{"id":204686,"date":"2022-08-15T09:52:21","date_gmt":"2022-08-15T12:52:21","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/adultos-aprendem-com-a-pratica-a-diferenciar-o-choro-dos-bebes\/"},"modified":"2022-08-15T09:52:21","modified_gmt":"2022-08-15T12:52:21","slug":"adultos-aprendem-com-a-pratica-a-diferenciar-o-choro-dos-bebes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/15\/adultos-aprendem-com-a-pratica-a-diferenciar-o-choro-dos-bebes\/","title":{"rendered":"Adultos aprendem com a pr\u00e1tica a diferenciar o choro dos beb\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Se voc\u00ea consegue reconhecer o choro de um beb\u00ea com dor, muito provavelmente \u00e9 pai ou m\u00e3e de uma crian\u00e7a pequena. Pelo menos \u00e9 o que indica um estudo divulgado nesta semana na revista cient\u00edfica Current Biology. De acordo com a pesquisa, a capacidade de diferenciar momentos dolorosos de situa\u00e7\u00f5es de desconforto n\u00e3o \u00e9 inata, mas sim resultado da experi\u00eancia. Pais e cuidadores aprendem com a pr\u00e1tica a decodificar os sinais presentes no pranto.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O artigo mostra que adultos com larga experi\u00eancia com beb\u00eas, seja por serem pais ou profissionais de cuidado infantil, identificam o choro de crian\u00e7as familiares em uma taxa maior do que o acaso. Por\u00e9m apenas pais de crian\u00e7as pequenas, aqueles envolvidos em um cuidado intensivo dia e noite, s\u00e3o capazes de diferenciar desconforto e dor em um beb\u00ea com o qual nunca tiveram contato, algo inesperado pelos cientistas.<\/p>\n<p>Eles imaginavam que, assim como os pais, os profissionais de cuidado infantil tamb\u00e9m seriam bem-sucedidos na tarefa de reconhecer os sinais de beb\u00eas desconhecidos, uma vez que costumam ter contato com muitas crian\u00e7as durante um dia de trabalho, contudo n\u00e3o foi o que ocorreu.<\/p>\n<p>&#8220;Isso nos surpreendeu em um primeiro momento, mas condiz com a ideia de que ouvintes experientes podem desenvolver uma resist\u00eancia que reduz sua sensibilidade aos sinais ac\u00fasticos de dor&#8221;, conta Camille Fauchon, coautora do artigo e pesquisadora na Universidade de Saint-Etienne, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A pesquisa integra um programa de investiga\u00e7\u00e3o dedicado a compreender como a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 codificada no choro dos beb\u00eas e como os adultos extraem essa informa\u00e7\u00e3o. &#8220;Antes que uma crian\u00e7a possa falar, \u00e9 essencial entender seus sinais para que suas necessidades sejam atendidas: ela est\u00e1 com fome, com sono ou com dor? Em particular, detectar e avaliar a dor dos beb\u00eas \u00e9 necess\u00e1rio para gerenciar quaisquer problemas m\u00e9dicos&#8221;, diz Fauchon.<\/p>\n<p>A pesquisadora afirma que as escalas atuais de avalia\u00e7\u00e3o de dor baseadas nas express\u00f5es faciais e comportamento do beb\u00ea, e em informa\u00e7\u00f5es relatadas pelos pais, s\u00e3o incompletas e imprecisas, da\u00ed a import\u00e2ncia de compreender as informa\u00e7\u00f5es codificadas na estrutura ac\u00fastica do pranto infantil.<\/p>\n<p>O choro de dor \u00e9 mais longo, mais alto e mais estridente e o estudo buscou compreender se a experi\u00eancia afetava a capacidade de decodificar essas propriedades ac\u00fasticas universais. Para tanto, os pesquisadores recrutaram participantes com diferentes n\u00edveis de contato com beb\u00eas, incluindo pessoas sem familiaridade alguma, cuidadores eventuais, pais de crian\u00e7as acima de 5 anos e pais de crian\u00e7as menores de 2 anos.<\/p>\n<p>O experimento foi conduzido pela internet, a partir da plataforma Prolific, e os participantes receberam pagamento pelo tempo gasto. &#8220;Esse formato garante um certo n\u00edvel de motiva\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 sempre dif\u00edcil em iniciativas online, sem se tornar uma fonte de renda completa. Tamb\u00e9m \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o interessante para realizar experimentos quando as pessoas n\u00e3o podem entrar no laborat\u00f3rio, como foi o caso durante o lockdown pela Covid&#8221;, argumenta Fauchon.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o recrutamento, teve in\u00edcio uma fase de treinamento. Em dois dias, os 234 participantes ouviram oito \u00e1udios de desconforto captados durante o banho de um mesmo beb\u00ea, para se familiarizarem com a crian\u00e7a. Depois, foram apresentados a uma sequ\u00eancia de quatro \u00e1udios, dois referentes a desconforto e dois choros de dor captados em momentos de vacina\u00e7\u00e3o. Por fim, ouviram mais quatro \u00e1udios, tamb\u00e9m de dor e desconforto, de um beb\u00ea at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o ouvido.<\/p>\n<p>Participantes que n\u00e3o eram pais tiveram taxa de acerto pr\u00f3xima a 50% ao ouvirem o beb\u00ea com o qual tinham se familiarizado, enquanto pais de crian\u00e7as maiores de 5 anos alcan\u00e7aram 65,5%. Profissionais de cuidado infantil chegaram a 71,1% e pais de beb\u00eas, 71,2%. Estes tamb\u00e9m tiveram taxa de acerto de 64,2% ao ouvirem o choro de um beb\u00ea desconhecido, mostrando que a experi\u00eancia influencia a percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos interessados agora em estudar as bases neurobiol\u00f3gicas desses processos perceptivos. Temos estudos de neuroimagem em andamento que ajudar\u00e3o a entender como a experi\u00eancia e a paternidade moldam a atividade cerebral e fazem com que os adultos se tornem especialistas no reconhecimento do choro dos beb\u00eas. Tamb\u00e9m estamos investigando como fatores demogr\u00e1ficos, incluindo idade, podem afetar o processo de identifica\u00e7\u00e3o do choro&#8221;, finaliza a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Se voc\u00ea consegue reconhecer o choro de um beb\u00ea com dor, muito provavelmente \u00e9 pai ou m\u00e3e de uma crian\u00e7a pequena. 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