{"id":58830,"date":"2022-03-19T05:34:57","date_gmt":"2022-03-19T08:34:57","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/entenda-a-escalada-de-conflitos-e-polemicas-que-levaram-a-guerra-do-telegram\/"},"modified":"2022-03-19T05:34:57","modified_gmt":"2022-03-19T08:34:57","slug":"entenda-a-escalada-de-conflitos-e-polemicas-que-levaram-a-guerra-do-telegram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/19\/entenda-a-escalada-de-conflitos-e-polemicas-que-levaram-a-guerra-do-telegram\/","title":{"rendered":"Entenda a escalada de conflitos e pol\u00eamicas que levaram \u00e0 &#8216;Guerra do Telegram&#8217;"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/03\/18\/Telegram_Shutterstock.jpg\" alt=\"\u00a0Rival do WhatsApp e queridinha de Bolsonaro, plataforma entrou na mira do Supremo e da PF por peitar a Justi\u00e7a e ignorar leis\" width=\"1100\" height=\"733\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Enquanto russos e ucranianos travavam uma disputa sangrenta no Leste Europeu aos olhos apreensivos do mundo, outra guerra, s\u00f3 que de natureza tecnol\u00f3gica e judicial, come\u00e7ou a se desenrolar no Brasil a partir da sexta-feira (18). De um lado da trincheira, est\u00e1 o Telegram, aplicativo de mensagens criado na R\u00fassia que virou o maior rival do WhatsApp e o queridinho da fam\u00edlia Bolsonaro no combate virtual. Na parte contr\u00e1ria do front, est\u00e3o Pol\u00edcia Federal, opositores do uso de plataformas digitais para disseminar fake news e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, a quem coube o primeiro disparo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O gatilho havia sido acionado na quinta (17), mas o tiro s\u00f3 foi ouvido na tarde seguinte, quando iniciou a avalanche de not\u00edcias sobre a decis\u00e3o em que Moraes determina o bloqueio imediato do Telegram em todo o territ\u00f3rio nacional. Ao justificar a ofensiva, o ministro destacou que a medida atende a um pedido da PF, para quem o aplicativo descumpre sistematicamente ordens judiciais relativas a dois inqu\u00e9ritos abertos no Supremo, cujo piv\u00f4 \u00e9 o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido nos EUA desde que teve a pris\u00e3o decretada, em outubro do ano passado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O primeiro inqu\u00e9rito apura a divulga\u00e7\u00e3o massiva de fake news e ataques a ministro do Supremo. O segundo tem como alvo a exist\u00eancia de uma mil\u00edcia virtual montada para viabilizar a\u00e7\u00f5es clandestinas de grupos alinhados \u00e0 extrema-direita. Em ambos, segundo a PF, o Telegram seria um tipo de n\u00facleo central operado pelos cibercriminosos sob investiga\u00e7\u00e3o. Embora o tivesse bloqueado em 26 de fevereiro, por ordem da Corte, tr\u00eas perfis utilizados para propagar discursos de \u00f3dio e informa\u00e7\u00f5es falsas, todos ligados a Allan dos Santos, o aplicativo desobedeceu as demais determina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Entre elas, entregar \u00e0 Justi\u00e7a informa\u00e7\u00f5es cadastrais vinculadas \u00e0s tr\u00eas contas e suspender o repasse de recursos oriundos da monetiza\u00e7\u00e3o por parte desses perfis. Com base nos dois pontos descumpridos, Moraes lan\u00e7ou o torpedo em dire\u00e7\u00e3o ao Telegram. A ordem do ministro \u00e9 clara: plataformas digitais e provedores de internet devem adotar em cinco dias os mecanismos para inviabilizar o uso do aplicativo no pa\u00eds. Do contr\u00e1rio, pagar\u00e3o multa di\u00e1ria de R$ 100 mil. At\u00e9 a noite de sexta, Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel) ainda estava em processo de notifica\u00e7\u00e3o gradual das empresas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Antes da declara\u00e7\u00e3o oficial de guerra feita por Moraes, o cerco ao aplicativo russo vinha se fechando cada vez mais. Em fevereiro, o TSE formalizou uma parceria com oito gigantes digitais voltada a combater fake news sobre as elei\u00e7\u00f5es deste ano. Facebook, Twitter, YouTube, TikTok, Google, Instagram, WhatsApp e Kwai aderiram. Apenas o Telegram ignorou o pedido. No \u00faltimo dia 8, o presidente da Corte eleitoral, ministro Edson Fachin, reiterou o convite \u00e0 plataforma para aderir ao grupo. Ficou sem resposta novamente.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No domingo passado, reportagem exibida pelo Fant\u00e1stico, da TV Globo, exp\u00f4s o lado B do Telegram. No caso, servir como terra de ningu\u00e9m para grupos dedicados a uma longa lista de crimes: tr\u00e1fico de drogas e armas, com\u00e9rcio de moedas falsas, venda de certificados de vacina\u00e7\u00e3o contra covid, propaga\u00e7\u00e3o do \u00f3dio de cunho ideol\u00f3gico, sexual, racial e pol\u00edtico, xenofobia e difus\u00e3o de propaganda nazista. A transforma\u00e7\u00e3o do aplicativo em para\u00edso da bandidagem cibern\u00e9tica tem como origem a prote\u00e7\u00e3o incondicional aos usu\u00e1rios, atrav\u00e9s da recusa em obedecer leis de controle sobre o universo virtual.