{"id":56801,"date":"2022-03-16T13:49:00","date_gmt":"2022-03-16T16:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/77-das-brasileiras-dizem-ja-ter-usado-item-alternativo-para-conter-fluxo-menstrual\/"},"modified":"2022-09-23T12:28:03","modified_gmt":"2022-09-23T15:28:03","slug":"77-das-brasileiras-dizem-ja-ter-usado-item-alternativo-para-conter-fluxo-menstrual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/16\/77-das-brasileiras-dizem-ja-ter-usado-item-alternativo-para-conter-fluxo-menstrual\/","title":{"rendered":"77% das brasileiras dizem j\u00e1 ter usado item alternativo para conter fluxo menstrual"},"content":{"rendered":"<p>ISABELLA MENON (FOLHAPRESS) &#8211; Papel higi\u00eanico, panos e toalhas de papel s\u00e3o os itens mais usados entre as mulheres que tiveram que adaptar produtos de higiene menstrual para conter o fluxo. No pa\u00eds, 77% das mulheres com 16 anos ou mais dizem que j\u00e1 passaram por essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O que motivou o uso de itens alternativos est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 classe social. Enquanto para mulheres das classes A e B o esquecimento \u00e9 a principal raz\u00e3o (83%), para as das D e E a falta de dinheiro (55%) \u00e9 o fator determinante para isso.<\/p>\n<p>Os dados est\u00e3o na pesquisa &#8220;As Brasileiras e a Pobreza Menstrual&#8221;, divulgada nesta ter\u00e7a-feira (15). Realizado pelo Instituto Locomotiva, o trabalho analisou a rela\u00e7\u00e3o das brasileiras com a menstrua\u00e7\u00e3o e o problema estrutural da pobreza menstrual.<\/p>\n<p>A pesquisa foi dividida em dois momentos.<\/p>\n<p>Para a etapa qualitativa, foram realizadas rodas de discuss\u00e3o de uma hora e 30 minutos sobre o assunto com 24 mulheres de 16 a 39 anos das classes C e D.<\/p>\n<p>Na quantitativa, houve 1.016 entrevistas, por meio de question\u00e1rio online, com mulheres de 16 a 50 anos, que menstruam.<\/p>\n<p>A pesquisa n\u00e3o ouviu homens trans e pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias.<\/p>\n<p>De acordo com uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp, a parcela adulta que se identifica como n\u00e3o bin\u00e1ria (n\u00e3o pertencem a um g\u00eanero exclusivamente) e homens transmasculinos corresponde a 1,19% e 0,33%, respectivamente, da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Procurada, a empresa afirmou que, &#8220;mais que trazer a popula\u00e7\u00e3o trans em uma pesquisa, a marca acredita que as a\u00e7\u00f5es efetivas fazem mais diferen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nossos esfor\u00e7os de combate \u00e0 pobreza menstrual incluem a doa\u00e7\u00e3o de produtos para toda a popula\u00e7\u00e3o que menstrua, al\u00e9m da aceleradora social que ampliar\u00e1 o alcance dessa luta, n\u00e3o s\u00f3 para mulheres&#8221;, disse a Always, em nota.<\/p>\n<p>O estudo aponta ainda que apenas 20% das mulheres se sentem bem informadas sobre os corpos durante a menstrua\u00e7\u00e3o e 52% j\u00e1 sofreram alguma priva\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 pobreza menstrual. O fen\u00f4meno, intensificado nas regi\u00f5es de extrema pobreza, \u00e9 entendido pela falta de acesso de mulheres e de homens transexuais a produtos de higiene menstrual, saneamento b\u00e1sico adequado e conhecimento suficiente para lidar com a menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O perfil mais exposto a esse fen\u00f4meno, ainda de acordo com o levantamento, \u00e9 o de mulheres das classes D e E, negras, das regi\u00f5es Nordeste, Norte e Centro-Oeste, empregadas sem carteira assinada ou desempregadas e aquelas que possuem o fluxo menstrual intenso.<\/p>\n<p>No mercado de trabalho, 5,5 milh\u00f5es das mulheres j\u00e1 faltaram ao trabalho ao menos uma vez em decorr\u00eancia da pobreza menstrual, e 4,3 milh\u00f5es, mais de uma. Estima-se que essas faltas gerem um preju\u00edzo de R$ 2,4 bilh\u00f5es na economia brasileira por ano.<\/p>\n<p>A menstrua\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi motivo de constrangimento para 23% das mulheres. As humilha\u00e7\u00f5es ocorreram, principalmente, em institui\u00e7\u00f5es de ensino (64%), como escolas e faculdades.<\/p>\n<p>A primeira pesquisa da marca, divulgada no ano passado, mostrou que ensino \u00e9 muito afetado pela pobreza menstrual: 28% das mulheres faltavam \u00e0s aulas por n\u00e3o conseguirem comprar absorvente.<\/p>\n<p>Nessa nova rodada, a pesquisa traz que 2,9 milh\u00f5es de estudantes atuais do ensino fundamental, m\u00e9dio ou superior j\u00e1 faltaram \u00e0s aulas na escola ou na faculdade devido \u00e0 falta de dinheiro para comprar produtos de higiene menstrual. Desse total, 2,4 milh\u00f5es faltaram mais de uma vez.<\/p>\n<p>A pesquisa calcula que isso resulta, em m\u00e9dia, em 14 milh\u00f5es de faltas de mulheres estudantes por ano, como consequ\u00eancia da pobreza menstrual.<\/p>\n<p>O tema tem sido alvo de cr\u00edticas ao governo de Jair Bolsonaro (PL) desde outubro de 2021, quando ele vetou o projeto que visava distribui\u00e7\u00e3o gratuita de absorvente a mulheres de baixa renda.<\/p>\n<p>No entanto, no Dia Internacional da Mulher, o presidente assinou um decreto que prev\u00ea distribui\u00e7\u00e3o gratuita de absorventes para 3,6 milh\u00f5es de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, ou seja, quase 3 milh\u00f5es a menos do que a medida que ele havia vetado no ano passado.<\/p>\n<p>Dois dias depois, o Congresso derrubou o veto de Bolsonaro \u00e0 pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o do item de higiene menstrual a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, inclusive privadas de liberdade. Entre os motivos apontados foi a maior abrang\u00eancia da lei do que a medida editada pelo chefe do Executivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ISABELLA MENON (FOLHAPRESS) &#8211; Papel higi\u00eanico, panos e toalhas de papel s\u00e3o os itens mais usados entre as mulheres que tiveram que adaptar produtos\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":56802,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-56801","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56801"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56801\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}