{"id":206555,"date":"2022-08-18T05:18:47","date_gmt":"2022-08-18T08:18:47","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/08\/humilhados-e-expulsos-a-saga-dos-indigenas-venezuelanos-despachados-da-bahia\/"},"modified":"2022-08-18T05:18:47","modified_gmt":"2022-08-18T08:18:47","slug":"humilhados-e-expulsos-a-saga-dos-indigenas-venezuelanos-despachados-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/08\/18\/humilhados-e-expulsos-a-saga-dos-indigenas-venezuelanos-despachados-da-bahia\/","title":{"rendered":"Humilhados e expulsos: a saga dos ind\u00edgenas venezuelanos despachados da Bahia"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Ind\u00edgenas venezuelanos da etnia Warao desembarcaram em Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, na ter\u00e7a-feira (16), sa\u00eddos de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. O \u00f4nibus que os levou \u00e0 cidade n\u00e3o teve permiss\u00e3o de entrar na rodovi\u00e1ria do munic\u00edpio, j\u00e1 que a viagem n\u00e3o estava listada nos itiner\u00e1rios do terminal. A den\u00fancia \u00e9 de que o grupo teria sido mandado para o estado vizinho pela prefeitura da cidade baiana, que alegou n\u00e3o ter estrutura para acolher os migrantes.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A professora e presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), Brunela Vincenzi, est\u00e1 acompanhando o grupo desde a chegada na capital capixaba. ???Sempre que eles chegam em um lugar, mandam eles embora???, afirma Brunela.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ainda na ter\u00e7a-feira, os Warao foram instalados em um abrigo provis\u00f3rio em Vit\u00f3ria. Segundo a professora, esse ir e vir entre cidades brasileiras tem sido rotina para o grupo h\u00e1 cerca de dois anos, segundo evidenciam documentos que os ind\u00edgenas apresentaram.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Eles entraram por Pacaraima (Roraima), na fronteira com a Venezuela. S\u00e3o todos documentados, t\u00eam pedido de ref\u00fagio, CPF, todos os documentos???, diz Brunela. A presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Ufes \u00e9 tamb\u00e9m pesquisadora e acrescenta que j\u00e1 estudava a etnia Warao. Ela ainda explica que eles s\u00e3o um povo origin\u00e1rio do norte da Venezuela, que viveram por muito tempo isolados da sociedade, mas com a crise humanit\u00e1ria no pa\u00eds, passaram a se deslocar.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pelo n\u00edvel de isolamento do grupo, Brunela conta que apenas o cacique Ruben Mata fala portugu\u00eas e outros tr\u00eas ind\u00edgenas conseguem se comunicar em espanhol. ???Conversando com o cacique, ele falou que eles estavam em uma cidade chamada Jequi\u00e9 e l\u00e1 a Secretaria de Desenvolvimento Social disse para eles que a cidade era muito pequena e eles n\u00e3o poderiam ficar l\u00e1. Em Teixeira de Freitas aconteceu a mesma coisa???, relata a pesquisadora da Ufes.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A coordenadora da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do N\u00facleo de Apoio a Migrantes e Refugiados da Universidade Federal da Bahia (Namir), Mari\u00e2ngela Nascimento, no entanto, nega a vers\u00e3o contada pelo cacique. Ela afirma que faz o acompanhamento dos ind\u00edgenas da etnia Warao na Bahia e os chama de ???popula\u00e7\u00e3o flutuante???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Eles [os ind\u00edgenas] ficam assim transitando o tempo inteiro. N\u00e3o adianta a gente montar uma estrutura de pol\u00edtica p\u00fablica para eles, porque ficam um tempo e v\u00e3o embora???, diz a coordenadora. Mari\u00e2ngela afirma ainda que em todas as cidades em que o Namir, junto a outras universidades p\u00fablicas baianas, acompanharam esses ind\u00edgenas, houve um bom acolhimento pelas prefeituras. Na Bahia, a professora ressalta que h\u00e1 um grande n\u00famero de ind\u00edgenas Warao alocados, neste momento, em Feira de Santana.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mari\u00e2ngela acrescenta que aconteceu um caso similar ao de Vit\u00f3ria no ano passado, em que ind\u00edgenas Warao deixaram a cidade de Itabuna, no sul do estado, e foram para Belo Horizonte (MG), sem avisar a partida.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Munic\u00edpios<\/strong><br \/> A prefeitura de Jequi\u00e9 afirma que a migra\u00e7\u00e3o para Teixeira de Freitas foi iniciativa da pr\u00f3pria tribo e que a Secretaria de Desenvolvimento Social documentou o acompanhamento e o atendimento prestado. Em nota, a gest\u00e3o diz que ainda assiste parte do mesmo grupo: 21 pessoas com interesse de tamb\u00e9m migrar para Teixeira de Freitas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">J\u00e1 a prefeitura de Teixeira de Freitas disse que n\u00e3o tinha comunidades ind\u00edgenas na regi\u00e3o e, por isso, a cidade n\u00e3o teria recursos para fornecer ???a assist\u00eancia adequada a este grupo???. A gest\u00e3o disse ainda que forneceu transporte para a viagem at\u00e9 