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ao pedir o bloqueio da plataforma, a PF destacou que o Telegram &#8220;\u00e9 notoriamente conhecido por sua postura de n\u00e3o cooperar com autoridades judiciais e policiais de diversos pa\u00edses&#8221; (leia mais sobre as pol\u00eamicas envolvendo a ferramenta no box ao lado). A &#8220;atitude n\u00e3o colaborativa&#8221;, acrescentou a PF na solita\u00e7\u00e3o encaminhada a Moraes, \u00e9 usada &#8220;como uma vantagem em rela\u00e7\u00e3o a outros aplicativos de comunica\u00e7\u00e3o, o que o torna um terreno livre para prolifera\u00e7\u00e3o de diversos conte\u00fados, inclusive com repercuss\u00e3o na \u00e1rea criminal???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pouco tempo ap\u00f3s o bombardeio do Supremo, a guerra do Telegram j\u00e1 havia corrido o Brasil feito rastilho de p\u00f3lvora e deixando em segundo plano discuss\u00f5es que estava no topo das redes sociais, incluindo o conflito na Ucr\u00e2nia. Obviamente, a rea\u00e7\u00e3o de maior intensidade surgiu da guerrilha digital bolsonarista, que apontou novamente a metralhadora contra Moraes e a Corte, acusados de tentar asfixiar o presidente como parte de uma trama para retir\u00e1-lo do poder. Em movimento simult\u00e2neo, proliferavam nos grupos dicas e manuais prontos sobre como burlar o bloqueio e continuar ativo no aplicativo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Ofensiva atinge maior arma virtual de Bolsonaro<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ofensiva do ministro do Supremo Alexandre de Moraes ao Telegram atinge diretamente o arsenal mais importante do presidente Jair Bolsonaro na trincheira digital da guerra pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Desde 2021, quando redes sociais e aplicativos de mensagem endureceram as puni\u00e7\u00f5es contra fake news, ele, os filhos, ministros, assessores e l\u00edderes da tropa bolsonarista passaram a utilizar a plataforma russa para divulgar conte\u00fado, atra\u00eddos pela blindagem da ferramenta.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De l\u00e1 para c\u00e1, o n\u00facleo-duro do bolsonarismo defende com frequ\u00eancia o car\u00e1ter do Telegram como rede \u00e9 &#8220;livre de censura&#8221;. O que permitiu construir uma base bastante numerosa de seguidores, por onde escoa textos, v\u00eddeos, imagens e outros tipos de material com conte\u00fado falso, desinforma\u00e7\u00e3o e ataques a advers\u00e1rios, cujo teor poderia esbarrar nas normas impostas por outras grandes plataformas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Caso o bloqueio permane\u00e7a, Bolsonaro perde um canal de comunica\u00e7\u00e3o com l\u00edderes de sua milit\u00e2ncia que ele considera blindado e invulner\u00e1vel aos \u00f3rg\u00e3os policiais e judiciais. Hoje, o QG digital do presidente no Telegram tem mais de um milh\u00e3o de seguidores. Volta e meia, ele pede aos apoiadores que o acompanhem pelo aplicativo. Somente no Twitter, segundo levantamento do G1, foram postadas 22 publica\u00e7\u00f5es com esse tom desde o come\u00e7o do ano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A \u00faltima postagem no Twitter a favor do aplicativo foi publicada na manh\u00e3 de sexta, horas antes do furdun\u00e7o gerado pelo bloqueio. Na mensagem, Bolsonaro faz propaganda do canal criado por ele no Telegram, por trazer &#8220;todos os dias muitas a\u00e7\u00f5es de interesse nacional, lamentavelmente omitidas por muitos???. Em 7 de outubro, durante transmiss\u00e3o ao vivo em redes sociais, o presidente tamb\u00e9m recomendou a ades\u00e3o \u00e0 plataforma, onde, segundo ele, &#8220;n\u00e3o tem censura&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Usina russa de pol\u00eamicas<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">>><strong>O Telegram foi criado em 2013<\/strong> pelos irm\u00e3os Durov, dupla de empreendedores da R\u00fassia que ganhou fama pela rede social VKontakte (VK), conhecido como &#8220;Facebook russo&#8221;. Em nove anos, se tornou um dos aplicativos mais populares do mundo, com mais de meio bilh\u00e3o de usu\u00e1rios e muita pol\u00eamica. A come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio pa\u00eds, onde \u00e9 usado para burlar a r\u00edgida censura do governo de Vladimir Putin sobre a m\u00eddia e plataformas digitais;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">>><strong>Ao contr\u00e1rio do WhastsApp, que limita os grupos <\/strong>a 256 integrantes, o Telegram permite comunidades de at\u00e9 200 mil participantes. A plataforma tamb\u00e9m deixa que mensagens sejam enviadas e recebidas sem divulgar o n\u00famero do telefone. H\u00e1 op\u00e7\u00f5es adicionais para controlar a exposi\u00e7\u00e3o de dados e tecnologia que mistura o conte\u00fado para que somente as pessoas de uma determinada conversa possam visualiz\u00e1-lo, gra\u00e7as a uma chave que cada usu\u00e1rio tem, em vez da criptografia de ponta-a-ponta. O aplicativo se recusa a fornecer dados, mesmo para investiga\u00e7\u00f5es criminais, tendo sofrido cerco de autoridades de diversos pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto russos e ucranianos travavam uma disputa sangrenta no Leste Europeu aos olhos apreensivos do mundo, outra guerra, s\u00f3 que de natureza tecnol\u00f3gica e\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":58831,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-58830","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58830"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58830\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58831"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}