{"id":58875,"date":"2022-03-19T07:34:59","date_gmt":"2022-03-19T10:34:59","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/ajude-a-manter-o-sebo-de-caju-na-ativa\/"},"modified":"2022-03-19T07:34:59","modified_gmt":"2022-03-19T10:34:59","slug":"ajude-a-manter-o-sebo-de-caju-na-ativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/19\/ajude-a-manter-o-sebo-de-caju-na-ativa\/","title":{"rendered":"Ajude a manter o Sebo de Caju na ativa"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/03\/18\/WhatsApp_Image_2022-03-18_at_15.07.14.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"854\"\/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Salvador cria informalidades que se tornam tradi\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m se atreve a contrariar que o Sebo de Caju \u00e9 uma extens\u00e3o da Biblioteca Central dos Barris. Ou vice-versa. ???Aqui nos Barris, quando me perguntam onde est\u00e1 a biblioteca principal, primeiro aponto para o Sebo de Caju, depois para este grande???, resume o policial aposentado, Guilherme Regis, com o olhar marejado de saudade. No \u00faltimo s\u00e1bado, Caju morreu ap\u00f3s um m\u00eas internado, consequ\u00eancia de uma queda no mesmo lugar em que \u00a0vendeu livros usados h\u00e1 34 anos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m de deixar seu acervo \u00f3rf\u00e3o, Caju tamb\u00e9m deixou Maria Luci, \u00a0vi\u00fava e sozinha no popular sebo ao ar livre. Ela est\u00e1 precisando da doa\u00e7\u00e3o daquele \u00a0livro empoeirado da prateleira ou de DVDs e CDs que j\u00e1 foram substitu\u00eddos pelas plataformas de streaming. N\u00e3o apenas para manter o legado do marido, mas para sobreviver mesmo. Desde a interna\u00e7\u00e3o de Caju, em fevereiro, Maria Luci tenta segurar o sebo. O \u00fanico filho do casal faleceu em 2000.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Caju fazia o papel de biblioteca p\u00fablica tamb\u00e9m. Ningu\u00e9m nunca saiu sem o livro que queria. Uma vez, uma menina queria estudar para o vestibular e encontrou o livro que precisava, mas ela n\u00e3o tinha os 20 reais e come\u00e7ou a chorar. Caju embrulhou o livro e deu a ela. N\u00e3o foi um caso isolado. Ele ganhava o p\u00e3o dele aqui, mas n\u00e3o deixava ningu\u00e9m sem conhecimento???, lembra Guilherme Regis, amigo de Caju, mas com uma d\u00favida curiosa. ???Meu irm\u00e3o morreu e nunca soube o nome verdadeiro dele. Acho que s\u00f3 a esposa sabe???, conta. Falando baixinho, dona Luci esclarece: ???Edson Balbino???.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O que Guilherme n\u00e3o tem d\u00favida \u00e9 sobre a preocupa\u00e7\u00e3o com dona Luci. ???A esposa de Caju \u00e9 idosa, n\u00e3o tem como buscar livros usados para revender. Ela precisa da ajuda de todos que um dia compraram aqui e foram ajudados por ele. Ela precisa de doa\u00e7\u00e3o de livros, CDs e DVDs, coloca a\u00ed no seu jornal???, completa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Colada na primeira Biblioteca P\u00fablica da Am\u00e9rica Latina, Dona Luci tenta arrumar seu pequeno acervo ainda dispon\u00edvel para venda. Enquanto tira a poeira da prateleira improvisada de madeira, a senhora de 65 anos n\u00e3o segura a emo\u00e7\u00e3o quando lembra do marido e de como est\u00e1 dif\u00edcil manter o sebo, que hoje abriga poucos livros e quase n\u00e3o teve reposi\u00e7\u00e3o este ano, por conta da falta de doa\u00e7\u00e3o, pandemia e estado de sa\u00fade de Caju.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???N\u00e3o sei o que fazer, meu filho. Minha primeira dor foi perder meu marido. Estou sozinha no mundo. