{"id":204666,"date":"2022-08-15T09:32:59","date_gmt":"2022-08-15T12:32:59","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/onze-pessoas-sao-estupradas-por-dia-em-minas\/"},"modified":"2022-08-15T09:32:59","modified_gmt":"2022-08-15T12:32:59","slug":"onze-pessoas-sao-estupradas-por-dia-em-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/15\/onze-pessoas-sao-estupradas-por-dia-em-minas\/","title":{"rendered":"Onze pessoas s\u00e3o estupradas por dia em Minas"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>???A minha vida era um filme de terror???, resume Maria (nome fict\u00edcio para proteger a identidade da v\u00edtima), hoje aos 39 anos. A mulher foi estuprada durante toda a inf\u00e2ncia at\u00e9 os 13 anos, por pessoas da pr\u00f3pria fam\u00edlia e conhecidos. ???S\u00f3 parou quando eu j\u00e1 tinha um pouco mais de condi\u00e7\u00f5es de falar, contar para algu\u00e9m ou me defender.??? Os abusos aconteciam dentro de casa e em um outro local onde a m\u00e3e dela e de mais quatro filhos a deixava para poder trabalhar. O pai, alco\u00f3latra, \u00e9 descrito como violento.<\/p>\n<\/div>\n<div>Ela nunca contou para ningu\u00e9m das viol\u00eancias sofridas e lembra que convive com o medo desde muito pequena. O caso de Maria retrata a realidade de muitas mulheres e crian\u00e7as que diariamente s\u00e3o v\u00edtimas de um crime envolto em medo, culpa, sofrimento e sil\u00eancio. Em Minas Gerais, por exemplo, 11 pessoas s\u00e3o estupradas por dia.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sejusp), de janeiro a maio deste ano, foram registrados 1.723 casos. A ocorr\u00eancia deste tipo de crime aumentou 10% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, quando foram contabilizados 1.568 casos. J\u00e1 entre 2020 e 2021, a alta foi de 8% no n\u00famero de casos (3.668 contra 3.945).\u00a0\u00a0<\/div>\n<div>\n<p><\/div>\n<div>Em BH, entre janeiro e maio, 201 pessoas foram v\u00edtimas desse tipo de viol\u00eancia, o que representa um caso por dia. Em 2021, foram 217 ocorr\u00eancias no per\u00edodo, 7% mais que neste ano. Por\u00e9m, entre 2020 e 2021, a capital registrou um aumento de 6% no n\u00famero de casos (491 contra 519).<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Mesmo ap\u00f3s tantos anos, Maria ainda lida com as consequ\u00eancias da viol\u00eancia sexual. ???As pessoas que fizeram isso tinham a obriga\u00e7\u00e3o de me defender, eram pessoas que eu amava. At\u00e9 hoje isso pra mim \u00e9 confuso, perturbador. Fiquei dos 13 aos 29 anos negando a viol\u00eancia. Aos 12, tentei suic\u00eddio???, lembra \u00e0s l\u00e1grimas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Ela diz que se sentia culpada e que, certa vez, tentou contar para a m\u00e3e o que acontecia. ???Mas ela era uma pessoa muito nervosa, com cinco filhos, tinha que trabalhar muito porque meu pai n\u00e3o ajudava em nada. Faltava comida.??? A m\u00e3e tamb\u00e9m batia nela. ???O que me traz mais m\u00e1goa \u00e9 que eu tive que conviver com isso sozinha.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Maria tamb\u00e9m relata o medo constante de sofrer novos estupros, que durou at\u00e9 seus 25 anos. ???Tinha muito medo da viol\u00eancia em si, fui muito machucada. Sentia muito medo dessa situa\u00e7\u00e3o de dor, machucaram o meu corpo mesmo. Tinha medo de dormir e ser violentada. N\u00e3o fugia porque tinha medo de sofrer essa viol\u00eancia tamb\u00e9m na rua. Vivi a vida inteira com culpa e medo. Sinto vergonha at\u00e9 hoje.??? E completa: ???Aos 29 anos, quando consegui dizer pra mim mesma que fui estuprada a inf\u00e2ncia inteira, minha vida ficou sombria. Mas\u00a0 tamb\u00e9m foi libertador.???