{"id":58540,"date":"2022-03-18T17:34:34","date_gmt":"2022-03-18T20:34:34","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/carnaval-nao-eleva-casos-de-covid-19-no-rio-mas-pode-ter-freado-queda\/"},"modified":"2022-03-18T17:34:34","modified_gmt":"2022-03-18T20:34:34","slug":"carnaval-nao-eleva-casos-de-covid-19-no-rio-mas-pode-ter-freado-queda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/18\/carnaval-nao-eleva-casos-de-covid-19-no-rio-mas-pode-ter-freado-queda\/","title":{"rendered":"Carnaval n\u00e3o eleva casos de covid-19 no Rio, mas pode ter freado queda"},"content":{"rendered":"<p>Mais de 15 dias ap\u00f3s o carnaval, e dez dias depois do fim da obrigatoriedade do uso de m\u00e1scaras em ambientes fechados, o Rio de Janeiro n\u00e3o enfrenta alta nos casos e \u00f3bitos por covid-19, mas a avalia\u00e7\u00e3o sobre o cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico divide opini\u00f5es de pesquisadores ouvidos pela <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia e o infectologista Celso Ramos, membro do Grupo de Trabalho (GT) Multidisciplinar para Enfrentamento da Covid-19 da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), \u00e9 poss\u00edvel dizer que o cen\u00e1rio se mant\u00e9m favor\u00e1vel. Para o Observat\u00f3rio Covid-19, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), por\u00e9m, os dados j\u00e1 podem indicar que o n\u00famero de casos parou de cair.<\/p>\n<p>Professor de doen\u00e7as infecciosas da UFRJ, Celso Ramos n\u00e3o esperava piora no cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico da cidade devido ao alto percentual de pessoas vacinadas, que \u00e9 de quase 85% com segunda dose ou dose \u00fanica e 45% com dose de refor\u00e7o. Duas semanas depois do carnaval, ele considera que a expectativa se confirmou e que n\u00e3o houve mudan\u00e7a na incid\u00eancia da doen\u00e7a.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1449250&#038;o=rss\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1449250&#038;o=rss\"\/><\/p>\n<p>???Estamos em uma situa\u00e7\u00e3o muito boa no Rio em termos de vacina\u00e7\u00e3o. [A situa\u00e7\u00e3o] do munic\u00edpio do Rio \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 dos melhores pa\u00edses do mundo e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses desenvolvidos???, afirmou.<\/p>\n<p>Sobre o fim da obrigatoriedade do uso das m\u00e1scaras em locais fechados,em vigor desde 8 de mar\u00e7o, o m\u00e9dico disse que j\u00e1 seria poss\u00edvel perceber em alguns dados do munic\u00edpio tend\u00eancia de piora, se o impacto tivesse sido esse. &#8220;Se houvesse um aumento s\u00fabito de transmiss\u00e3o, a essa altura, no d\u00e9cimo dia, j\u00e1 dever\u00edamos estar vendo isso. N\u00e3o estar\u00edamos com aumento de mortes, mas dever\u00edamos ter aumento de demanda em unidades de sa\u00fade, aumento de demanda de interna\u00e7\u00e3o, aumento de solicita\u00e7\u00e3o de testes por pessoas sintom\u00e1ticas e do percentual de testes positivos. N\u00e3o estamos tendo isso. At\u00e9 o presente momento, n\u00e3o aconteceu nada&#8221;,disse Ramos, que coordena a C\u00e2mara T\u00e9cnica de doen\u00e7as infecciosas do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).