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei como manter meu ganha p\u00e3o. O estoque est\u00e1 acabando, n\u00e3o sei mais o que fazer quando terminar. Quem tiver um livrinho que n\u00e3o usa mais, j\u00e1 ser\u00e1 de grande ajuda. Meu companheiro morreu, mas quero continuar esta tradi\u00e7\u00e3o que ele deixou nos Barris???, disse Luci, enquanto limpava livros de autores como Jos\u00e9 de Alencar, John Grogan e Michael Moore. \u00a0 \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><meta charset=\"utf-8\"\/><\/p>\n<p class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"277\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/3\/2\/csm_caju_36170afba7.jpg\" width=\"600\"\/><\/p>\n<p class=\"text-center\"><b>Pedro Andrade ficou sabendo da morte de Caju enquanto comprava CDs usados<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Antes de administrar o sebo, Caju trabalhou em banco e carro forte. No final dos anos 80, ap\u00f3s conseguir alguns livros de amigos, resolveu abrir o neg\u00f3cio informal que se tornou refer\u00eancia nos Barris. Com 65 anos completados, ele j\u00e1 estava juntando os documentos para se aposentar, mas n\u00e3o deu tempo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Partida<\/strong><br \/> A perda de Caju \u00e9 recente. O vendedor de livros sofreu uma queda no pr\u00f3prio local de trabalho, batendo a cabe\u00e7a no ch\u00e3o. Ap\u00f3s atendimento na Upa dos Barris, sofreu outra queda, desta vez em casa, sendo obrigado a ficar internado na UTI do Hospital Geral do Estado at\u00e9 sua morte. ???Eu acreditava que ele ficaria bom. Segurei as pontas aqui durante um m\u00eas, enquanto ele estava na UTI. Mal podia visit\u00e1-lo. S\u00e1bado, \u00e0s 8h, meu amor me deixou. No dia seguinte foi o sepultamento, no cemit\u00e9rio Quinta dos L\u00e1zaros. Est\u00e1 recente, tem gente ainda desejando melhoras para ele, nem sabem que ele morreu???, conta Luci.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Alguns clientes, de fato, ainda s\u00e3o pegos de \u00a0surpresa com a partida do livreiro. \u00a0Pedro Andrade ficou sabendo enquanto falava sobre a import\u00e2ncia daquele sebo para o bairro. ???Espero que ele se recupere logo??? O que, faleceu? N\u00e3o, rapaz, ele ainda est\u00e1 na UTI??? Meu Deus, era uma pessoa maravilhosa! Estou desarmado aqui??? Caju n\u00e3o deixava ningu\u00e9m sair sem seu livro. Vendia at\u00e9 fiado. Poxa, voc\u00ea me pegou desprevenido, desculpe???, disse, enquanto levava CDs de Gonzag\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><meta charset=\"utf-8\"\/><\/p>\n<p class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/5\/1\/csm_275841132_4955050644550361_2810219709629080203_n_17dda7faa2.jpg\" width=\"600\"\/><\/p>\n<p class=\"text-center\"><b>O cineasta Carlos Pronzato ao lado do saudoso Caju<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">A dor da perda de Seu Caju n\u00e3o tem fronteiras. O cineasta argentino\/brasileiro Carlos Pronzato n\u00e3o esquece a amizade com Caju. Ele tamb\u00e9m reafirma a import\u00e2ncia de manter o sebo funcionando. ???Vender livros como ele fazia, em tempos de internet, era um ato de coragem???, disse. ???Com seus livros de todos os g\u00eaneros e autores, Caju deixava mais expl\u00edcito o amor aos livros do que a pr\u00f3pria Biblioteca abandonada pelo governo do Estado bem ao lado dele. \u00a0Agora, este amontoado de literatura universal, aguardando para ser adotado diariamente pelos transeuntes ocasionais e \u00a0clientes fixos, ficou \u00f3rf\u00e3o???, complementa Pronzato, que apela por doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Dona Luci trabalha \u00a0de segunda a s\u00e1bado ao lado da Biblioteca dos Barris, das 9h \u00e0s 16h. Vale doar livro, bater um papo e fazer uma comprinha para ajudar tamb\u00e9m. Tem livro para todos os gostos. O importante \u00e9 colaborar com a verdadeira biblioteca popular.<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador cria informalidades que se tornam tradi\u00e7\u00e3o. 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