<\/div>\n<div>\n<h2><b>CASOS CHOCANTES<\/b><\/h2>\n<p>Nos \u00faltimos meses, surgiram casos de repercuss\u00e3o envolvendo meninas e mulheres v\u00edtimas de estupro. No fim de junho, uma menina de 11 anos, gr\u00e1vida ap\u00f3s sofrer viol\u00eancia sexual, foi impedida por uma ju\u00edza de Santa Catarina de fazer um aborto legal e enviada a um abrigo para dar \u00e0 luz, decis\u00e3o que acabou sendo revogada, seguida de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez.<\/p><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Poucos dias depois, a atriz Klara Castanho publicou uma carta aberta nas redes sociais contando que tamb\u00e9m foi v\u00edtima de um estupro, ap\u00f3s ter seu nome envolvido em rumores sobre a entrega de um beb\u00ea para ado\u00e7\u00e3o. Em 11 de julho, a v\u00edtima foi uma mulher gr\u00e1vida, violentada durante o trabalho de parto, pelo anestesista Giovanni Quintella Bezerra, no Hospital da Mulher de S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, no Rio de Janeiro.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O caso mais recente que chocou os mineiros foi o da menina B\u00e1rbara Vit\u00f3ria, de 10, que ap\u00f3s ficar dois dias desaparecida foi encontrada morta em um campo de futebol, em Ribeir\u00e3o das Neves, na Grande BH. A pol\u00edcia confirmou que ela foi estuprada e enforcada.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A diretora da ONG Think Olga, Ma\u00edra Liguori, diz que esses abusos n\u00e3o s\u00e3o recentes, s\u00f3 est\u00e3o sendo mais conversados, mapeados e entendidos. Ela lembra que at\u00e9 recentemente o ass\u00e9dio sexual n\u00e3o era entendido como uma viol\u00eancia. ???Fazia parte de ser mulher andar na rua e sofrer ass\u00e9dio. Assim como fazia parte de ser homem assediar mulheres nas ruas.???<\/div>\n<div> Por\u00e9m, segundo Ma\u00edra, hoje essas discuss\u00f5es s\u00e3o mais acess\u00edveis, transformando a vis\u00e3o das mulheres sobre o assunto, al\u00e9m da possibilidade de denunciar os abusos. ???O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que essas viol\u00eancias que sempre existiram de forma mais ou menos escancarada, agora est\u00e3o sendo verbalizadas pelas mulheres???, analisa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Think Olga \u00e9 uma ONG que trabalha a conscientiza\u00e7\u00e3o das mulheres e a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sobre leis que protegem esse p\u00fablico. A diretora da entidade destaca o exemplo da lei da importuna\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<\/div>\n<div> ???Come\u00e7amos a falar sobre isso em 2013, quando o ass\u00e9dio n\u00e3o era entendido como uma viol\u00eancia. A partir desse debate p\u00fablico, um projeto de lei foi elaborado com base nas informa\u00e7\u00f5es e depoimentos levantados por n\u00f3s.??? A lei da importuna\u00e7\u00e3o sexual foi implementada em 2018.<\/div>\n<h2>SEQUELAS<\/h2>\n<div>Maria afirma que foi com o apoio psicol\u00f3gico que conseguiu ter uma qualidade de vida melhor. Ela encontrou essa assist\u00eancia quando come\u00e7ou um curso em uma faculdade de BH. Depois que se formou, ainda se sentia inst\u00e1vel e resolveu procurar ajuda psicol\u00f3gica. ???Aos 35 anos, foi a primeira vez em que me senti acolhida de verdade???, diz emocionada ao se lembrar do abra\u00e7o que recebeu da profissional de psicologia que a atende.