{"id":59375,"date":"2022-03-20T10:34:28","date_gmt":"2022-03-20T13:34:28","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/agregacao-reprodutiva-de-meros-e-encontrada-em-sao-francisco-do-sul\/"},"modified":"2022-03-20T10:34:28","modified_gmt":"2022-03-20T13:34:28","slug":"agregacao-reprodutiva-de-meros-e-encontrada-em-sao-francisco-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/20\/agregacao-reprodutiva-de-meros-e-encontrada-em-sao-francisco-do-sul\/","title":{"rendered":"Agrega\u00e7\u00e3o reprodutiva de meros \u00e9 encontrada em S\u00e3o Francisco do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Pela primeira vez neste ano\u00a0a equipe de pesquisa do Projeto Meros do Brasil (PMB) registrou uma agrega\u00e7\u00e3o reprodutiva de meros em S\u00e3o Francisco do Sul, Santa Catarina. O censo visual, no qual mergulhadores fazem a contagem submarina destes peixes, avistou 38 exemplares da esp\u00e9cie, algo considerado raro atualmente na costa brasileira. uma esp\u00e9cie criticamente\u00a0amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1449208&#038;o=rss\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1449208&#038;o=rss\"\/><\/p>\n<p>A gerente-geral do projeto, Ma\u00edra Borgonha, acentuou que esse ???\u00e9 um evento raro, que acontece em poucas luas do ano, em poucos locais na costa brasileira???.<\/p>\n<p>O pesquisador do projeto, Leonardo Bueno, doutor em oceanografia ambiental, afirma que ver e monitorar agrega\u00e7\u00f5es com dezenas de meros no Brasil \u00e9 fundamental para os trabalhos de recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Ele destacou, entretanto, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, que os n\u00fameros atuais s\u00e3o muito baixos quando comparados a d\u00e9cadas passadas de 1960, 1970, 1980. ???A gente faz um trabalho denominado conhecimento ecol\u00f3gico,\u00a0 entrevistas\u00a0com antigos pescadores e os relatos chegavam a centenas de meros, inclusive as capturas chegavam a dezenas???, disse Bueno.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=282182:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/rOqdmqkdR0FLm1SOVmyIaXEHlmI=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/projetomerosdobrasil_maira_borgonha.jpg?itok=7d1pm2tA\" alt=\"Projeto Meros do Brasil\" title=\"Athila Bertoncini Andrade\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/rOqdmqkdR0FLm1SOVmyIaXEHlmI=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/projetomerosdobrasil_maira_borgonha.jpg?itok=7d1pm2tA\" alt=\"Projeto Meros do Brasil\" title=\"Athila Bertoncini Andrade\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=282182 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=282182-->Projeto Meros do Brasil &#8211; <strong>Athila Bertoncini Andrade<\/strong><!--END copyright=282182--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Criado em 2002\u00a0por um grupo de pesquisadores de Santa Catarina, o projeto\u00a0atua\u00a0em nove estados do litoral brasileiro &#8211; Par\u00e1, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Esp\u00edrito Santo, Rio\u00a0de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Santa Catarina &#8211; e visa\u00a0garantir a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas marinhos e do mero (<em>Epinephelus itajara<\/em>), considerado a maior esp\u00e9cie de garoupa do Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 65 anos, os meros sofreram um decl\u00ednio significativo da popula\u00e7\u00e3o, estimado em mais de 80%.<\/p>\n<h2>Amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de seus <em>habitats<\/em>, da sobrepesca e da polui\u00e7\u00e3o, desde 2006 o mero \u00e9 considerado esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o e est\u00e1 protegido de forma integral h\u00e1 quase 20 anos, sendo sua captura, beneficiamento, transporte ou comercializa\u00e7\u00e3o consideradas pr\u00e1ticas proibidas em todo o territ\u00f3rio nacional. A partir de 2006, o projeto passou a contar com patroc\u00ednio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.<\/p>\n<p>Esse foi o segundo maior cardume registrado pelo projeto desde o in\u00edcio do monitoramento da esp\u00e9cie, em 2002. Em fevereiro de 2012, a equipe avistou entre 45 e 50 peixes nesse mesmo local. Outros n\u00fameros expressivos de meros reunidos s\u00f3 foram registrados pelo PMB em apreens\u00f5es, como a feita em 2006, no Maranh\u00e3o, e no ver\u00e3o de 2021, no estado do Par\u00e1, registrando mais de 40 exemplares de meros pescados ilegalmente. De acordo com os pesquisadores, essas pescas irregulares devem\u00a0ter\u00a0acontecido em cima dos agregados, que representam a \u00fanica chance de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no ano.<\/p>\n<h2>D\u00e9cadas passadas<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da pesca predat\u00f3ria, a polui\u00e7\u00e3o, principalmente dentro dos estu\u00e1rios, levou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de meros no pa\u00eds. Esse tipo de peixe tem um ciclo de vida no qual ele faz a agrega\u00e7\u00e3o reprodutiva. As larvas ou ovos dos\u00a0indiv\u00edduos s\u00e3o levadas pelas correntes e adentram ba\u00edas, \u00e1reas de estu\u00e1rio, fazendo com que os filhotes, denominados juvenis, cres\u00e7am nos manguezais.