{"id":61169,"date":"2022-03-23T03:35:32","date_gmt":"2022-03-23T06:35:32","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/03\/como-mulheres-ao-redor-do-mundo-estao-usando-tecnologia-contra-assedio-nas-ruas\/"},"modified":"2022-03-23T03:35:32","modified_gmt":"2022-03-23T06:35:32","slug":"como-mulheres-ao-redor-do-mundo-estao-usando-tecnologia-contra-assedio-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/03\/23\/como-mulheres-ao-redor-do-mundo-estao-usando-tecnologia-contra-assedio-nas-ruas\/","title":{"rendered":"Como mulheres ao redor do mundo est\u00e3o usando tecnologia contra ass\u00e9dio nas ruas"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Ele estava a uns tr\u00eas ou quatro passos atr\u00e1s de mim e tentou entrar pela porta da minha casa quando tirei as chaves, mas quando perguntei o que ele estava fazendo e disse que meu namorado estava l\u00e1 dentro, ele fugiu.&#8221;<\/p>\n<p>Em Glasgow, na Esc\u00f3cia, mulheres est\u00e3o coletando dados sobre suas experi\u00eancias de viol\u00eancia e ass\u00e9dio nas ruas. Um mapa online permite que as mulheres incluam seus relatos de ass\u00e9dio, incluindo amea\u00e7as, intimida\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o sexual.<\/p>\n<ul>\n<li><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-60227400?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bem.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" rel=\"noopener\">As crian\u00e7as do narcotr\u00e1fico no M\u00e9xico: &#8216;Encontrei algo que me fazia sentir melhor que a droga: matar&#8217;<\/a><\/li>\n<li><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-60073294?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bem.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" rel=\"noopener\">Como AirTag da Apple est\u00e1 sendo usado para perseguir mulheres<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Esse projeto \u00e9 dirigido pela rede de seguran\u00e7a comunit\u00e1ria Wise Women e tem como objetivo identificar os principais lugares onde ocorrem os incidentes de ass\u00e9dio. Dawn Fyfe, profissional de desenvolvimento estrat\u00e9gico da Wise Women, espera influenciar os pol\u00edticos e planejadores urbanos para fazer com que a cidade seja um espa\u00e7o mais seguro para as mulheres.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que o ass\u00e9dio e o abuso das mulheres ocorrem em espa\u00e7os p\u00fablicos&#8221;, declarou Fyfe \u00e0 BBC. &#8220;Podemos usar isso para contribuir com informa\u00e7\u00f5es sobre os enfoques estrat\u00e9gicos da viol\u00eancia contra as mulheres e influenciar a realiza\u00e7\u00e3o de algumas mudan\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p>Os dados de Glasgow est\u00e3o sendo coletados por tr\u00eas meses at\u00e9 1\u00b0 de mar\u00e7o e as conclus\u00f5es iniciais ser\u00e3o publicadas no Dia Internacional da Mulher (8 de mar\u00e7o). As respons\u00e1veis pelo projeto esperam que, no futuro, o sistema possa ser ampliado e at\u00e9 implementado em n\u00edvel nacional no Reino Unido.<\/p>\n<p>Diversos projetos em v\u00e1rias partes do mundo est\u00e3o usando a tecnologia para mudar pol\u00edticas, acabar com o ass\u00e9dio e tornar as ruas mais seguras para as mulheres.<\/p>\n<h3>Mapeamento do ass\u00e9dio<\/h3>\n<p>A coleta de dados geogr\u00e1ficos das pessoas para criar um mapa digital atualizado &#8211; chamado em ingl\u00eas de crowdmapping &#8211; j\u00e1 foi utilizada no passado para combater o ass\u00e9dio nas ruas.<\/p>\n<p>Em 2010, um grupo de volunt\u00e1rias no Egito criou o HarassMap, que permite \u00e0s mulheres fazer den\u00fancias an\u00f4nimas sobre incidentes de abuso em espa\u00e7os p\u00fablicos. Uma pesquisa da \u00e9poca, realizada pelo Centro Eg\u00edpcio para os Direitos das Mulheres, concluiu que 83% das mulheres eg\u00edpcias e 98% das estrangeiras haviam sofrido algum tipo de ass\u00e9dio em p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;Antes de n\u00f3s, n\u00e3o havia ningu\u00e9m que vinculasse o trabalho tradicional comunit\u00e1rio ao digital neste setor&#8221;, afirma Rebecca Chiao, uma das fundadoras do HarassMap. &#8220;Acho que fomos as primeiras a fazer isso.