<\/p>\n<\/div>\n<div>O tratamento iniciado h\u00e1 quatro anos foi um divisor de \u00e1guas em sua vida. ???Toda menina ou mulher que passa por isso deveria ter um apoio especializado. Toda essa viol\u00eancia, por todos esses anos, me trouxe marcas que s\u00e3o irrepar\u00e1veis. Tinha muitas crises de ansiedade e depress\u00e3o, que trato at\u00e9 hoje. Eu n\u00e3o me sentia mulher, me sentia um objeto, suja, sentia culpa.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>No ano passado, ap\u00f3s mais de 20 anos do fim dos abusos, ela conseguiu contar para um irm\u00e3o mais novo. ???Contei superficialmente. N\u00e3o quero me expor. Hoje, se eu falasse sobre isso ia ter uma repercuss\u00e3o muito negativa para minha fam\u00edlia.??? A m\u00e3e j\u00e1 \u00e9 idosa e Maria lamenta n\u00e3o ter podido contar com a ajuda dela. A mulher tamb\u00e9m relata n\u00e3o conseguir se relacionar afetivamente. ???N\u00e3o confio em nenhum homem, nunca tive um namoro s\u00e9rio. Confiar pra mim \u00e9 muito dif\u00edcil.???<\/div>\n<h2>Preven\u00e7\u00e3o, den\u00fancia e acolhimento<\/h2>\n<div>Por medo de serem julgadas, muitas v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual ??? n\u00e3o conseguem contar sobre o abuso de imediato nem mesmo depois de buscar ajuda, diz a psic\u00f3loga Ana Carolina Pimentel, coordenadora do Grupo de Apoio a Mulheres V\u00edtimas de Abusos (GAMVA BH).\u00a0 Ela destaca que a principal caracter\u00edstica do abuso sexual, principalmente o infantil, \u00e9 a culpa. ???A pessoa acredita que provocou esse abuso.???\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O objetivo do grupo \u00e9 acolher as v\u00edtimas e fazer com que elas entendam que n\u00e3o s\u00e3o culpadas pelos abusos sofridos. ???N\u00e3o \u00e9 a saia ou estar no lugar errado. Ela n\u00e3o tem culpa disso, o culpado \u00e9 o agressor e n\u00e3o a v\u00edtima. A parte mais traum\u00e1tica do abuso \u00e9 a v\u00edtima se sentir invalidada quando exp\u00f5e a viol\u00eancia sofrida.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A psic\u00f3loga cl\u00ednica, Cl\u00e1udia Natividade, atende mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia em seu consult\u00f3rio h\u00e1 24 anos e diz que nem sempre a v\u00edtima procura ajuda imediatamente. ????? bastante comum estarmos atendendo mulheres e, em determinado momento, ela se lembra que sofreu abuso na inf\u00e2ncia ou relata uma viol\u00eancia sexual que j\u00e1 sofreu na fase adulta.???\u00a0 Os agressores podem ser namorados, companheiros ou maridos.\u00a0 ???Ela n\u00e3o considera que teve aquela experi\u00eancia ou conscientemente esconde o fato e n\u00e3o relata para outras pessoas. Esses acontecimentos, sejam na inf\u00e2ncia ou mesmo na vida adulta, s\u00e3o experi\u00eancias muito amea\u00e7adoras. Desorganizam as mulheres de forma muito marcada porque s\u00e3o viola\u00e7\u00f5es.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>E essas viola\u00e7\u00f5es, segundo Cl\u00e1udia, causam danos ps\u00edquicos que podem acarretar dificuldades de reorganizar rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas de forma saud\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>A psic\u00f3loga afirma que o processo terap\u00eautico \u00e9 importante para a v\u00edtima desconstruir essa ideia e passar a se conectar e entender rela\u00e7\u00f5es de cuidado. ????? um movimento de deixar essa quest\u00e3o no passado, mas isso depende de tempo e ele \u00e9 muito espec\u00edfico de pessoa para pessoa.??? Por outro lado, a v\u00edtima que n\u00e3o procura\u00a0 suporte pode desenvolver outros transtornos. ???S\u00e3o bastante comuns quadros de ansiedade, depress\u00e3o, transtornos alimentares e isolamento social.???