<\/p>\n<p>???A devasta\u00e7\u00e3o dos ambientes de manguezal para constru\u00e7\u00e3o de portos e casas, por exemplo, tamb\u00e9m influencia na reprodu\u00e7\u00e3o dos meros. Eles precisam daquele ambiente para que a larva se desenvolva e o juvenil cres\u00e7a ali. A polui\u00e7\u00e3o desses locais tem um impacto grande nas popula\u00e7\u00f5es de meros???, explicou Leonardo Bueno.<\/p>\n<p>Alguns estudos mostram que as grandes f\u00eameas de meros, ou grandes matrizes, que atingiam entre dois e 2,5 metros, consideradas as melhores reprodutoras da esp\u00e9cie para gera\u00e7\u00e3o de meros mais fortes, constitu\u00edram os principais alvos da pesca predat\u00f3ria, o que tamb\u00e9m contribuiu para a redu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>O pesquisador informou que o mero tem um ciclo de vida bem longo, chegando a viver 40 anos. Leva de seis a oito anos para come\u00e7ar a reproduzir. ???Nisso, ele j\u00e1 vai ser um peixe de cerca de 40 quilos, com um metro de comprimento. ?? quando ele deixa as \u00e1guas de estu\u00e1rio e passa a habitar as \u00e1reas\u00a0de mar\u00a0aberto, dos recifes???. O mero tem um tempo geracional de cerca de 21 anos. Isso significa que uma nova gera\u00e7\u00e3o de meros surge a cada 21 anos.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=282181:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/DD1JTGG2OWJkIz4ZurzMgNS0DAM=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/projetomerosdobrasil_athilabertoncini_211.jpg?itok=TJDtpJNw\" alt=\"Projeto Meros do Brasil\" title=\"Athila Bertoncini Andrade\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/DD1JTGG2OWJkIz4ZurzMgNS0DAM=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/projetomerosdobrasil_athilabertoncini_211.jpg?itok=TJDtpJNw\" alt=\"Projeto Meros do Brasil\" title=\"Athila Bertoncini Andrade\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=282181 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=282181-->Projeto Meros do Brasil &#8211; <strong>Athila Bertoncini Andrade<\/strong><!--END copyright=282181--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As imagens dos meros foram registradas durante mergulho para manuten\u00e7\u00e3o da rede de telemetria ac\u00fastica, monitorada pelo PMB. A telemetria est\u00e1 presente nos estados de Santa Catarina, Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo. Trata-se de um componente de pesquisa utilizado para estudar os padr\u00f5es de movimenta\u00e7\u00e3o dos meros, o uso e ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de agrega\u00e7\u00e3o. Os dados obtidos a partir desse monitoramento s\u00e3o importantes, uma vez que preservar as \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado fator chave para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. A opera\u00e7\u00e3o de mergulho contou com apoio da equipe da Transpetro, subsidi\u00e1ria da Petrobras, do Terminal de S\u00e3o Francisco do Sul.<\/p>\n<h2>Cardumes reprodutivos<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m conhecido como Senhor das Pedras, o mero pertence \u00e0 fam\u00edlia das garoupas, ao lado dos badejos e chernes, entre outros peixes, e costuma agregar em recifes em mar aberto, especialmente recifes rochosos e recifes artificiais que contenham grandes buracos, cavernas e alto relevo, que s\u00e3o \u00e1reas mais protegidas, que oferecem maior abrigo, seguran\u00e7a e alimento.<\/p>\n<p>As agrega\u00e7\u00f5es reprodutivas dos meros ocorrem anualmente a cada ver\u00e3o, de dezembro a mar\u00e7o. Na \u00e9poca de agrega\u00e7\u00e3o, os cardumes costumam ficar quatro vezes maiores que em per\u00edodos n\u00e3o reprodutivos. Segundo os pesquisadores, esses encontros representam a \u00fanica chance de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no ano, embora constituam, infelizmente, oportunidade extremamente atraente para a pesca irregular. Por serem extremamente d\u00f3ceis e grandes, podendo atingir 2,5 metros de comprimento e pesar mais de 400 quilos, os meros se tornam presas f\u00e1ceis de pescadores irregulares. Nas amostragens feitas pelo PMB, o maior mero registrado tinha 2,15 metros de comprimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de proteger o mero, o PMB objetiva conscientizar a popula\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e do meio ambiente. ???A gente busca levar essa informa\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as, adultos, pescadores, sobre quanto \u00e9 o tempo de vida, a import\u00e2ncia que os meros t\u00eam, para que eles passem a proteger, n\u00e3o pescar mais. Com a conscientiza\u00e7\u00e3o, a gente acaba diminuindo a pesca ilegal sobre a esp\u00e9cie, levando informa\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o???, acentuou Bueno.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez neste ano\u00a0a equipe de pesquisa do Projeto Meros do Brasil (PMB) registrou uma agrega\u00e7\u00e3o reprodutiva de meros em S\u00e3o Francisco do\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":59376,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2799],"tags":[],"class_list":["post-59375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59375\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}