&#8221;<\/p>\n<p>O HarassMap foi lan\u00e7ado pouco antes da Primavera \u00c1rabe, em 2011, que coincidiu com grande aumento da participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais em todo o Egito. Segundo Chiao, isso colaborou para o sucesso da sua plataforma.<\/p>\n<p>&#8220;Ver as rea\u00e7\u00f5es das pessoas ao lerem os relatos an\u00f4nimos foi incr\u00edvel&#8221;, recorda ela. &#8220;Alguns relatos eram muito emotivos ou visuais e n\u00e3o era algo que as mulheres eg\u00edpcias tivessem comodidade para falar abertamente &#8211; talvez com amigos, mas certamente n\u00e3o com a fam\u00edlia, nem publicamente.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Estava caminhando sozinha e um oper\u00e1rio n\u00e3o parava de me chamar, olhar para mim e tentar chamar minha aten\u00e7\u00e3o. Seus colegas tamb\u00e9m riam e me olhavam&#8221;, escreveu uma usu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Outra usu\u00e1ria relatou uma experi\u00eancia de exposi\u00e7\u00e3o indecente e intimida\u00e7\u00e3o: &#8220;estava indo a p\u00e9 para casa \u00e0 noite e um motorista de t\u00e1xi parou na minha frente, saiu do carro, abriu as cal\u00e7as e come\u00e7ou a tocar-se. Dobrei a esquina e fingi entrar em um dos edif\u00edcios. Ele passou lentamente com o carro para ver se eu havia entrado.&#8221;<\/p>\n<p>Mas o HarassMap n\u00e3o coleta mais relatos an\u00f4nimos porque as leis eg\u00edpcias relativas \u00e0 coleta de dados foram alteradas. Por isso, seu bra\u00e7o internacional agora assessora e apoia a instala\u00e7\u00e3o de plataformas em outros pa\u00edses e compartilha sua experi\u00eancia para atingir toler\u00e2ncia zero com o ass\u00e9dio em locais p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>Chiao afirma que uma das hist\u00f3rias de sucesso apoiadas pelo HarassMap \u00e9 o SafeCity, que come\u00e7ou na \u00cdndia e j\u00e1 se expandiu para outros pa\u00edses, como o Nepal, Qu\u00eania e Nig\u00e9ria.<\/p>\n<h3>&#8216;Problema mundial&#8217;<\/h3>\n<p>SafeCity foi fundada por ElsaMarie D&#8217;Silva e seus amigos em dezembro de 2012, em resposta ao estupro coletivo e assassinato brutal da estudante Jyoti Singh em um \u00f4nibus de Nova D\u00e9li, na \u00cdndia.<\/p>\n<p>&#8220;Quer\u00edamos fazer alguma coisa imediatamente&#8221;, conta D&#8217;Silva. &#8220;Trata-se de um problema global com subnotifica\u00e7\u00e3o em todos os lugares. Ferramentas como SafeCity s\u00e3o uma excelente forma de denunciar sua experi\u00eancia de forma an\u00f4nima e acreditamos que document\u00e1-la \u00e9 o primeiro passo para fazer justi\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>O mapa coleta casos de ass\u00e9dio, incluindo fotografias, assobios, exibi\u00e7\u00e3o indecente e masturba\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres muitas vezes sabem instintivamente que o que foi feito com elas \u00e9 errado, mas nem sempre sabem que t\u00eam direito a denunci\u00e1-lo&#8221;, ressalta D&#8217;Silva. &#8220;SafeCity estabelece uma comunidade de apoio e compartilhamento de experi\u00eancias. ?? algo curador, que desenvolve a capacidade de consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>D&#8217;Silva afirma que os dados foram levados \u00e0s autoridades, com rea\u00e7\u00e3o positiva com vistas ao aumento da seguran\u00e7a das mulheres em \u00e1reas problem\u00e1ticas, por meio de novas medidas que incluem aumento das patrulhas policiais e instala\u00e7\u00e3o de circuitos fechados de televis\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-59750393?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bem.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" rel=\"noopener\">&#8216;Igreja precisa mudar sistema que abusa das freiras&#8217;, diz autor de livro sobre vida religiosa feminina <\/a><\/li>\n<li><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-59680950?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bem.