<\/p>\n<p>O m\u00e9dico considerou acertada a decis\u00e3o de retirar a obrigatoriedade das m\u00e1scaras, mas ressaltou que ainda \u00e9 preciso mant\u00ea-las em unidades de sa\u00fade, tanto por pacientes como por profissionais. &#8220;S\u00e3o lugares que concentram pessoas que chegam potencialmente com a doen\u00e7a e pessoas que podem ter risco para a doen\u00e7a.Acho que [a m\u00e1scara] deveria continuar sendo usada, e muitas unidades continuam fazendo isso&#8221;, afirmou Ramos, que defende a volta das m\u00e1scaras caso alguma amea\u00e7a concreta apare\u00e7a. &#8220;Surgirem novas variantes \u00e9 algo que pode acontecer, mas n\u00e3o podemos tomar medidas de sa\u00fade p\u00fablica na suposi\u00e7\u00e3o remota de algo que pode acontecer.&#8221;<\/p>\n<p>?? preciso aceitar que qualquer situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica \u00e9 vari\u00e1vel e que o v\u00edrus n\u00e3o deve desaparecer, ressaltou o professor da UFRJ. &#8220;O fato de o R [taxa de transmiss\u00e3o] estar em 0,3 n\u00e3o significa que vai chegar a zero, n\u00e3o significa que a doen\u00e7a vai desaparecer. Estamos sem p\u00f3lio no Brasil no momento, mas no mundo, como um todo, a doen\u00e7a n\u00e3o desapareceu. Est\u00e1vamos sem sarampo no Brasil h\u00e1 muito tempo e ele voltou. A covid n\u00e3o vai desaparecer.&#8221;<\/p>\n<p>Integrante do Observat\u00f3rio Covid-19 da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e pesquisador em sa\u00fade p\u00fablica, Raphael Guimar\u00e3es disse que, na semana que vem, ser\u00e1 poss\u00edvel ter mais seguran\u00e7a sobre poss\u00edveis impactos do carnaval no cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico. Apesar disso, Guimar\u00e3es v\u00ea ind\u00edcios de que as aglomera\u00e7\u00f5es e viagens podem, sim, ter mudado a curva de casos e destaca que j\u00e1 se nota interrup\u00e7\u00e3o da queda (do n\u00famero di\u00e1rio de novos casos). &#8220;Isso \u00e9 preocupante. A gente n\u00e3o consegue ver aumento de casos, mas consegue ver que parou de cair, o que j\u00e1 \u00e9 um ind\u00edcio de que se caminha para um cen\u00e1rio de estabiliza\u00e7\u00e3o de casos que n\u00e3o \u00e9 bom. E isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo s\u00f3 no Rio de Janeiro&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Sobre o fim da obrigatoriedade do uso de m\u00e1scaras, ele admitiu uma poss\u00edvel influ\u00eancia nos n\u00fameros no mesmo sentido, mas afirmou que \u00e9 muito cedo para ter clareza nessa avalia\u00e7\u00e3o. &#8220;A experi\u00eancia mostra que, mesmo em lugares com cobertura vacinal alta, quando se tem flexibiliza\u00e7\u00e3o precoce das m\u00e1scaras, a tend\u00eancia \u00e9 haver revers\u00e3o com alta dos casos. A gente v\u00ea acontecer na Europa e em alguns pa\u00edses do Sudeste Asi\u00e1tico.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Guimar\u00e3es, com a maior transmissibilidade promovida pelas variantes do coronav\u00edrus, o patamar ideal de imuniza\u00e7\u00e3o para retirada das m\u00e1scaras passou a ser 90% da popula\u00e7\u00e3o com duas doses. O dado consta no Boletim do Observat\u00f3rio Covid-19 divulgado na semana passada, que cita pesquisas segundo as quais, al\u00e9m de chegar a esse patamar, \u00e9 preciso esperar de duas a dez semanas para que todos os vacinados de fato desenvolvam a imunidade.