{"id":59402,"date":"2022-03-20T11:35:59","date_gmt":"2022-03-20T14:35:59","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/fe-folia-e-feijoada-conheca-o-padre-que-libera-o-patio-da-igreja-para-o-furdunco\/"},"modified":"2022-03-20T11:35:59","modified_gmt":"2022-03-20T14:35:59","slug":"fe-folia-e-feijoada-conheca-o-padre-que-libera-o-patio-da-igreja-para-o-furdunco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/20\/fe-folia-e-feijoada-conheca-o-padre-que-libera-o-patio-da-igreja-para-o-furdunco\/","title":{"rendered":"F\u00e9, folia e feijoada: conhe\u00e7a o padre que libera o p\u00e1tio da igreja para o furdun\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/03\/20\/padre_ronaldo_magalhaes_paroco_igreja_do_santo_antonio_alem_do_carmo_foto_marina_silva_correio_e_reproducao.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"746\"\/><\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\">\n<p class=\"text-center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/03\/20\/3padre_ronaldo_magalhaes_paroco_igreja_do_santo_antonio_alem_do_carmo_foto_marina_silva_correio.jpg\"\/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">Foto: Marina Silva\/CORREIO<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Fundada em 1594, a hist\u00f3rica igreja do Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo \u00e9 o lar tranquilo e calmo do carism\u00e1tico p\u00e1roco Ronaldo Marques Magalh\u00e3es, 61 anos. Quer dizer, nem sempre o lugar \u00e9 t\u00e3o tranquilo e calmo assim, e muito menos o religioso que o comanda. O padre, que nesta semana completa 20 anos \u00e0 frente da comunidade religiosa, admite ter uma alma festeira e ser um f\u00e3 de Carnaval.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">N\u00e3o \u00e0 toa, o p\u00e1tio da par\u00f3quia pode ser considerado <a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/carnaval-sem-lei-8-festas-privadas-movimentam-o-bairro-do-santo-antonio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um dos principais palcos do Carnaval de Salvador este ano<\/a> &#8211; claro que num contexto em que os circuitos oficiais da folia estavam fechados, por conta da pandemia. E \u00e9 do religioso, tamb\u00e9m, a responsabilidade de um j\u00e1 conhecido evento anual: a Feijoada do Padre, que caminha para a 19\u00aa edi\u00e7\u00e3o, sem registro de indigest\u00e3o, embora haja relato de ressaca entre os fi\u00e9is.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???A par\u00f3quia tem muitos projetos sociais, mas poucos recursos para realiz\u00e1-los. E como existe toda uma comunidade ativa, dos jovens aos mais idosos, a realiza\u00e7\u00e3o da festa possibilitou reunir recursos que ajudaram a manter pastorais como a da Crian\u00e7a, da Fam\u00edlia???<\/strong>, revela o p\u00e1roco, que estende a justificativa para os demais eventos realizados nas \u00e1reas destinadas ao furdun\u00e7o, ao lado do templo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">No Carnaval foram ao menos cinco festas com atra\u00e7\u00f5es como Filhos de Jorge, Alexandre Peixe, Jau e ?? o Tchan, sempre cumprindo n\u00famero previsto em decreto governamental. J\u00e1 a feijoada s\u00f3 ocorre no terceiro domingo de setembro, animado por grupos de samba e cantores como M\u00e1rcio Victor, Mariene de Castro e Ju Moraes &#8211; que j\u00e1 pintaram por l\u00e1 em edi\u00e7\u00f5es anteriores. Os risos e os momentos de descontra\u00e7\u00e3o, vivenciados enquanto come o seu prato favorito, leva o padre Ronaldo para as lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria afetiva<\/strong><br \/> Enquanto conversava com a reportagem, semanas antes do Carnaval, por um momento a mente do padre viajou para a sua cidade natal, Pesqueira, no agreste pernambucano. Ali, o cheiro do feij\u00e3o preto feito pela av\u00f3 materna, dona Tereza Marques, tomava conta de toda a casa. Ao redor do fog\u00e3o improvisado feito com chapa de ferro, todos da fam\u00edlia esperavam apenas o ???est\u00e1 pronto??? para se deliciar.<br \/> \u00a0<br \/> ???O feij\u00e3o que fa\u00e7o \u00e9 o mesmo dela. Aquele feij\u00e3o preto consistente, feito com carne de porco. ?? o feij\u00e3o consumido no agreste de Pernambuco. Minha av\u00f3 tamb\u00e9m fazia sarapatel. Todos da fam\u00edlia adoravam ir para a casa dela, tinha sempre caf\u00e9 quentinho, feito na hora. Eu brincava e ia aprendendo sobre a import\u00e2ncia de coisas como a alegria, o amor, a confraterniza\u00e7\u00e3o???, recorda.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A verve celebrativa que o padre carrega ainda tem influ\u00eancia dos pais, a dom\u00e9stica Maria de Lurdes Marques e o funcion\u00e1rio p\u00fablico Francisco Magalh\u00e3es. Em casa, eles sempre gostaram de festas, anivers\u00e1rios e confraterniza\u00e7\u00f5es com amigos e familiares.<br \/> \u00a0<br \/> Como resultado, o p\u00e1roco passou a ter o Carnaval como festa favorita, seguida do S\u00e3o Jo\u00e3o, por causa do forr\u00f3 e das comidas t\u00edpicas nordestinas. ?????ramos envolvidos em marchinhas, \u00edamos para os carnavais que aconteciam nos antigos clubes sociais. A gente sai para a rua para brincar e compartilhar muitas risadas???.