<\/div>\n<div>\n<h2><b>O CRIME<\/b><\/h2>\n<p>A delegada Renata Ribeiro Fagundes, da Delegacia Especializada de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Crian\u00e7a e ao Adolescente explica que o estupro se configura com o constrangimento da v\u00edtima a pr\u00e1tica de qualquer ato libidinoso feito sem o seu consentimento. J\u00e1 o estupro de vulner\u00e1vel acontece quando a v\u00edtima \u00e9 menor de 14 anos ou n\u00e3o pode, por qualquer raz\u00e3o, oferecer resist\u00eancia.<\/p><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>???No caso dos menores de 14 anos, a pr\u00e1tica do crime se configura ainda que haja consentimento da v\u00edtima para os atos. Nos demais, podem estar pessoas com defici\u00eancia, que ingeriram medicamentos ou estavam sedadas, por exemplo.??? O caso da paciente estuprada pelo anestesista Giovanni Quintella Bezerra se encaixa nesse quesito.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>J\u00e1 o crime tentado ocorre quando o autor, por algum motivo alheio a sua vontade, n\u00e3o consegue consum\u00e1-lo. De acordo com ela, existem outros crimes com caracter\u00edsticas semelhantes, como o de importuna\u00e7\u00e3o sexual, que tamb\u00e9m se configura pela pr\u00e1tica de atos libidinosos: importuna\u00e7\u00e3o, estupro ou posse sexual mediante fraude.<\/div>\n<div>\n<h2><b>Intimidade <\/b><\/h2>\n<p>Por ser um crime que atinge a intimidade da pessoa, a v\u00edtima do estupro tem mais dificuldade de denunciar e isso leva a uma subnotifica\u00e7\u00e3o de casos. A delegada ressalta que em situa\u00e7\u00f5es que envolvem procedimentos de sa\u00fade, esse receio \u00e9 ainda maior. ???A v\u00edtima tem dificuldade de saber se aquele \u00e9 um procedimento normal. Al\u00e9m disso, o profissional de sa\u00fade \u00e9 uma pessoa que inspira confian\u00e7a e a v\u00edtima n\u00e3o imagina que v\u00e1 acontecer uma viola\u00e7\u00e3o.???<\/p><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>No caso das crian\u00e7as e adolescentes, a delegada refor\u00e7a que \u00e9 preciso que pais e respons\u00e1veis orientem os filhos sobre que tipo de conduta \u00e9 aceit\u00e1vel por parte de um adulto. ????? preciso ficar atento tamb\u00e9m ao deixar os filhos com outras pessoas que est\u00e3o tomando conta deles, outros familiares.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Em Belo Horizonte, as den\u00fancias podem ser feitas na Delegacia Especializada de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Crian\u00e7a e ao Adolescente (Depca), localizada na Avenida Nossa Senhora de F\u00e1tima, 2.175, no Bairro Carlos Prates, Regi\u00e3o Noroeste e na Delegacia Especializada de Atendimento \u00e0 Mulher, localizada na Avenida Barbacena, 288, no Barro Preto, Regi\u00e3o Centro-Sul, com atendimento 24 horas. Em outras cidades de Minas, ocorr\u00eancias podem ser registradas qualquer unidade da Pol\u00edcia Civil. As den\u00fancias tamb\u00e9m podem ser feitas pelo Disque 100 ou 180.<\/div>\n<div>\n<h2><b>ENFRENTAMENTO <\/b><\/h2>\n<p>A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) afirma que adota pol\u00edticas de enfrentamento aos crimes sexuais e de atendimento \u00e0s em Minas. Em nota, citou o Comit\u00ea Estadual de Gest\u00e3o do Atendimento Humanizado \u00e0s V\u00edtimas de Viol\u00eancia Sexual (CEAHVIS) e a participa\u00e7\u00e3o no F\u00f3rum de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia Sexual contra Crian\u00e7as e Adolescentes.