\u00a0<\/p>\n<p>Para o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia no Rio de Janeiro, Rodrigo Lins, o carnaval n\u00e3o causou impacto significativo no cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico da cidade, mas a retirada da obrigatoriedade das m\u00e1scaras poderia ter esperado at\u00e9 que essa avalia\u00e7\u00e3o pudesse ser feita com mais clareza, em vez de ter sido decretada na semana seguinte \u00e0 folia. Mesmo assim, ele afirma ter poucas ressalvas contra a flexibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Meu ponto \u00e9 que \u00e9 uma quest\u00e3o complexa para dizer s\u00f3: ???libera ou n\u00e3o libera???. H\u00e1 pacientes de maior risco, pessoas que n\u00e3o est\u00e3o com esquemas completos, ambientes que, mesmo fechados, n\u00e3o s\u00e3o iguais entre si e cen\u00e1rios como hospitais e escolas&#8221;, afirmou Lins, que sentiu falta de mais orienta\u00e7\u00f5es para situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas como escolas, onde muitas crian\u00e7as n\u00e3o completaram o esquema vacinal. &#8220;N\u00e3o acho que foi uma decis\u00e3o errada, estamos vendo que o carnaval n\u00e3o teve impacto significativo.???<\/p>\n<p>Segundo Lins, ainda \u00e9 cedo para afirmar que o cen\u00e1rio atual \u00e9 de estabiliza\u00e7\u00e3o dos casos, em vez de queda. &#8220;Vamos ter que acompanhar mais alguns dias. Em alguns pa\u00edses, houve uma pequena alta depois de o n\u00famero cair muito, e as pessoas est\u00e3o em d\u00favida. Mas a mortalidade continua em queda&#8221;, disse. &#8220;N\u00e3o acho necessariamente que [o n\u00famero de casos] tenha que cair at\u00e9 zero para tomar essa conduta [fim da obrigatoriedade] em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e1scara.&#8221;<\/p>\n<h2>N\u00fameros<\/h2>\n<p>Na ter\u00e7a-feira de carnaval, 1\u00ba de mar\u00e7o, a m\u00e9dia m\u00f3vel de novos casos de covid-19 era de 1.472 por dia, menos que a metade do registrado 15 dias antes, segundo o painel de dados da Secretaria Municipal de Sa\u00fade do Rio de Janeiro. Hoje (18), a m\u00e9dia m\u00f3vel chegou a 1.320 casos por dia, mantendo-se, desde 8 de mar\u00e7o, oscila\u00e7\u00e3o entre 1.248 e 1.380 novos registros di\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros consideram a data de divulga\u00e7\u00e3o dos casos, isto \u00e9, o dia em que foram notificados ao Sistema ??nico de Sa\u00fade (SUS), n\u00famero que \u00e9 sujeito a atrasos e represamentos. Quando considerada a data de in\u00edcio dos sintomas, a m\u00e9dia m\u00f3vel ficou em 227 novos casos em 1\u00ba de mar\u00e7o, contra 634 em 16 de fevereiro.<\/p>\n<p>At\u00e9 14 de mar\u00e7o, a m\u00e9dia manteve-se acima de 200 casos por dia, e chegou a 149 em 17 de mar\u00e7o. Esse n\u00famero, no entanto, deve ser revisado para cima, porque um paciente que for diagnosticado na pr\u00f3xima segunda-feira, por exemplo, poder\u00e1 informar que sentiu o primeiro sintoma hoje, o que faria com que seu caso fosse contabilizado retroativamente nesta data.<\/p>\n<p>Quanto aos casos graves, o painel da Secretaria Municipal de Sa\u00fade informa que havia 32 pacientes internados em unidades de terapia intensiva em 1\u00ba de mar\u00e7o, 10 a mais que os 22 contabilizados ontem (17).<\/p>\n<p>Por fim, a m\u00e9dia m\u00f3vel de \u00f3bitos em sete dias estava em 27 novas mortes confirmadas por dia em 1\u00ba de mar\u00e7o e tamb\u00e9m recuou desde ent\u00e3o. Apesar disso, desde 9 de mar\u00e7o, a m\u00e9dia oscila entre 18 e 21 novos \u00f3bitos por dia e est\u00e1 em 20 na data de hoje (18).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 15 dias ap\u00f3s o carnaval, e dez dias depois do fim da obrigatoriedade do uso de m\u00e1scaras em ambientes fechados, o Rio\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":58541,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[174],"tags":[],"class_list":["post-58540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58540"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58540\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}