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" rel=\"noopener\">O que est\u00e1 por tr\u00e1s de onda de suic\u00eddios de donas de casa na \u00cdndia<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8220;As mulheres e meninas sentem-se mais seguras informando e acionando o alarme. Assim, podem ficar fora at\u00e9 mais tarde e aproveitar mais o seu tempo&#8221;, destaca ela. &#8220;O mundo n\u00e3o para \u00e0s 7 horas da noite.&#8221;<\/p>\n<p>?? exatamente por isso que, em resposta \u00e0s liga\u00e7\u00f5es das suas usu\u00e1rias, o aplicativo global de mapeamento de rotas Citymapper agora oferece trajetos que podem n\u00e3o ser necessariamente os mais r\u00e1pidos, mas sim os mais povoados ou mais bem iluminados. A fun\u00e7\u00e3o &#8220;ruas principais&#8221; fornece op\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para quem viaja depois do anoitecer.<\/p>\n<p>&#8220;Ruas mais movimentadas e bem iluminadas, f\u00e1ceis de memorizar e evitando parques e ruas sem sa\u00edda&#8221;, afirmou Gilbert Wedam, chefe de projeto do Citymapper. &#8220;A &#8216;melhor&#8217; rota nem sempre \u00e9 a mais r\u00e1pida, dependendo, em grande parte, do contexto em que se encontrem as pessoas.&#8221;<\/p>\n<h3>Uma iniciativa no Brasil<\/h3>\n<p>Paralelamente \u00e0s iniciativas internacionais, uma empreendedora do Recife procurou preencher a enorme lacuna de dados sobre den\u00fancias de ass\u00e9dio no Brasil e encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para tornar as ruas mais seguras.<\/p>\n<p>Simony C\u00e9sar \u00e9 fundadora e diretora-executiva de NINA, uma tecnologia que pode ser integrada a outros aplicativos, incluindo os de mapeamento de rotas e transporte compartilhado, para permitir den\u00fancias de ass\u00e9dio.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de C\u00e9sar trabalhava em um \u00f4nibus urbano e comentava como era dif\u00edcil para as mulheres deslocar-se para o trabalho e de volta para casa. Quando Simony cresceu, ela mesma observou e sofreu a realidade do ass\u00e9dio no transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;Conheci muitas mulheres que abandonariam a escola ou seu trabalho, simplesmente para evitar o medo do transporte p\u00fablico&#8221;, afirma ela. Mas &#8220;nos dados oficiais do governo, \u00e9 como se o problema n\u00e3o existisse&#8221;.<\/p>\n<p>Em uma pesquisa recente realizada por uma rede de seguran\u00e7a de mulheres &#8211; o Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o\/Locomotiva -, 81% das mulheres informaram ter sofrido algum tipo de viol\u00eancia nas cidades brasileiras. J\u00e1 a ONG F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica estima que haja um caso de ass\u00e9dio a cada quatro segundos no transporte p\u00fablico brasileiro.<\/p>\n<p>NINA funciona integrando-se a outros aplicativos e fornecendo um bot\u00e3o para denunciar facilmente os incidentes de ass\u00e9dio ou agress\u00e3o, fornecendo dados a Simony e sua equipe.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados que coletamos s\u00e3o utilizados para demonstrar que existe um problema real&#8221;, afirma ela. &#8220;Levamos essas informa\u00e7\u00f5es para as autoridades e promovemos o desenvolvimento de pol\u00edticas que tornem as cidades mais seguras, inclusivas e habit\u00e1veis, especialmente para as mulheres.&#8221;<\/p>\n<p>Na Esc\u00f3cia, Dawn Fyfe destaca a mesma necessidade de escutar mais as vozes das mulheres. Segundo ela, &#8220;queremos que as mulheres sejam inclu\u00eddas na tomada de decis\u00f5es para que suas experi\u00eancias sejam o centro das solu\u00e7\u00f5es de planejamento urbano. Isso \u00e9 misoginia pura e simples e precisamos reagir para cort\u00e1-la pela raiz&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos fazer a mudan\u00e7a agora. Chega!&#8221;, conclui Fyfe.<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/telegram.me\/bbcbrasil\" rel=\"noopener\">Inscreva-se no canal<\/a><b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCthbIFAxbXTTQEC7EcQvP1Q\" rel=\"noopener\">YouTube<\/a><b>? 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