<\/p><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Cita, ainda, a\u00e7\u00f5es da Delegacia Especializada no Atendimento \u00e0 Mulher, por meio do Grupo de Combate aos Crimes Sexuais: forma\u00e7\u00e3o continuada sobre crimes de estupro para servidores da Pol\u00edcia Civil e protocolo humanizado e atendimento multidisciplinar na delegacia no primeiro atendimentoda v\u00edtima.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Al\u00e9m dessas iniciativas, completa o texto, o Estado mant\u00e9m o Centro Risoleta Neves de Atendimento \u00e0 Mulher (Cerna), que acompanha mulheres que sofreram viol\u00eancia dom\u00e9stica ou de qualquer natureza, oferecendo apoio psicossocial na unidade.<\/div>\n<h2>Gravidez depois da agress\u00e3o<\/h2>\n<div>Um estudo feito por m\u00e9dicas do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que mais da metade das mulheres v\u00edtimas de estupro que procuraram atendimento no local estavam gr\u00e1vidas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O levantamento foi feito entre 1\u00ba de janeiro de 2019 e 31 de dezembro de 2020. Nesse per\u00edodo, foram atendidas 53 mulheres, sendo 33 em 2019 e 20 no ano seguinte. As pesquisadoras destacam que ???apesar do aumento dos casos de viol\u00eancia contra a mulher no Brasil, a demanda pelo atendimento a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia sexual no hospital foi menor do que no ano anterior \u00e0 pandemia.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Outra constata\u00e7\u00e3o do estudo foi que, em 2020, a maioria dos casos atendidos tiveram como local dos abusos o ambiente domiciliar, a maior parte das mulheres atendidas havia sofrido viol\u00eancia anterior e 25% delas j\u00e1 conheciam o agressor. No per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia, a viol\u00eancia relatada acontecia nas ruas ou em eventos sociais. ???O n\u00famero de atendimentos a mulheres com gesta\u00e7\u00e3o decorrente de estupro e para o aborto legal se manteve est\u00e1vel.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>As pesquisadoras conclu\u00edram que a diminui\u00e7\u00e3o da procura por atendimento ocorreu, possivelmente, em raz\u00e3o do isolamento social provocado pela pandemia da COVID-19. ???Por\u00e9m, nos casos de gesta\u00e7\u00e3o decorrente de viol\u00eancia sexual, as v\u00edtimas foram mais ativas em procurar o atendimento m\u00e9dico especializado para solicitar a interrup\u00e7\u00e3o legal da gravidez.???<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Dos 33 casos atendidos em 2019, 15% ocorreram em ambiente domiciliar, 24% com viol\u00eancia f\u00edsica associada, em 21,2% dos eventos a v\u00edtima j\u00e1 tinha sido violentada anteriormente e em 70% dos casos n\u00e3o foi feito boletim de ocorr\u00eancia.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos 20 casos atendidos em 2020, 35% ocorreram em ambiente domiciliar, 40% com viol\u00eancia f\u00edsica, 30% com epis\u00f3dios pr\u00e9vios de abuso sexual e 65% sem den\u00fancia em \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gesta\u00e7\u00f5es decorrentes da viol\u00eancia sexual, em 2019 foram registradas 23 (69,7%) e 20 tiveram interrup\u00e7\u00e3o legal autorizada. J\u00e1 em 2020, foram 11 gesta\u00e7\u00f5es (55%) todas com desfecho de aborto autorizado.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>???A minha vida era um filme de terror???, resume Maria (nome fict\u00edcio para proteger a identidade da v\u00edtima), hoje aos 39 anos. 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