<br \/> \u00a0<br \/> Na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, o padre conta que ia para a igreja, mas confessa que n\u00e3o era dos jovens mais ass\u00edduos. O interesse maior pela vida religiosa veio aos 23 anos, quando se sentiu tocado por Deus e passou a frequentar a missa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Chegada na Bahia<\/strong><br \/> Ap\u00f3s passagens por um convento dominicano no Rio de Janeiro e por cursos de Filosofia e Teologia em S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte, respectivamente, desembarcou na Bahia pela primeira vez em 2001. Na cidade de Cruz das Almas, no Rec\u00f4ncavo, ficou respons\u00e1vel por projetos sociais.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???O trabalho em Cruz das Almas foi espiritual e social. Eu organizava cursinho pr\u00e9-vestibular para jovens carentes, cheguei a montar uma farm\u00e1cia popular com a comunidade local, voltada para atender aos mais pobres. A gente ainda realizava aulas de m\u00fasica, uma forma de express\u00e3o que est\u00e1 enraizada na pr\u00f3pria cultura baiana???<\/strong>, comenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Na Bahia, o p\u00e1roco teve contato com uma cultura pr\u00f3xima da de Pesqueira. Um modo de vida marcado por desafios como as desigualdades sociais, mas que tamb\u00e9m tinha no seu povo uma forma alegre de levar a vida, com um gosto por festas e confraterniza\u00e7\u00f5es, que unem as mais diferentes pessoas.<br \/> \u00a0<br \/> Ap\u00f3s o falecimento de alguns padres mais velhos na Arquidiocese de S\u00e3o Paulo, o padre precisou passar alguns meses na capital paulista, dando apoio para algumas miss\u00f5es. A promessa de retorno a Bahia foi concretizada no dia 19 de mar\u00e7o de 2002. Mas o desembarque, para a surpresa do religioso, n\u00e3o foi em terra cruz-almense. A diocese precisava de um padre para assumir a Par\u00f3quia do Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No primeiro ano \u00e0 frente da par\u00f3quia, em 2002, o padre Ronaldo resolveu fazer uma feijoada para algumas pessoas da comunidade, algo pensado para satisfazer a vontade de uma comida que ama, e fortalecer as rela\u00e7\u00f5es entre os fi\u00e9is e amigos. O cheiro e sabor do feij\u00e3o preto, feito com muita carne de porco, atraiu 500 pessoas j\u00e1 na estreia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Com o passar dos anos, a feijoada ganhou fama e virou um acontecimento cultural, seguido religiosamente por muitas pessoas. Chegou a reunir 3.500 em uma \u00fanica edi\u00e7\u00e3o, contribuindo para a arrecada\u00e7\u00e3o financeira da Igreja. O dinheiro levantado pela Feijoada do Padre \u00e9 usado em quest\u00f5es como a reforma do telhado hist\u00f3rico do espa\u00e7o.<br \/> \u00a0<br \/> Em 2020, o CORREIO revelou que o total de R$ 570 mil foram necess\u00e1rios s\u00f3 para recompor o teto da igreja. Na ocasi\u00e3o, a Arquidiocese de Salvador mobilizou uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos e doa\u00e7\u00f5es, que levantou R$ 200 mil para o restauro entre fi\u00e9is, amigos e frequentadores da igreja.<br \/> \u00a0<br \/> ???A gente tem d\u00edvidas e parcelas de pagamento que aparecem com as fases de manuten\u00e7\u00e3o, ficando na faixa de R$ 30 mil. A gente segue na luta para ir juntando os valores. Por causa da pandemia, nos \u00faltimos dois anos, n\u00e3o aconteceram shows. Mas a feijoada n\u00e3o deixou de ser realizada. A gente tem feito em formato de drive thru???, explica o religioso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Ecumenismo<\/strong><br \/> As feijoadas passaram a reunir diferentes pessoas, das mais variadas cren\u00e7as religiosas: de adeptos do candombl\u00e9 aos fi\u00e9is de igrejas evang\u00e9licas. E diante da diversidade da festa, bem avaliada pelos fi\u00e9is locais, a import\u00e2ncia social tamb\u00e9m ganha destaque, ainda mais no contexto atual.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???A pandemia deixou tudo ainda mais dif\u00edcil, pois aumentou a situa\u00e7\u00e3o de pobreza das pessoas. Todos os dias, uma multid\u00e3o chega na porta da igreja para pedir comida, dinheiro para comprar rem\u00e9dio, g\u00e1s, roupas, cal\u00e7ados???<\/strong>, revela o p\u00e1roco.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m do aspecto cultural e social, os n\u00fameros envolvidos na realiza\u00e7\u00e3o da Feijoada do Padre tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o. O religioso chega a liderar uma equipe de mais de 15 pessoas e a fazer, em m\u00e9dia, 200 kg de feijoada a partir de sua pr\u00f3pria receita.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Padre Ronaldo espera que a sua hist\u00f3ria e da pr\u00f3pria feijoada possam tocar as pessoas para a import\u00e2ncia do amor e da partilha, caracter\u00edsticas que s\u00e3o importantes para o enfrentamento da pandemia. O p\u00e1roco carrega a f\u00e9 em dias melhores e conta as horas para voltar a reunir os fi\u00e9is e os amigos na igreja e no p\u00e1tio, com a alegria do povo e o amor de Deus sendo as \u00fanicas contamina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Marina Silva\/CORREIO Fundada em 1594, a hist\u00f3rica igreja do Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo \u00e9 o lar tranquilo e calmo do carism\u00e1tico p\u00e1roco\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":59403,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-59402","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59402\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}