Vit\u00f3ria. Segundo o munic\u00edpio, os ind\u00edgenas viajaram em ve\u00edculo fretado, por pedido do grupo, que n\u00e3o usa \u00f4nibus comerciais com pessoas de fora da tribo. Essa seria a explica\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo n\u00e3o estar autorizado a entrar na rodovi\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A cidade afirmou ter notificado a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) sobre a chegada do grupo no munic\u00edpio, mas alega n\u00e3o ter recebido suporte do \u00f3rg\u00e3o. A Funai foi procurada pela reportagem e n\u00e3o respondeu aos questionamentos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De acordo com Brunela Vincenzi, a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria a mais adequada para cuidar do caso, tendo em vista que o grupo n\u00e3o \u00e9 de ind\u00edgenas brasileiros, muito menos com caracter\u00edsticas identit\u00e1rias pr\u00f3ximas aos ind\u00edgenas do Brasil. Os Warao se caracterizariam como refugiados.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Brunela diz ainda que a prefeitura de Teixeira de Freitas falhou \u00a0ao \u00a0n\u00e3o comunicar a migra\u00e7\u00e3o do grupo Warao para a prefeitura de Vit\u00f3ria. ???A Secretaria de Assist\u00eancia Social de Vit\u00f3ria disse que em nenhum momento algu\u00e9m da secretaria de Teixeira de Freitas entrou em contato para avisar que esse \u00f4nibus estava vindo para c\u00e1???.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ainda segundo a professora da Ufes, os venezuelanos desembarcaram em Vit\u00f3ria por volta da meia-noite e, sem ter para onde ir, dormiram em um terreno baldio pr\u00f3ximo \u00e0 rodovi\u00e1ria. O que mais a deixou surpresa foi ver que no grupo havia um beb\u00ea rec\u00e9m-nascido, com 8 dias de vida. Dos 25 ind\u00edgenas do grupo, a pesquisadora ressalta a presen\u00e7a de 10 crian\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ela acredita que os ind\u00edgenas Warao querem ficar em Vit\u00f3ria e diz que est\u00e1 buscando formas de auxili\u00e1-los para que possam se estabelecer na cidade.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Rumo que ningu\u00e9m sabe ao certo<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">O destino dos ind\u00edgenas Warao ainda \u00e9 incerto e a responsabilidade est\u00e1 saltando de \u00f3rg\u00e3o em \u00f3rg\u00e3o. A prefeitura de Vit\u00f3ria (ES), por meio de nota, disse que acionou a Pol\u00edcia Federal, o Minist\u00e9rio da Cidadania, a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, o Governo do Estado de Santa Catarina e o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal assim que soube da chegada do grupo de 25 venezuelanos. A reportagem buscou esclarecimentos com as cinco entidades citadas, mas n\u00e3o recebeu retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A prefeitura de Vit\u00f3ria disse ainda que ???segue buscando alternativas legais para o caso, capazes de resguardar os direitos e garantias fundamentais dos cidad\u00e3os???. J\u00e1 a Secretaria de Justi\u00e7a, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) comunicou que teve conhecimento do caso a partir do contato da reportagem. A pasta afirma que n\u00e3o foi acionada pelas equipes de Assist\u00eancia Social das prefeituras dos munic\u00edpios de Jequi\u00e9 e Teixeira de Freitas e nem pelo Governo do Esp\u00edrito Santo com rela\u00e7\u00e3o aos migrantes venezuelanos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;A quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de compet\u00eancia constitucional do governo da Bahia e sim do governo federal. Entretanto, diante da apatia do governo federal, o estado n\u00e3o pode ficar de bra\u00e7os cruzados, tendo em vista um problema t\u00e3o grave. E, por isso, tem debatido estrat\u00e9gias para a quest\u00e3o, a exemplo de cursos de capacita\u00e7\u00e3o para profissionais da assist\u00eancia social que atendem migrantes na Bahia. Essa pauta tem sido estudada conjuntamente com o N\u00facleo de Apoio a Migrantes e Refugiados da Universidade Federal da Bahia (Namir-UFBA)&#8221;, diz o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><em>*Com as supervis\u00f5es\u00a0da chefe de reportagem Perla Ribeiro e da subchefe Monique L\u00f4bo<br \/> **Colaborou\u00a0Esther Morais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas venezuelanos da etnia Warao desembarcaram em Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, na ter\u00e7a-feira (16), sa\u00eddos de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia.\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":206556,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-206555","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206555"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206555\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206555"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=206555"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=206555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}