, quando a trag\u00e9dia se abateu sobre a fam\u00edlia, s\u00f3 se tinha conhecimento de uma filha de Geovane, que na \u00e9poca da morte do pai tinha 1 aninho. Algum tempo depois, a fam\u00edlia soube da exist\u00eancia de outro filho de Geovane com outra mo\u00e7a, um menino que, hoje, est\u00e1 com 8 anos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como foram esses oitos anos para a senhora, \u00a0D. Crispina?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0At\u00e9 hoje tenho boas lembran\u00e7as dele, que criei com muito amor e carinho. S\u00f3 Deus mesmo para confortar a gente. [O marido] Ele ficou doente. Teve depress\u00e3o. Ficou assim depois do que aconteceu. N\u00e3o queria comer, s\u00f3 andava calado. Eles [o av\u00f4 e Geovane] eram muito apegados. Ele [o neto] gostava de fazer churrasco a\u00ed na frente da casa e sempre o primeiro peda\u00e7o era do av\u00f4. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como foi a descoberta de mais um bisneto, um segundo filho do seu neto Geovane?<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0A m\u00e3e estava gr\u00e1vida de sete meses quando tudo aconteceu. O menino \u00e9 todo o pai, at\u00e9 nos gostos por comida. Gosta de churrasco e ovo, igualzinho a Geovane [Ela sorri um pouco recordando o neto]. Quando ele [o bisneto] passa perto de algum policial, me diz: ???\u00f4, minha av\u00f3, n\u00e3o gosto de ver nenhum deles, porque nem conheci meu pai???. E eu digo: meu filho, n\u00e3o fique assim, j\u00e1 passou. Entregue a Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dedos que pressionam os olhos com for\u00e7a, tentam em v\u00e3o conter as l\u00e1grimas que escorrem pelo rosto de um pai amargurado. 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