{"id":60591,"date":"2022-03-22T11:05:00","date_gmt":"2022-03-22T14:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/aborto-prematuro-pode-estar-associado-a-alteracoes-geneticas-entenda\/"},"modified":"2022-09-23T12:27:49","modified_gmt":"2022-09-23T15:27:49","slug":"aborto-prematuro-pode-estar-associado-a-alteracoes-geneticas-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/22\/aborto-prematuro-pode-estar-associado-a-alteracoes-geneticas-entenda\/","title":{"rendered":"Aborto prematuro pode estar associado a altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas; entenda"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Uma nova pesquisa aponta que altera\u00e7\u00f5es em dois genes podem estar associadas a casos de aborto prematuro, aqueles que ocorrem em at\u00e9 tr\u00eas meses de gesta\u00e7\u00e3o. A perspectiva \u00e9 que o estudo ajude casais que sofrem repetidamente de perdas fetais e n\u00e3o teriam outra explica\u00e7\u00e3o para o fen\u00f4meno.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Quando n\u00f3s falamos de perda gestacional, \u00e9 muito importante para os casais entenderem o ocorrido e trabalharem junto com o m\u00e9dico para evitar essas perdas&#8221;, afirma Taccyanna Mikulski Ali, bi\u00f3loga molecular e coordenadora de an\u00e1lises de pr\u00e9-natal do laborat\u00f3rio Igenomix Brasil -pesquisadores da empresa fizeram parte do novo estudo.<\/p>\n<p>O artigo, publicado na revista Scientific Reports, sequenciou o genoma de 46 embri\u00f5es considerados cromossomicamente saud\u00e1veis. Os fetos precisavam ter seus cromossomos saud\u00e1veis porque o foco era investigar altera\u00e7\u00f5es em genes.<\/p>\n<p>&#8220;Dentro das mudan\u00e7as gen\u00e9ticas, a gente pode ter a altera\u00e7\u00e3o em cromossomo, que \u00e9 a estrutura maior de DNA que cont\u00eam os nossos genes, e a gente pode ter altera\u00e7\u00e3o de um gene em particular que est\u00e1 dentro dos cromossomos&#8221;, explica Ali.<\/p>\n<p>J\u00e1 existe uma s\u00e9rie de estudos que documentam como as altera\u00e7\u00f5es em alguns cromossomos, como o 9, o 15 e o 22, impactam negativamente a continuidade de uma gesta\u00e7\u00e3o. &#8220;A gente sabe que pelo menos metade das perdas de primeiro trimestre acontecem devido a uma altera\u00e7\u00e3o cromoss\u00f4mica, o que \u00e9 chamado de aneuploidia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos abortos, a bi\u00f3loga molecular explica que as altera\u00e7\u00f5es nos cromossomos em fetos est\u00e3o relacionadas a s\u00edndromes gen\u00e9ticas, como a de down.<\/p>\n<p>No entanto, alguns casais continuam a ter perdas de filhos sem contarem com as mudan\u00e7as registradas nos cromossomos e por isso \u00e9 necess\u00e1rio haver investiga\u00e7\u00f5es para observar outras explica\u00e7\u00f5es de por que os abortos prematuros continuam a ocorrer nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Algumas dessas raz\u00f5es podem ser altera\u00e7\u00f5es hormonais e infec\u00e7\u00f5es bacterianas ou virais. No entanto, outra explica\u00e7\u00e3o diz respeito a casos em que ocorre uma altera\u00e7\u00e3o no gene, n\u00e3o no cromossomo -e foi justamente esse o ponto investigado pela pesquisa.<\/p>\n<p>&#8220;O estudo foi focado em pessoas saud\u00e1veis, mas que tinham tido um ou dois abortos para a gente tentar identificar outra causa gen\u00e9tica que explicasse essas perdas&#8221;, resume a cientista.<\/p>\n<p>No total dos 46 embri\u00f5es que compuseram a pesquisa, os cientistas mapearam 439 variantes em 399 genes que j\u00e1 tinham sido pesquisados anteriormente em outros estudos.<\/p>\n<p>Assim, descobriram que varia\u00e7\u00f5es nos genes STAG2 e TLE4 podem estar relacionadas com a morte prematura dos fetos.<br \/>H\u00e1 duas hip\u00f3teses para a associa\u00e7\u00e3o desses genes com o aborto. No caso do STAG2, j\u00e1 foi documentado que, quando inativo, ele ocasiona a morte em camundongos, podendo ent\u00e3o estar relacionado \u00e0 morte prematura do embri\u00e3o. &#8220;Se o gene que vimos, quando ele est\u00e1 inativo no camundongo acaba sendo letal, ent\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma forte associa\u00e7\u00e3o [para explicar o aborto precoce].&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto isto, o gene TLE4 est\u00e1 associado a WNT, uma via de sinaliza\u00e7\u00e3o que interage com o cromossomo 9, este associado ao aborto, podendo ser essa a sua explica\u00e7\u00e3o para a rela\u00e7\u00e3o com o aborto dos embri\u00f5es.<\/p>\n<p>O achado do estudo reitera o que outras pesquisas j\u00e1 vinham demonstrando sobre esses dois genes e ainda indica um caminho mais previs\u00edvel para o aconselhamento de casais que pretendem ter um filho, algo que acontece normalmente quando \u00e9 registrada a segunda perda consecutiva de um feto.<\/p>\n<p>&#8220;Ao estudar um casal, \u00e9 poss\u00edvel dizer previamente quais as chances de eles terem uma gesta\u00e7\u00e3o com ocorr\u00eancia de aborto e j\u00e1 se consegue dar uma resposta at\u00e9 para o casal pensar sobre a gesta\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Ali.<\/p>\n<p>Embora o estudo traga descobertas promissoras e que reiteram outras investiga\u00e7\u00f5es, ainda \u00e9 importante uma an\u00e1lise com uma amostra mais diversa, isso porque, neste trabalho, todos os embri\u00f5es eram de origens europeias.<\/p>\n<p>Ali explica que, estudando fetos de origens diferentes, talvez seja poss\u00edvel descobrir outras varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que podem se associar a abortos. Al\u00e9m disso, diz a pesquisadora, ter uma amostra maior de embri\u00f5es \u00e9 necess\u00e1rio mesmo para consolidar os achados do estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Os pr\u00f3ximos passos s\u00e3o pensar em aumentar o n\u00famero de casos e tamb\u00e9m o impacto que isso vai ter no aconselhamento gen\u00e9tico, que pode acabar trazendo mais informa\u00e7\u00f5es para ajudar os pacientes&#8221;, conclui a bi\u00f3loga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Uma nova pesquisa aponta que altera\u00e7\u00f5es em dois genes podem estar associadas a casos de aborto prematuro, aqueles que ocorrem em at\u00e9\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":60592,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-60591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60591"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60591\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}